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PESSOALÍSSIMO

Um olhar construtivista e de esquerda sobre o Mundo e a Humanidade. E sobre o meu EU. Sem complexos ideológicos ou filosóficos.

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MORREU UM HOMEM BOM!


salomaoAos quinze anos já era comunista!
Nascido em Olhalvo, aldeia da região de Alenquer, no seio de uma família de agricultores da classe baixa, cedo se evidenciou pela sua coragem cívica.
Foi professor do ensino particular e técnico superior do Instituto Nacional de Estatística, mas foi expulso da função pública por fazer oposição ao regime de Salazar. Perseguido pela PIDE-DGS, foi um dos muitos políticos da oposição que passaram pela prisão de Peniche, onde foi torturado. Com o 25 de Abril e a liberdade retomou as suas anteriores funções na administração pública até ao limite de idade.
Conheci-o nos anos 90 e convivi com ele de perto os anos suficientes para lhe reconhecer as qualidades de um homem bom e corajoso que se manteve fiel em toda a sua vida às suas convicções comunistas. Contudo, sempre respeitou as ideias diferentes e até ironizava com isso! Manteve até ao final da vida uma enorme lucidez e um optimismo contagiante! Acreditava firmemente na capacidade do ser humano de se superar e melhorar! Era um um comunista heteródoxo!
Teve agora, com 92 anos, uma morte tranquila, depois de uma vida intensa, rica e preenchida! Deixa mulher, duas filhas, e muitos netos e bisnetos… Ele era o patriarca dessa grande família!
As histórias (reais) da tua vida e do teu partido, o PCP, que me contaste hei-de recordá-las para sempre!
Que perdure a memória da tua presença no nosso convívio!
Fernando Ferreira

 

E o elogio escrito pelo meu filho
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Faleceu o meu avô.
Um homem de luta, um homem das ciências, um homem das artes. 
Apesar de tudo, essa foi a pequena parte do que foi Salomão Lemos Figueiredo. Foi um homem dedicado à família, um professor também em casa.
Tinha sempre uma história para contar. E mesmo quando já tínhamos ouvido essa história dezenas de vezes, era sempre lindo ouvi-lo contá-las com a mesma paixão.
Lutou pela nossa liberdade, lutou pelo desenvolvimento da cultura e das ciências. Lutou até que lhe dissessem "Somos livres!".
Tocou bandolim. Um dia deu-me o bandolim para as mãos para o vender e logo depois se arrependeu. E eu fiquei mais orgulhoso do arrependimento do que da "oferta". Sendo eu o único músico da família sempre achei muita piada a este lado do meu avô. O de tocador de bandolim.
Ensinou-me e à sua maneira ajudou-me a entender o mundo. Só não absorveu quem não quis.
Felizmente cumpriu-se o ciclo da vida. Morreu com 92 anos. Com a língua afiada e verdadeira. Até ao fim. 

Um abraço e até já.
João Figueiredo

Publicado terça-feira, 8 de Maio de 2012 18:28 por pessoalissimo | 4 Comentário(s)

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MIGUEL, UMA VIDA PLENA, UM POLÍTICO DIFERENTE!

Não conheci pessoalmente o Miguel Portas.
Reconheci-lhe, todavia, há muito tempo, um espírito ao mesmo tempo solidário, livre e de esquerda! Um revolucionário dos tempos modernos!
Argumentava mas não crispava, foi sempre um homem de esquerda mas não advogava o sectarismo, era um construtor de "pontes" ideológicas! Para ele, a "união, é sempre melhor do que a divisão".
Por isso, na hora da sua morte, depois de um logo período de luta contra o cancro, longe das lutas partidárias e dos palcos políticos, todos, da direita mais conservadora à esquerda revolucionária, passando ainda pela cultura e pelo jornalismo, se quiseram despedir de Miguel Portas, cujo corpo esteve durante a tarde deste sábado em câmara ardente no Palácio das Galveias, em Lisboa.
Aqui fica a minha homenagem a um homem de corpo inteiro, um humanista de esquerda!
Que o seu exemplo de combatividade e de esperança num amanhã melhor para as novas gerações nos inspire a todos!



Publicado domingo, 29 de Abril de 2012 16:51 por pessoalissimo | 2 Comentário(s)

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CHE ? O HERÓI IMPROVÁVEL!

Nasceu argentino mas é um herói nacional cubano. Percorreu o continente americano várias vezes, primeiro na sua juventude espraiando o seu lado aventureiro, e depois já homem feito a levar a revolução aonde a injustiça social e as ditaduras campeavam. Morreu ainda jovem com 38 anos, vítima da sua crença na humanidade e nos ideais revolucionários em que acreditava. Apesar de ser uma personagem tão ou mais conhecida que Jesus da Nazaré (a sua famosa foto feita por Alberto Korda, um grande fotógrafo internacional, é hoje em dia a imagem-icone mais divulgada em todo o mundo), ele procurou trazer a «verdade» e a «justiça» aos homens de uma outra maneira, através da força das ideias e das armas, mais que do exemplo de sacrifício e humanidade presentes em Cristo.

O recente filme de Soderbergh «CHE», apresentado nas salas de cinema em duas partes ("O Argentino" e "Guerrilha") com Benício Del Toro no papel de Che, veio avivar a minha memória de alguns aspectos da sua aventureira vida, mas igualmente trazer-me novos ângulos para a sua compreensão. Ele, ao contrário do que muitas vezes imaginei não era um humanista tradicional, antes um revolucionário endurecido pelo ambiente social e económico que teve ocasião de observar nas suas repetidas viagens pelo continente americano, nomeadamente na América Latina, e que o levaram a construir a sua visão desapiedada da vida e do mundo. “Foi por causa da visão de tanta miséria e impotência e das lutas e sofrimentos que presenciou em suas viagens que o jovem médico Ernesto Guevara concluiu que a única maneira de acabar com as desigualdades sociais era promovendo mudanças na política mundial.”- Wikipédia.

Sempre admirei a figura de Che, mas a imagem que dele tinha até há poucos dias era a de um herói revolucionário sem mácula, uma daquelas personagens que desapareceu do convívio dos homens muito antes do que se poderia esperar. A maneira como morreu às mãos dos militares bolivianos, depois de uma denúncia dos próprios camponeses que ele se propunha proteger da ditadura militar e dos grandes latifundiários locais, e as dúvidas sobre o paradeiro do seu corpo só vieram ampliar a lenda que se construiu sobre à volta da sua vida. Ainda hoje, depois de tantas biografias e filmes, pouco se sabe sobre ele, parece que os mitos não se deixam tocar. Na verdade, pouco se sabe ainda sobre o papel que a asma (adquirida aos dois anos) e as mulheres com quem viveu tiveram nas decisões que tomou e nas orientações que deu à sua vida.

Apesar disso, sabe-se que foi médico e fotógrafo profissional, mas foi na qualidade de guerrilheiro que se notabilizou. Antes e depois do assalto ao quartel de Moncada, em Cuba, , onde chegou a exercer diversos e importantes cargos políticos no governo de Fidel Castro, saído da revolução cubana, em 1959.

A imagem do guerrilheiro "Che" tem sido celebrada em todos os continentes, inclusive pela cultura pop, através da camisa estampada com a inconfundível fotografia do revolucionário. Mas não é o ícone, a imagem e produto mais reproduzido e comercializado no séc. XX, que se encontra nos «Diários de Che Guevara» escritos pelo próprio durante a sua fase pré-revolucionária, mas sim a de um jovem de 23 anos, estudante de medicina, em puro estado de idealismo e paixão, típicos de qualquer jovem.

O que leva um revolucionário com uma enorme influência no novo poder revolucionário de Cuba a abandonar aquele país das Caraíbas, em 1965, para emigrar para o continente africano e depois novamente para as selvas bolivianas do continente americano, é algo que continua pouco claro. Na verdade, Che, sendo um visionário está longe de ser um revolucionário tradicional, ele acredita firmemente que só a luta armada aliada a uma pura ética comunista irá permitir aos povos humildes de todo o mundo mudar o curso da história da humanidade. Ele escreveu no seu livro «Socialism and Man in Cuba»: "Deixe dizer-lhe, com o risco de parecer ridículo, que o revolucionário verdadeiro está guiado por grandes sentimentos de amor. É impossível pensar num revolucionário autêntico sem esta qualidade. Quiçá seja um dos grandes dramas do dirigente(...) Nessas condições, há que se ter uma grande dose de humanidade, uma grande dose de sentido da justiça e de verdade (...). Todos os dias temos que lutar para que esse amor à humanidade vivente se transforme em factos concretos, em actos que sirvam de exemplo, de mobilização.”

Goste-se ou não da figura de Ernesto Che Guevara, ele continuará no futuro a alimentar os sonhos de gerações de jovens e de tantos outros menos jovens com a sua incontornável boina guerrilheira, a sua barba hirsuta e os seus ideais revolucionários. Como diz o poeta, o sonho comanda a vida...

HASTA LA VICTORIA SIEMPRE!!!

«Che Guevara, donde nunca jamas se lo imaginan», um documentário de Manuel Pérez 

Vídeo: «O Argentino», trailer

  

Publicado terça-feira, 14 de Abril de 2009 21:21 por pessoalissimo | 59 Comentário(s)

OS HOMENS NASCERAM PAPALVOS

      

    

Alguém me dizia há dias, a propósito já não sei de quê, que os homens nasceram papalvos.

A princípio não percebi bem o alcance da afirmação, creio que agora o percebi.

Na realidade os homens tendem a ler, a ouvir e a interpretar “avant la lettre” tudo o que ELAS dizem e escrevem. Se ELAS dizem, por exemplo, “Não, não quero!”, o que ELAS querem obviamente dizer é “Sim, quero muito!”. O problema é que as coisas não se passam sempre assim, daí o desencanto de que tantas vezes os homens sofrem com estas nuances linguísticas ou de humor.

E porque é que nem sempre as coisas são tão lineares? Por uma aparentemente óbvia razão: ELAS NÃO SÃO seres lineares, tem uma estrutura mental complexa e um sistema de racionalidade lógica fora de toda a lógica… racional!

Pobres homens que acreditam no valor da ciência aplicado às mulheres! Falo, claro, das ciências humanas, das inúmeras dicas que por aí se escrevem sobre como lidar com ELAS. A questão é muito simples de abordar, não há dicas que nos valham para lidar com uma mulher, há uma só forma de o fazer com algum sucesso: ATRACÇÃO!

Sim, atracção! Atracção física em primeiro lugar (no caso dos homens), mas também atracção emocional e intelectual, aquilo que tradicionalmente também se designa por «química». Se não existe atracção entre seres de sexo oposto, não há qualquer possibilidade de ELAS se interessarem por eles.

Eles podem escrever-lhes as mais belas cartas de amor ou enviar-lhes manifestações diárias de apreço e dedicação, que nunca será suficiente se…

Isto parece uma verdade de La Palice mas a verdade é que ELES caem sempre no mesmo erro: O de acharem a questão da «química» como irrelevante, que bastaria expressar muito bem os seus desejos ou carências (sexual ou emocional, ou as duas) para desencadear o processo de aproximação das mentes, dos desejos e dos corpos. Na verdade, as mentes das mulheres (não todas, claro, pois não há regra sem excepção) estão programadas para só aceitar AQUELE que lhe desencadeia o desejo romântico. E isso passa sobretudo, por saber o que ELES querem, como pensam, o que pensam, os seus hábitos, e modos de ser e estar na vida. No fundo, bem no fundo, o que lhes atrai NELAS é reconhecerem neles sentimentos de segurança (o instinto de sobrevivência e de procriação é muito mais forte nelas que neles), de estabilidade e de lealdade. O resto (o aspecto físico, a formação cultural, o dinheiro) vêm por acréscimo.

Ou não será assim?

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Um exemplo de como ELES pensam!

Publicado sábado, 14 de Março de 2009 20:51 por pessoalissimo | 54 Comentário(s)

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AINDA EXISTEM HERÓIS?

"O maior herói é aquele que faz do inimigo um amigo." - Talmude

  

 

     

Ainda me lembro…

Quando era miúdo, aí pelos meus 10-12 anos eu tinha a minha colecção de heróis e alguns super-heróis bem diferentes dos actuais destruidores, horrorosos e violentos heróis da BD e da TV.

E quais eram? Pois… O Ivanhoe, os Bonanza, o Fantasma, o Mandrake, o Tarzan, o cão Rim-Tim-Tim e Robim dos Bosques. E também, porque não, o Super-homem (na altura ainda não existia a Super-mulher, compreende-se porquê). E havia aquelas magníficas revistas de bd do Cavaleiro Andante, o Mundo das Aventuras e O Mosquito que fizeram as delícias de gerações de jovens entre os anos 50 e os anos 80. Até o Tio Patinhas e a sua família de patinhos falantes continua a aparecer nos escaparates das lojas de revistas.

Na realidade, exceptuando talvez o Tarzan, um herói meio tonto e com um grito completamente idiota, todos os outros eram razoavelmente inteligentes e humanos. Ou eu muito me engano ou hoje em dia, os heróis da bd são risíveis, extra-terrestres, beligerantes e totalmente despidos de interesse, além dos músculos e dos “poderes” que ostentam.

Eu sou de um tempo em que os heróis ainda satisfaziam a condição inicial, estarem próximo dos deuses. Ou seja, serem capazes de ultrapassar problemas com uma dimensão verdadeiramente épica, fora do alcance dos simples seres humanos. Hércules, Aquiles, Joana D’Arc ou os nossos Viriato, Afonso Henriques e Luís de Camões, todos filhos de um deus e uma mortal. Smile

Eles representam a força, a fé, a coragem, a força de vontade, a determinação e a paciência que, tantas vezes, falta aos humanos. Talvez porque aspiramos à perfeição e à justiça eterna acreditamos em heróis. Uns mais que outros.

Eu ainda acredito! Que triste seria a vida sem eles… afinal os nossos heróis até podem ser personagens bem humanas, os nossos pais, um amigo especial ou mesmo... o Cristiano Ronaldo!

  

Publicado sexta-feira, 6 de Março de 2009 20:59 por pessoalissimo | 26 Comentário(s)

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HOMENAGEM PÓSTUMA AO BUSHISMO

  

Hoje toma posse o novo presidente dos EUA, Barak Obama. São muitas as expectativas que recaiem sobre os ombros daquele homem, terá certamente cabelos brancos muito mais cedo que as pessoas normais. Mas o desejo de MUDANÇA que ecoou na sociedade americana foi muito forte e agora veremos, como num contexto adverso (duas guerras fora de portas e uma crise económica e financeira muito graves) ele concretiza o sonho americano e o mandato para que foi eleito.

Nesse mesmo dia fina o seu mandato um tal George Bush, um rancheiro do Texas, cujos maiores atributos que revelou, nos dois mandatos que realizou à frente da nação mais poderosa do mundo, foi o ter acreditado (ou fazer-nos acreditar) em armas de destruição maciça no Iraque e o ter-se conseguido desviar de dois sapatos atirados quase à queima-roupa e, claro… os seus dislates linguísticos ou lapsos verbais (Bushismo, como os americanos os alcunharam), que já deu origem a inúmeros sites e livros publicados.

Em «homenagem» a tal personagem que agora finalmente se vai embora, transcrevo aqui uma lista (muito incompleta) das suas intervenções públicas, retirada da BBC Brasil

l http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2009/01/090109_bushismos_dg.shtml)

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 “Eles me mal-subestimaram.” (Bush inventou a palavra ‘misunderestimated’)
Bentonville, Arkansas, 6 de novembro de 2000

 “Eu quero agradecer ao meu amigo, o senador Bill Frist, por se juntar a nós hoje. Ele se casou com uma menina do Texas, eu quero que vocês saibam. Karyn está connosco. Uma menina do Oeste do Texas, exactamente como eu.”

Nashville, Tennessee, 27 de maio de 2004

 “Há um século e meio, os Estados Unidos e o Japão formam uma das maiores e mais duradouras alianças dos tempos modernos.” (Bush não sabia da Segunda Guerra Mundial) - Tóquio, 18 de fevereiro de 2002

“A guerra contra o terror envolve Saddam Hussein por causa da natureza de Saddam Hussein, da história de Saddam Hussein, e a sua determinação de aterrorizar a si mesmo.” - Grand Rapids, Michigan, 29 de janeiro de 2003

“Eu acho que a guerra é um lugar perigoso.” - Washington, 7 de maio de 2003

“O embaixador e o general estavam me relatando sobre a grande maioria dos iraquianos que querem viver em um mundo pacífico e livre. E nós vamos achar essas pessoas e levá-las à Justiça.” - Washington, 27 de outubro de 2003

“Sociedades livres são sociedades cheias de esperança. E sociedades livres serão aliadas contra os poucos odiosos que não têm consciência, que matam ao gosto de um chapéu.” - Washington, 17 de setembro de 2004

“Você sabe, uma das partes mais difíceis do meu trabalho é conectar o Iraque à guerra ao terrorismo.” - Washington, 6 de setembro de 2006

“Eu entendo o crescimento dos negócios pequenos. Eu fui um.” - Entrevista ao New York Daily News, 19 de fevereiro de 2000

“É claramente um orçamento. Tem muitos números nele.” - Entrevista à agência de notícias Reuters, 5 de maio de 2000

“Eu continuo confiante em Linda. Ela será uma ótima secretária de Trabalho. Do que eu li na imprensa, ela é perfeitamente qualificada.” - Austin, Texas, 8 de janeiro de 2001

“Primeiro, deixe-me esclarecer bem, pessoas pobres não são necessariamente assassinos. Só porque você não é rico, não significa que você está disposta a matar.” - Washington, 19 de maio de 2003

“Doutores demais estão deixando o negócio. Muitos obstetras e ginecologistas não estão podendo praticar o seu amor às mulheres pelo país.” - Poplar Bluff, Missouri, 6 de setembro de 2004

“Seria um erro para o Senado americano permitir que qualquer tipo de clonagem humana saísse daquela sala.” - Washington, 10 de abril de 2002

“Eu tenho uma visão diferente de liderança. Uma liderança é alguém que consegue unir as pessoas.” - Bartlett, Tennessee, 18 de agosto de 2000

“E a verdade é que muitos relatórios de Washington nunca são lidos por ninguém. Para mostrar como este é importante, eu o li e Tony Blair o leu.” - Sobre o relatório Baker-Hamilton, em Washington, 7 de dezembro de 2006

“Eu já terei morrido há anos antes que alguma pessoa esperta descubra o que aconteceu dentro do Salão Oval.” - Washington, 12 de maio de 2008

“Eu sei que os seres humanos e os peixes podem coexistir pacificamente.” - Saginaw, Michigan, 29 de setembro de 2000

“Aqueles que entram no país ilegalmente violam a lei.” - Tucson, Arizona, 28 de novembro de 2005

“Isso é George Washington, o primeiro presidente, é claro. O que é interessante sobre ele é que eu li três – três ou quatro livros sobre ele no último ano. Isso não é interessante?” - Washington, 5 de maio de 2006

  

Publicado terça-feira, 20 de Janeiro de 2009 10:49 por pessoalissimo | 24 Comentário(s)

APRENDER, APRENDER SEMPRE!

    

Já aqui escrevi neste blogue que voltei o ano passado aos bancos da escola como aprendente. Mas eu estou ainda Smile na casa dos cinquenta!

    

Há mais de um ano fui visitar dois amigos que se tinham acabado de aposentar da profissão docente. Eles tinham voltado à terra onde nasceram, a bela Campo Maior das flores de papel, e como nunca aprenderam a estar parados, logo se meteram noutra bela aventura, continuar a fazer aquilo que sabiam fazer bem, ENSINAR!

Mas essa aventura assumiu contornos diferentes daquilo a que eles (o casal Galego) estavam habituados, foram dirigir uma Academia Sénior!

Para quem não sabe o que é uma academia sénior, bastam algumas palavras: TERCEIRA IDADE, SABER, APRENDER, PARTILHAR!

Trata-se de escolas informais onde pessoas de todas as idades, em especial os mais velhos que dispõem de mais tempo livre, podem ir aprender aquilo que não quiseram ou tiveram tempo para aprender na idade dita normal para aprender, durante a juventude e a idade adulta.

Estas academias foram inicialmente criadas nos anos 70 em França e desde então tem tido uma expansão notável. Em Portugal, a sua expansão tem sido enorme nos últimos anos e a isso não é estranho o papel das autarquias, algumas autarquias, que se tem empenhado no apoio à concretização destes projectos.

Actualmente são já muitos os portugueses que frequentam essas instituições de forma desinteressada apenas com o desejo de aprender e ensinar, de se cultivar. Mas também para partilhar as suas experiências de vida, para conviver... Um dia, quando me aposentar (se lá chegar de boa saúde) gostaria de participar num desses projectos, como mestre e como aprendiz.

A Júlia e o Francisco têm tido uma acção notável na dinamização da «sua» Academia de Aprendizagem e Cultura de Campo Maior (http://academiaaprendizagemcultura.blogspot.com), criada vai para dois anos. Cursos como Bordado de Arraiolos, Geografia, História e Filosofia, Religiões e Mitos, Oficina da Flor de Papel, Oficina de Informática I, Restauro e Artes Decorativas, entre outros, são parte da oferta educativa que leva dezenas de pessoas (a maior parte na terceira idade) a descobrir novos saberes, a partilhar o que sabem com os que querem aprender. Este é um projecto que o casal Galego abraçou com ambos os braços e lhes dedica boa parte do seu tempo livre. Eles são um exemplo da dedicação à causa do ensino público, duas pessoas de grande qualidade humana por quem tenho uma enorme admiração.

Bem hajam pelo trabalho que fazem!

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- A primeira UTI criada em Portugal aqui: http://uiti.no.sapo.pt/

- A rede de universidades da terceira idade, aqui: http://www.rutis.org

- A Júlia tem aqui um blogue, o Rosa Chá, http://sol.sapo.pt/blogs/rosachamaria/default.aspx e outro no Sapo, http://entretejodiana.blogs.sapo.pt

  

   

Publicado sexta-feira, 16 de Janeiro de 2009 23:36 por pessoalissimo | 31 Comentário(s)

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O MEU AMIGO DE PENICHE

(post dedicado ao meu amigo Berlengas)

  

     

Tenho poucos mas bons amigos.

Na minha actividade profissional contacto anualmente com centenas de pessoas - professores, no meu caso – e sou amigo de alguns. Além de amigos na classe dos professores tenho alguns (muito poucos) amigos fora do mundo da educação.

Como se sabe, além dos chamados «amigos do peito» - os verdadeiros amigos, os que estão lá quando nós precisamos – existem os outros, os chamados «amigos da onça» ou «amigos de Peniche» para designar os falsos amigos. Os «amigos» que só estão disponíveis para as saídas nocturnas, as passeatas, os copos, as idas à bola ou as festas.

A expressão «amigos de Peniche» (mais conhecida no Brasil por «amigos da onça») é uma frase idiomática com origem numa lenda do início do séc. XIX e cuja acção decorre por altura das invasões napoleónicas. “Durante o cerco da cidade de Lisboa, as gentes de Peniche prometeram tentar chegar ao Porto por mar de forma a fazer desembarcar víveres, mas nunca apareceram, na verdade, parece que nem tentaram e as pessoas do Porto cada dia desesperavam mais pelos amigos de Peniche.” Na realidade, esta lenda não tem qualquer fundamento histórico, mas para este post não interessa a verdadeira história. (1)

Conheci o meu amigo de Peniche em 2005.

Na altura, fui chamado a desempenhar funções de direcção num serviço do Ministério da Educação na área da formação de professores e quando tomei posse não só não tinha qualquer experiência nas funções que ia desempenhar como não tinha ninguém em quem me apoiar. Contudo, passados uns dias após o início do meu novo trabalho, recebi uma chamada telefónica de Peniche do meu homólogo nessas funções naquela cidade a felicitar-me e a desejar-me sucesso nas novas funções. Ele disse-me logo ali, sem me conhecer ainda, que se disponibilizava para prestar os esclarecimentos e apoio técnico de que eu viesse a precisar. Nessa altura ainda a comunidade Sol não existia, senão ter-me-ia recordado logo de uma personagem que por aqui anda (um tal Bluewater68) a disponibilizar os seus préstimos a quem aqui entra pela primeira vez! Mas adiante…

Como é de imaginar, fiquei deveras sensibilizado pela atitude desse meu colega mas, na altura, não valorizei muito o acto, considerei-o como uma simpatia de alguém que já por cá anda há muito… Mais tarde, fui encontrá-lo numa reunião de trabalho e desde aí a nossa amizade adquiriu foros de cidadania. Ele, o meu amigo «Berlengas» (como ele gosta de se designar a si próprio) é uma daquelas raras pessoas com quem nos podemos zangar e «terçar armas» sem que daí venha mal ao mundo e a relação sofra qualquer beliscadura.

Conheço o meu amigo «Berlengas» há quatro anos. Mas é como se já o conhecesse há dezenas de anos, tal é a sintonia que temos. Ele é um professor com muitos anos de experiência e com um desempenho próximo do excelente nas funções que exerce (não sou eu que o digo, são as pessoas que com ele trabalham ou interagem que o afirmam). No plano das relações humanas tem um desempenho irrepreensível e é uma pessoa localmente muito considerada, exercendo diversas funções de apoio à comunidade, como colaborador de diversos órgãos de comunicação social e como membro destacado de diversas instituições locais de Peniche.

Como exemplos dessa sintonia destaco a sua permanente disponibilidade para me ouvir, opinar e esclarecer quando eu tenho dúvidas ou preciso de desabafar. Isso tem incluido deslocações ao meu local de trabalho para me auxiliar em diversos assuntos que tive de resolver e iniciativas que realizei, em parceria ou não com ele.

Outro exemplo mais recente foi a decisão de este ano regressarmos ambos aos bancos da escola para frequentar um mestrado em Lisboa. Apesar de se ter de deslocar de uma cidade que dista de Lisboa cerca de 110 km, ele não hesitou quando o convidei para abraçarmos esse projecto. E o inverso também já tem acontecido, eu participar em iniciativas dele mesmo que em circunstâncias adversas ou menos agradáveis para mim. É que nós sabemos que quando um deles pede ajuda ou colaboração ao outro é porque precisa. E aos verdadeiros amigos não se nega nunca o apoio e ajuda necessários.

São inúmeras as horas que já passamos juntos a conversar sobre os mais diversos temas da sociedade, da política e do nosso trabalho comum, a Educação. São incontáveis as vezes que dele recebi provas de estima. Foram imensos os momentos em que cruzamos argumentos, em que concordamos e que discordamos. Foram muitas as ocasiões que nos consideramos uns «grandes chatos».

Como disse um dia Vinícius de Moraes, «há duas espécies de chatos: os chatos propriamente ditos e... os amigos, que são os nossos chatos predilectos.»

O meu amigo Berlengas é o meu chato de estimação!

  

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(1) – Para saber mais sobre a verdadeira história dos “amigos de Peniche” deixo dois links:

- http://pt.wikipedia.org/wiki/Amigo_de_Peniche 

- http://www.peniche.oestedigital.pt/News/newsdetail.aspx?news=3a19394d-172f-4a00-a7ef-556d0eafd893

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BONS AMIGOS

Abençoados os que possuem amigos, os que os têm sem pedir.
Porque amigo não se pede, não se compra, nem se vende.
Amigo a gente sente!
Benditos os que sofrem por amigos, os que falam com o olhar.
Porque amigo não se cala, não questiona, nem se rende.
Amigo a gente entende!
Benditos os que guardam amigos, os que entregam o ombro pra chorar.
Porque amigo sofre e chora.
Amigo não tem hora pra consolar!
Benditos sejam os amigos que acreditam na tua verdade ou te apontam a realidade.
Porque amigo é a direção.
Amigo é a base quando falta o chão!
Benditos sejam todos os amigos de raízes, verdadeiros.
Porque amigos são herdeiros da real sagacidade.
Ter amigos é a melhor cumplicidade!
Há pessoas que choram por saber que as rosas têm espinho,
Há outras que sorriem por saber que os espinhos têm rosas!

 

Machado de Assis (escritor brasileiro 1839-1908)

   

Publicado domingo, 11 de Janeiro de 2009 22:39 por pessoalissimo | 35 Comentário(s)

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A MALETA VERMELHA

(e o IV Salão Internacional Erótico de Lisboa)

   

Confesso que nunca entrei numa sex-shop, uma daquelas lojas que exibem peças de roupa interior sofisticada nas suas montras.

Quando começaram a abrir (sobretudo nas grandes cidades) já eu tinha entrado na média idade (ou idade-média) e era, para mim, um tema pouco interessante. Mas reconheço que sempre tive algum desejo em lá entrar, mais para satisfazer a curiosidade, que para comprar fosse o que fosse. Mas a vergonha impôs-se sempre. J

 

Há dias, li algures que havia um novo modelo de negócio a prosperar no ramo, as chamadas sex-shop ao domicílio. Juntam-se umas tantas senhoras (quase sempre casadas) desejosas de apimentar a relação amorosa com os respectivos conjugues e faz-se aquilo a que no ramo se designa por Tuppersex, ou seja, uma reunião entre uma «assessora» especializada na venda de brinquedos sexuais e as senhoras interessadas em conhecer os produtos. A assessora leva-os numa malinha vermelha (atenção, senhores!) e mostra-os às ditas senhoras, explicando-lhes a sua função, modo de utilização e o preço. Os «brinquedos» são depois enviados pelo correio, esperemos que já com o Iva incluído. Tudo isto é feito de modo muito discreto, de boca em boca.

O Correio da Manhã (edição de 31-10-08) apurou que existem já em Portugal cerca de quarenta dessas assessoras de vendas de produtos sexuais.

Os produtos são muito variados e vão desde os óleos (o Shunga, com sabor a fruta é dos mais requisitados, parece), passando pelo Bling-bling, o Icebreaker, as bolas vaginais e culminando no Set viagem (para sexo em viagem, claro) para pessoas conhecedoras do assunto…

 

 

 

Tudo isso e muito mais esteve recentemente em exibição no IV Salão Internacional Erótico de Lisboa, no Parque das Nações em Lisboa. Atracções especiais foram o Pompoarismo (ginástica vaginal), o Confessionário Erótico e a realização de filmes para adultos (já não se diz pornográficos, politicamente incorrecto).

Entre outras «estrelas» dos filmes porno, teve especial destaque uma tal Jessica Blue, de 20 anos, e que é (dizem) a nova coqueluche do cinema pornográfico espanhol. À imprensa, disse ela de modo inocente: “Acho que o meu segredo é fazer sexo com «ganas» e alegria e posso garantir que nunca fingi um orgasmo num filme pornográfico”. E acrescentou: “Sempre fui muito desinibida. Perdi a virgindade cedo, com 14 anos, e foi maravilhoso. Desde aí não parei mais.”

Se o Marquês de Sade voltasse e ouvisse essa bela e cândida jovem espanhola, dava-lhe certamente um chilique. Ou talvez não!

No mundo do sexo não há crise…

 

Publicado sexta-feira, 21 de Novembro de 2008 19:34 por pessoalissimo | 80 Comentário(s)

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A ECONOMIA REAL E A ESPECULAÇÃO FINANCEIRA

(ou como transformar porcos em pérolas e vice-versa)

   

"A crise de Wall Street equivale à queda do Muro de Berlim" -Joseph Stiglitz (Prémio Nobel de Economia de 2001) 

 

 

Pouco sei de economia, da macro-economia. Sei gerir as minhas economias pessoais e pouco mais. Por isso, escrever um post sobre economia é uma presunção que não arrisco ter. Mas depois do desastre financeiro que está a acontecer na economia global, quero também arriscar algumas palavras.

      

O capitalismo tem uma utopia, a do crescimento contínuo. Os arautos do capitalismo têm a forte crença de que do investimento de capital resultarão sempre mais-valias que serão magnanimamente distribuídas pelos seus accionistas. E que estes redistribuirão essa riqueza pelos mercados adjacentes, comprando (ou vendendo) outro bens, com isso trazendo a prosperidade geral. Confiam na vontade empreendedora das pessoas e, em especial, na ganância, uma característica bem humana.

Claro que admitem a possibilidade de má gestão e, nesses casos, os referidos gestores serão substituídos por outros melhores. Mas, em situações normais, o capitalismo popular tende a criar riqueza, acredita-se.

O problema, desde sempre, está na distribuição da riqueza produzida, das referidas mais-valias. Entre o «capital» e o «trabalho» existem muitos intermediários, sedentos de poder e de dinheiro fresco. Os políticos e agentes económicos mais liberais têm vindo a doutrinar no sentido do afastamento do Estado da vida económica. E insistem num ponto, sempre que o Estado interfere ou procura regular os mercados, está a prejudicar o normal funcionamento dos ditos mercados. Agora com o advento da crise financeira, foram os primeiros a advogar a intervenção dos Estados para salvar os bancos. Sarkozy, Paulson, Merkel, Brown, Trichet e tantos outros líderes políticos já tomaram medidas cujo esquema, o humorista dos “Gatos” Ricardo Araújo Pereira, resume na perfeição: “Ou muito me engano ou o que se passa é o seguinte: os contribuintes emprestam o seu dinheiro aos bancos sem cobrar nada, e depois os bancos emprestam o mesmo dinheiro aos contribuintes, mas cobrando simpáticas taxas de juro. A troco de apenas algum dinheiro, os bancos emprestam-nos o nosso próprio dinheiro para que possamos fazer com ele o que quisermos. A nobreza desta atitude dos bancos deve ser sublinhada”.

Como se tem vindo a referir nesta crise, a ganância dos gestores de fundos e das empresas de gestão imobiliária levou a este estado de coisas, com o Estado (todos os contribuintes) a ter de financiar todo o sistema bancário para permitir que o sistema financeiro se mantenha de pé e não caia como um castelo de cartas, construído sem quaisquer alicerces reais.

Diz-se, não sem razão, que a ganância, a cupidez e o egoísmo são (más) características humanas. Mas que o actual capitalismo tem vindo a explorar até ao tutano. É que a «vaca» (a especulação financeira) de que todos se querem alimentar tem os seus limites, como se comprovou agora.

  

Que se seguirá?

É difícil prever. Tudo irá depender das acções (concertadas ou não) dos governos dos países desenvolvidos para proteger as poupanças dos cidadãos e para definir novas regras para a gestão dos mercados. Se não se quiser aprender a lição, daqui a uns anos estaremos aqui novamente a falar dos mesmos problemas, com consequências provavelmente mais gravosas. Sobretudo, para os mais pobres e para as classes médias.

Temos de assegurar para os nossos filhos um crescimento sustentável, mais apoiado nas energias alternativas e na «economia do conhecimento», como era objectivo da União Europeia, em 2002. Isso já terá sido esquecido?

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Já muito se escreveu sobre o assunto. Muito mais se irá escrever. Aqui, no SOL, destaco três posts, que pelo seu didatismo e análise político-económica merecem atenta leitura:

 

- Do blogue MECCC: http://sol.sapo.pt/blogs/meccc/archive/2008/10/02/A-crise-econ_F300_mica-induzida-pela-crise-financeira.aspx

 

- Do blogue JOTA40: http://sol.sapo.pt/blogs/jota40/archive/2008/10/20/BAR_D500_ES-LADR_D500_ES-E-MACACOS-DE-WALL-STREET-_21002E002E00_.aspx

  

- Do blogue KURIOSO: http://sol.sapo.pt/blogs/kurioso/archive/2008/10/31/BAL_C300_O.aspx#932327

 

Publicado quinta-feira, 13 de Novembro de 2008 17:00 por pessoalissimo | 39 Comentário(s)

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NÃO SOU FELIZ, MAS SOU BEM-DISPOSTO

   

Como disse há dias numa entrevista a um jornal a actriz Helena Isabel, de 56 anos e uma longa carreira de quarenta anos no teatro, no humor e nas novelas, eu não sou feliz, mas sou bem disposto.

Nunca percebi muito bem o conceito de felicidade, apesar de desde sempre se ter escrito sobre ele. A ambição maior das pessoas, é SER feliz! Dizem... Mas conheço muita gente que prefere gostar de se SENTIR feliz, de ESTAR feliz. Afinal, a felicidade é um estado de alma. E os estados de alma não perduram por muito tempo.

Reconheço que os espíritos mais românticos tenderão a buscar a felicidade, a encontrá-la. Onde certamente eu encontro só bem-estar e boa-disposição. E isso é raro perder, apesar dos frequentes problemas que tenho de enfrentar e resolver. Mesmo quando os não posso (ou não quero) resolver, encaro isso com alguma bonomia e nunca perdi o sono por não ter resolvido um problema... ou tê-lo resolvido mal.

Uma das coisas que efectivamente me deixa mal-disposto é ter de tomar decisões que afectam negativamente outras pessoas. E isso já aconteceu diversas vezes. Nessas alturas, lamento a minha impotência, as minhas limitações, porventura o meu egoísmo. E já me aconteceu acordar mal-disposto com algo que tenho adiado, na esperança de que o assunto se resolva de per si. E também com palavras (mal) ditas ou escritas, todos sabemos que as palavras (e a forma como são ditas) não transportam sempre a mesma carga emocional para quem as lê ou ouve. Por vezes, só nos damos mesmo conta disso quando recebemos o feedback alheio.

Excluindo essas situações sou uma pessoa bem-disposta e de bem com a vida.

Serei feliz? Afinal, o que é a felicidade? São os momentos de serenidade pessoal? Será o sorriso, nos momentos difíceis. Ou o devaneio romântico, no meio das rotinas do trabalho? Será sentir a confiança dos outros? Será o sentir-se amado? Ou será, outrossim, a disponibilidade para os outros?

Afinal, a felicidade exige valentia, como escreveu Pessoa

  

"Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes mas não esqueço de que minha vida é a maior empresa do mundo, e posso evitar que ela vá à falência.
Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise.

Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e se tornar um autor da própria história.

É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da sua alma.

É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da Vida. Ser feliz é ter medo dos próprios sentimentos.  É saber falar de si mesmo.  É ter coragem para ouvir um "não". É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.
Pedras no caminho?
Guardo todas, um dia vou construir um castelo..."

A Felicidade exige Valentia" -Fernando Pessoa

know not what tomorrow will bring...”

   

Publicado sábado, 8 de Novembro de 2008 21:43 por pessoalissimo | 55 Comentário(s)

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SÓCRATES, delegado comercial da JP Sá Couto

(a tal que produz o computador «Magalhães» e de que se diz dever milhões ao fisco)

 

Eu já sabia que o nosso PM tinha algumas competências, sobretudo no domínio da oratória e da capacidade de manipulação dos órgãos de comunicação social. Sabia igualmente que é um engenheiro (será?) falhado, mas um político com sucesso. Não sabia, no entanto, das suas excelentes competências como delegado comercial.

Ele esteve recentemente na Cimeira Ibero-Americana e ofereceu computadores “magalhães” a todos os participantes. De caminho, fez uma intervenção que passará a ser certamente um dos melhores exemplos de propaganda para os agentes publicitários e delegados comerciais de todo o mundo, uma referência nas técnicas de vendas. Ele  afirmou, a páginas tantas, que o "magalhães" (que nome tão ibérico!) é «uma espécie de Tintim, para ser usado desde os 7 aos 77 anos». Até os assessores dele já só usam o "magalhães". Falta saber que computador ele usa...

Tem dúvidas?

Então veja este filme: http://www.publico.clix.pt/videos/?v=20081031150251&z=1

 

Publicado quinta-feira, 6 de Novembro de 2008 10:58 por pessoalissimo | 12 Comentário(s)

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OBAMA ou MCCAIN ? Quem irá ganhar?

 OBAMA VENCEU! God bless America!!!

   

    

Confesso a minha admiração por Barak Obama.

Apesar de saber que Barak Obama e John Mccain são duas faces da mesma moeda, do mesmo modelo de sociedade e das mesmas orientações estratégicas para o domínio do mundo pelos Estados Unidos da América.

Não será certamente por acaso que os europeus, na sua grande maioria, apoiam a candidatura de Obama a Presidente dos EUA. Não será por ser negro, inteligente e culto. Por ser novidade na política americana. É sobretudo porque ele representa a «boa moeda» americana, o lado bom (ou menos mau) dos americanos, o seu espírito democrático, pioneiro, inovador e empreendedor. E a sua abertura ao mundo. Precisamente o contrário de tudo o que o actual presidente representou durante os oito anos que esteve no comando da política estado-unidense e que Mccain tão bem reencarna, apesar das sucessivas manifestações de independência face a George Bush e às suas políticas desastrosas.

O desejo de ver os EUA a alinhar em políticas multilateralistas para a gestão do planeta, e em respeitar mais os seus aliados tradicionais, está a levar os governos europeus a alinhar quase todos por Obama, um homem com uma visão mais «progressista» e global dos interesses americanos no mundo.

Mas não tenho ilusões, enquanto os EUA forem uma potência fortemente militarizada e conservarem a vontade e capacidade  de dominar o mundo (ou ser, pelo menos, o seu polícia) as coisas não irão melhorar muito. E Obama nada nos disse sobre isso. Nem dirá. Tentar tocar na vaca «sagrada” das empresas ligadas ao sector do armamento, que consomem parte significativa do orçamento nacional e que dão emprego a muitos milhares de americanos, é propor uma revolução na gestão estratégica do país. Mas isso irá um dia acontecer, quem sabe se em breve com a actual crise financeira mundial a bater forte também na casa dos ianques, disso não tenho dúvidas.

A seguir à guerra no Iraque seguir-se-ão outras (para já no Afeganistão e depois no Irão), pois nenhum presidente americano consegue parar a máquina de guerra montada há décadas e que precisa de ser constantemente alimentada pelas empresas de armamento.

Entretanto, o mundo respirará um pouco de alívio.

Oxalá que as sondagens não sejam enganadoras… E que, desta vez, o burro passe a perna ao elefante!

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Acompanhe aqui as eleições americanas (cortesia do blogue JOSEFADÓBIDOS):

http://www.realclearpolitics.com/epolls/maps/obama_vs_mccain/

   

Publicado domingo, 2 de Novembro de 2008 10:18 por pessoalissimo | 45 Comentário(s)

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VOLUNTARIADO, UMA CAUSA NOBRE

(ou o combate à INDIFERENÇA)

  

“A maior recompensa do nosso trabalho não é o que nos pagam por ele, mas aquilo em que ele nos transforma.” -John Ruskin

     

“Não é a ambição nem a busca de riqueza material ou notoriedade que os move… São empurrados pela vontade de ajudar, pela procura de riqueza emocional e pela certeza de poderem dar um contributo para a construção de um futuro diferente e melhor e, assim, fazer a diferença… São voluntários…” (autor desconhecido)

 

Num mundo dominado pelo egoísmo social a pobreza, ao invés do que prometiam os arautos do capitalismo popular, tem vindo a aumentar. E não só nos países tradicionalmente pobres, na sua maioria africanos. Também nos países europeus e em Portugal, em particular, a chamada pobreza envergonhada tem vinda a crescer de modo preocupante.

Não pertenço a nenhuma instituição de voluntariado social. Tenho contribuído para o Banco Alimentar e os Bombeiros Voluntários. Ocasionalmente, para a AMI (Assistência Médica Internacional).

Durante muito tempo entendi que o voluntariado, sobretudo o realizado pelas Missões católicas e de outras confissões, era muito baseado na ideia de caridade e filantropia. E que, nessa perspectiva, não iriam contribuir para resolver problema nenhum, apenas pontualmente e por pouco tempo. E acalmar as conciências e satisfazer o ego de alguns dos seus mais ricos contribuintes. A caridade é generosidade e dávida, mas dávida inconsequente, porque mantêm as estruturas sociais e económicas que geram a pobreza que supostamente pretende combater com a caridade.

Mais tarde descobri que muitas outras organizações exerciam o voluntariado de um modo muito mais eficaz. As organizações das Nações Unidas são as mais activas e preparadas para as grandes emergências humanitárias. Mas a Cruz Vermelha Internacional, a AMI, os Bancos Alimentares contra a fome, as Associações Voluntárias de Bombeiros e tantas outras Organizações Não Governamentais (ONG) têm dado um excelente contributo para minorar os problemas e salvar milhares de vidas em todo o mundo. Sem todas essas instituições o mundo seria hoje muito mais pobre. E a injustiça social muito maior. A essas organizações devemos a primeira ajuda, o apoio desinteressado nos momentos de aflição, em catástrofes humanitárias, guerras e conflitos armados.

Actualmente, muitas dessas ONGs são estruturas altamente profissionalizadas e economicamente poderosas. Algumas são apoiadas financeiramente pelos governos locais e constituem instrumentos da sua acção política, o que desvirtua a sua vocação principal.

As ONGs são organizações legais criadas por grupos ou fundações privadas e não têm fins lucrativos. Existem mais de 40 000 ONGs com intervenção internacional. Só a Índia tem mais de um milhão dessas organizações não governamentais.

A acção e a intervenção dos voluntários (voluntariado social) pode ocorrer em tantas situações, desde os desastres humanitários ao apoio de pessoas carenciadas ou doentes, ele manifesta-se de muitas e variadas maneiras.

É a faceta humanitária e solidária do Homem que aqui se manifesta. A ela devemos muito o que de bom existe hoje na história da humanidade.

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Sobre este tema, um excelente post aqui no SOL:

http://sol.sapo.pt/blogs/portocego/archive/tags/VOLUNTARIADO/default.aspx

O perfil da bloguer “portocego” que faz do voluntariado um objectivo de vida:

"Nasceu e cresceu numa linda aldeia da Beira Litoral. Estudou e trabalhou em Lisboa. Actualmente aposentada, dedica-se ao voluntariado elegendo como próximo o que está mais próximo. Gosta de pintar, ler, escrever viajar e receber amigos. Admira o voluntariado dos leigos para o desenvolvimento, especialmente, os que vão para os países mais carenciados."

   

Ajude a AMI com os seus impostos

Na próxima Declaração de IRS escreva 502744910 no quadro 9 do anexo H da sua declaração e dê à AMI 0,5% do seu imposto. A AMI está expressamente registada para receber o seu donativo. (Art. 32, nº6 da Lei nº16/2001 de 22 de Junho.

Divulgue esta informação junto dos seus AMIgos.

  

Publicado quinta-feira, 30 de Outubro de 2008 23:33 por pessoalissimo | 34 Comentário(s)

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REGRESSO À ESCOLA

    

   

Sou um viciado em escolas.

Desde que lá entrei, tinha então seis anitos, nunca mais de lá saí. Primeiro como estudante, depois como professor numa já longa carreira de 34 anos.

Nos últimos anos, porém, deixei de leccionar e fui assumir a gestão de um serviço de apoio à formação de professores. Como tenho gostado da experiência e os que comigo trabalham apreciam o meu trabalho, lá vou continuar pelo menos mais três anos. Mas espero ainda poder voltar a ensinar, é algo que sempre gostei de fazer e de que guardo excelentes recordações.

Ao longo da minha carreira de docente, voltei algumas vezes aos bancos da escola, à universidade. Para terminar a minha licenciatura, primeiro, e para efectuar estudos pós-graduados depois. Sempre com sucesso.

Agora voltei.

Desafiado por um amigo de longa data com o qual tenho partilhado uma bela amizade alicerçada em experiências similares e em problemas comuns de trabalho. Ele, além de ser professor de Português no Ensino Secundário, tem estado como eu destacado num serviço com as mesmas funções do meu. Daí a interacção que temos diariamente tido nestes anos. Devo-lhe quase tudo o que aprendi neste meu novo ofício ao serviço do Ensino público e da formação profissional de professores.

Um dia escreverei no meu blogue sobre essa experiência. Mas o que hoje me leva a escrever este post é a sensação de grande satisfação por voltar à escola, voltar a estudar.

Eu costumo pensar que todos temos um objectivo (destino?) na vida, além de procurar a felicidade para nós e para os outros: APRENDER, APRENDER SEMPRE!

É imbuído desse espírito que eu e o meu amigo (uns anitos mais novo que eu) lá voltámos agora à escola, a uma das mais prestigiadas instituições nacionais na aérea da Educação, a Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação de Lisboa.

Fui reencontrar como minhas professoras, velhas companheiras de luta do PREC (*) com as quais tenho tido diálogos acalorados. E, na turma que me coube em sorte, um muito animado e entusiasta grupo de rapazes e raparigas acabadinhos de sair de fresco da fornada das licenciaturas.

Imaginem agora a seguinte cena: dois cotas no meio de miúdos de vinte e poucos anos e professores da minha idade que conheço pessoalmente há décadas dos mais variados eventos sociais, políticos e culturais! Isto foi, para mim, uma verdadeira surpresa!

Os jovens estudantes receberam os «velhos» estudantes com manifestações de grande simpatia e jovialidade. Sempre solicitos a ajudar, a ir tirar as fotocópias de que precisamos, a prestar todo o género de esclarecimentos de que carecemos neste regresso à universidade. TODOS querem trabalhar connosco, até se calam quando um qualquer professor pede a opinião dos alunos, na expectativa das nossas opiniões.

Parece mentira? Talvez. Mas é a mais certa das verdades. E eu ando feliz da vida com isso. Eu e o meu parceiro. A quem eu, por brincadeira e alguma dose de verdade, chamo de «Amigo de Peniche». Ele que arriscou sair do belo conforto em que vive e decidiu vir a Lisboa duas vezes por semana, num total de mais de 200 km, na ida e volta à sua cidade.

Vamos lá a ver se ainda consigo ter boas notas Smile

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(*) PREC - Processo Revolucionário Em Curso

  

Publicado quinta-feira, 23 de Outubro de 2008 23:28 por pessoalissimo | 49 Comentário(s)

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