TEMPUS FUGIT
"A verdadeira função do homem é viver, não existir. Eu não gastarei meus dias tentando prolongá-los. Eu usarei meu tempo." - Jack London
O Tempo, essa metáfora que Platão designou um dia como “A imagem móvel da eternidade imóvel" tem passado por mim de um modo assaz impetuoso. Ainda “ontem”, em plena juventude da vida, eu andava usando e abusando dos dias e das noites sem descanso. Nessas imagens que agora vou vislumbrando no descanso do plácido guerreiro, correm rápidas e revoltas tantas aventuras! Terei Tempo para me recordar delas todas? De lhes assegurar perenidade, descrevendo-as no écran da “folha de papel”?
É que eu cheguei àquele tempo em que olhar para trás cansa mais que vislumbrar o futuro, algo incerto. Sinto-me como aquele garoto que, dispondo de um saco de rebuçados os chupou displicentemente no início, mas que perante a proximidade da “concorrência” se apressa a absorve-los rapidamente. Sim, quero o Tempo só para mim! Ou partilhando-o, este se prolongue de modo duradoiro.
Um Tempo com sabor, com saúde e sem saudade do tempo que já gastei.
Não me cansei ainda. Apesar das lutas travadas, dos trabalhos longos e duros, dos momentos de incerteza. Tenho reservas para consumir gradualmente, sem pressas, antes que o Tempo se esgote. O meu Tempo, o Tempo de cada um de nós, está programado para terminar um dia, não vale alterar os ponteiros do relógio.
E agora que o Tempo me corre nas veias já sem pressas, eu já não tenho Tempo a perder. Com projectos megalómanos. Para me envolver emocionalmente em discussões estéreis. Para debater virgulas, parágrafos, conjunções e confusões. Quero descobrir como é bom viver ao lado de gente humana, culta e sábia, que sabe que o riso é como a gaivota que voa em mar escalpelado; que sabe que a liberdade é a força do querer, a raiz do pensamento; que sabe que a mortalidade é tão natural como comer e beber, ou respirar.
É Tempo de ter tempo! De Viver! Com vagar, sorvendo cada momento, cada minuto, hora, dia… De dedicar parcelas do meu Tempo ao Tempo de outros, de o acrescentar com o sabor, a alegria, a (com)paixão e a sabedoria de quem sabe que o Tempo voa… não se esgota!
Carpe Diem
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"Mas ele foge entretanto: irreversivelmente o tempo foge" - Virgílio