Sempre gostei de tudo o que é marginal. Marginal é quase o sinónimo de alternativo. Em sentido radical, não há novos nem velhos autores, não há nem consagrados nem desconhecidos pois o importante mesmo é que haja pura e simplesmente autores. Em Portugal sempre se deu pouca ou nenhuma importância aos autores que começam a manifestar o seu talento e quantos são aqueles que por essa e outras razões desmotivam e ficamos sem saber da importância e relevância de muitos que acabam por desistir com o nefasto sentimento de não valer a pena. É evidente que leio os chamados “consagrados” ou mais conhecidos (muitos dos quais produtos de máquinas publicitárias de todo o tipo), contudo, dá-me imenso gozo ler pela primeira vez um determinado autor cujos restantes e únicos leitores - para além de mim -  terão sido a vizinha, a família, um ou outro amigo e pouco mais. E mais aumenta esse gozo quando constato que alguns superam em qualidade, em espontaneidade e em autenticidade, muitos nomes da nossa praça de que toda a gente fala julgando que são esses os “bons” e os “verdadeiros” escritores e poetas. HÁ MUITA CONFUSÃO SOBRE O QUE É A LITERATURA! Esta não é nem se reduz à produção de meia dúzia de nomes da prosa e da poesia. A Literatura também pode ser “feita” pela vizinha Maria que é doméstica, pelo Manuel António que é padeiro e pelo João Malaquias que por acaso é professor universitário. E nunca a “qualidade” é proporcional à formação académica ou outra. Em Literatura o academismo conta muito pouco. Quantas vezes não é mais do que um empecilho, um obstáculo.