
Não deixe de visitar e fazer um pouco de turismo no local. O espaço da exposição, Centro de Interpretação Tirística, é lindo.
Lenda
da Princesa Peralta na minha versão Pintada em tela e inspirada na leitura de
várias versões da lenda, retiradas da internete.

Conta
a lenda ou lendas que existia um rei mouro, próximo da era de Cristo, o rei
Arunce, senhor de basto reino com capital em Colimbria.
Era poderoso e para
manter o seu pleno domínio, desarmara os habitantes do reino, a si subjugados e
sofridos, vivendo El Rei faustosamente na sua corte. Tinha uma filha a princesa
Peralta que apesar de ser cortejada pela fidalguia incluindo Sertório, não
entregava seu coração e formosura a nenhum deles. Num ambiente de orgias
palacianas mas de tédio para a princesa, as divindades decidiram actuar. O
reino foi invadido e escravizado e, ao que parece, entre os invasores um
príncipe cristão terá avistado a princesa e, com ela trocando olhares, se
apaixonaram ao ponto de o príncipe marcar um encontro com o Rei Arunce para o
demover de lutar e para lhe pedir a mão
da princesa. O Rei indignado com tal proposta terá ido ao seu encontro não para
se entregar mas para lutar com o
príncipe o que aconteceu de tal forma que este perdeu a vida na renhida luta
entre os dois travada. O rei Arunce prosseguindo a sua intenção de lutar contra
os invasores, tratou de enviar sua filha e aias para um castelo que mandara
construir no meio da floresta nas serranias da Lousã, enquanto se deslocava a
Ceuta para pedir ajuda contra os invasores.
Entretanto,
Sertório que estava interessado na princesa, certo dia usando das suas astúcias
e ajuda dos seus feiticeiros, nomeadamente, Estela, convenceram a princesa e
seu séquito a deixar o castelo e ir ao encontro do pai que supostamente a
esperava em Sertago reconfortado por um poderoso exército.
O
caminho foi difícil para a comitiva da princesa e a viagem longa, até que sua
aia Antígona sucumbiu após enfrentarem violenta tempestade e se refugiarem no
interior de uma gruta, num penhasco de pedra na montanha. Trataram de a
sepultar e sobre o tumulo escreveram- «ANTIGONA DE
PERALTA AQUI FOI DA VIDA FALTA».
A partir daquele dia a Princesa, desgostosa, passou a recusar alimentar-se até
que insistindo lhe ofereceram água e ela dissera volo (quero). Prosseguiram a viagem neste tormento mas não por
muito tempo, porque Vénus decidiu acabar
com tanta agonia da princesas e com tanta feitiçaria do mago feiticeiro de
Sertório. Assim, através de um poderoso raio, transformou a caravana em montanhas,
Peralta numa linda sereia que passou a viver nas águas que nasciam na serra
onde fora sepultada Antígona e se misturavam com suas lágrimas que chorava pelo
príncipe encantado e que por amores perecera às mãos do rei Arunce, pelejando,
nas margens do Mondego (digo eu….). Tudo este cenário decorre nas proximidades
do castelo de Arouce e o próprio fiel cavalo
branco da princesa terá sido transformado numa estátua entre os penedos da
serra. Diz-se: que a sepultura por acção
do mesmo raio sofreu danos fazendo
desaparecer parcialmente a inscrição ficando apenas «ANTIG… A DE PERA…» Diz-se ainda que
nos sítios onde Peralta disse Volo nasceu a povoação de Bolo e no sítio do
túmulo de Antígona, cresceu Castanheira de Pêra.
O espaço da segunda fase do Parque dos poetas, está a ser alado com choupos e a maioria dos moradores que o circundam não gosta. É um dilema...!
Muito mais incómodo que a verdura dos choupos que poderão retirar alguma visibilidade do parque a quem more por perto, é a picada selvagem onde se desenvolvem repteis, ratos e outra bicharada que entram pelos ralos dos prédios e por vezes aparecem dentro das habitações, ou servem de WC dos cães que ali são encaminhados por donos menos cuidadosos para se descartarem de apanhar os seus dejectos.
Pela elegância do choupo, uma árvore que se ergue portentosa em direcção ao firmamento, cujo ruído da folhagem parece o marulhar das ondas, eu sacrificaria alguma visão do parque já que esse posso usufruí-lo directamente percorrendo os seus passeios e beneficiando de toda a sua composição. Porém, respeito a opinião daqueles que possam incomodar-se com " a cortina de verdura"que o crescimento dos choupos em frente às suas varandas e janelas possa retirar-lhe visibilidade. Espero que em sua substituição, eventual, não plantem aquelas árvores, os plátanos cuja fuligem das floração (tipo sumaúma) é altamente prejudicial para a saúde pública, em especial para os alérgicos e doentes do foro respiratório.
Eu votaria pelo primado da saúde!!!
Espero por si
na inauguração da minha próxima exposição – Instantâneos” que vai decorrer de 16 a 30 de Abril na Biblioteca
Operária Oeirense, pelas 17 e 30 horas de dia 16.
Prefácio do autor
….«Para
fazer algo que eu gosto, precisaria disponibilidade, nada de preocupações, em
momentos de inspirações divinas, que tento descrever quando por mim apreciadas.
Em
certas alturas gostaria eu de por em prática o que surge em meu pensamento,
pelo menos anotar o mais interessante. Mas, os afazeres constantes, as
preocupações não me deixarão realizar o que desejo. Mesmo assim, tentarei fazer
o que a alma insiste que eu faça, e às pressas, que nem os “gatos por brasas”,
elaborarei o que surgir de momento, alguns poemas sem graça, sem aquele sabor
que bem faria aos leitores que os lessem.
Portanto,
este volume será cheio de curiosidades, em cada folha um poema diferente. Cada
um mostrará um sentimento meu que será de tristeza ou alegria, quando a
contemplar tudo quanto aprecio em especial, o que a natureza abrange e que eu
sinta o prazer de admirar.
É
no sentir e apreciar o que é belo aos meus olhos que eu alimento minha vida.
Nem só o dinheiro é tudo para mim…
Gosto
dos bons convívios, o diálogo livre e sincero. Aprecio toda a criação, a
vivência das aves dos céus, que logo cedo, com gorjeios anunciam um novo dia
saltitando por entre a ramada.
Enfim,
satisfaz-me o nascer e o por do sol, a noite escura, grandiosa mantilha
pontilhada de rubis e diamantes…
Quando
a lua corada surge detrás da colina e fascina seus amantes, brilha nas fontes
de águas cristalinas, sobre os pardieiros, modestos lares de gente boa.
Satisfaz-me
contemplar, aclamar e bendizer o Criador, Senhor de tudo o que existe, as maravilhas
do Universo infinito em expansão, sendo essa atracão deslumbrante beleza,
riqueza que aprecio..»
O que me espanta não é a sugestão do ministro da economia que pega em
coisas simples para expandir as exportações, o que me espanta é as
fisionomias de enjoados nas plateias que parecem ter ouvido falar em
exportação de obnies e não de produtos bem portugueses e bem
internacionalizáveis.
Certamente, não serão negócios que se prestem a
grandes manobras lucrativas para potenciais candidatos a aumentar o
património.
Engraçado! Nós, portuguesinhos não paramos para pensar que compramos resmas de "
bugigangas" oriundas da China e outros países que com essas pequenas
coisas chegaram ao mundo inteiro e estão a fazer deles os maiores
exportadores e também potencias económicas concorrenciais. Quanta miopia!
O busílis
de tudo isto está em certos "Basilius caricatus" que saltitam de quinta
em quinta qual ovelha mal pastadora que abocanha o melhor pasto e
desdenha daquelas que vão cuidadosamente aproveitando todo o pasto sem
desperdícios e no final do dia não estão menos saciadas que a
gananciosa pastadora e, por certo, menos "stressadas".
Pois
é,precisamos de quem pegue no que temos e é muito, mesmo que sejam
pastéis de nata ,e tente vende-los ao mundo, sem arrogâncias de
mediocridade.
O Caviar, quem o quiser que vá comê-lo onde o houver e saciar a sua arrogância e seu "betismo" fora de tempo. Por mim, prefiro um atum, ao natural, com o nosso bom azeite.
Uma história de Natal
Era véspera de Natal, o frio era intenso e o sol que mal rasgava
a densa atmosfera de neblina, chegava ao solo sem energia capaz de amornar a
pele enrugada de tia Liza.
Os dias de chuva
persistente desse fim de Dezembro tinham esgotado o magro “stock” de lenha no
canto da cozinha da anciã e ela precisava agora de ir pela floresta vizinha
procurar alguns troncos ou alguns galhos que entretanto o vento tivesse
soltado.
A noite começava a cair e tia Lisa sem assomar na estrada.
Os netos que apesar da míngua da avó ainda esperavam que ela fizesse umas
filhoses de farinha de milho, com abóbora e as fritasse em escasso azeite,
talvez até imaginassem alguns pós de açúcar sobre esse imaginário manjar,
começavam a ficar inquietos.
Depois de poisarem a cesta de erva que ela lhes mandara apanhar para os coelhos e
fecharem a capoeira das galinhas foram ao seu encontro, chamando: “ avó! avó! ó
havó”…! Nisto, lá viram um vulto que
arrastava com dificuldade um pinheiro que encontrara caído já meio seco mas com
peso excessivo para as suas forças transportarem.
Estava cansada e sem
fôlego, como poderia responder…!
Então, mais
tranquilos, “os três a uma”, fizeram chegar a “energia” à cozinha que também
era sala de jantar e quarto de dormir.
A custo, a lenha lá pegou fogo e, dentro de instantes, a luz
da lareira iluminava todo o espaço e aquecia o ambiente. O púcaro da água
começava já a levantar fervura com os pedaços de abóbora, o alguidar já recebia
a farinha, uma pedras de sal, uma casca de limão e pouco depois já se ouvia o
bater da massa.
Numa fogueira com
reluzentes brasas a trempe de ferro e sobre ela a frigideira também de ferro,
com quatro bicos e algum azeite lá dentro, pouco…! As colheres de massa caíam agora
na gordura quente fazendo aparecer algumas bolhas e crescendo ligeiramente.
Era uma festa! A água também crescia naquelas bocas como se
estivesse ali uma mesa de fartas iguarias e doces. Nessa noite, apesar de tudo,
era diferente do magro caldo com algum pão de cada dia.
Finalmente, avó e netos, sentados à volta da lareira,
felizes, comiam as filhoses e celebravam o Nascimento de Jesus representado num
presépio que fizeram com musgo e pedrinhas figurantes e onde colocaram as
velhas botas, esperando um milagre…!

Quando nas casas da aldeia rebentaram os primeiros foguetes,
anunciando o Nascimento, aconchegaram-se nas enxergas e adormeceram…J
Na manhã seguinte, quando se levantaram, correram ao
presépio e ficaram ali de olhos esbugalhados, como quem não acredita…! Encontraram
uma cesta com sonhos reais que alguém colocou, quando todos dormiam.
Feliz Natal partilhando!
Matança do porco
Era uma festa anual preparada com todos os pormenores e
alguma antecedência.
Com o sentido de aprovisionamento de iguarias para o
quotidiano das refeições, era uma forma de reunir a família em que todos, de um
modo geral, participavam nos afazeres do evento da matança do porco.
Regra geral, era sempre no Inverno dado que a baixa
temperatura desta estação era fundamental para que a operação de salga que
ocorria 24 horas após a morte do animal, fosse feita sem deterioração das
carnes e resultasse uma conservação de sucesso e, certamente, carne saborosa
Preparação
A engorda do porco era a tarefa principal, feita com
alimentos escolhidos e confeccionados com critério, pois era um factor
importante para que o bom sabor da carne não desiludisse quem a comesse. Havia redobrados
cuidados com a criação do animal até para evitar que contraísse doenças e na
pior das hipóteses colocasse em causa a realização do evento, na data prevista.
Entretanto, havia tarefas específicas que cabiam
respectivamente à dona e ao dono da casa .
Cedo, a dona da casa começava a sua parte, seleccionando e
guardando cuidadosamente tecidos de roupas velhas pois naqueles dias iriam ser
muito úteis. Entretanto, fazia o inventário de loiças, talheres e outras
utilidades domésticas que devia comprar para que pudesse receber em casa a
família e de nada se envergonhasse.
Outra aquisição excepcional eram os “adubos” para a matança
(ainda hoje não percebi porque lhe chamavam adubos). Eram os temperos para os
enchidos (colorau para os chouriços e erva doce e cominhos, para as morcelas)
além de outros temperos para a comida, pimenta, canela, e, claro não falando do
que se produzia em casa, cebolas, alhos, louro salsa, etc….!
Também nesta altura se reforçavam os mimos, os aperitivos:
figos, nozes, queijo da região além das filhoses e bacalhau frito que se faziam
para a desjejua de quem vinha mais cedo ajudar no dia da matança e no dia da
desmancha, dia seguinte.
A limpeza da casa era das últimas tarefas pois tudo tinha
que estar a brilhar ainda mais naqueles dias.
Aos homens da casa outras tarefas os esperava, menos
minuciosas mas nem por isso menos penosas.
Uma delas era a apanha dos chamuscos ( uma espécie de mato
com características de elevada combustão
e temperatura) que eram apanhados, secos e devidamente acondicionados. Tinham
ainda a responsabilidade de tratar das ferramentas e utensílios a utilizar
naquele dia. Era preciso afiar a picadora e as raspadoras para tratar o dito
friamo (a) (porco ou porca).
Outra tarefa era verificar o estado do tabuleiro de madeira
que servia para aparar as tripas e o
chambaril, uma espécie de boomerang que é talhado de um ramo de oliveira, em
regra com aquele formato e no qual é dependurado o porco, durante 24 horas, no
lugar mais fresco da casa para descanso e arrefecimento até ser desmanchado e
salgado.
Mas para quem era festa - desde o inicio dos preparativos
era excitante - era para as crianças que
acompanhavam cada passo e em especial o reforço da despensa e a sua preservação
Eles eram curiosos e gulosos,
espreitavam a oportunidade para ver e provar o que por lá havia mas quase
sempre sem sucesso…JMas,
valia a pena esperar, também porque, afinal, eram dois dias de animada
brincadeira com os primos. Quase sempre acontecia algum episódio com as suas
invenções!
Finalmente, o dia chegava, quase sempre a um Sábado para que
não se perdessem dois dias úteis de trabalho no campo ou alguma profissão.
Aliás, esta data só era adiada quando se tratava de uma fêmea que às vezes
trocava as contas aos donos e entrava em lua e tinha que se esperar pelo fim do
ciclo, ou corria-se o risco das carnes ficarem com alteração do gosto e ninguém
arriscava.
Era uma festa para a pequenada, que tinham naqueles dias
companhia para brincar e rancho melhorado para saciar, finalmente, a gulodice,
porque naquela época anos cinquenta sessenta do século XX, não havia
esbanjamento, tudo era muito ponderado e distribuído.
Desde o momento em
que os adultos preparavam o porco, o abriam e limpavam, para pendurar a
escorrer e a arrefecer, as crianças não deixavam o pedaço – sempre à espera que
viesse de lá uma febra, para assarem num espeto improvisado de oliveira ou
loureiro, e ei-las, em volta das brasas a fazer o seu petisco, apesar de nem
sempre com sucesso porque a cozinha estava ocupada pelas mulheres que se
atarefavam a fazer o almoço e a tratar
das tripas que, após o almoço, iriam ser lavadas na corrente do ribeiro mais
próximo.
Durante a tarde, acompanhavam o programa dos mais velhos,
até porque a noite começava cedo. Os homens jogavam às cartas e as mulheres
preparavam o jantar, até porque, à noite vinha sempre mais alguém.
O que não faltava era a concertina ou o banjo, para
acompanhar as cantigas em que todos participavam e quase sempre acabava em
bailarico. Nesta altura já as crianças dormitavam ou fingiam que dormiam para
facilitar a decisão de ficarem com os da casa para o dia seguinte. Os mais
velhos preparavam-se para ir cada um para suas casas quando não ficavam para o
dia seguinte também em especial em noite de temporal. É que, naquela época não
havia transporte a não ser de burro, boi, ou muar e as famílias viviam, em
regra, a consideráveis distâncias.
Hoje, esta tradição, foi apagada pelo progresso, a luz chegou
a todos lares, mesmo os mais recônditos. A salga foi substituída pelo frio e o
calendário das matanças do porco, deixou de
se fixar no Inverno acontecendo em qualquer altura.
É mais cómodo! É menos lúdico!!
Óleo sobre tela, Inspirado na foto do fotógrafo Rui Pires.
DOIRO
Suor, rio, doçura.
(No princípio era o homem ...)
De cachão em cachão,
O mosto vai correndo
No seu leito de pedra.
Correndo e reflectindo
A bifronte paisagem marginal.
Correndo como corre
Um doirado caudal
De sofrimento.
Correndo, sem saber
Se avança ou se recua.
Correndo, sem correr,
O desespero nunca desagua ...
(Miguel Torga)
Foi hoje, ao fim da tarde e foi um momento muito especial. Todos as
inaugurações são semelhantes mas, por isso, também diferentes. Não fiz
convites personalizados a não ser à autarquia e aos anfitriões da
galeria. Apenas publicitei na internete, consciente que num dia de
semana, não era fácil estar lá.
Pessoas anónimas que eu não
conhecia pessoalmente, foram passando por lá e deixando as suas
felicitações, apesar de ser vésperas de feriado,a afluência ultrapassou
as minhas expectativas..
Muito me honrou a presença do Sr
Presidente da Junta de Freguesia de Oeiras e S.Julião da Barra, Sr
Carlos Morgado e sua equipa.Foi muito gentil, aliás,quando decidi fazer a
minha entrada nos espaços de arte no conselho, onde afinal vivo há 36
anos, decidi fazê-lo, começando pela Junta de Freguesia e em boa hora
porque o acolhimento não podia ser melhor.
Em poucas semanas estava a fazer o meu baptismo, expondo na minha segunda terra.Estou-lhe muito grata.
Obrigada
à direcção da Biblioteca Operária Oeirense pela sua presença e seu
secretariado, pronto e simpático. A todos que estiveram presentes e
também aqueles que gostariam de estar mas não puderam, muito grata
estou..
EXPOSIÇÃO DE PINTURA NAÏF DE IRENE BORGES DE 4 A 15 DE de Outubro de 2011, NA BIBLIOTECA OPERÁRIA OEIRENSE

Serras e vales cheios de
flores de tojo e sargaço,
Cotovias em voos rasantes
como quem beija,
Pequenos pastores
apascentam os rebanhos
soltando risos
estridentes, desafiando as aves,
No cume da serra, os moinhos, e a chiadeira das velas
Que rodam
embaladas e velozes, movendo mós de pedra,
Que transformam os grãos de milho e de trigo
Na farinha do pão, energia do povo……!!!
Em gesto rotineiro, enfarinhado dos pés à cabeça,
O moleiro vigia e controla: a têmpera da
farinha ,
A cadência do vento, o movimento das velas,
Maquia e enche os foles dos fregueses,
E assim cai a noite! Os rebanhos descem as
encostas,
Fartos e apressados com assobios dos pastores
Ouvem-se os últimos chilreios dos bandos de pássaros
Que recolhem aos ninhos, e na serra, só…, o moleiro
fica!
No dia seguinte
Pela manhãzinha, os meninos atravessam a
serra ,
Correndo, apressados a caminho da escola,
com chuva, sol ou geada, às vezes descalços,
A merenda na mão, no ombro a sacola, e muita
animação……!
Ei-los na escola, num quebra-cabeças
De contas, cópias e ditados, mais a tabuada.
E toca a campainha, esquecem as reguadas
Parecem flechas a correr pelas escadas.
Toca para a entrada, vamos ao quadro,
São os problemas ou os mapas mudos,
As serras, os rios, os caminhos de ferro,
Todos “cantadinhos”… na ponta da língua.
E toca a campainha, é um som diferente…
E em coro…«até amanhã, Sra. Professora»!
Correm para a rua em direcção a casa,
E de novo, eles e os rebanhos, nas encostas da Serra!!!
Tenho saudades
da lua
Que a
noite iluminava
Tenho saudades
da brisa
Que de
mansinho soprava
Tenho saudades
do orvalho
Que ao
nascer do sol brilhava
Tenho
saudades do sol brando
Ou do
sol ardente que tisnava
Tenho
saudades da chuva fininha
Ou forte
que a natureza encharcava
Tenho
saudades dos fins de tarde
Quando o
dia se esgueirava
Tenho
saudades da noite
E do
sono que retemperava
E agora….
Tenho
saudades por depois,
Quando já
não sentir saudades!!!
Aqueles
e os outros!!!!
Este
mundo da arte em que “brincando” me tenho envolvido, tem feito com que me
debruce sobre o modo como funciona a nossa sociedade neste sector e como é
estilizada, segundo padrões, nem sempre de afinada qualidade e rigor dos conteúdos
programáticos dos modelos no “mercado”e menos ainda, no que à ética e igualdade
de oportunidades, respeita.
Apercebo-me então que, para variar, também
nestes caminhos algo sinuosos e penumbrentos existem os “aqueles” e “os outros”
….!
Existem
“aqueles” que são levados aos ombros de um familiar ou um amigo, quase sempre
de influência política, ou monetária e que, como tal, todo o percurso é talhado
em linha recta com passadeira vermelha e luzes, muitas luzes….!
Existem
“os outros” que ou não têm influências ou simplesmente não querem chegar à
ribalta por aí… e se submetem a esse tortuoso e muitas vezes torturante
percurso de ascensão, difícil e lenta, por vezes humilhante, e não fora a
consciência plena destes dois planos de mortais, do lado da oferta e do lado da
procura, batia-se com as portas que com insistência fomos abrindo…)))
Detive-me
a pensar, qual dos dois caminhos é mais produtivo, mais criativo, mais
enriquecedor a muitos níveis, desde logo a nível moral e ético, deixando até para
segundo plano o nível da fama, do estatuto e até do lucro.
Obtive
ou cheguei a várias respostas que afinal já não são novidade para quem travou
tantas batalhas na vida, perdendo algumas mas ganhando muitas sendo que as mais
importantes e gostosas foram sempre aquelas em que teve a coragem de ir até ao
fim, arriscando, sem cedências, como quem sabe que, teoricamente, as
oportunidades são iguais, que a justiça, a moral, o rigor, a equidade, estão na
base das escolhas, mas que as interferências, como uma espécie de ruído nos
canais de comunicação, dificultam o correcto funcionamento dos circuitos
tornando-os, naquilo que são, coisas imperfeitas no mundo de homens, humanos,
convencidos que são deuses.
É
difícil! Porém, desafiante!