Feliz Natal partilhando
Uma história de Natal
Era véspera de Natal, o frio era intenso e o sol que mal rasgava
a densa atmosfera de neblina, chegava ao solo sem energia capaz de amornar a
pele enrugada de tia Liza.
Os dias de chuva
persistente desse fim de Dezembro tinham esgotado o magro “stock” de lenha no
canto da cozinha da anciã e ela precisava agora de ir pela floresta vizinha
procurar alguns troncos ou alguns galhos que entretanto o vento tivesse
soltado.
A noite começava a cair e tia Lisa sem assomar na estrada.
Os netos que apesar da míngua da avó ainda esperavam que ela fizesse umas
filhoses de farinha de milho, com abóbora e as fritasse em escasso azeite,
talvez até imaginassem alguns pós de açúcar sobre esse imaginário manjar,
começavam a ficar inquietos.
Depois de poisarem a cesta de erva que ela lhes mandara apanhar para os coelhos e
fecharem a capoeira das galinhas foram ao seu encontro, chamando: “ avó! avó! ó
havó”…! Nisto, lá viram um vulto que
arrastava com dificuldade um pinheiro que encontrara caído já meio seco mas com
peso excessivo para as suas forças transportarem.
Estava cansada e sem
fôlego, como poderia responder…!
Então, mais
tranquilos, “os três a uma”, fizeram chegar a “energia” à cozinha que também
era sala de jantar e quarto de dormir.
A custo, a lenha lá pegou fogo e, dentro de instantes, a luz
da lareira iluminava todo o espaço e aquecia o ambiente. O púcaro da água
começava já a levantar fervura com os pedaços de abóbora, o alguidar já recebia
a farinha, uma pedras de sal, uma casca de limão e pouco depois já se ouvia o
bater da massa.
Numa fogueira com
reluzentes brasas a trempe de ferro e sobre ela a frigideira também de ferro,
com quatro bicos e algum azeite lá dentro, pouco…! As colheres de massa caíam agora
na gordura quente fazendo aparecer algumas bolhas e crescendo ligeiramente.
Era uma festa! A água também crescia naquelas bocas como se
estivesse ali uma mesa de fartas iguarias e doces. Nessa noite, apesar de tudo,
era diferente do magro caldo com algum pão de cada dia.
Finalmente, avó e netos, sentados à volta da lareira,
felizes, comiam as filhoses e celebravam o Nascimento de Jesus representado num
presépio que fizeram com musgo e pedrinhas figurantes e onde colocaram as
velhas botas, esperando um milagre…!

Quando nas casas da aldeia rebentaram os primeiros foguetes,
anunciando o Nascimento, aconchegaram-se nas enxergas e adormeceram…J
Na manhã seguinte, quando se levantaram, correram ao
presépio e ficaram ali de olhos esbugalhados, como quem não acredita…! Encontraram
uma cesta com sonhos reais que alguém colocou, quando todos dormiam.
Feliz Natal partilhando!