SOL

Equinócios e Solstícios - 6 de Agosto de 2010

Publicação: 06 Agosto 10 10:01

Dimensão

 

O potencial da Figueira da Foz

 

Na Figueira da Foz está a terminar uma das obras mais importantes para o progresso daquele concelho: a reorientação do Molhe Norte.

Há muito anos que vários executivos municipais e vários Governos tentavam que o projecto e a obra se tornassem realidade. O porto da Figueira tem sido vítima desse deficiente traçado do molhe – que, no ponto onde o Rio Mondego e o Oceano Atlântico se encontram,  provoca movimentos de  águas e areias muito pouco favoráveis à  entrada, estada e saída dos navios.

 

A Figueira da Foz é uma terra cuja economia tem um acentuado traço de sazonalidade, pela dependência do turismo de Verão e de fim-de-semana.

Uma das figuras mais importantes no desenvolvimento da Figueira no último século, o eng. José Coelho Jordão (que foi Presidente da Câmara antes do 25 de Abril), salientou sempre a importância do sector secundário e da valorização do porto comercial para um desenvolvimento integrado da cidade, procurando combater essa dependência das receitas do turismo.

 

A Figueira da Foz é uma das terras com melhores acessibilidades de Portugal. Tem uma localização privilegiada no território nacional. A distância a que está de Lisboa e do Porto, por um lado, e das fronteiras Norte e Sul, por outro, aliada ao facto de ser uma cidade costeira, podia (e pode) fazer sonhar com um estatuto de capitalidade objectiva, capaz de contrariar o movimento de concentração nas duas principais polis de Portugal.

 

A Figueira da Foz tem praias, tem a Serra da Boa Viagem, tem lagoas naturais, tem campos de arroz, tem um interessante roteiro arqueológico, tem o Centro de Artes e Espectáculos, tem um casino.

Tem uma gastronomia muito apreciada (e, até, uma das melhores casas de gelados do país).

Tem uma extraordinária rede de auto-estradas e o já referido porto comercial.

Tem um sector industrial assinalável, com unidades como a Soporcel, a Celbi, a Vidreira do Mondego, a Plasfil, a Ernesto Morgado, entre outras.

 

Falta à Figueira um hotel de cinco estrelas? Falta, apesar do esforço de unidades existentes, como o Aparthotel Atlântico e o Hotel de Quiaios.

Falta o golfe, para também combater a sazonalidade? Falta. E não será um percurso de 9 buracos que resolverá o assunto.

Como pode deduzir-se do que disse acima – a que se somam os notáveis recursos naturais, em que se destaca a beleza das paisagens –, a Figueira da Foz tem muito para subir para outro patamar.

 

Valorização

Gaia e Alcácer

Para além da Figueira da Foz – e até para não desassossegar ninguém – quero hoje referir duas outras terras.

Uma é Vila Nova de Gaia  – que concretizou a decisão de construir uma marina com efectiva capacidade.

Essa é uma das carências da Figueira – que só tem uma doca de recreio de pequena dimensão – e mesmo de quase toda a costa portuguesa. É absolutamente inacreditável que, num país em que o turismo é tão importante e que dispõe da costa Atlântica mais ocidental da Europa, quase não existam pontos de ancoragem  suficientes para embarcações de recreio (que, assim, passam aqui sem parar).

Esta é uma decisão estratégica, que vem na linha do inegável desenvolvimento sustentável que Gaia tem conhecido.

 

Outra terra de Portugal que quero destacar hoje é Alcácer do Sal. Sempre foi bonita, embora eu a olhe de uma maneira especial, porque a ela me ligam fortes laços familiares. Mas ninguém pode contestar como é cada vez mais procurada aquela zona ribeirinha – que, desde logo, dispõe de óptimos restaurantes em todos os aspectos. E aí se podem admirar paisagens deslumbrantes, nomeadamente os extensos arrozais. E existe património que merece visita (sem falar de uma estalagem de realce na rede de que Portugal dispõe).

Porque falo hoje nestes casos? Simplesmente, porque é o que devemos fazer todos; não olharmos para os horrores da política nacional, não darmos atenção aos deprimentes espectáculos de quase todos os dias, e olharmos para o país em concreto, o Portugal que teima em ser feliz, apesar das malfeitorias de que vamos tendo conhecimento.

 

Falei de um concelho do centro, de outro do norte e de outro do sul. E vamos sabendo como nas regiões autónomas também há Portugal a acontecer. A Madeira é o sucesso que se sabe.

E ainda esta semana assisti a uma reportagem sobre os portugueses do continente que cada vez mais demandam as belezas naturais dos Açores.

 

Gratidão

Os que partiram

A propósito dos Açores, quero dedicar uma palavra muito especial a Mário Bettencourt Resendes. Por seu convite, escrevi, durante anos, no DN. Mas não é por isso que gosto dele. Sou seu amigo e seu admirador porque sempre o vi ser bom, educado, livre e convicto. Vai fazer muita falta o seu equilíbrio, a sua tendência para destacar o lado bom, a sua preocupação em ser humano. A SIC Notícias homenageou-o de um modo muito bonito numa emissão com Ana Lourenço, António José Teixeira e Luís Delgado. Parecia que tínhamos voltado a um mundo ‘normal’, com uma conversa e uma maneira de sentir próprias de seres humanos. Aquelas pessoas perceberam que era mais importante, naquele momento, falar de alguém que partira do que estar a falar da ‘actualidade’.

 

Evoco, também, António Feio. Quero sublinhar, como outros já fizeram, a classe com que foi transmitindo o que passou nos tempos tão duros que teve de enfrentar. Também transmitiu uma doce serenidade antes de partir.

Mário Bettencourt Resendes e António Feio amaram a vida. E deram lições a Portugal e aos portugueses.

Cada um à sua maneira, souberam ‘construir’ com os dons que Deus lhes deu. Construíram, criaram, lutaram, deram testemunho dos seus princípios e das suas convicções.

O Portugal que interessa não pode ser construído sem que atribuamos importância aos sentimentos e sem que sejamos gratos para quem fez bem. Portugal, nestes dias, soube agradecer a dois portugueses distintos que partiram. Portugal vai continuando por esse país fora. Por mais disparates que todos tenhamos de ouvir e de aturar a toda a hora. Portugal vai portugalando.

Comentários

# HUMBERT1820 said on Agosto 13, 2010 8:35:

oh vila nova de gaia adega da cidade do Porto

# HUMBERT1820 said on Agosto 13, 2010 8:39:

É com tristeza que se vê uma cidade do Porto sem um cais para barcos sem uma marina onde estão os barcos das pessoas da cidade do Porto? E Lisboa?

Para comentar necessita de estar registado