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PESSOALÍSSIMO

Um olhar construtivista e de esquerda sobre o Mundo e a Humanidade. E sobre o meu EU. Sem complexos ideológicos ou filosóficos.

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TEMPUS FUGIT

  

"A verdadeira função do homem é viver, não existir. Eu não gastarei meus dias tentando prolongá-los. Eu usarei meu tempo." - Jack London

   

O Tempo, essa metáfora que Platão designou um dia como “A imagem móvel da eternidade imóvel" tem passado por mim de um modo assaz impetuoso. Ainda “ontem”, em plena juventude da vida, eu andava usando e abusando dos dias e das noites sem descanso. Nessas imagens que agora vou vislumbrando no descanso do plácido guerreiro, correm rápidas e revoltas tantas aventuras! Terei Tempo para me recordar delas todas? De lhes assegurar perenidade, descrevendo-as no écran da “folha de papel”?

É que eu cheguei àquele tempo em que olhar para trás cansa mais que vislumbrar o futuro, algo incerto. Sinto-me como aquele garoto que, dispondo de um saco de rebuçados os chupou displicentemente no início, mas que perante a proximidade da “concorrência” se apressa a absorve-los rapidamente. Sim, quero o Tempo só para mim! Ou partilhando-o, este se prolongue de modo duradoiro.

Um Tempo com sabor, com saúde e sem saudade do tempo que já gastei.

Não me cansei ainda. Apesar das lutas travadas, dos trabalhos longos e duros, dos momentos de incerteza. Tenho reservas para consumir gradualmente, sem pressas, antes que o Tempo se esgote. O meu Tempo, o Tempo de cada um de nós, está programado para terminar um dia, não vale alterar os ponteiros do relógio.

E agora que o Tempo me corre nas veias já sem pressas, eu já não tenho Tempo a perder. Com projectos megalómanos. Para me envolver emocionalmente em discussões estéreis. Para debater virgulas, parágrafos, conjunções e confusões. Quero descobrir como é bom viver ao lado de gente humana, culta e sábia, que sabe que o riso é como a gaivota que voa em mar escalpelado; que sabe que a liberdade é a força do querer, a raiz do pensamento; que sabe que a mortalidade é tão natural como comer e beber, ou respirar.

É Tempo de ter tempo! De Viver! Com vagar, sorvendo cada momento, cada minuto, hora, dia… De dedicar parcelas do meu Tempo ao Tempo de outros, de o acrescentar com o sabor, a alegria, a (com)paixão e a sabedoria de quem sabe que o Tempo voa… não se esgota!

Carpe Diem

[youtube:tgRzd3VvZSE]

"Mas ele foge entretanto: irreversivelmente o tempo foge" - Virgílio

 

Publicação: sábado, 2 de Fevereiro de 2008 1:15 por pessoalissimo

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Comentários

# re: TEMPUS FUGIT @ sábado, 2 de Fevereiro de 2008 1:59

Fernando

Depois do comentário conformado que fizeste ao meu post -e para o qual preparava um abanão de palavras (rss)- até fiquei emocionada agora quando te li !

Tu sabes ! Não sei é se não querias saber ou se não querias que os outros soubessem que tu sabes... rsss

Fiquei muito satisfeita por te ler com este espírito.

eeu

eeu

# re: TEMPUS FUGIT @ sábado, 2 de Fevereiro de 2008 2:27

Isto não é um bom lugar para carpar o diem...

um abraço

trout

trout

# re: TEMPUS FUGIT @ sábado, 2 de Fevereiro de 2008 9:30

Pessoalíssimo

Parabéns pela tua visão de longo alcance.

"De tudo quanto gastamos, o mais caro é o tempo" Antifonte, séc. V a. C. (frg. 77 Diels)

Não é só o tempo que nos devora. É também haver quem pense sem tempo, não é pessoalíssimo?

Um abraço

meninosdocoro

# re: TEMPUS FUGIT @ sábado, 2 de Fevereiro de 2008 9:33

Posso estar a mentir, involuntariamente, mas acho que foi o teu texto que mais gostei. Se não foi o que mais gosteis, está no top seguramente.

O tempo é realmente a nossa religião, o nosso Deus. É ele que nos traça o caminho e a velocidade com que o percorremos. Mas também é ele que acaba por moldar tudo e dar o real valor às coisas, esse eterno escultor, como dizia a Marguerite.

Não tenho pressa em acabar tudo o que comecei, só tenho medo do fim das coisas que não iniciei. Nesse aspecto ele acabo por ser ditador, aos nos retirar a liberdade de poder começar tudo de novo a partir de um certo momento.

Há um tempo para haver um tempo de recomeçar. Talvez haja outro tempo para mudar o tempo de como acabar.

E mais não digo.

Abraço

bp63

# re: TEMPUS FUGIT @ sábado, 2 de Fevereiro de 2008 9:34

Pós Pós comentário:

Gostei muito do filme.

bp63

# re: TEMPUS FUGIT @ sábado, 2 de Fevereiro de 2008 9:40

Eu estou a ser repetitivo, mas fazendo as tais pontes deixo ficar um clip que já tinha colocado no blog da Minda. Mas acho que faz falta aqui como banda sonora deste bonito texto.

[YouTube:1QjtpNfdFwE]

Abraço

E desculpa mas também o vou pôr na Eeu.

Acho que hoje acordei um pai-natal youtubento.

bp63

# re: TEMPUS FUGIT @ sábado, 2 de Fevereiro de 2008 10:08

Ora que bela introspecção meu Caro Fernando!

É como o descanso do guerreiro. Eu só não voltava para trás,porque ao logo desse tempo fui sempre eu.

Daqui para a frente, cá estaremos, enquanto nos for permitido.

Um grande abraço, amigo Fernando

oserrano

# re: TEMPUS FUGIT @ sábado, 2 de Fevereiro de 2008 10:08

Fernando bom dia

Gosto de relógios apenas por que podem ser verdadeiros exemplos de obras de arte... criados pela nossa humanidade que se maravilha perante mecanismos precisos e metódicos... ideais para o mundo seguro e perfeito que tanto ansiamos...

No entanto, será o Tempo apenas uma filosofia..?... uma perspectiva consensual sobre a tal "eternidade imóvel"..?... que nos permite organizar, escalonar, manipular e inventar tradições e rituais, mas qual reverso da medalha... nos aprisiona ao contar dos minutos... a dogmas como a juventude e a velhice, por exemplo... enfim, a comportamentos esteriotipados...

O que mais gostei de apreender no seu texto... foi precisamente a sua mudança de perspectiva... o Fernando alterou o seu Tempo... faça-se a sua Vontade..!... que se queixem agora os Relógios  :)

Obrigada pela sua simpatia

Abraço

Barca

BarcaDaFantasia

# re: TEMPUS FUGIT @ sábado, 2 de Fevereiro de 2008 10:54

olá pessoalíssimo,

sem me alongar, gostei muito deste post mas como já calcula entristeceu-me.

Eu já comentei consigo que se tivesse esse poder, escandalosamente egoísta, parava o tempo aqui e agora. Não envelheciamos mais, ninguém morria, crescia ou nascia... (que barbaridade/ talvez por isso também não tenhamos esse poder...).

Talvez fosse bom acreditar num recomeçar. Eu não encaro bem a velhice nem a morte. Talvez me falte muita maturidade ou falar mais com certas pessoas que vêem o "final da areia na ampulheta" com outros olhos...

Mas posso dizer-lhe que por ter passado a valorizar tanto a vida, e todos os momentos, não discuto também parágrafos ou passei a desvalorizar certos assuntos fúteis.

A vida é muito preciosa e linda, ingratos são os que não a saboream ou a desperdiçam com mesquinhez e guerras.

Mas, já me alonguei...

beijinhos, boa semana

gomes2000

# re: TEMPUS FUGIT @ sábado, 2 de Fevereiro de 2008 11:46

Caro amigo Fernando,

Partilho a opinião do BP63. O melhor texto que li aqui. Talvez por me rever algumas partes, como na parte final que sublinho:

"É Tempo de ter tempo! De Viver! Com vagar, sorvendo cada momento, cada minuto, hora, dia? De dedicar parcelas do meu Tempo ao Tempo de outros, de o acrescentar com o sabor, a alegria, a (com)paixão e a sabedoria de quem sabe que o Tempo voa? não se esgota! "

Gostei muito desta sua reflexão.

Um abraço e um excelente fim de semana,

Marazul2007

MarAzul2007

# re: TEMPUS FUGIT @ sábado, 2 de Fevereiro de 2008 13:03

Psss....

Olha gostei tanto, estou tão seduzida pelo colar das palavras, que nem vou comentar para não estragar o teu encanto pelo Tempo?

Subscrevo os oradores anteriores: este foi o teu melhor post?

Beijo

Minda

desabafosdaminda

# re: TEMPUS FUGIT @ sábado, 2 de Fevereiro de 2008 18:54

Fernando,

È lindo. Muito lindo .

Estou sem palavras ,mas já "arranjo" algumas...

Eu sei que vais dizer que é o meu optimismo a falar , mas penso que tenho que te dizer que apesar do tempo nos fujir, isso nunca é certo que nos fuja somente  aos 30 , 40, 50, 60 e por ai...

Ele poderá fujir com 1 dia, 1 mes , 1 ano, dez anos de vida .

É nessa incerteza que penso sempre,  que como tu olho para o Tempo a passar e rogo "pragas" á vida por essa certeza imutavel.

E depois o Tempo oferece-nos algo que nos valoriza como seres humanos: A sabedoria , a experiencia , o encontro e descoberta de nosso "eu".

E isso só o tempo nos dá...

Não me alongo mais para não estragar com o meu optimismo a beleza do que escreves-te.

Beijinhos

Paula

PSCGF

# re: TEMPUS FUGIT @ sábado, 2 de Fevereiro de 2008 20:45

Fernando

Adorei as reflexões de vida que projectou neste post...

"Já não tenho tempo a perder"...Uma frase que deve ser o lema da nossa existência.

O passado é apens um traço de memória,guardado na nossa mente.O futuro é o amanhã do agora...

Saber viver no agora,é pensar nos nossos sonhos, realizados sem medo e sem sofrimento

Um Bjinho

atena

Atena

# re: TEMPUS FUGIT @ sábado, 2 de Fevereiro de 2008 21:27

Olá Fernando

Gostei muito de ler este post embora sinto por aí uma certa nostalgia...

Dizes que já não tens tempo para grandes projectos....

Discordo!!!

Tens todo o teu tempo pois enquanto viveres e não apenas sobreviveres tens esse tempo e o dever de o utilizares!!!!

Por isso mãos-à-obra e toca a usares o TEU TEMPO!!!!

És um idealista e um romântico!!!

Beijos

KIki

Anahory

# re: TEMPUS FUGIT @ domingo, 3 de Fevereiro de 2008 0:52

Bom dia Fernando,

Um excelente 'post', sem dúvida!

O seu conteúdo faz-me lembrar a célebre frase do nosso Pessoa...

- JÁ TENHO SAUDADES DO FUTURO!

Um Grande Abraço

James

JAMES

# re: TEMPUS FUGIT @ domingo, 3 de Fevereiro de 2008 1:32

TROUT ? Admito que o ?Carpe Diem? fica aqui um bocadinho deslocado, mas quis deixar um tom optimista neste post.

pessoalissimo

# re: TEMPUS FUGIT @ domingo, 3 de Fevereiro de 2008 1:34

EEU - Sad

Ainda sei pouco! Por isso quero (continuar a) aprender! Aprender sempre! Com quem SABE, claro! É que o meu Tempo que está na parte de cima da ampulheta já é menor que o que está por baixo... :))

Tenho de esclarecer aqui uma coisa: Eu sei umas coisas que outros não sabem ou sabem de outra maneira. E tenho este blogue para me divertir, passar o tempo e sobretudo reflectir sobre as minhas próprias interrogações, sou muito reflexivo. E para fazer pedagogia, também. Sobre os mais variados temas (interesso-me por quase tudo) da vida social e cultural. A democracia conquista-se (pratica-se) todos os dias quando reflectimos sobre o quotidiano, os políticos só ampliam essa reflexão no interior de partidos e para a comunicação social.

---

Comentário conformado? Não! Apenas respeito pelos outros, uma legião interminável que lá tens no teu blogue. Se fosse "aquecer" aquele debate como terias Tempo para lhes responder? :) O TEMPO é um bem muito precioso!

pessoalissimo

# re: TEMPUS FUGIT @ domingo, 3 de Fevereiro de 2008 1:38

MENINOSDOCORO ? "De tudo quanto gastamos, o mais caro é o tempo". Uma grande verdade desse filósofo (?) grego.

Pensar é uma das mais nobres e distintivas funções da espécie humana, mas infelizmente nem todos pensam, limitam-se a absorver e a deitar fora, a descartar as ideias dos outros. É um grande desperdício de massa encefálica!

pessoalissimo

# re: TEMPUS FUGIT @ domingo, 3 de Fevereiro de 2008 1:53

BP63 ? Obrigado pela apreciação, mas juro que este post saiu quase de supetão, ao invés de tantos outros que andam por aqui a aboborar semanas infindas.

E saiu quase num acto de desespero perante a minha crónica falta de tempo para fazer uma das coisas de que mais gosto, a escrita. Ainda por cima, raramente escrevo bem à primeira, sou um carpinteiro das palavras que precisa de aplainar muito os textos antes de estes ficarem apresentáveis.

?Há um tempo para haver um tempo de recomeçar. Talvez haja outro tempo para mudar o tempo de como acabar.? Bem gostaria que fosse assim, mas raramente o Tempo nos deixa recomeçar, corrigir os erros do passado. Mas dá-nos muitas lições! Que só serão verdadeiramente apreendidas quando este deixar passar muitas luas, o tal efeito de escultor que aqui, e muito bem, referiste.

pessoalissimo

# re: TEMPUS FUGIT @ domingo, 3 de Fevereiro de 2008 1:54

...E obrigado pelo vídeo. Embora já o tivesse visto lá no blogue da Minda, adorei voltar a vê-lo, tem muitas leituras.

pessoalissimo

# re: TEMPUS FUGIT @ domingo, 3 de Fevereiro de 2008 2:06

BARCADAFANTASIA ? Barquinha: pois é, parece que o tempo tem ritmos diferentes para cada um de nós. Somos capazes de estar horas infindas sem notar o passar dos ponteiros do relógio quando estamos na companhia de alguém querido ou a fazer algo que nos entusiasma. Por vezes, achamos mesmo que o tempo passa demasiado rápido.

Noutras situações (quando estamos sós, por exemplo) o tempo parece demorar uma eternidade a passar. Afinal, o TEMPO passa sobretudo na nossa cabeça, apesar dos ponteiros dos relógios parecerem estar sempre certos no seu avanço gradual, inexorável.

Mas já reparou que o Tempo é circular? Volta sempre ao princípio! Às vezes parece cansado?

pessoalissimo

# re: TEMPUS FUGIT @ domingo, 3 de Fevereiro de 2008 2:08

OSERRANO - :)) Hoje (ontem) deu-me para isto, veja lá! Há dias assim em que nos pomos a matutar num problema, neste caso a minha crónica falta de tempo para fazer muitas coisas que gosto, e com a convicção de que temos de encontrar uma solução para ele. Que muitas vezes passa simplesmente por uma nova abordagem, um outro olhar. Foi o que tentei fazer agora, veremos se resulta!

pessoalissimo

# re: TEMPUS FUGIT @ domingo, 3 de Fevereiro de 2008 2:14

Olá Compadre pessoalíssimo,

Concordo, mas de quem é a culpa?

Desde a Grécia antiga (pelo menos) que todos sabem, mas para tomarem consciência necessitam, muitas vezes, que o relógio lhes caía em cima.

Porquê?

Ainda hoje tenho dificuldades em conseguir estar em grupo. Como já vi a morte deixei de ter pressa em viver, hoje aprecio mais a viagem: já sei o destino!

Um abraço,

Break

Break

# re: TEMPUS FUGIT @ domingo, 3 de Fevereiro de 2008 2:29

GOMES2000 ? Há um livro de José Saramago (As Intermitências da Morte, publicado em 2005) que desenvolve a sua trama em redor dessa ideia ?escandalosamente egoísta? de parar o tempo. É que se isso acontecesse (mera hipótese teórica) as consequências (económicas, sociológicas, culturais e, sobretudo religiosas) seriam inimagináveis. Se ainda não leu tem de ler esse livro, um dos melhores de Saramago sobre a nossa relação com o Tempo e a Morte que, como diz aqui o Bp63, são partes essenciais de uma religião especial, a dos ateus.

Eu compreendo que ainda sinta dificuldade em falar (ou simplesmente pensar) na velhice e na morte, afinal a sua ampulheta ainda está muito cheia na parte de cima :)). E não se preocupe com isso, é um processo natural, evolutivo que avança mais depressa ou devagar de acordo com as experiências de vida (ou de quase morte) porque vamos passando.  A maturidade vem com essas experiências. E as suas são já bastante duras, ajudaram-na a crescer e a dar o valor à vida de um modo mais subtil e exigente. E com um sabor mais agradável.:))

pessoalissimo

# re: TEMPUS FUGIT @ domingo, 3 de Fevereiro de 2008 6:55

Escrevo-lhe de um hotel de Granada à espera das 9H30 para ir visitar a cidadela monumental de Alhambra. Como vê, vou cumprindo o meu "carpe die". Que pelos vistos também é de Horácio, de Epicuro e de Cristo : " Basta a cada dia o seu dia".

contracorrente

# re: TEMPUS FUGIT @ domingo, 3 de Fevereiro de 2008 11:44

MARAZUL2007 ? Meu amigo, o Tempo é o Grande Ditador das nossas vidas, Aquele que nos determina tantas vezes os passos que damos, os erros que cometemos (por falta de tempo para reflexão). Embora ele só surge ?visível? nos relógios que usamos para regular a duração do que fazemos ou o que pensamos vir a realizar, ele está omnipresente. Por isso é um Deus, doloroso para uns, amoroso para outros.

Carpe Diem!

pessoalissimo

# re: TEMPUS FUGIT @ domingo, 3 de Fevereiro de 2008 11:50

Minda

DESABAFOS - :)))

Não será propriamente encanto o que sinto pelo Tempo. Sobretudo pelo que já passou, pois sinto hoje que se pudesse tinha feito algumas coisas diferentes. Mas oTempo que passa não deixa! Ele segue em frente inexorável, deixando-nos, por vezes, cansados da viagem que com ele vamos fazendo?

O melhor post? Não acredito. É porque não leste muitos outros para trás.

De qualquer modo, este foi um post diferente, um pouco ?especial? até, porque escrito ao correr do som do teclado e da profunda sensação de que o meu Tempo está a esgotar-se. Mas espero que ainda dure o suficiente para trazer aqui novas reflexões sobre esse Grande Ditador. :))

pessoalissimo

# re: TEMPUS FUGIT @ domingo, 3 de Fevereiro de 2008 11:53

Fernando

Querido amigo

Este para mim é o teu melhor , porque falas de ti e de toda Humanidade, apercebeste-te que é tempo de VIVER e ajudares os outros a viver....

Vive o Presente o melhor que possas, o teu dia a dia tem que ser vivido  não pensando no Passado, amigo o passado passou.... o Futuro depende do que construires no Presente, e julgo pelo que conheço de ti, que vai ser radioso....

Bom fim de semana, mesmo com chuva é bom.... estar na caminha ouvindo musica ou outras coisas mais.... em boa companhia....

Beijo Lurdinhas

avomilu

# re: TEMPUS FUGIT @ domingo, 3 de Fevereiro de 2008 12:03

Um texto delicioso Fernando.

Adoro ouvir a sabedoria do falar num homem ?velho?, tenha a 4ª classe ou tenha ido mais além, no fundo é a sabedoria da vida vivida.

(relembrei o meu Pai o meu avô e amigos deles...e a serenidade que emanavam)

Já nas mulheres (e contra mim falo) não noto tanto isto, será que a gastaram durante a vida vivida? Ou será defeito meu?

Vou esperar para ver se na altura terei ?paxorra? para aturar as minhas congéneres.

Ehehehhehe

;)

Um beijoooo

O "Carpe Diem" fez-me lembrar o filme o Clube Dos Poetas Mortos...Há coisas que só se aprendem/apreendem com o tempo...!

azulinox

# re: TEMPUS FUGIT @ domingo, 3 de Fevereiro de 2008 12:14

PSCGF ? Querida Paula, é sempre um prazer ler o que escreves, és uma uma optimista incorrigível! :)) E isso faz bem à nossa alma!

Se é bem verdade que, se pudéssemos parávamos o Tempo (ou recuávamos nele) por algumas vezes, também não deixa de ser certo que ?o Tempo oferece-nos algo que nos valoriza como seres humanos: A sabedoria, a experiência, o encontro e descoberta de nosso "eu".? E é uma pena que muitos seres humanos não saibam aproveitar essa dádiva.

pessoalissimo

# re: TEMPUS FUGIT @ domingo, 3 de Fevereiro de 2008 12:20

ATENA ? ?Saber viver no agora, é pensar nos nossos sonhos, realizados sem medo e sem sofrimento?. Gostei! E vou adoptar esta tua frase como uma expressão do meu desejo de viver? Agora!

pessoalissimo

# re: TEMPUS FUGIT @ domingo, 3 de Fevereiro de 2008 13:01

JAMES ? Meu amigo, essa frase de FP fica aqui tão bem! Muito obrigado pela sugestão e pela sua enorme disponibilidade para comigo. Vamo-nos encontrando por aí. :))

pessoalissimo

# re: TEMPUS FUGIT @ domingo, 3 de Fevereiro de 2008 13:04

BREAK ? ?Como já vi a morte deixei de ter pressa em viver, hoje aprecio mais a viagem: já sei o destino!? Mas que grande reflexão que aqui nos deixas, meu amigo!

Eu ainda não vi (ou vislumbrei a morte) para creio perceber o alcance das tuas palavras, eu ouvi-a (ditas de outro modo) várias vezes do meu pai nos últimos meses de vida.

Agora sei verdadeiramente o que queres dizer.

pessoalissimo

# re: TEMPUS FUGIT @ domingo, 3 de Fevereiro de 2008 13:11

CONTRACORRENTE ? Nos textos do poeta romano Horácio (65 - 8 AC) ?Carpe Diem? (em Latim) significa " colha o dia " ou " aproveita o momento ". Foi por isso que terminei assim o meu texto.

Tenha uma boa estadia, Alhambra é dos monumentos mundiais mais extraordinários, tenho de voltar lá um dia destes. É a cultura muçulmana no seu melhor.

pessoalissimo

# re: TEMPUS FUGIT @ domingo, 3 de Fevereiro de 2008 13:12

ANAHORY ? Kiki, Acho que não percebeste bem o que pretendi dizer. O que eu quero é que o meu Tempo, o Tempo que me falta viver seja mais dedicado àquilo que realmente me dê prazer e que tenho vindo a adiar.

Os projectos grandiosos que alimentei no passado esses ficam definitivamente arrumados numa das prateleiras do Tempo. Apenas porque eram demasiado megalómanos e ambiciosos e que me gastariam muito tempo e energias, com sucesso duvidoso. Assim prefiro ir fazendo (e vivendo) coisas mais simples, esta de escrever no meu blogue é uma delas.

Mas espero viver ainda o suficiente para realizar muitos projectos? E alguns passam por aqui, pela blogosfera.

pessoalissimo

# re: TEMPUS FUGIT @ domingo, 3 de Fevereiro de 2008 13:17

AZULINOX - :))) Sim, o filme ?Clube Dos Poetas Mortos? é um óptimo exemplo que aqui nos trazes para se entender como o Tempo é (pode) ser vivido de modo diferente por diferentes gerações. Na juventude o Tempo parece passar demasiado rápido, há tanta coisa para fazer, tantos sonhos para alimentar, realizar?

Depois com o andar dos anos, o Tempo torna-se mais lento, saboreia-se melhor a vida, lá chegarás! E acho que vais gostar.

pessoalissimo

# re: TEMPUS FUGIT @ domingo, 3 de Fevereiro de 2008 13:20

AVOMILU - :))) Lurdinhas, este foi um post ao teu estilo, sabia que ias apreciar.

Sabes, eu gosto de chuva! Assim como está a cair agora, lenta e sem vento! Pelo menos aqui na Ericeira.

pessoalissimo

# re: TEMPUS FUGIT @ domingo, 3 de Fevereiro de 2008 13:45

Olá Fernando,

As palavras do teu post estão óptimas, mas o que está por trás é bem mais importante.

Para mim, o "Tempo de ter tempo" ainda não chegou. Continuo a ser um "Fast Kurioso".

Mas, se o Tempo não me pregar uma partida, tenho uma série de ideias para implementar quando a areia começar a correr mais devagar.

Foi muito agradável ler palavras de calma sabedoria, depois de uma semana louca de viagens, aeroportos, gente, confusão e muita "conversa da treta".

Abraço,

Kurioso  

KURIOSO

# re: TEMPUS FUGIT @ domingo, 3 de Fevereiro de 2008 15:18

Precisamente porque a partir de um determinado tempo, o tempo não deixa um outro tempo para recomeçar, é importante que haja um novo tempo para mudar a forma de acabar.

No primeiro post da Minda ela colocou um video da Ana Carolina em que declamava um poema que dizia assim:

"Se não pudemos mudar o começo, vamos então mudar o final"

Assim seja, neste tempo.

(escrevo este comentário ao som do Caruso, é impressionante a emoção que a musica põe nas palavras que escrevemos)

bp63

# re: TEMPUS FUGIT @ domingo, 3 de Fevereiro de 2008 17:34

Teofrasto, filósofo grego dizia que o nosso gasto mais dispendioso é o tempo. Perdemos muito tempo com coisas triviais, quando o que é importante, deixamos muitas vezes para segundo plano.

Como disse e muito bem: "o Tempo de cada um de nós, está programado para terminar um dia", e nesse dia espero dizer como Pablo Neruda: Confesso que Vivi.

pdias

# re: TEMPUS FUGIT @ domingo, 3 de Fevereiro de 2008 18:09

A propósito do uso do tempo deixo aqui um artigo recente da autoria de José António Saraiva (JAS) publicado no último número do SOL:

---

JAS has made a new post: 'Nunca me faltou o tempo'.

No verão é habitual os jornais publicarem inquéritos ligeiros a pessoas conhecidas. E esses textos têm imensa leitura. Então um dia lembrei-me de fazer um inquérito mais elaborado, mais sério, mais diversificado, e publicá-lo durante todo o ano.

A secção teve razoável sucesso. Foram muitas as figuras que por lá passaram. Uma delas foi António José Saraiva, meu pai. Ao ler as suas respostas ? muitas vezes desconcertantes, porque ele era uma pessoa invulgarmente original ? encalhei numa que me tocou de modo particular. à pergunta «Falta-lhe tempo para quê?», o meu pai respondia: «Nunca me faltou o tempo».

Ao longo dos anos que durou a publicação do inquérito não houve outra resposta semelhante a esta. Todos os entrevistados se mostravam muito atarefados, precisavam que o dia tivesse o dobro ou o triplo das horas, não tinham tempo para nada, faltava-lhes disponibilidade para ler, para ir ao cinema, para fazer face às suas mil e uma responsabilidades ? e o meu pai, com toda a singeleza, respondia que nunca lhe faltara o tempo.

Isto era ao mesmo tempo uma manifestação de humildade e de sabedoria. De humildade, porque é de bom tom um indivíduo dizer que lhe falta o tempo: mostra que é uma pessoa importante, muito solicitada, cujo tempo é muito disputado e portanto é precioso. Uma pessoa que diz não lhe faltar o tempo mostra logo que é pouco importante.

Mas era também uma manifestação de sabedoria porque à maior parte das pessoas falta o tempo porque não o sabem aproveitar. Correm como umas baratas tontas para um lado e para outro, empenham-se em coisas que não servem para nada, perdem horas e horas por dia de forma inglória ? e depois queixam-se de que não têm tempo. é evidente que, se o dia tivesse o dobro das horas, essas pessoas continuariam a gastá-las mal ? e não deixariam de se queixar.

Conheço indivíduos que fazem tudo a correr, à pressa ? e que acabam por passar parte da vida a corrigir os seus próprios erros. Há em todas as empresas gente tão rápida, tão rápida, que passa metade do tempo a emendar o que fez mal na outra metade.

Por tudo isto, na primeira vez em que estive com o meu pai depois da publicação do inquérito, disse-lhe:

? Gostei particularmente daquela resposta em que dizias que nunca te faltou o tempo.

? Ah, sim? ? respondeu com um olhar que era muito seu, ao mesmo tempo penetrante e irónico. ? Dei aquela resposta a pensar em ti.

? Em mim? ? surpreendi-me genuinamente, porque achava que a resposta tinha tudo a ver com ele.

? Sim, em ti. Apesar de teres muito que fazer, dás a impressão de nunca ter pressa, de não te faltar o tempo.

Confesso ? e digo-o sem qualquer falsa modéstia ? que jamais isso me tinha ocorrido. Achava que aquela frase encaixava bem no meu pai ? que conservava dentro dele uma forte ligação ao campo, onde o tempo corre mais lentamente ? e não em mim, que fui criado em Lisboa e além disso me formei em Arquitectura, profissão que tem tudo a ver com a cidade, onde a pressão do tempo é enorme.

Mas essa observação fez-me pensar: se o meu pai tivesse razão, então eu devia tentar desesperadamente conservar essa tranquilidade, essa couraça protectora do stress, essa indiferença relativamente ao movimento dos ponteiros do relógio.

Em parte, julgo que o consegui. Não ando sempre num virote, não faço as coisas a correr, selecciono bem o que tenho de fazer, não esbanjo tempo, guardo tempo para mim. E também não me enervo quando fico preso num engarrafamento ou numa bicha: procuro aproveitar o tempo para pensar, para organizar tranquilamente as ideias, e para ter ideias.

Penso na aula que vou dar, ou no artigo que tenho de escrever, ou numa colecção que estou a preparar para o SOL, ou na remodelação de uma casa que um amigo me pediu para fazer, ou num quadro que estou a pensar comprar, ou num enigma que ando há dias para decifrar, ou em coisas mais comezinhas como as compras no supermercado ou a coleira que tenho de mandar fazer para o cão.

Uma pessoa só consegue ser feliz quando atinge o equilíbrio. E esse equilíbrio passa também por usar bem o tempo, o que significa não ter a impressão de que lhe falta ou sobra tempo.

Devo dizer, em nome da verdade, que durante muitos anos consegui gerir o tempo sem angústia. Pelo menos, consegui que o meu pai o pensasse.

Nos últimos anos, porém, alguma coisa mudou. Dou comigo a sentir que me falta o tempo. Sobretudo gostava de ter mais tempo para escrever. Para escrever livros, entenda-se ? porque para escrever crónicas como esta, sendo a minha profissão, não posso deixar de ter tempo.

Mas, no que respeita aos livros, escrevo sempre à pressa, a correr, como quem rouba tempo a outras coisas. Escrevo aos bocados, quase furtivamente, tirando horas ao sono. Durmo pouco para poder escrever todos os dias alguma coisa.

Começo a pensar que me falta o tempo. E, pior do que isso, começo a ter a impressão de que a vida é uma luta contra o tempo. A gente quer agarrar o tempo, pará-lo, discipliná-lo, para poder fazer tranquilamente alguma coisa ? e o tempo escoa-se, não pára, não se deixa agarrar, corre inexoravelmente, não nos deixa descansar.

O curioso é que o meu pai, aparentemente, nunca sentiu isto. Quando afirmou «Nunca me faltou o tempo», embora pensasse em mim, não deixaria de reflectir o que ele próprio sentia. E, sendo eu hoje mais novo do que ele era nessa altura, não seria agora capaz de o escrever.

Falta-me, de facto, o tempo. Não para tudo. Falta-me sobretudo o tempo para aquilo que nos pode libertar da lei do tempo, ou seja, da obra que, melhor ou pior, cada ser humano tem obrigação de construir na sua passagem pelo mundo. No meu caso, sinto que são os livros.

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posted at: http://sol.sapo.pt/blogs/jas/archive/2008/02/02/_2700_Nunca-me-faltou-o-tempo_2700_.aspx

pessoalissimo

# re: TEMPUS FUGIT @ domingo, 3 de Fevereiro de 2008 18:12

  Olá, Fernando.

  É tempo de ter tempo! Linda e expressiva frase.

  Pois eu estou a chegar. Já sondo o horizonte.

  Embora com limitações, sempre. Maiores ou menores de acordo com a terra que herdamos e o porte da árvore que lá plantamos.

  Este tempo foi sendo preparado noutros tempos na esperança de atingirmos mais esta etapa.

  Felizes aqueles que o podem concretizar!

  Ainda hoje,no giro que fiz à sempre bela e sedutora princesa do Minho o comentava. A paz interior aliada ao espectáculo maravilhoso oferecido pela Natureza no seu estuário, mesmo num dia agreste, a serra de Arga, tudo variações para um mesmo tema.

  Nós somos também passado. O presente é também sua consequência. Por isso não me posso abstrair dele, eliminá-lo. Fui aprendendo com ele! E assim preparei o futuro que hoje é o presente e amanhã mais presente...

  Mais, à medida que envelhecemos fisiologicamente as memórias que  vamos perdendo são as mais...recentes!

  É um novo tempo. O tempo de concretizar projectos que tiveram de ser relegados para uma vida futura. E tivemos a sorte de lá chegar para os realizar.

  Para mim a diferença não está no tempo mas nos projectos e no modo como os pretendo realizar. E isso faço-o com o tempo que me vem de ter tempo.

Um grande abraço.

JMFC

# re: TEMPUS FUGIT @ domingo, 3 de Fevereiro de 2008 21:02

Olá Fernando

E, os filósofos antigos tinha carradas de razão.

De facto, viver, deixar viver, trepando, se possível, ir programando os degraus um a um, é regra a seguir.

A morte é caminho para todos, iguala-os. Não há pressas... não a temos de temer, nem desejar.

Ela virá!...

Cumprimentos

Daniel

mitalaia

# re: TEMPUS FUGIT @ domingo, 3 de Fevereiro de 2008 21:29

Pessoalíssimo

"Agarre o dia"-uma máxima espalhada em quase todos os manuais de psicologia aplicada, mas como cumprir esse desiderato?

Apenas fazendo uma tarefa (e o melhor possível)de cada vez! Por isso quando vejo ou escuto alguns Golias do nosso tempo, cheios de plenitude, já sei que mais tarde ou mais cedo o tempo lhe enviará a pedra de David!

Para se produzir bem é preciso cada vez mais ter a suavidade do coração a bailar com a lógica do pensamento, misturada com um sorriso. E porque o tempo de viver nos foge, até iremos pensar que foi uma grande perda este tempo de matraquear teclas "bloguistas" porque só se vive uma vez!

Agarre o dia e será feliz - não tenho dúvida! Mas, também penso que cada dia nos acarreta responsabilidades que deveremos agarrar para nos diferenciarmos com o triunfo de conseguir um amanhã mais fraterno!  

Gostei do seu belo post.

Snowmass

# re: TEMPUS FUGIT @ domingo, 3 de Fevereiro de 2008 21:43

Fernando:

Gostei muito deste teu explanar sobre o TEMPO.

Tudo está dito, deixo-te duas frases.

O tempo é o melhor autor: sempre encontra um final perfeito.

(Charles Chaplin)

"Existem apenas duas maneiras de ver a vida. Uma é pensar que não existem milagres e a outra é que tudo é um milagre." (Albert Einstein)

Beijinhos

Blanco

# re: TEMPUS FUGIT @ segunda-feira, 4 de Fevereiro de 2008 0:19

Olá Pessoalíssimo,

adoro o tempo e mais, gosto de estar "parada no tempo"! Marco pouquissimas coisas no mesmo dia, precisamente para ter todo o tempo para mim!

Embora profissionalmente isso vá ter de ser alterado!

Antes vivi tão aceleradamente que nem tinha tempo para pensar(coisa de que fui acusada várias vezes), agora não...sou só eu e o tempo e sabe tão bem!!

Um beijinho.

mainada

mainada

# re: TEMPUS FUGIT @ segunda-feira, 4 de Fevereiro de 2008 10:46

  Olá, Fernando:

  Como já vai sendo habitual, lá vou passar uma segunda vez pelo seu post.

  Gostei do termo  "plenitude" referido num post  a "Golias do nosso tempo" .

  Eu sei o que é a felicidade plena. Momentos de felicidade plena. No meu comentário referia-me a Caminha. Quem é que conhece o que é viver o paraíso através do seu Miradouro da Fraga? Ou do lado da Galiza, bem do alto do Monte de Santa Tecla, buscou um ponto, no meio da floresta, para ver, bem lá no fundo, tão pequenina, La Guardia, beijada pelo mar? Ou do outro lado, olhar para  território nacional e deleitar-se comovidamente até às lágrimas com o maravilhoso espectáculo que vai do estuário do rio Minho até às torres de Ofir?

  Ou quem ao ouvir um concerto na Casa da Música cerra os olhos, para nem eles perturbarem pelas imagens que carregam, a plenitude da obra de arte?

  A felicidade deve viver-se no dia a dia, naquilo que fazemos. Pois claro! Mas já alguma vez experimentaram, com alavancas de aço e força muscular, arrastar e erguer até à exaustão, blocos de pedra para reconstruir muros? Durante meses? E que quando se deita na cama sabe que as dores musculares não o vão deixar dormir toda a noite? E que o dia seguinte é de novo dia de trabalho?

  Onde está o gozo da felicidade do dia a dia quando tem de fazer uma viagem durante toda a noite, Porto para Lisboa, todos os meses, com autoestrada até aos Carvalhos e depois só em Vila Franca, para ter uma consulta médica com o seu filho em Alcoitão, às nove horas da manhã? Durante mais de vinte anos? E as três cirurgias no Hospital de Santana, na Parede e a respectiva reabilitação em Alcoitão?

  E o apoio aos outros filhos e mais cirurgias?

  Onde está a felicidade da vivência do dia a dia?

  É possível viver uma vida sem projectos? A curto, médio e longo prazo?

  Claro que uns se concretizam, outros não. Outros reformulam-se.

  Não perfilho, pois, a ideia que é possível viver apenas a felicidade que o presente nos pode trazer.

Penso que falta aí um pouco de idealismo, de ambição. É possível, que muitos de nós tenham condições que o permitam. Para a maioria penso que não.

  Disse no post sobre o encontro de bloguers que gostei de todos os presentes. Seres lindos e todos diferentes. Só não disse que a grande maioria foram, alguns ainda são, seres muito sofredores. A felicidade passou-lhes bem ao lado. Não porque a tivessem regeitado. E constatei também que a maioria já encontrou o seu caminho da felicidade.

  Quem é que não a busca permanentemente?

  Referi-me aos felizes que tiveram a sorte de viver muitos anos, estarem em boas condições físicas e mentais, sem problemas financeiros e que, deixando o seu trabalho profissional, vão ter a oportunidade de disporem de mais tempo para executrem tarefas que têm prazer em fazer e que lhes trarão um acréscimo de mais momentos de felicidade.

  Quis deixar aqui este meu esclarecimento.

  Peço a sua compreensão.

  Um grande abraço.

JMFC

# re: TEMPUS FUGIT @ segunda-feira, 4 de Fevereiro de 2008 12:56

 A consciência ofereceu-nos o tempo, presente envenenado. Porque a consciência é cinica. Por uma lado dá-nos as capacidades que nos distinguem dos outros seres vivos, mas por outro, como num piscar  de olhos, matreiro, direi mesmo Luciferino, apresenta-nos uma factura, que é o preço a pagar: a noção do tempo que nos foge quanto mais ela ( a consciência ) se apodera de nós.

Abraço.

gattopardo

# re: TEMPUS FUGIT @ segunda-feira, 4 de Fevereiro de 2008 17:42

KURIOSO ? Meu amigo, o Tempo é um dos mais importantes bens de que dispomos. Apesar de nem sempre podermos dispor dele como desejamos, por afazeres profissionais, por motivos de saúde, ou outros, temos o dever de o usar (o gerir) com parcimónia. Não é reciclável. :)

pessoalissimo

# re: TEMPUS FUGIT @ segunda-feira, 4 de Fevereiro de 2008 17:45

BP63 ? Isso de mudar o final do nosso Tempo deve ser das coisas mais difíceis de conseguir, de fazer. Admitindo que não resultou de uma doença súbita ou acidente mortal, sobra a chamada ?morte lenta?, aquela de cuja aproximação nos damos conta. Deve ser doloroso. Isso podemos mudar, através da eutanásia.

Além de não ser consensual a utilização desse método para se pôr um ponto final na vida, não é qualquer um que a ele recorre. Exige uma percepção lúcida do desejo de terminar (esta) a vida. E de quem entenda esse desejo.

Não sei se respondi à questão que colocaste, não é fácil. Mas um dia destes esse tema o do término da vida ?a pedido? será tema de um post meu.

pessoalissimo

# re: TEMPUS FUGIT @ segunda-feira, 4 de Fevereiro de 2008 17:45

PDIAS ? Os filósofos da Antiga Grécia foram os verdadeiros fundadores da civilização ocidental. Eles propuseram ?respostas? para quase tudo, só lhes faltou  um conhecimento científico de que hoje dispomos para terem construído uma civilização duradoura.

Não sei se um dia teremos acesso à ?programação? do tempo da nossa vida, já se fala nisso. Eu, por mim, não desejo saber quando termina a minha e se um dia ?souber?, por motivos de saúde, irei procurar usar esse tempo para fazer o que é preciso, deixar o testemunho?

pessoalissimo

# re: TEMPUS FUGIT @ segunda-feira, 4 de Fevereiro de 2008 18:19

MITALAIA ? Sim, virá! Sabe, a minha relação com a morte, com a ?minha? morte é um pouco estranha. Eu sei que Ela virá um dia bater-me à porta, de mansinho numa fase da vida; ou violentamente, em caso de morte acidental, fortuita. Mas gostava de ter um Tempo, ainda que curto, para dialogar com Ela, conhecer o seu mecanismo de roubo das vidas, será que é Ela que também as faz (re)nascer noutras vidas? Ela preserva as nossas memórias para serem recordadas futuramente, como num filme? Tantas perguntas que gostaria de lhe fazer?

pessoalissimo

# re: TEMPUS FUGIT @ segunda-feira, 4 de Fevereiro de 2008 18:20

JMFC ? (primeiro comentário) Meu amigo, este Tempo que é o nosso começa a ser um tempo diferente, um tempo para cumprir outros projectos, aqueles que como diz, fomos adiando, primeiro por causa dos filhos, depois por falta de tempo ou de vontade. São aqueles projectos com os quais desejamos deixar a nossa marca muito pessoal para a posteridade, antes de deixarmos este mundo. E há ainda tantos projectos por cumprir? Na companhia da sua linda esposa, dos seus filhos, das suas árvores, tendo por envolvente essas magníficas paisagens do Minho.

pessoalissimo

# re: TEMPUS FUGIT @ segunda-feira, 4 de Fevereiro de 2008 22:17

Fernando

Não era disso que falava, mas sim de mudar o final das coisas que já começámos e que supostamente já sabemos como vão acabar.

Era mudar o final de tudo, menos o de uma coisa, o da vida.

Abraço

bp63

# re: TEMPUS FUGIT @ terça-feira, 5 de Fevereiro de 2008 0:34

SNOWMASS ? ?Para se produzir bem é preciso cada vez mais ter a suavidade do coração a bailar com a lógica do pensamento, misturada com um sorriso.?

Nem mais, meu amigo!

Há quem diga que consegue fazer várias coisas ao mesmo tempo, o que significaria ter várias vidas ou se quiseremos, o tempo a dobrar ou a triplicar. Puro engano, parece que são aqueles que fazem as coisas com vagar que saboreiam melhor a vida, prolongando-a em qualidade. Mas isso, essa sabedoria só o Tempo nos trás? Não é, amigo?

pessoalissimo

# re: TEMPUS FUGIT @ terça-feira, 5 de Fevereiro de 2008 0:37

BLANCO ? Infelizmente nem sempre os finais são perfeitos. Nos filmes, nas peças de teatro, mas também na vida real. Tantas vidas interessantes e promissoras que se perdem antes do Tempo a que tinham direito? Um desperdício de vidas!

Não acreditando em milagres acabo por concordar com Chaplin, a Vida é o maior milagre do Universo! A Vida e o Amor!

pessoalissimo

# re: TEMPUS FUGIT @ terça-feira, 5 de Fevereiro de 2008 0:41

MAINADA ? Viva, amiga!

Ainda bem que travou um bocadinho essa velocidade de formula1 para uma velocidade de cruzeiro. Assim até vive melhor! O Tempo, como sabe, é relativo, vem lá na teoria da relatividade de Einstein. Ou seja se você andar muito depressa ele torna-se lento. Mas tem um ?pequeno? problema, assim cansa-se mais! Assim, recomendo andar devagar e saborear as coisas boas da vida, a escrita inclusive.

E mainada?

pessoalissimo

# re: TEMPUS FUGIT @ terça-feira, 5 de Fevereiro de 2008 0:46

JMFC ? Ah, como é bom ler os seus textos cheios de optimismo, idealismo e bom senso! São escritos por alguém que já viveu muito, sabe umas coisas da vida e mantêm a memória fresca dos ?bons tempos?. Quem fica a ganhar somos nós, que lhe lemos e bebemos as palavras. E sim, a felicidade pode vir em doses pequenas, momentâneas e cheias de colorido e arrebatamento.

Eu tenho aqui no meu blogue e na blogosfera alguns desses momentos!

pessoalissimo

# re: TEMPUS FUGIT @ terça-feira, 5 de Fevereiro de 2008 0:50

GATTOPARDO ? Que grande reflexão filosófica! Fico-lhe grato por tão lúcido (não leciferiano) comentário, deu um grande contributo à minha reflexão sobre o Tempo que nos foge? por entre os dedos da consciência! Eu às vezes gostaria de não ter consciência do tempo que já vivi, do que já passei, as desilusões que tive, e começar do zero, como uma criança. Será possível?

pessoalissimo

# re: TEMPUS FUGIT @ terça-feira, 5 de Fevereiro de 2008 1:03

Boa noite, Pessoalissimo.

Parabéns por este poste que vem juntar-se a tantos outros de excelente qualidade que aqui tem publicadao.Uma boa reflexão sobre a existência e a postura sobre como ela se vai projectando no percurso da sua vivência.

Da facto a forma como se vive é muito mais importante do que a existência em si mesma ou apenas...Aliás, é o modo de viver e estar que dá sentido à existência ou o retira.

portocego

# re: TEMPUS FUGIT @ terça-feira, 5 de Fevereiro de 2008 1:56

Olá querido amigo Fernando

O tempo passa, e com ele partem para sítio nenhum os sonhos que um dia sonhamos e que chegamos a acreditar que talvez se tornassem realidade?

O tempo passa, e aqueles a quem chamávamos amigos não passam agora de nomes escritos por ordem alfabética numa velha agenda guardada no fundo de uma gaveta qualquer?

O tempo passa, e os discos que tanto ouvíamos estão agora tão riscados que foram esquecidos a um canto do móvel da sala?

O tempo passa, e o passado encerra-se num álbum de Liceu, nalgumas cartas de amor O tempo passa, e a loucura que guiava os nossos passos deu lugar a um compromisso atroz que nos impede de viver?

O tempo passa, e quando nos olhamos no espelho já nem sequer vislumbramos aquele sorriso que nos tornava os melhores do mundo?

O tempo passa, passa, até que um dia deixa de passar, se cansa simplesmente de passar e parte levando consigo o tempo? E nós onde ficamos? Nós partimos também rumo a um lugar onde o tempo tão cansado já não queira passar ou nem sequer exista?"

Abraços Talina

Talina

# re: TEMPUS FUGIT @ terça-feira, 5 de Fevereiro de 2008 12:16

BP63 ? É curioso, mas eu acho que nunca sei como as coisas vão acabar? comigo! Às vezes tenho vislumbres, imagino finais, conclusões. Mas raramente lá chego, talvez por ser idealista, romântico (ou simplesmente parvo, digo eu), como já alguém (Kiki) aqui me disse. Não falo das coisas profissionais, sempre controladas quase ao milímetro, falo dos assuntos da alma e das relações humanas.

Claro que gostaria de poder algumas coisas, embora parte delas façam parte da minha essência, da minha maneira de estar na vida. Se calhar tenho de ler o tal ?Segredo? para aprender a mudar alguns finais, mas também partes intermédias do enredo e da trama que a vida me vai tecendo.

pessoalissimo

# re: TEMPUS FUGIT @ terça-feira, 5 de Fevereiro de 2008 15:44

Fernando,

Belíssimo post, muito do meu agrado.

Uma forma muito poética e intimista de abordar a questão do tempo... do seu tempo, o modo como o vivencia e experimenta neste preciso instante da sua vida.

Identifico-me quase na perfeição com tudo o que sente e transmite. Perdoe-me mas colei de tal forma o seu texto á minha pele que apenas consigo comentar usando as suas próprias palavras:

1 - "Sim, quero o Tempo só para mim! Ou partilhando-o, este se prolongue de modo duradoiro.

Um Tempo com sabor, com saúde e sem saudade do tempo que já gastei."

2 - "É Tempo de ter tempo! De Viver! Com vagar, sorvendo cada momento, cada minuto, hora, dia? De dedicar parcelas do meu Tempo ao Tempo de outros, de o acrescentar com o sabor, a alegria, a (com)paixão e a sabedoria de quem sabe que o Tempo voa? não se esgota!"

Uma vez mais, sinceros parabéns!

Um beijo grande.

Tender

tendergirl

# re: TEMPUS FUGIT @ terça-feira, 5 de Fevereiro de 2008 16:37

Ai o "segredo" não me falem no segredo, que aquilo é mesmo para cegos (sem ofensa).

Talvez a Profecia Celestina de James Redfield , seja mais aconselhavél para todos!

Digo eu!!...

;))))

Um abraço Fernando

azulinox

# re: TEMPUS FUGIT @ terça-feira, 5 de Fevereiro de 2008 16:53

Olá Fernando,

Sem dúvida, o teu melhor.

Dos meus trinta e poucos anos, subscrevo.. mas com dificuldade em viver o tempo rodeada de muitos que têm sempre tempo para se envolver em discussões estéreis, debater virgulas, parágrafos, conjunções e confusões...

Que bom que seria poder viver APENAS ao lado de gente humana, culta e sábia, que sabe que o riso é como a gaivota que voa em mar escalpelado.

um grande abraço.

Phantasizer

# re: TEMPUS FUGIT @ terça-feira, 5 de Fevereiro de 2008 23:50

PORTOCEGO ? ??a forma como se vive é muito mais importante do que a existência em si mesma.? Nem mais, amiga Daniela! E se esse ?viver? for passando no Tempo com a consciência tranquila de ir cumprindo o seu destino, então ainda melhor?

Olhe, parece que a alheira já chegou ao meu prato, estava óptima!

pessoalissimo

# re: TEMPUS FUGIT @ terça-feira, 5 de Fevereiro de 2008 23:51

TALINA ? Mas que belo passar do Tempo! Gostei muito do seu comentário tão poético! Afinal o Tempo também se cansa? :))

pessoalissimo

# re: TEMPUS FUGIT @ terça-feira, 5 de Fevereiro de 2008 23:52

TENDERGIRL ? Amiga, a poeta é você! Eu só alinhavo umas palavras, tento dar-lhes algum sentido (sobretudo para mim), tratá-las como um carpinteiro junta peças de madeira e procurar fazer peças de mobiliário ou molduras de janela por onde escoem as nossas palavras, esvoaçando livres?

pessoalissimo

# re: TEMPUS FUGIT @ terça-feira, 5 de Fevereiro de 2008 23:52

AZULINOX - :)))

Eu trouxe aqui esse livrinho por brincadeira (de Carnaval?). Olhe que há quem acredite piamente no que a autora lá escreveu. E se acreditam, então conseguem! É o poder da fé a funcionar, isso resulta mesmo, pode acreditar. Mas se não tem fé? :(

Nunca li essa Profecia Celestina, mas já ouvi falar bem. Recomenda?

pessoalissimo

# re: TEMPUS FUGIT @ terça-feira, 5 de Fevereiro de 2008 23:53

PHANTASIZER - :)) É mesmo isso! Olhe que não é assim tão difícil encontrar gente inteligente hoje em dia, eu encontro sempre gente interessante para onde quer que vá. Aqui na blogosfera há imensa gente interessante com quem vale a pena ?perder? o nosso Tempo. Você será uma dessas pessoas?

pessoalissimo

# re: TEMPUS FUGIT @ quarta-feira, 6 de Fevereiro de 2008 0:29

.

tempo sem tempo

Vê se encontra um tempo

Pra me encontrar sem contratempo

Por algum tempo

O tempo da voltas e curvas

O tempo tem revoltas absurdas

Ele é e não é ao mesmo tempo

Avenida das flores

E a ferida das dores

E só então de sopetão

Entro e me adentro no tempo e no vento

E abarco e embarco no barco de Ísis e Osíris

Sou como a flexa do arco do arco do arco-íris

Que despedaça as flores mais coloridas em mil fragmentos

Que passa e de graça distribui amores de cristais totais sexuais celestiais

Das feridas das queridas despedidas

De quem sentiu todos os momentos

.

(Zé Miguel Wisnik e Jorge Mautner)

pessoalissimo

# re: TEMPUS FUGIT @ quarta-feira, 6 de Fevereiro de 2008 0:55

"Tempus Fluit. tempus fugit. Tempus Vernum"

[youtube:eakdSgfYNWs]

Gosto muito desta animação!

pessoalissimo

# re: TEMPUS FUGIT @ quarta-feira, 6 de Fevereiro de 2008 12:23

Porque é que nós não pensámos nisso mais cedo?

Afinal o desvio para Loures não parou por ali...

Andou mais um pouco e foi ver o mar da Ericeira.

Ainda bem. E olhe que não têm mau gosto não Senhor!

Bom proveito e uma boa semana

portocego

# re: TEMPUS FUGIT @ quarta-feira, 6 de Fevereiro de 2008 13:53

Siddhartha

..... ....

Mamã, estas laranjeiras cheiram a sabonete Lux

Um abraço

JMFC

# re: TEMPUS FUGIT @ quarta-feira, 6 de Fevereiro de 2008 14:31

Se eu tenho fé?!!

E se eu tenho Fernando!! De que maneira!!... Em mim e no meu ?Deus? (como lhe costumo chamar).Não sou de rezas nem de lengalengas, mas esta que até poderá ser uma ?ilusão? tem-me dado força para continuar com a vida o melhor que vou conseguindo.

No espaço de um ano perdi o meu pai e o meu filho já rapazinho, ambos nos meus braços... E se não fosse a Fé que sempre senti !... E olhe que nunca duvidei, em época alguma.

E os livros de que falei são diferentes...Claro que se tira alguma coisa de útil do ?Segredo?,aliás tira-se sempre qq coisa de um livro, nem que seja pela negativa... mas tem muita ?palha? e por vezes até parece que a autora nos atira areia para os olhos. (Acho que poderá ser um bom livro para principiantes, comprei-o para oferecer à minha mãe) rsrrsrsr

A profecia é diferente, fala da troca de energias entre as pessoas, já o li há alguns anos, e por vezes dou por mim a pensar no livro, e que o tenho de ler outra vez... É devido a estes ?repentes? que eu já aqui tive, e que o Fernando já deu conta... é que por vezes, esqueço-me que já tenho idade para não esquecer a serenidade, e sobretudo o ?calo? que a vida já me deu...

Você nem sonha a idade que eu tenho...mas pronto, isso agora também não interessa nada!!

;))

Ehehehehhe

beijos

azulinox

# re: TEMPUS FUGIT @ quarta-feira, 6 de Fevereiro de 2008 16:30

Lindo, Fernando. Para mim, o tempo é como a vida: um mistério que ainda procuro deslindar em vão.

Se estamos de coração aberto ou fechado, a vida ou o tempo embala-nos: Estilhaça-nos o tempo da morte, aconchega-nos o tempo do amor.

Obrigada e beijos

jo

josefadobidos

# re: TEMPUS FUGIT @ quarta-feira, 6 de Fevereiro de 2008 22:40

PORTOCEGO ? É o que acontece quando não se conhecem os gostos alimentares dos amigos, esquecemo-nos que as alheiras são um grande petisco para eles (EhEhEh!)?

pessoalissimo

# re: TEMPUS FUGIT @ quarta-feira, 6 de Fevereiro de 2008 22:52

JMFC ? Hum! :( Confesso que não percebi. Espero que não esteja a delirar? Ou eu a descambar. Alguma coisa será!

pessoalissimo

# re: TEMPUS FUGIT @ quarta-feira, 6 de Fevereiro de 2008 22:53

AZULINOX ? Deixou-me deveras surpreendido e curioso com o seu último comentário. É que não estava nada à espera de algo assim tão? duro, tão Real! A vida (e o Tempo em que vem) é às vezes muito amarga, parecendo que se compraz em nos deixar de rastos, a tentar perceber porque é que estas coisas acontecem. A nós, que nada fizemos para tanto castigo. Como eu a compreendo.

-:))

A idade (física) de cada um de nós não interessa mesmo nada, preocupo-me (e interesso-me) pela idade psicológica, pela qualidade da mente que o corpo transporta.

pessoalissimo

# re: TEMPUS FUGIT @ quarta-feira, 6 de Fevereiro de 2008 23:15

JOSEFADOBIDOS ? Costuma-se dizer que o tempo tudo resolve, que devemos dar tempo ao tempo para se encontrar a solução que buscamos. Assim, o Tempo é o grande Deus, o Grande Ditador, o elo que tudo liga, até as memórias e as recordações que transportamos da vida.

.

Obrigado eu, amiga JO! É um prazer vê-la de volta, já cá faziam muita falta as suas serenas, elegantes e ternas palavras. Venha daí um post seu para tornar este Sol mais quente!

pessoalissimo

# re: TEMPUS FUGIT @ quinta-feira, 7 de Fevereiro de 2008 17:22

Olá, Fernando:

Cá estou eu para levantar um pouco a luz do véu.

No primeiro caso referia-me ao livro de Hermann Hesse: Siddhartha.

No final, o Buda aparece como barqueiro, a fazer a passagem das pessoas para a outra margem.

Vale bem a pena ler. Pouco volumoso e cheio de substância.

Quanto ao segundo caso, quis significar que, estou a reportar-me sempre ao vídeo que o Fernando tinha acabado de colocar, o destino que nos aguarda tal como reflete o seu final, é a destruição do planeta pela incúria do Homem. A afirmação da criança, num laranjal em flor, para a mãe mais não significa que foi o resultdao do Homem ter voltado as costas ao seu mundo natural de que faz parte, que levou à destruição da Terra.

Um grande abraço.

JMFC

# re: TEMPUS FUGIT @ quinta-feira, 7 de Fevereiro de 2008 18:48

Meu querido Fernando

Obrigada por nunca te esqueceres de mim e sentires a minha falta quando não venho. É muito bom ter amigos como tu até porque te conheço a ti e à tua encantadora esposa, já vos abracei, já nos vimos e sei que és como mostras: sereno, amigo, observador, doce, maduro...

O tempo aqui nas Flores é terrível de gerir mas aqui tenho que viver várias vidas numa só. É por isso que gosto tanto de receber os meus amigos. Ia fazer-vos bem uns dias nas ilhas!!!

Beijinhos

Luana

Luana

# re: TEMPUS FUGIT @ sexta-feira, 8 de Fevereiro de 2008 17:54

JMFC - Está esclarecida a origem da"estranha" palavra que é afinal o título de um livro que eu não conheço ainda. Obrigado pela sugestão.

E é claro que não dei a devida atenção ao que o jovem disse à mãe, estava mais concentrado na mensagem gráfica, onde igualmente se pode ler a quase totalidade da mensagem ecológica. Um excelente video!  

pessoalissimo

# re: TEMPUS FUGIT @ sexta-feira, 8 de Fevereiro de 2008 17:57

LUANA - Tu vens aqui ao meu blogue desestabilizar-me com os teus simpáticos convites para visitar as tuas maravilhosas ilhas. Um dia terei de dar corda aos sapatos... Antes que percas o interesse (ou a paciência) em me convidares.

Outro beijo para ti do tamanho do mar que nos separa.

pessoalissimo

# re: TEMPUS FUGIT @ sábado, 9 de Fevereiro de 2008 0:37

[youtube:ROBDzoHgVKc]

pessoalissimo

# re: TEMPUS FUGIT @ terça-feira, 12 de Fevereiro de 2008 13:18

não sei.. serei??..

bj

Phantasizer

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