Resumo
O objetivo deste trabalho é apresentar as principais espécies de cogumelos
que produzam substâncias tóxicas, alucinógenas e venenosas, diferenciando-as
das inofensivas, destacando os princípios farmacológicos dos compostos contidos
nos cogumelos estudados, e seus efeitos clínicos em seres humanos.
Atualmente o uso de cogumelos alucinógenos destaca-se cada dia
mais, aumentando seu consumo por parte dos jovens. Também há um aumento
no consumo de cogumelos para o tratamento de doenças, um dos exemplos é o
cogumelo do sol que além de ser indicado como fortalecedor do sistema
imunológico, como tônico, este tem sido estudado por cientistas de todo o mundo.
A procura de substâncias ou métodos que aumentem ou potencializem o sistema
imunológico do corpo humano, de forma a induzir uma resistência sem causar
efeitos colaterais aos organismos, tem sido uma das mais importantes buscas da
ciência na cura do câncro. Este trabalho visa poder diferenciar as espécies de
cogumelos inofensivos das espécies tóxicas, para que seja feito o uso correto
destes.
Introdução
Os fungos são organismos eucariontes, maioria multicelulares, embora
alguns possam ser unicelulares (leveduras). Todos os fungos são heterotróficos,
não podendo fabricar matéria orgânica a partir de carbono inorgânico pois não
apresentam pigmentos fotossintéticos, e são essencialmente terrestres. São
imóveis, na sua grande maioria, embora alguns possam apresentar flagelos, fato
que conduziu á sua inclusão no reino das plantas, no tempo de Lineu. A
diferenciação somática é mínima ou mesmo nula, mas existe diferenciação dos
tecidos reprodutores. Os fungos multicelulares são formados por uma rede –
micélio - de filamentos, formados por células alinhadas topo a topo, ramificados –
hifas -, que podem ser septados ou asseptados. A estrutura em micélio confere
aos fungos uma elevada relação área/volume, facilitando a aquisição de alimento,
pois esta estrutura rapidamente se estende em todas as direções sobre o
alimento, podendo crescer mais de um quilometro por dia, no total, e afastar-se
mais de 30 metros do local de inicio do crescimento. Por este motivo, um fungo
tem um importante efeito no meio, nomeadamente na degradação de substrato e
na acumulação de partículas. O crescimento das hifas ocorre apenas nas
extremidades, podendo as zonas mais antigas estar livres de conteúdo
citoplasmático (REINO FUNGHI).
As hifas septadas têm paredes – septos – a separar os compartimentos
celulares entre si. Os septos não são, no entanto, completos, existem poros que
permitem a comunicação, e mesmo o movimento de organitos, entre os
citoplasmas adjacentes. Este tipo de hifa pode apresentar um único núcleo por
compartimento – monocariótica – ou dois núcleos por compartimento – dicariótica.
As hifas asseptadas são sempre multinucleadas, encontrando-se os núcleos,
centenas ou mesmo milhares, dispersos numa estrutura cenocítica ou sincícial.
Esta estrutura resulta da divisão contínua do núcleo, sem citocinese (REINO
FUNGI).
Todos os fungos apresentam parede celular, pelo menos em algum estádio
do seu ciclo de vida. Esta parede, outro argumento a favor da sua anterior
inclusão no reino das plantas, tem, geralmente, características bem diferentes das
vegetais, pois apresenta quitina, polissacarídeo presente na carapaça de muitos
animais, o que lhe confere elevada rigidez e maior resistência á degradação
microbiana. Existem espécies de fungos, no entanto, que apresentam parede
celular de celulose. A presença da parede impede-os de realizar fagocitose, logo
alimentam-se por absorção, libertando enzimas hidrolíticas para o exterior do
corpo e absorvendo os nutrientes sob a forma já digerida. Esta situação permite
entender melhor porque motivo os fungos apresentam corpo sob a forma de
micélio, pois sem esta estrutura não teriam uma relação área/volume
suficientemente elevada para se alimentar eficazmente (REINO FUNGI).
Os fungos são altamente tolerantes a ambientes hostis, sendo alguns mais
resistentes a ambiente hipertónicos que as bactérias (fungos são capazes de
crescer num frasco de doce no frigorífico, onde não cresceriam bactérias).
Resistem igualmente a grandes amplitudes térmicas, tolerando temperaturas de –
6ºC a 50ºC ou mais, dependendo da espécie (REINO FUNGI)
Os cogumelos são fungos conhecidos desde a antiguidade quando o
homem já os utilizava como um alimento de elevado valor nutritivo e terapêutico.
No entanto, na natureza, existem centenas de espécies diferentes de cogumelos,
sendo que alguns são venenosos, outros alucinógenos e também aqueles que
possuem propriedades medicinais curativas e até afrodisíacas.
O cogumelo nada mais é que o corpo de frutificação de alguns fungos.
Antigamente achava-se que os fungos fizessem parte do grupo dos vegetais,
mas nos dias atuais não são considerados nem como plantas nem como animais
por possuírem diferenças fisiológicas e químicas. Constituem na verdade, um
grupo de seres à parte, com alguns caracteres intermediários entre uns e outros.
São caracterizados por não sintetizarem clorofila, não possuírem celulose na sua
parede celular (exceto alguns fungos aquáticos) e não armazenam amido como
substância de reserva. São constituídos por uma série de filamentos,
denominados hifas, que em seu conjunto formam o micélio. Para se alimentarem,
dependem de matéria orgânica já pronta que é absorvida pelas hifas.
Os fungos são organismos da natureza que exercem um papel importante
no ciclo do carbono, pois na maioria das vezes participam de uma etapa da
decomposição da matéria orgânica. O cogumelo é a estrutura que alguns tipos de
fungos utilizam para realizar a reprodução, ou seja, o cogumelo é o “fruto” do
fungo e é nele que se encontra as “sementes” dos fungos, também conhecida
como esporos. A idéia que se tem é que os cogumelos possuem substâncias
tóxicas letais ou alucinógenas. Mas estatisticamente, isso não se justifica, pois a
maioria dos cogumelos não são tão perigosos assim, muito pelo contrário.
Acredita-se que, haja mais de 200.000 espécies de fungos. E alguns deles são
apreciadíssimos na culinária devido ao sabor, pela versatilidade em combinar com
diversos pratos ( Shiitake, Champignon de Paris, Shimeji e etc. ) e outras vezes
pela sofisticação como é o caso caríssima trufa. Todas as espécies de fungos tem
na sua parede celular essa substância, entretanto, as análises feitas com o
cogumelo Agaricus tem demonstrado que ele possui um tipo específico de
polissacarídeo altamente efetivo e em concentração bem mais elevadas que
qualquer outra espécie já estudada.
Durante muito tempo os fungos foram considerados plantas, mas
atualmente sabe-se que eles são tão diferentes das plantas como dos animais,
merecendo, por isso, o seu próprio reino – Reino Fungi. Os fungos são um
importante grupo de organismos, conhecendo-se mais de 77000 espécies,
a maioria das quais terrestres. Pensa-se que deverão existir tantas espécies de
fungos como de plantas, mas a maioria não terá sido ainda descrita. A origem
destes organismos não é bem conhecida, assumindo-se que existem ancestrais
do tipo protista, embora atualmente estes não sejam reconhecíveis. Os primeiros
fungos devem ter sido eucariontes unicelulares, que terão originado organismos
cenocíticos (com numerosos núcleos).
O fóssil mais antigo de um organismo semelhante a um fungo data de á
900 M.A. mas apenas há 500 M.A. se pode identificar com toda a certeza um
fungo no registro fóssil. Os fungos, tal como as bactérias e alguns protistas, são os
decompositores da biosfera, sendo a sua função tão primordial como a dos
produtores. A decomposição liberta dióxido de carbono para a atmosfera, bem
compostos azotados ao solo, onde podem ser novamente utilizados pelas plantas
e, eventualmente, pelos animais.Estima-se que os 20 cm superiores do solo fértil
contêm mais de 5 toneladas de fungos e bactérias, por hectare. Existem mesmo
cerca de 500 espécies de fungos marinhos, onde realizam a mesma função que
os seus congéneres terrestres.
1.Toxicologia
A intoxicação pelos cogumelos é de gravidade variável. O envenenamento
faloidiano, causado pelo amanita-falóide (Amanita phalloides), também
denominado amanita-primaveril e amanita-virosa, pode ser mortal. Manifesta-se
depois de um período de incubação de 8 a 24 horas, por perturbações digestivas
intensas (diarréia abundante e dolorosa, sensação de queimadura no estômago,
vômitos) e, em seguida, por uma hepatonefride grave (Amanita Muscaria).
O tratamento exige cuidados gerais de manutenção, hidratação, combate
ao choque e administração de soro antifalínico do Instituto Pasteur. No
envenenamento causado pelo amanita-mata-moscas ou falsa-oronga (Amanita
muscaria), a incubação é rápida e as perturbações digestivas são seguidas de
distúrbios nervosos muito intensos (embriagues, convulsões, midríase, delírio),
que aparecem antes de 24 horas. O envenenamento muscariano provoca suores
profusos, perturbações visuais e palpitações. Alguns casos, devidos a cogumelos
simplesmente irritantes (rússula, lactário, ontoloma-lívido), ou mesmo a cogumelos
comestíveis tornados tóxicos por alterações, podem dar lugar a perturbações
digestivas que se curam em alguns dias (Amanita Muscaria.
2. Alucinação
A palavra alucinação significa, em linguagem médica, percepção sem
objeto; isto é, a pessoa que está em processo de alucinação percebe coisas sem
que elas existam. Assim, quando uma pessoa ouve sons imaginários ou vê
objetos que não existem ela está a ter uma alucinação auditiva ou uma
alucinação visual. As alucinações podem aparecer espontaneamente no ser
humano em casos de psicoses. Também podem ocorrer em pessoas normais (que
não têm doença mental) que tomam determinadas substâncias ou drogas
alucinógenas,isto é, que "geram" alucinações. Estas drogas são também
chamadas de psicoticomiméticas por "imitarem" ou "mimetizarem" um dos mais
evidentes sintomas das psicoses - as alucinações. Alguns autores também as
chamam de psicodélicas. A palavra psicodélica vem do grego (psico = mente e
delos = expansão) e é utilizada quando a pessoa apresenta alucinações e delírios
em certas doenças mentais ou por ação de drogas. Estas alterações não são
sinônimos de expansão da mente.
As alucinações e delírios são perturbações do funcionamento normal do
cérebro, tanto que são características centrais das doenças chamadas psicoses.
Com o processo da ciência várias substâncias foram sintetizadas em laboratório e
desta maneira, além dos alucinógenos naturais hoje em dia têm importância
também os alucinógenos sintéticos, dos quais o LSD-25 é o mais representativo .
Há ainda a considerar que alguns desses alucinógenos agem em doses muito
pequenas e praticamente só atingem o cérebro e, portanto, quase não alteram
qualquer outra função do corpo da pessoa: são os alucinógenos propriamente
ditos ou alucinógenos primários.
Portugal, principalmente através de sua imensa riqueza natural, tem várias
plantas alucinógenas. Os mais conhecidos estão citados a seguir. O uso de
cogumelos ficou famoso no México, onde desde antes de Cristo já era usado
pelos nativos daquela região. Ainda hoje, sabe-se que o "cogumelo sagrado" é
usado por alguns pajés. Ele recebe o nome científico Psilocybe mexicana e dele
pode ser extraído uma substância de poderosa alucinógena: a psilocibina. Em
Portugal ocorrem pelo menos duas espécies de cogumelos alucinógenos, um deles o
Psilocybe cubensis e o outro é espécie do gênero Paneoulus.
3. Cogumelos comestíveis
Na França, cultivam-se o cogumelo-de-paris (Agaricus, basidiomiceto) e na
raiz de diversas plantas desenvolvem-se as trufas ou túberas (Tuber,
ascomicetos). Tais cogumelos usados na alimentação, são chamados,
geralmente, pelo termo francês champignon ou pelo italiano funghi. Cogumelos
comestíveis contêm importantes propriedades funcionais. Em particular, glucanos,
homo- e hetero-glucanos com ligações glicosídicas, supostamente responsáveis
por algumas propriedades benéficas à saúde humana, como atividade
imunomodulatória, antioxidante, antiinflamatória e anticancerígena.
O cogumelo comestível Oudemansiella canarii (Jungh.) Höhn é comum no
território português, sendo encontrado em diferentes biomas, onde colonizam
várias espécies vegetais. Neste estudo, o cultivo deste basidiomiceto foi realizado
em sacos plásticos contendo bagaço de cana-de-açúcar (200 g) ou serragem de
eucalipto (200 g) suplementados com farelo de trigo (50 g). Os substratos foram
esterilizados a 121ºC por 1 hora, inoculados com 3 g de grãos de trigo colonizados
por micélio do fungo e permaneceram incubados a 25ºC até a formação dos
primórdios dos basidiomas. Os cogumelos, colhidos após a abertura do píleo,
apresentaram tamanhos variados chegando a atingir 9 cm de diâmetro por 10 cm
de altura. Os cogumelos frescos apresentaram paladar suave e consistência
macia e quando mantidos a 4ºC permaneceram com bom aspecto e boa
consistência por 7 dias. A maior produção de basidiomas, no período de 60 dias,
foi obtida no composto com bagaço de cana-de-açúcar, sendo observadas as
maiores médias de produtividade (4,47% ± 1,34), eficiência biológica (55,66% ±
20,41) e consumo do composto (38,78% ± 4,59). A análise estatística não
paramétrica de Wilcoxon, utilizada para comparar a produção de biomassa nos
dois substratos, apresentou diferenças estatisticamente significativas ao nível de
5%.
Cinco espécies de cogumelos comestíveis, Lentinula edodes, Pleurotus
ostreatus, Pholiota nameko, Macrolepiota bonaerensis e Agaricus blazei foram
avaliadas quanto ao seu potencial em inibir o crescimento "in vitro" da levedura
patogênica Candida albicans. Apenas a espécie L. edodes apresentou efeito
fungistático sobre este patógeno humano. O composto inibitório foi produzido intra
e extracelularmente em cultivo submerso de Lentinula edodes e também estava presente em basidiocarpos frescos e desidratados do cogumelo. O composto fungistático é termossensível
e perde sua atividade após 72 horas.
4. Consumo
Os cogumelos já eram apreciados como iguaria na culinária antiga de
vários povos mas, sempre foi um organismo cheio de mistério e muitas vezes
mal compreendido. Na questão dietética, além das fibras, eles destacam-se por
ser uma fonte protéica completamente dissociada da gordura (ao contrário de
outras fontes protéicas tradicionais ), além disso a composição em aminoácidos
essenciais desta proteína é das mais completas e equilibradas ao organismo
humano. O consumo de cogumelos em Portugal, ainda é muito pequeno em relação
ao povos europeu e asiático, onde estima-se ser de 70g por habitante por ano.
Nos últimos anos, o consumo de cogumelos comestíveis aumentou
e ganhou destaque em virtude do seu sabor refinado, do seu valor nutritivo e,
ainda, pelo seu potencial de uso medicinal.
5. Medicina
Entre os candidatos a atuarem como indutores bióticos de resistência estão
os cogumelos Lentinula edodes (cogumelo shiitake) e Agaricus
blazeil (cogumelo do sol). Muitos estudos dentro da área
médica mostram resultados positivos da utilização destes cogumelos no combate
à patógenos humanos, e também na ativação do sistema imunológico e na
melhora de problemas de saúde como o colesterol, a asma e a úlcera. Uma das
substâncias caracterizadas, isolada do basidiocarpo de shiitake, é a lentinana, a
qual mostra-se capaz de recuperar ou aumentar as respostas das células
hospedeiras a substâncias biologicamente ativas, por estimular a maturação,
diferenciação ou proliferação de células envolvidas no mecanismo de defesa,
aumentando a resistência do hospedeiro contra vários tipos de câncer e doenças
infecciosas.
Várias propriedades fisiológicas tem sido influenciada por cogumelos, tais
como imunoproteção, a manutenção da homeostase, a regulação do bioritmo, a
prevenção de doenças coronárias e cancerígenas. Confirma-se também que os
cogumelos produzem substâncias efetivas para a redução do colesterol e da
pressão sangüíneos, além de substâncias com ação antitrombótica e
hipoglicêmica (Wasser & Weis, 1999).
Um composto denominado eritadenina, obtido a partir de estrato etanólico
(80%) de basidiocarpos, apresenta ação hipocolesterolêmica, provavelmente por
alterar o metabolismo fosfolipídico hepático. A dosagem de 50mg deste composto
por quilo de massa corpórea é suficiente para diminuir a concentração de
colesterol plasmático em ratos (Sugiyama et al., 1995). Em testes conduzidos com
humanos, Suzuki & Ohshima (1974) reportaram a diminuição na pressão
sangüínea e no colesterol no soro em mulheres alimentadas com shiitake fresco
ou seco.
6. Efeitos no cérebro
Já foi acentuado que alguns dos cogumelos são alucinógenos, isto é,
induzem alucinações e delírios. É interessante ressaltar que estes efeitos são
muito maleáveis, isto é, dependem de várias condições, como sensibilidade e
personalidade do indivíduo, expectativa que a pessoa tem sobre os efeitos,
ambiente, presença de outras pessoas.
As reações psíquicas são ricas e variáveis. Às vezes são agradáveis e a
pessoa sente-se recompensada pelos sons incomuns, cores brilhantes e pelas
alucinações. Em outras ocasiões os fenômenos mentais são de natureza
desagradável, visões terrificantes, sensações de deformação do próprio corpo,
certeza de morte iminente. Tanto as agradáveis e desagradáveis podem ser
conduzidas pelo ambiente, pelas preocupações anteriores ou por outra pessoa.
Esse é o papel do "guia" ou "sacerdote" nos vários rituais religiosos folclóricos,
que, juntamente com o ambiente do templo, os cânticos, etc., são capazes de
conduzir os efeitos mentais para o fim desejado.
7. Efeitos no resto do corpo
Os sintomas físicos são poucos salientes, pois são alucinógenos primários.
Pode aparecer dilatação das pupilas, suor excessivo, taquicardia e
náuseas/vômitos.
Como ocorre com quase todas as substâncias alucinógenas, praticamente
não há desenvolvimento de tolerância; também comumente não induzem
dependência e não ocorre síndrome de abstinência com o cessar de uso. Assim, a
repetição do uso dessas substâncias tem outras causas que não o evitar os
sintomas de abstinência. Um dos problemas preocupantes com o uso desses
alucinógenos é a possibilidade, felizmente rara, da pessoa ser tomada de um
delírio persecutório, delírio de grandeza ou acesso de pânico e, em virtude disto,
tomar atitudes prejudiciais a si e aos outros.
8. Lentinula edodes (shiitake) e Agaricus blazei (cogumelo do
sol)
O efeito antimutagênico dos cogumelos Lentinula edodes e Agaricus blazei
foram estudados sobre conídios de Aspergillus nidulans quando expostos à luz
ultravioleta de comprimento de onda curto. Duas linhagens de A. nidulans foram
usadas. Para o preparo dos extratos, os cogumelos frescos permaneceram em
infusão aquosa por 12 horas e em seguida foram aquecidos em banho-maria por
15 min à 100ºC e a seguir o material foi filtrado. Os cogumelos desidratados foram
deixados em infusão aquosa por 12 horas e a seguir filtrados. Ambos os filtrados
foram usados como extratos. Os conídios de A. nidulans foram incubados por três
horas em água e em extrato de cogumelo e somente após foram expostos a luz
ultravioleta (pré-tratamento). Conídios de A. nidulans foram incubados em água e
em extrato de cogumelo e imediatamente submetidos à luz ultravioleta (póstratamento).
Conídios incubados em água e em extrato de cogumelo, mas sem
exposição ao agente mutagênico, foram usados como controle. Após tratamento
mutagênico, observou-se um aumento na taxa de sobrevivência de A. nidulans e
uma diminuição na porcentagem de mutantes morfológicos em conídios tratados
com extrato de cogumelos. Os resultados demonstram o efeito radioprotetor e
antimutagênico dos cogumelos L. edodes e A. blazei sobre células eucarióticas
submetidas à radiação UV.
9. Agaricus Blazei
Recentemente, o cogumelo Agaricus blazei, também chamado
popularmente de " Cogumelo do Sol ", sobre o qual falaremos posteriormente,
tem sido relatado como um produto com propriedades medicinais, despertando
grande interesse por parte da comunidade médica e científica de instituições em
Portugal e em outros países.
O cogumelo A. blazei é de ocorrência natural das regiões serranas da Mata
Atlântica e, segundo relatos de produtores, aespécie nativa foi ciletada
inicialmente em Portugal por um agricultor, que cultivou entre as décadas de 60 e 70, quando algumas amostras foram levadas para o Japão com o interesse de se estudar as suas propriedades medicinais. Devido às condições climáticas serem favoráveis ao
cultivo deste cogumelo, matrizes reproduzidas ainda no Japão foram enviadas de
volta a Portugal e, desde então, várias técnicas de produção têm sido adaptadas.
Os principais estudos medicinais com o Agaricus blazei datam de 1980 e
diversos são os trabalhos que foram e estão a ser conduzidos por vários
pesquisadores, testando os efeitos da sua utilização para diversas enfermidades
como o câncro, diabetes e até mesmo a SIDA. Este cogumelo destaca-se por
apresentar de cinco a seis vezes mais concentração de princípios-ativos do que
outros cogumelos comestíveis, como o beta-glucan, ácido linoleico e o ácido 13-
hidroxy cis-9, que são substâncias comprovadamente anti-mutagênicas e
fortalecedoras do sistema imunológico.
Dentre os diversos efeitos farmacológicos e alimentícios do agaricus blazei,
podemos destacar:
?? Efeito antimutagênico em colônia de microorganismos devido à presença
do ácido linoleico.
?? Efeito bactericida em colônia de microorganismos devido à substância
13ZE-LOH.
?? Diminuição de glicose no sangue. - experimento em camundongos.
?? Diminuição da pressão arterial, diminuição do nível de colesterol e melhoria
da arteriosclerose devido a efeitos do ácido linoleico.
?? Efeito antitumoral (sarcoma 180/camundongos, método ip) devido à ação
de polissacarídeos beta-(1-3)-D-glucan, beta-(1-6)-D-glucan-proteico,
heteroglucan ácido, xyloglucan, composto heteroglucan proteico, composto
protéico RNA glicoproteina (lecitina, etc).
?? Ação anticancerígena, ação inibidora da multiplicação das células HeLa,
efeito de impedimento da multiplicação de células cancerígenas através da
toxicidade celular por ação de esteróides.
?? Efeito preventivo do câncer, devido à excreção adsortiva de substância
Cancerígenas em função da presença de fibras alimentícias nãoassimiláveis,
tais como o beta-D-glucan, heteropolissacarídeos, quitina. Além das
constatações acima, diversos outros efeitos têm sido acompanhados em várias
observações, como por exemplo, efeito nos aparelhos respiratório, digestivo e
urinário.
10. Agaricus blazei Murrill
O cogumelo Agaricus blazei Murrill foi descoberto na cidade de Piedade,
Estado de São Paulo, Brasil, e enviado para o Japão para o estudo das suas
propriedades medicinais. Com a descoberta das suas propriedades antitumorais,
comprovadas em cobaias, o Japão passou a importar esse cogumelo do Brasil.
Devido ao seu elevado preço no mercado internacional, muitas empresas e
produtores rurais passaram a procurar nesse cogumelo uma nova alternativa de
renda. Diante de um interesse tão repentino, não houve tempo para que a
comunidade científica pesquisasse o assunto, de maneira que a tecnologia de
cultivo é ainda muito empírica. Além disso, existem informações contraditórias
acerca da classificação desse cogumelo e as suas propriedades antitumorais
ainda precisam ser confirmadas em seres humanos.
11. Ramaria flavo-brunnescens
A intoxicação espontânea por Ramaria flavo-brunnescens tem sido descrita
nas regiões Sul e Sudeste em bovinos e ovinos que pastam em locais com bosques de eucalipto (Eucaliptus spp), nos meses de fevereiro a junho. Esse cogumelo,
pertencente à família Clavariaceae, é similar a uma couve-flor, alaranjado e/ou
marrom-claro e apresenta-se em colônias, coincidindo seu período vegetativo com
a ocorrência de intoxicação espontânea.
A intoxicação espontânea e experimental em bovinos é caracterizada
clinicamente por emagrecimento progressivo, anorexia, intensa salivação, atrofia
das papilas e descamação do epitélio da língua, hemorragias na câmara anterior
do globo ocular e desprendimento dos cascos, chifres e dos pêlos do dorso, lombo
e cauda. Podem ser observadas, também, lesões de fotossensibilização.
Experimentalmente, em bovinos, doses de 5 g/kg/dia durante 5 dias,
produzem sinais clínicos e doses de 20 g/kg/dia durante 18 dias, provocam a
morte.
A intoxicação espontânea em ovinos caracteriza-se por sinais nervosos,
com incoordenação motora, midríase acentuada, decúbito e movimentos de
pedalagem. Verificam-se, também, opacidade da córnea e sialorréia, reproduziram
experimentalmente a intoxicação em 11 ovinos, administrando R. flavobrunnescens
fresca, nas doses totais de 100 a 430 g/kg. Seis ovinos
demonstraram sinais clínicos e quatro morreram; a dose tóxica mínima total foi de
150 g/kg e doses de 200 g/kg causaram a morte dos ovinos. Os sinais clínicos
foram similares aos da intoxicação espontânea; adicionalmente foram observados
poliúria e hipertermia.
As principais lesões histológicas causadas por R. flavo-brunnescens
caracterizam-se por vasoconstrição, trombose das artérias da derme e submucosa
da língua, e degeneração e necrose epitelial. A semelhança dessas lesões com as
lesões observadas no ergotismo sugerem que o princípio tóxico do cogumelo
tivesse uma ação biológica semelhante a dos ergoalcalóides.
Um alcalóide volátil e termolábil foi isolado de R. flavo-brunnescens e do fígado de
um bovino intoxicado experimentalmente com o cogumelo. No entanto, não foi demonstrado que esse alcalóide seja responsável pelo quadro clínico. Considerando a rapidez com que o cogumelo se decompõe após a colheita, é necessário determinar a toxicidade do mesmo após secagem ou congelamento para futuros trabalhos de identificação do princípio ativo.
12. Shiitake
O shiitake (shii, tipo de árvore; take, cogumelo em japonês) é um fungo
aeróbio decompositor de madeira, cientificamente denominado Lentinula edodes, pertencente à classe dos Basidiomicetos. O cultivo de shiitake originou-se
na China, sendo introduzido no Japão por intermédio de cultivadores chineses.
Posteriormente, o cultivo foi introduzido nos EUA e Europa. A produção mundial é
crescente, estimada em 526.000t. Em Portugal a produção anual está em torno de
algumas dezenas de toneladas.
O interesse no consumo do shiitake é atribuído às suas ricas propriedades
nutricional e medicinal, e pelo seu apreciável sabor, tornando-se o segundo
cogumelo mais consumido no mundo. A existência de uma grande colônia
asiática, somando-se a recentes divulgações na mídia, tem contribuído para
incorporar o seu consumo no hábito alimentar português. O mercado é nitidamente
comprador e a demanda do shiitake cresce dia-a-dia, não obstante seu preço
elevado. Os cultivos de shiitake em Portugal, na sua maioria, são feitos em pequenas
propriedades e de maneira rudimentar, utilizando-se de instalações já existentes e
adaptadas.
As estimativas de produtividade do cogumelo Shiitake em Portugal em eucalipto são otimistas mas, na prática, a produção nessa madeira é baixa e inconstante. Visando aumentar a produtividade do Shiitake, estudaram-se as interações entre doses de
suplementação mineral, em relação a três linhagens do cogumelo inoculadas em
toros de eucalipto de sétimo corte. A suplementação mineral foi realizada na água
de imersão dos toros, no momento de cada indução da frutificação.
O interesse nacional pelo cultivo comercial de shiitake é crescente, devido
às suas propriedades nutricionais e medicinais, e ao seu apreciável sabor. O
cultivo deste cogumelo constitui uma alternativa rentável de diversificação das
atividades de uma propriedade agrícola.
13. Cogumelo sagrado
Seu uso ritual é bastante antigo no México, onde ficou famoso, sendo
utilizado pelos nativos daquela região desde antes de Cristo. Sabe-se que o
"cogumelo sagrado" atualmente ainda é utilizado por bruxos, nos seus rituais, e por
alguns pajés. É chamado pelos índios astecas do México de "carne dos deuses",
sendo considerado sagrado por certas tribos. Tem o nome científico de "Psylocybe
mexicana" e dele pode-se extrair uma substância com forte poder alucinógeno: a
psilocibina.
Em Portugal, temos pelo menos duas outras espécies de cogumelos
alucinógenos: o "Psylocibe cubensis" e a espécie do gênero "Paneoulus".
Um caso real conta: "Um jovem arquiteto coleta vários cogumelos. Prepara-os
num liquidificador, com leite e leite condensado. Guarda essa mistura no frigorifico. Mais tarde, com grande sentimento de culpa, depara com a sua avó,
que bebera a mistura pensando tratar-se de batida de frutas ou vitamina, meio
aterrorizada na sala de visitas, com a TV ligada, e discutindo amargamente com
os personagens da novela - que haviam 'saído' do écran e estavam pela sala."
Efeitos físicos e psíquicos. Os sintomas físicos são poucos salientes. Podem
aparecer dilatação das pupilas, suor excessivo, taquicardia, náuseas e vômitos.
Não há desenvolvimento de tolerância. Também não induzem dependência e não
ocorre síndrome de abstinência (Info Drogas.
Produzem alucinações e delírios. Estes efeitos são maleáveis e dependem
de várias condições, como personalidade e sensibilidade do indivíduo. As
alucinações podem ser agradáveis. Em outras ocasiões, os fenômenos mentais
podem ser desagradáveis (visões terrificantes, sensações de deformação do
próprio corpo). Pode também provocar hilaridade e euforia. Um dos problemas
preocupantes deste alucinógeno, bem como da Datura, Daime, Peyote e o LSD-
25, é a possibilidade, felizmente rara, da pessoa ser tomada de um delírio
persecutório, delírio de grandeza ou acesso de pânico e, em virtude disto, tomar
atitudes prejudiciais a si e aos outros. Nomes populares: chá, cogú.
14. Amanita Muscaria
Este cogumelo apresenta volva, estipe, anel, píleo, escamas residuais do
velum e lâminas bem desenvolvidas na face inferior do píleo. Seu basidiocarpo,
bem desenvolvido, pode atingir mais de 20 cm de altura e até 20 cm de diâmetro
de píleo ou chapéu. A coloração do píleo varia do vermelho escarlate ao vermelho
alaranjado, podendo apresentar, quando ainda jovem, uma fase na qual
predomina a coloração verde amarelada.
O píleo de 8 a 24 cm de diâmetro, em forma de ovo, quando jovem, e
convexo, chato, plano ou levemente côncavo, quando maduro. Superfície amarela
pálida a laranja avermelhada. Apresenta numerosas “verrugas” brancas ou
amarelo pálidas que, algumas vezes, ficam dispostas em círculos; margens
pronunciadamente estriadas; branco carnoso ou amarelo pálido logo abaixo da
cutícula ou camada superior vivamente colorida. As Lamelas, cerca de 20 por
cm linear e 8-15 mm de largura, livres ou ligeiramente decorrentes em rugas ou
cristas estreitas brancas ou amarelo pálidas.
O Estipe com 10 a 20 cm de comprimento e 1 a 2 cm de espessura ou
diâmetro na extremidade superior; a parte basal do estipe é mais espessa para
formar um bulbo, envolvido por anéis irregularmente rompidos brancos ou amarelo
pálidos. Os Anéis no terço superior do estipe, brancos, macios, a princípio
salientes, mas depois tornando-se secos e inconspícuos. Volva algumas vezes
bem definida, mas, freqüentemente, tornando-se inconspícua ou não evidente com
a idade, aparecendo, entretanto, apenas como anéis na parte inferior bulbosa do
estipe. Frutificações solitárias ou em grupos e, freqüentemente, dispostas em
forma de anéis sob várias árvores coníferas, na Europa e Estados Unidos. Em Portugal, este cogumelo tem sido associado somente com plantas do gênero Pinus.
Este cogumelo é originário do Hemisfério Norte, é bastante conhecido na
Europa e na América do Norte.A introdução desse cogumelo em Portugal foi atribuída a importação de sementes de Pinus de regiões onde ele é nativo. Os esporos do fungo teriam sido trazidos em mistura com as sementes importadas. Embora esse cogumelo tenha aparência inocente e apetitoso, quando é ingerido pelo homem ou animais domésticos, o cogumelo é totalmente tóxico.
Quando ingerido é capaz de causar alterações no sistema nervoso, levando a alteração da percepção da realidade, descoordenação motora, alucinações, crises de euforia ou depressão intensa. Espasmos musculares, movimentos compulsivos, transpiração, salivação, lacrimejamento, tontura e vômitos.
As espécies venenosas de Amanita contêm compostos ciclopeptídicos
conhecidos como amatoxinas e phallotoxinas, altamente tóxicos e mortais, para os
quais inexistem antídotos eficientes. Até mesmo o emprego de hemodiálise na
remoção do envenenamento por espécies de Amanita é questionável, desde que o
processo remove substâncias com peso molecular 300 D, ou menos, enquanto as
amatoxinas e amanitinas tem um peso molecular de 900, podendo ainda
tornarem-se complexadas com moléculas ainda muito maiores, como certas
proteínas.
Algumas espécies de Amanita são comestíveis - A.cesarea, A.ovoidea, A. valens Gilberti, A. giberti Beaus. etc. - mas o gênero é notório pelos seus representantes venenosos, sendo alguns mortais.A maioria dos fungos Amanita não possui qualquer sabor especial que os identifique e as toxinas têm um período latente para manifestação bastante longo, permitindo a completa absorção pelo organismo antes de que qualquer medida de tratamento ou desintoxicação tenha sido adotada. As toxinas atuam, predominantemente, no fígado e a morte, no caso dos Amanitas contendo princípios letais, ocorre por coma hepático, sem que haja terapêutica específica.
Além de A. phalloides, A. virosa e A. pantherina, que são tóxicos, A. verna é o grande responsável nos Estados Unidos pelas mortes por intoxicação que ocorrem no país, sendo por isso denominado vulgarmente "Destroying Angel", ou seja, "Anjo destruidor". Estas espécies não foram, entretanto, ainda encontradas em Portugal e, como não existe entre nós a tradição de coleta de cogumelos no campo para fins de alimentação, como ocorre na Europa e algumas outras áreas do globo, o risco de envenenamento é menor.
15. Conclusão
Como conclusão deste trabalho podendo-se avaliar os resultados obtidos
proponho que em primeiro lugar, a pessoa que deseja utilizar algum tipo de
cogumelo procure saber se este é venenoso ou inofensivo.
Em segundo lugar se uma pessoa for intoxicada por algum tipo de
cogumelo ou derivados deste procure com urgência um hospital ou médico mais
perto, levando consigo o objeto ingerido.
Em terceiro lugar, não recomendaria a ninguém usar cogumelos ou
derivados deste como alucinógeno, pois este método pode ser perigoso como
qualquer tipo de droga, podendo levar o usuário a morte.
Texto elaborado por:
Viseufunghi
Paulo Teixeira