REGRESSO À ESCOLA

Sou um viciado em escolas.
Desde que lá entrei, tinha então seis anitos, nunca mais de lá saí. Primeiro como estudante, depois como professor numa já longa carreira de 34 anos.
Nos últimos anos, porém, deixei de leccionar e fui assumir a gestão de um serviço de apoio à formação de professores. Como tenho gostado da experiência e os que comigo trabalham apreciam o meu trabalho, lá vou continuar pelo menos mais três anos. Mas espero ainda poder voltar a ensinar, é algo que sempre gostei de fazer e de que guardo excelentes recordações.
Ao longo da minha carreira de docente, voltei algumas vezes aos bancos da escola, à universidade. Para terminar a minha licenciatura, primeiro, e para efectuar estudos pós-graduados depois. Sempre com sucesso.
Agora voltei.
Desafiado por um amigo de longa data com o qual tenho partilhado uma bela amizade alicerçada em experiências similares e em problemas comuns de trabalho. Ele, além de ser professor de Português no Ensino Secundário, tem estado como eu destacado num serviço com as mesmas funções do meu. Daí a interacção que temos diariamente tido nestes anos. Devo-lhe quase tudo o que aprendi neste meu novo ofício ao serviço do Ensino público e da formação profissional de professores.
Um dia escreverei no meu blogue sobre essa experiência. Mas o que hoje me leva a escrever este post é a sensação de grande satisfação por voltar à escola, voltar a estudar.
Eu costumo pensar que todos temos um objectivo (destino?) na vida, além de procurar a felicidade para nós e para os outros: APRENDER, APRENDER SEMPRE!
É imbuído desse espírito que eu e o meu amigo (uns anitos mais novo que eu) lá voltámos agora à escola, a uma das mais prestigiadas instituições nacionais na aérea da Educação, a Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação de Lisboa.
Fui reencontrar como minhas professoras, velhas companheiras de luta do PREC (*) com as quais tenho tido diálogos acalorados. E, na turma que me coube em sorte, um muito animado e entusiasta grupo de rapazes e raparigas acabadinhos de sair de fresco da fornada das licenciaturas.
Imaginem agora a seguinte cena: dois cotas no meio de miúdos de vinte e poucos anos e professores da minha idade que conheço pessoalmente há décadas dos mais variados eventos sociais, políticos e culturais! Isto foi, para mim, uma verdadeira surpresa!
Os jovens estudantes receberam os «velhos» estudantes com manifestações de grande simpatia e jovialidade. Sempre solicitos a ajudar, a ir tirar as fotocópias de que precisamos, a prestar todo o género de esclarecimentos de que carecemos neste regresso à universidade. TODOS querem trabalhar connosco, até se calam quando um qualquer professor pede a opinião dos alunos, na expectativa das nossas opiniões.
Parece mentira? Talvez. Mas é a mais certa das verdades. E eu ando feliz da vida com isso. Eu e o meu parceiro. A quem eu, por brincadeira e alguma dose de verdade, chamo de «Amigo de Peniche». Ele que arriscou sair do belo conforto em que vive e decidiu vir a Lisboa duas vezes por semana, num total de mais de 200 km, na ida e volta à sua cidade.
Vamos lá a ver se ainda consigo ter boas notas 
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(*) PREC - Processo Revolucionário Em Curso