A MALETA VERMELHA
(e o IV Salão Internacional Erótico de Lisboa)
Confesso que nunca entrei numa sex-shop, uma daquelas lojas que exibem peças de roupa interior sofisticada nas suas montras.
Quando começaram a abrir (sobretudo nas grandes cidades) já eu tinha entrado na média idade (ou idade-média) e era, para mim, um tema pouco interessante. Mas reconheço que sempre tive algum desejo em lá entrar, mais para satisfazer a curiosidade, que para comprar fosse o que fosse. Mas a vergonha impôs-se sempre. J
Há dias, li algures que havia um novo modelo de negócio a prosperar no ramo, as chamadas sex-shop ao domicílio. Juntam-se umas tantas senhoras (quase sempre casadas) desejosas de apimentar a relação amorosa com os respectivos conjugues e faz-se aquilo a que no ramo se designa por Tuppersex, ou seja, uma reunião entre uma «assessora» especializada na venda de brinquedos sexuais e as senhoras interessadas em conhecer os produtos. A assessora leva-os numa malinha vermelha (atenção, senhores!) e mostra-os às ditas senhoras, explicando-lhes a sua função, modo de utilização e o preço. Os «brinquedos» são depois enviados pelo correio, esperemos que já com o Iva incluído. Tudo isto é feito de modo muito discreto, de boca em boca.
O Correio da Manhã (edição de 31-10-08) apurou que existem já em Portugal cerca de quarenta dessas assessoras de vendas de produtos sexuais.
Os produtos são muito variados e vão desde os óleos (o Shunga, com sabor a fruta é dos mais requisitados, parece), passando pelo Bling-bling, o Icebreaker, as bolas vaginais e culminando no Set viagem (para sexo em viagem, claro) para pessoas conhecedoras do assunto…

Tudo isso e muito mais esteve recentemente em exibição no IV Salão Internacional Erótico de Lisboa, no Parque das Nações em Lisboa. Atracções especiais foram o Pompoarismo (ginástica vaginal), o Confessionário Erótico e a realização de filmes para adultos (já não se diz pornográficos, politicamente incorrecto).
Entre outras «estrelas» dos filmes porno, teve especial destaque uma tal Jessica Blue, de 20 anos, e que é (dizem) a nova coqueluche do cinema pornográfico espanhol. À imprensa, disse ela de modo inocente: “Acho que o meu segredo é fazer sexo com «ganas» e alegria e posso garantir que nunca fingi um orgasmo num filme pornográfico”. E acrescentou: “Sempre fui muito desinibida. Perdi a virgindade cedo, com 14 anos, e foi maravilhoso. Desde aí não parei mais.”
Se o Marquês de Sade voltasse e ouvisse essa bela e cândida jovem espanhola, dava-lhe certamente um chilique. Ou talvez não!
No mundo do sexo não há crise…