Esses são alguns tópicos que relacionei sobre as diferenças entre a Umbanda e o Candomblé, e com isso você poderá aprender um pouco mais sobre a religião.
Alguns grupos de Umbanda assimilam mais elementos do espiritismo, dando origem à umbanda de mesa, que nesse tipo de ritual os adeptos costumam chamar de "Mesa Branca". Porém a maior predominância é dos rituais que parecem semelhantes aos do Candomblé. Essa predominância varia de terreiro para terreiro, dependendo da doutrina de cada pai ou mãe de santo, se essa predominância for muito grande, chamamos de "Umbandomblé".
Apesar de alguns rituais e entidades serem as mesmas do Candomblé, existem ainda algumas particularidades que diferenciam a Umbanda do Candomblé, por exemplo os orixás no Candomblé não se comunicam diretamente com a assistência. Para que a assistência possa saber alguma coisa para melhorar sua vida, ela precisa falar com o Babalorixá que consultará os Búzios, só assim os orixás poderão orientar a pessoa sobre seus problemas.
Na Umbanda, a assistência pode consultar as entidades diretamente, sem precisar do jogo de Búzios, uma vez que as entidades podem utilizar o corpo do médium para se comunicar. Essa consulta só pode acontecer nos dias de gira de trabalhos, essa gira é especialmente para isso. Existem outras giras, como por exemplo a Gira de Desenvolvimento, onde os médiuns novatos praticam e se aperfeiçoam na comunicação com o orixá e entidades.
Há ainda para se dizer que na Umbanda os orixás maiores ou santos (Iemanjá, Oxóssi, Xangô, Ogum, Oxum, Iansã, etc) não falam, quando eles "baixam" no terreiro, só sua presença já é uma benção, os santos não tem a falange (linguajar) para que as pessoas possam entender, eles já transcenderam da Terra há muitos anos e adquiriram muita luz, portanto, aqui na Terra, o máximo que fazem são emitir sons (ou mantras) como por exemplo o canto de Iemanjá, que para uns pode ser um canto e para outros um choro.
As consultas ficam por conta das entidades de cada linha como por exemplo: os baianos, preto-velhos, boiadeiros, marinheiros, crianças, etc, que por estarem mais próximos de nossa realidade (pois desencarnaram a apenas algumas décadas - como no caso dos pretos-velhos), podem nos ajudar por conhecerem bem mais de perto os problemas terrenos.
Outra característica marcante é o congar de um terreiro de Umbanda que tem, lado a lado, imagens de santos católicos (estes representando os orixás) e imagens das entidades (marinheiros, caboclos ameríndios, pretos-velhos, crianças, etc) e também podem ter outras imagens como de Santa Luzia, Santo Agostinho, Santo Expedito, etc. Em terreiros de candomblé cada orixá tem seu lugar, como por exemplo um quartinho, onde ficam os objetos do orixá.
Os médiuns também não precisam ficar o dia inteiro no terreiro e nem dedicar todo o seu dia a ele, basta apenas ter a responsabilidade de estar nos dias de gira e cumprir sua missão com amor e caridade no coração.
Os médiuns não incorporam cada um um orixá, os médiuns seguem a linha que os tabaqueiros e o Ogan (sabendo-se que ele só irá puxar um ponto quando o Pai ou Mãe de Santo autorizar) puxam, por exemplo, se estiverem cantando um ponto sobre Oxóssi, os médiuns e a assistência já sabem que quem vem para trabalhar são os caboclos.
Outra diferença básica é como os médiuns se preparam para incorporar, ao contrário do Candomblé que dançam num círculo em movimento, rodopiando seus corpos ao som dos atabaques e outros instrumentos, na Umbanda o médium fica parado, acompanhando por palmas os pontos cantados e esperando o momento exato para a incorporação dos orixás ou das entidades.
Para os médiuns novatos, a Mãe ou Pai de Santo "puxam" a linha dos orixás fazendo o sinal da cruz em sua testa e trazendo os orixás para que médium que ainda não tem experiência suficiente para incorporar o orixá sozinho, possa trabalhar (porém nesse estágio ainda não podem dar consultas nem passes).
A música também é bem diferente, uma vez que no Candomblé vai depender de que nação é, já na Umbanda os cânticos são todos cantados em português.
As roupas são brancas em geral e o uso das cores fica reservado para os Pais e Mães de Santo e em dias de festa e homenagem no terreiro.
As roupas pretas e vermelhas são usadas em dia de Gira de Exu, e também reservado apenas ao direito do médium de incorporação e Pais e Mães de Santo, os outros médiuns (novatos, ogans, cambones, etc) devem usar roupas brancas somente ou com uma fita vermelha presa a sua cintura.
A assistência deve sempre ir a um terreiro de roupas claras, deixando-a escura para as giras de exus, ainda assim muitos terreiros orientam aos freqüentadores a usar a roupa branca; na Umbanda, o branco significa proximidade com a clareza, paz de espirito e abertura de seu corpo para as coisas boas (uma vez que o preto significa luto - corpo fechado) se a pessoa quer receber uma graça, ela deve estar receptiva para que isso aconteça. Cada orixá vibra em uma cor, por exemplo, Oxossi vibra na cor verde assim como Iansã na cor amarela, mas indiscutivelmente o branco (Oxalá) é aceito por qualquer linha.
Linhas e Falanges -- No candomblé os orixás formam um sistema, estando ligados por laços de casamento e descendência; por exemplo: Nanã é a ancestral feminina, a avó, enquanto Ogum é filho de Oxalá com Iemanjá e assim por diante. Assim no candomble cada orixá tem sua história, suas paixões, lutas e apresentam preferências alimentares de cada um, cores, roupas, adereços, etc.
Os espíritos dos antepassados bantos e as entidades ameríndias - os caboclos - não apresentam esse tipo de organização: estão distribuídos em aldeias, reinos, tribos e, em vez de formarem um sistema, justapõem-se entre si. Com a influência do kardecismo, a Umbanda usa para sua organização o que chamamos de LINHAS e FALANGES - princípios de organizações e classificação dos espíritos. Linhas e Falanges constituem divisões que agrupam as entidades de acordo com as afinidades intelectuais e morais, origem étnica e, principalmente, segundo o estágio de evolução espiritual em que se encontram, no astral.
De acordo com os mais variados critérios e sem limite de número, o que na prática se traduz em uma multiplicidade de esquemas, a partir das sete linhas tradicionais da Umbanda, por sua vez subdivididas em sete falanges ou legiões.
Linha de Oxalá
Linha de Iemanjá ou Linha das Águas
Linha de Oxóssi
Linha de Xangô
Linha do Oriente / Linha de Cosme e Damião*
Linha Africana ou das Almas
Linha de Ogum
Contar a história da UMBANDA é quase contar a história do Brasil, pois, assim como o povo brasileiro, ela integra em suas "veias" as VÁRIAS ETNIAS, as mesmas que construíram nossa cultura. A Umbanda nasceu nas primeiras miscigenações ainda em solo africano. No final do século XV os portugueses "descobriram" o antigo REINO DO CONGO e iniciaram a catequização dos "PRIMITIVOS". A conversão da elite congolesa ao Catolicismo deu ao COLONIZADOR a falsa impressão de que o povo se submetia facilmente, mas a massa nunca se curvou à nova religião. Essa região da África já tinha em sua cultura ELEMENTOS SINCRÉTICOS que foram assimilados através dos tempos de contato com outras culturas, prova disto é que esse povo já tinha em seu arsenal cultural, a CRENÇA NA REENCARNAÇÃO e o culto ao símbolo da cruz, antes mesmo da chegada dos europeus. O povo bantu tem uma característica bastante interessante, a facilidade para ASSIMILAR E INTEGRAR AS MAIS VARIADAS CRENÇAS E COSTUMES AO SEU UNIVERSO CULTURAL. Esta foi o GRANDE LEGADO do povo bantu ao brasileiro. Durante os primeiros TREZENTOS ANOS DE ESCRAVIDÃO AFRICANA NO BRASIL, a maior fonte de mão-de-obra era o antigo Reino do Congo, pois a falsa impressão de submissão continuou em solo brasileiro que fez os portugueses preferirem mão-de-obra angolana para desbravar o novo território.
A FACILIDADE EM INTEGRAR NOVOS ELEMENTOS AO SEU CULTO E O ANTIGO CULTO AO SIMBOLISMO DA CRUZ, ENCOBRIU EFICIENTEMENTE O VERDADEIRO CULTO AOS ANTEPASSADOS DOS AFRICANOS DE ETNIA BANTU.
A NOVA RELIGIÃO BRASILEIRA COMEÇA A TOMAR SUAS PRIMEIRAS FORMAS NESSA ESTRATÉGIA DE SOBREVIVÊNCIA DOS PRIMEIROS ESCRAVOS AFRICANOS.
ENTRE OS PRIMEIROS ESCRAVOS NÃO VIERAM SACERDOTES E NOBRES, POR ISSO O QUE SE INICIA É UM CONJUNTO DE RITUAIS POPULARES EXTREMAMENTE MESCLADOS COM OS RITOS CATÓLICOS E SEM QUALQUER PADRONIZAÇÃO.
A RELIGIÃO, ATRAVÉS DE SEUS SACERDOTES, TEM AS FUNÇÕES PRIMÁRIAS DE MANTER A UNIDADE CULTURAL DA SOCIEDADE.
ELA É A RESPONSÁVEL PELA TRANSMISSÃO DAS TRADIÇÕES E DAS CRENÇAS QUE SE DESENVOLVEM EM CONJUNTO COM A SOCIEDADE.
COM A CHEGADA DOS AFRICANOS DE ORIGEM IORUBA É QUE TEMOS UMA UNIDADE CULTURAL SE ESTRUTURANDO, POIS ENTRE ESSES ESCRAVOS VIERAM NOBRES E SACERDOTES QUE DOMINARAM TODAS AS OUTRAS ETNIAS AFRICANAS EXISTENTES NO BRASIL.
POR ISSO QUE HOJE CULTUAMOS ORIXÁS, DIVINDADES IORUBA, E NÃO INQUICES QUE SÃO AS DIVINDADES ORIGINAIS DA REGIÃO DO CONGO.
O ESCRAVO COMEÇA A PERCEBER O TEMOR DO BRANCO EM RELAÇÃO AO SOBRENATURAL E ISTO SE TORNA UMA GRANDE ARMA CONTRA A SOCIEDADE DOMINANTE QUE ESCRAVIZAVA CORPO DO NEGRO, MAS TEME TER SUA ALMA ESCRAVIZADA.
TORNA-SE VISÍVEL DEVIDO A INFLUÊNCIA DE UMA ETNIA AFRICANA EM ESPECIAL, OS MALÊS, AFRICANOS ISLAMIZADOS QUE INTEGRAVAM AOS RITUAIS MUÇULMANOS.
SUAS MAGIAS POPULARES OS TORNAVAM MUITO TEMIDOS, POIS ERAM "NEGROS CULTOS", CONTRARIANDO A VISÃO EUROPÉIA DE QUE OS NEGROS ERAM PRIMITIVOS E IGNORANTES.
Nos QUILOMBOS muitos índios se juntaram aos AFRICANOS para se protegerem da dominação do "homem branco". Novamente mais um elemento se une a esta cultura em formação, pois a RELIGIOSIDADE AFRICANA é manifestada no CULTO À NATUREZA, o que não difere muito da RELIGIOSIDADE INDÍGENA. Além disso, o ÍNDIO conhece o território, bem como sua flora e fauna, sendo grande conhecedor da medicina natural. Tudo favoreceu mais um SINCRETISMO, porque o AFRICANO PRECISAVA CULTUAR A NATUREZA LOCAL COM ELEMENTOS LOCAIS que foram integrados através do índio. Agora SURGE UM CULTO À NATUREZA BRASILEIRA com rituais africanos. Já temos, então, as TRÊS RAÍZES ÉTNICAS do nosso povo integradas:
O ÍNDIO – VERMELHO
O EUROPEU – BRANCO
O AFRICANO – NEGRO
Também temos TRÊS ASPECTOS HUMANOS bem característicos:
O HOMEM NATURAL – LIBERDADE.
O HOMEM URBANIZADO – AMBIÇÃO.
O HOMEM ESCRAVIZADO – SUBMISSÃO.
E as TRÊS FORMAS DE CRIAR O UNIVERSO RELIGIOSO:
A INTEGRAÇÃO COM A NATUREZA: XAMANISMO, PAJELANÇA.
O DOGMA RELIGIOSO SISTEMATIZADO, HIERARQUIZADO CATOLICISMO.
OS RITUAIS DE CULTO AOS ANTEPASSADOS: ORISÁS, N`KISES, VODUNS, EGUNS.
Esse NOVO CONJUNTO CULTURAL se desenvolveu PROTEGIDO PELA MÁSCARA DO CATOLICISMO POPULAR durante o tempo colonial e imperial, desenvolvendo, assim, CRENÇAS E RITUAIS característicos e regionalizados, pois na GRANDE EXTENSÃO DO TERRITÓRIO BRASILEIRO cada grupo teve maior influência de uma cultura em detrimento de outros, mas mantendo um traço comum, o SINCRETISMO. No FINAL DO IMPÉRIO, os ESCRAVOS são pouco a pouco, libertados. Comprando sua liberdade, na guerra, com favores sexuais ou mesmo com dinheiro tirado dos próprios senhores, passam a formar grupos religiosos baseados em suas antigas crenças. Mas sair da SENZALA não deu a esses brasileiros a LIBERDADE DE CULTO e ainda tiveram de manter o SINCRETISMO PROTETOR.
Com a REPÚBLICA, surge um pensamento mais cientificista na sociedade brasileira que a torna propícia a aceitar um novo movimento, o KARDECISMO. Agora o brasileiro - que já não é mais branco, índio ou negro, e sim miscigenado racial e culturalmente - encontra uma BASE FILOSÓFICA PARA APOIAR SUAS CRENÇAS.
Mas este movimento ainda é europeu, em conseqüência, branco. No dia 15 de novembro de 1908, em Neves, Estado do Rio de Janeiro, o jovem Zélio Fernadino de Moraes, 17 anos, manifesta em uma Sessão Espírita o CABOCLO DAS SETE ENCRUZILHADAS. Nessas Sessões não eram permitidas as manifestações de espíritos de índios ou negros, pois eram "espíritos atrasados" - que, quando perguntado pelo seu nome, faz a seguinte declaração: "Devo dizer que amanhã estarei em casa deste aparelho para dar início a um culto em que esses pretos e esses índios poderão dar a sua mensagem e assim cumprir a missão que o plano espiritual lhes confiou.
Será uma religião que falará aos humildes, simbolizando a igualdade que deve existir entre todos os irmãos, encarnados e desencarnados. E se querem saber o nome, que seja este: Caboclo das Sete Encruzilhadas. Porque não haverá caminhos fechados para mim". No dia marcado o CABOCLO se manifestou e deu as diretrizes para a nova religião, bem como o seu nome: UMBANDA! Diante deste facto histórico registrado como FUNDAÇÃO DA UMBANDA, observamos que a Umbanda é um culto onde se manifestam mediunicamente ESPÍRITOS QUE JÁ TIVERAM VIDA TERRENA e estão intimamente ligados a nossa história, índios e negros, para trabalhar no aperfeiçoamento dos encarnados. É de extrema importância lembrar que o povo bantu já utilizava em seus rituais, na África, COMUNICAÇÕES MEDIÚNICAS COM ESPÍRITOS DESENCARNADOS. E que, logo após a ABOLIÇÃO DA ESCRAVIDÃO, as ENTIDADES chamadas PRETOS-VELHOS e CABOCLOS já começam a se manifestar nos RITUAIS POPULARES chamados, pelos brancos, de MACUMBAS. O CULTO AOS MORTOS domina a vida religiosa bantu.
Eles acreditam que os ESPÍRITOS DE SEUS ANCESTRAIS dominam os vivos e influem em todos os setores da vida. Neste sentido, para o africano, o ANCESTRAL é importante porque deixa uma HERANÇA ESPIRITUAL SOBRE A TERRA, pois tendo contribuído para a EVOLUÇÃO DA COMUNIDADE ao longo da sua existência, continua a fazê-lo após a morte e por isto é venerado. Direta ou indiretamente, a ANCESTRALIDADE e a POSSESSÃO nos remetem a UMBANDA, uma vez que os TRANSES, identificam-se com os ESTADOS ANIMISTAS tradicionais dos bantus angolanos e que as PRIMEIRAS ENTIDADES DE UMBANDA representam, claramente, os ANTEPASSADOS BANTUS, como indicam a maioria de seus nomes: Vovó Cambinda, Pai Joaquim de Angola, Vovó Maria Conga etc.
E como indica a sua morada mítica, ARUANDA e que nada mais é que os continentes africanos, simbolizados na cidade de Luanda, capital da hoje República Popular de Angola. Quanto à palavra UMBANDA é uma denominação de origem bantu cuja significação diz respeito à feitiçaria, arte de CURAR e de ADIVINHAR. Dizem, alguns autores, que existiam, na região do Congo, reuniões chamadas M'BANDA onde se manifestavam ESPÍRITOS DE ANTEPASSADOS para fins de cura, portanto temos de admitir que mesmo antes de 15 de novembro de 1908, já existia no Brasil o RITUAL DE UMBANDA, que sem dúvidas nasceu no seio angolano. A Umbanda, NASCIDA NA INTEGRAÇÃO DAS CULTURAS formadoras do povo brasileiro não poderia deixar de ARREGIMENTAR EM SUAS FILEIRAS TODOS OS ESPÍRITOS QUE FAZEM PARTE DE NOSSA HISTÓRIA. É por isso que no início de seus rituais, ainda chamados de MACUMBAS, também surgiram os ESPÍRITOS DOS CABOCLOS, representando os antepassados indígenas, verdadeiros donos da nova terra, que enriqueceram os rituais, como faziam os antigos pajés, com seus passes, encantos e remédios naturais.
Hoje a Umbanda tem OUTROS ESPÍRITOS TRABALHANDO EM SEUS RITUAIS, mas observa-se que todos, sem exceção, representam ANTEPASSADOS formadores de nossa cultura. Assim temos os BOIADEIROS que representam o tempo dos desbravamentos de regiões desconhecidas de nosso território; os BAIANOS que representam os primeiros brasileiros que cultivam a terra onde nasceram; os MARINHEIROS que representam o tempo das navegações que nos traziam culturas e povos estrangeiros, normalmente fugidos de seus países de origem; também não podemos esquecer dos CIGANOS, ou povo do oriente, que representam a magia e a sabedoria dos que vêm do outro lado do mundo para o novo mundo. Também herdamos do povo africano a imagem daquele que contraria todas as regras vigentes para nos ensinar a conviver e aprender com os opostos. Esta ENTIDADE que recebeu o nome de seu ORIXÁ ORIGINAL é representada pelo MALANDRO que vive a margem da sociedade rindo-se da prisão em que vivem os que se submetem a regras. Em algumas coisas, trabalhando na mesma LINHA do ZÉ PILINTRA.
Em São Paulo, e em outros Estados, ele trabalha nas duas BANDAS. Ou vem na Linha de Baiano ou na Linha de Exu. Não é tão comum ser visto pelos lados de São Paulo, mas na cidade do Rio de Janeiro, são feitas grandes festas em sua homenagem.
Os EXUS de Umbanda também são ANTEPASSADOS, já que muitos dos primeiros estrangeiros que vieram ao Brasil eram fugitivos e mesmo os que para cá vieram a contra-gosto (escravos), eram colocados à margem da sociedade assim que obtinham a liberdade. Em alguns terreiros, as Entidades da Esquerda (como são chamados os Exus), recebem festas riquíssimas tendo mais de três mil convidados. E fazem na maior liberdade, oferendas no meio da rua onde as pessoas participam, mesmo não sendo freqüentadoras da casa em questão. Vê-se muito esse tipo de festas nos terreiros populosos de São Paulo.Ninguém se inibe em participar e vestem as roupas nas cores determinadas pela casa, se foram convidados.
Por último, justamente pela importância que deve ser fixada e jamais esquecida, temos os ESPÍRITOS CRIANÇAS que são ANTEPASSADOS muito próximos, pois todos nós fomos crianças há pouco tempo e ainda temos muito que aprender, crescer e desenvolver, sendo este o maior motivo da origem da Umbanda - o desenvolvimento humano. Espíritos que não foram necessariamente de CRIANÇAS um dia, mas tinham ESPÍRITO CRIANÇA.
A missão de todo umbandista é desejar a Paz no Mundo, a resolução dos conflitos que causam tensões, sejam elas AS GUERRAS ENTRE OS POVOS OU A BATALHA QUOTIDIANA QUE CADA UM ENFRENTA PARA CONQUISTAR, em primeiro plano, a sobrevivência e, quando muito afortunados, uma boa qualidade de vida. Apesar da vontade global de conquista de uma estrutura social diferente, a impressão é a de que tendemos à manutenção das desigualdades ou até ao agravamento das mesmas.
Texto extraido do TEMPLO SAGRADO DE UMBANDA