CHE ? O HERÓI IMPROVÁVEL!
Nasceu argentino mas é um herói nacional cubano. Percorreu o continente americano várias vezes, primeiro na sua juventude espraiando o seu lado aventureiro, e depois já homem feito a levar a revolução aonde a injustiça social e as ditaduras campeavam. Morreu ainda jovem com 38 anos, vítima da sua crença na humanidade e nos ideais revolucionários em que acreditava. Apesar de ser uma personagem tão ou mais conhecida que Jesus da Nazaré (a sua famosa foto feita por Alberto Korda, um grande fotógrafo internacional, é hoje em dia a imagem-icone mais divulgada em todo o mundo), ele procurou trazer a «verdade» e a «justiça» aos homens de uma outra maneira, através da força das ideias e das armas, mais que do exemplo de sacrifício e humanidade presentes em Cristo.
O recente filme de Soderbergh «CHE», apresentado nas salas de cinema em duas partes ("O Argentino" e "Guerrilha") com Benício Del Toro no papel de Che, veio avivar a minha memória de alguns aspectos da sua aventureira vida, mas igualmente trazer-me novos ângulos para a sua compreensão. Ele, ao contrário do que muitas vezes imaginei não era um humanista tradicional, antes um revolucionário endurecido pelo ambiente social e económico que teve ocasião de observar nas suas repetidas viagens pelo continente americano, nomeadamente na América Latina, e que o levaram a construir a sua visão desapiedada da vida e do mundo. “Foi por causa da visão de tanta miséria e impotência e das lutas e sofrimentos que presenciou em suas viagens que o jovem médico Ernesto Guevara concluiu que a única maneira de acabar com as desigualdades sociais era promovendo mudanças na política mundial.”- Wikipédia.

Sempre admirei a figura de Che, mas a imagem que dele tinha até há poucos dias era a de um herói revolucionário sem mácula, uma daquelas personagens que desapareceu do convívio dos homens muito antes do que se poderia esperar. A maneira como morreu às mãos dos militares bolivianos, depois de uma denúncia dos próprios camponeses que ele se propunha proteger da ditadura militar e dos grandes latifundiários locais, e as dúvidas sobre o paradeiro do seu corpo só vieram ampliar a lenda que se construiu sobre à volta da sua vida. Ainda hoje, depois de tantas biografias e filmes, pouco se sabe sobre ele, parece que os mitos não se deixam tocar. Na verdade, pouco se sabe ainda sobre o papel que a asma (adquirida aos dois anos) e as mulheres com quem viveu tiveram nas decisões que tomou e nas orientações que deu à sua vida.
Apesar disso, sabe-se que foi médico e fotógrafo profissional, mas foi na qualidade de guerrilheiro que se notabilizou. Antes e depois do assalto ao quartel de Moncada, em Cuba, , onde chegou a exercer diversos e importantes cargos políticos no governo de Fidel Castro, saído da revolução cubana, em 1959.
A imagem do guerrilheiro "Che" tem sido celebrada em todos os continentes, inclusive pela cultura pop, através da camisa estampada com a inconfundível fotografia do revolucionário. Mas não é o ícone, a imagem e produto mais reproduzido e comercializado no séc. XX, que se encontra nos «Diários de Che Guevara» escritos pelo próprio durante a sua fase pré-revolucionária, mas sim a de um jovem de 23 anos, estudante de medicina, em puro estado de idealismo e paixão, típicos de qualquer jovem.
O que leva um revolucionário com uma enorme influência no novo poder revolucionário de Cuba a abandonar aquele país das Caraíbas, em 1965, para emigrar para o continente africano e depois novamente para as selvas bolivianas do continente americano, é algo que continua pouco claro. Na verdade, Che, sendo um visionário está longe de ser um revolucionário tradicional, ele acredita firmemente que só a luta armada aliada a uma pura ética comunista irá permitir aos povos humildes de todo o mundo mudar o curso da história da humanidade. Ele escreveu no seu livro «Socialism and Man in Cuba»: "Deixe dizer-lhe, com o risco de parecer ridículo, que o revolucionário verdadeiro está guiado por grandes sentimentos de amor. É impossível pensar num revolucionário autêntico sem esta qualidade. Quiçá seja um dos grandes dramas do dirigente(...) Nessas condições, há que se ter uma grande dose de humanidade, uma grande dose de sentido da justiça e de verdade (...). Todos os dias temos que lutar para que esse amor à humanidade vivente se transforme em factos concretos, em actos que sirvam de exemplo, de mobilização.”
Goste-se ou não da figura de Ernesto Che Guevara, ele continuará no futuro a alimentar os sonhos de gerações de jovens e de tantos outros menos jovens com a sua incontornável boina guerrilheira, a sua barba hirsuta e os seus ideais revolucionários. Como diz o poeta, o sonho comanda a vida...
HASTA LA VICTORIA SIEMPRE!!!
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«Che Guevara, donde nunca jamas se lo imaginan», um documentário de Manuel Pérez
Vídeo: «O Argentino», trailer