CARTA À MINHA QUERIDA?
Acho que me apaixonei por ti!
Sim, há já muito tempo que tenho adormecido todos os dias, contigo nos meus braços.
Conheci-te num supermercado, lá estavas tu a sorrir para mim. Com aquele mesmo sorriso que fazes para todos os clientes que passam mas que não reparam na tua beleza singela, na tua brancura imaculada.
Desde o primeiro dia que te conheci que me sinto enamorado, extasiado pela tua beleza. E estás sempre ali disponível para os meus longos abraços, quando me deito na cama, depois de mais um dia desgastante.
Ainda fico ali abraçado a ti algum tempo antes de adormecer, calmo e sereno. Tu és a minha musa, a minha confidente, aquela que ouve todos os meus lamentos. Até quando?
Dias há que ficas colorida de mil tons, depois de passares pelas mãos experientes de quem trata da minha roupa. Outros dias, porém, desapareces sem deixar rasto.
E fico triste, desolado, aguardando ansiosamente o teu regresso. Pois sei que, sem ti, fico desassossegado e não durmo bem.
No teu aconchego tive sonhos maravilhosos, momentos felizes, repousei de inúmeras batalhas. E tu, resignada, permaneceste no teu posto, mesmo quando tantas vezes te abandonei e nem sequer me despedi de ti.
Houve tempos que ficaste aí sozinha, no quarto frio e escuro, durante semanas a fio. E quando voltei recebeste-me sempre com o teu melhor sorriso, sempre amável e atenciosa.
És fofa, serena e nunca te queixaste dos meus maus tratos. Houve dias que no meio de algum sono mais agitado ias parar ao chão e eu lá te deixava ficar até acordar.
És a minha querida… almofada!
