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Ponte para o futuro

No anúncio publicitário que vai sendo emitido nos canais de televisão, o Fiat Bravo é ‘cantado’ como uma criatura maravilhosa. Não seria num carro que a cantora italiana Gianna Nannini pensava quando lançou o tema Meravigliosa Creatura, mas a verdade é que o título assenta-lhe bem, principalmente se estiver pintado com o vermelho escuro Maranello. A cor escura, mas viva e brilhante, tem qualquer coisa de animal e a verdade é que fazia voltar muitas cabeças quando o conduzimos, nas versões 1.4 T-Jet a gasolina de 150 cavalos e 1.9 Multijet, a gasóleo, também com 150 cavalos.
Não serão as versões mais vendidas do Bravo – lugar que cabe aos menos potentes mas mais baratos 1.4 a gasolina de 90 cavalos e 1.6 a gasóleo de 105 cavalos –, mas são certamente os mais divertidos.
Mas nem são os motores o mais importante. O que mais conta neste Bravo é a imagem, um design completamente novo que faz um corte com o modelo anterior, o Stilo, e com o anterior Bravo, à venda até 2001. Este novo carro acerta exactamente onde os outros mais falharam, na transição das linhas da frente para as da traseira. Existe um equilíbrio muito grande, quase como se fossem duas frentes, porque a verdade é que o carro é muito bonito atrás.
No interior, mantém-se o cuidado com as linhas do tabliê, muito arredondadas. Os materiais são de boa qualidade e os instrumentos manuseiam-se facilmente. A ligação USB para um leitor de MP3 ou uma pen disk está logo ali à mão, junto ao isqueiro, ao contrário de outros carros onde está escondido no porta-luvas ou no compartimento do apoio de braço. Atrás, o espaço para as pernas é razoável, mas parecia maior. Já a bagageira ganha por ter um fundo bastante ‘fundo’, que se traduz em mais espaço em altura para as malas.
Olhando para cima, um enorme tecto de abrir e vidro panorâmico atrás dá ainda mais exclusividade ao carro (se bem que também a factura seja mais ‘exclusiva’ em 1200 euros). Nas versões testadas pelo SOL, o cariz desportivo está muito vincado na escolha de pormenores como as jantes de 17 polegadas cinzentas com as pastilhas dos travões pintadas a vermelho, os vidros escurecidos atrás, as minissaias laterais ou os estofos em pele preta com costuras a vermelho. Discrição é aqui palavra proibida – para o bem e para o mal que é ter um carro que dá muito nas vistas hoje em dia.
Em termos de condução, ambos estão equipados com uma caixa de seis velocidades bastante fácil de manusear, tal como o excelente volante de três braços. Começamos a andar e o 1.4 surpreende, como o ruído do motor já deixava antever. Não é apenas um carro de baixa cilindrada sobrealimentado para ter muita potência, é mesmo um carro potente e veloz. E se as prestações já são boas ‘ao natural’, oferece ainda um modo sport: um botão junto aos comandos do rádio torna a suspensão mais rígida, o motor responde melhor à aceleração e os consumos tornam-se uma pequena dor de cabeça que não consegue, no entanto, afectar o prazer de condução extra que o carro dá.
Quanto ao diesel, não consegue dar tanto prazer de condução como o irrequieto T--Jet, mas está quase lá, como se pode ver nas prestações muito semelhantes dos dois carros. Por outro lado oferece consumos bem mais comedidos. É que não só gasta menos por cada 100 kms (quase dois litros menos), como os consumos não aumentam tanto à medida que carregamos mais no acelerador. Mas essa também deve ser a menor das preocupações de quem compra um carro com as características do 1.4 T-Jet.
emanuel.costa@sol.pt
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Guerreiro urbano

O segundo membro da família ‘i’ (letra que segundo o construtor representa inspiração) chega agora ao mercado depois do i30, integrado no segmento médio. Estamos a falar do novíssimo Hyundai i10, o pequeno veículo que vem para lutar contra os grandes desafios do trânsito urbano.
Anunciado no mercado nacional para finais de Abril, o seu preço só será revelado no dia 24 deste mês, data da abertura do Salão de Lisboa, sendo o Hyundai i10 a grande vedeta da marca.
Pensado para vir substituir o Atos, o i10 surpreende desde logo pela sua imagem com linhas a ir ao encontro do gosto europeu em nome de uma política de mercado que a marca pretende agora seguir. E qual é ela?

Ao Hyundai i10 está entregue a tarefa de aumentar o volume de vendas na Europa (especialmente em Itália), sendo que a aposta de comercialização para o nosso país é de 50 viaturas por mês.
Para alcançar esta meta, o Hyundai i10 apresenta-se com três motorizações (duas a gasolina e uma a diesel), mas vai entrar em Portugal com a 1.1 de 66 cavalos (gasolina) e com a 1.1 CRDi de 75 cavalos (diesel). Quanto à 1.2 de 75 cavalos (gasolina) está prevista que chegue apenas em Setembro deste ano.

A versão a diesel será a grande arma para o mercado nacional, com o construtor a apostar num peso de vendas de 70 por cento. Refira-se que neste segmento apenas a Hyundai e a Kia têm uma versão diesel para oferta, pelo que o êxito está praticamente garantido à partida.
Depois de termos experimentado as duas versões (gasolina e diesel) no complicado trânsito citadino italiano, comprovámos que o motor responde com desenvoltura e a manobralidade por entre a ‘selva’ de asfalto é, de facto, um dos seus maiores trunfos. Acrescentando a isto a enorme facilidade que sentimos a estacioná-lo, não temos quaisquer dúvidas de estarmos na presença de um citadino a cem por cento, um guerreiro das grandes urbes, ainda por cima apresentando consumos muito recomendáveis.

A posição de condução é boa e o seu habitáculo foi desenhado para comportar, sem quaisquer problemas, quatro adultos. Para quem viaja no banco traseiro, a boa novidade resulta na generosa oferta de espaço para as pernas.
Com uma boa insonorização, há ainda a destacar a também boa capacidade da sua bagageira (225 litros).
O Hyundai i10 foi pensado para ser o primeiro carro de um jovem, piscando ao mesmo tempo um olho ao sexo feminino e indo até idades compreendidas entre os 50 e os 70, neste caso sem diferença de sexos.
Com níveis de equipamento que vão do Classic até ao Style tendo no meio o Confort (estes dois os mais importantes no nosso país), o Hyundai i10 promete ser um grande lutador entre os da sua classe.
jose.moroso@sol.pt

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Tempo de crescer

Produzir carros de qualidade superior, ter uma imagem boa na Europa e manter uma política de preços extremamente concorrencial. São estes os objectivos da japonesa Mazda e nunca foram tão evidentes como no lançamento recente da nova geração ‘6’, nas versões de quatro, cinco portas e carrinha.

Lançado em 2002, o anterior Mazda 6 já tinha uma imagem muito positiva em Portugal e na Europa, mas o modelo sucessor leva isso a um novo extremo. É maior, mais leve e mais confortável; já era também um dos modelos mais baratos do segmento D (onde estão o VW Passat e o BMW série 3, mas também o Renault Laguna, o Ford Mondeo, o Peugeot 407, e em breve o Citroën C5), mas mesmo assim a Mazda decidiu baixar-lhe o preço para garantir o máximo de competitividade.
Por 35 mil euros é possível ter um carro com estofos em pele e regulação eléctrica, tecto de abrir, sensores de estacionamento à frente e atrás, faróis bi-xénon direccionáveis, sensores de luz, de chuva e de falta de pressão dos pneus, jantes de 18 polegadas, computador de bordo, cruise-control e ar condicionado de duas zonas. A lista ainda é mais extensa, mas esta também costuma ser a última parte do texto. Voltemos atrás.

          

A primeira imagem que fica do contacto com o Mazda 6 é a de um carro desportivo, até nas versões mais conservadoras como a carrinha. Seja na frente agressiva, com a grelha triangular, ou na traseira mais simples, este Mazda tem um espírito jovem, mesmo que meça mais de 4,7 metros de comprimento. As carrinhas são normalmente a versão mais procurada na Europa e Portugal não é excepção, já o referimos noutras ocasiões. Neste Mazda isso também é evidente, mesmo que haja outras duas alternativas, ao contrário de marcas que optam só por um carro de quatro ou cinco portas. Esta segunda versão, que conduzimos na mesma altura da carrinha, consegue ter umas linhas mais equilibradas e fluidas na traseira que o modelo de quatro portas.
Naturalmente, a bagageira é bastante maior na carrinha, e além do sistema karakuri (rebatimento dos bancos a partir de um botão no porta-bagagens), oferece ainda uma chapeleira elástica, que serve de cortina para proteger os ocupantes no interior do veículo do vento ou do pó, quando a porta de trás é aberta.
No interior, o espaço e conforto são palavra de ordem e o design é bastante moderno e apelativo, pode dizer-se ser este o aspecto mais ‘asiático’ do Mazda 6. Os materiais convencem pela sua qualidade e os muitos controlos e mostradores estão bem posicionados, se bem que o funcionamento do computador de bordo, um ecrã estreito por cima das entradas de ar centrais, requeira alguns minutos de prática.
Quanto a motorizações, há três disponíveis, duas a gasolina e uma diesel. Mas mesmo que um dos ‘gasolina’ seja mais potente e ágil (motor 2.0 de 147 cavalos) e outro mais barato (motor 1.8 de 120 cavalos, a partir de 25 mil euros), é a versão a gasóleo que as pessoas mais procuram. O motor de dois litros de cilindrada e 140 cavalos, com filtro de partículas, já por aí roda há algum tempo, é certo, e há até planos para introduzir uma alternativa lá mais para o final do ano ou início de 2009. Até lá, ajudado por uma caixa manual de seis velocidades e uma boa direcção e estabilidade, vai cumprindo bem o seu papel.

      

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Para uma nova geração

 

Foi uma das estrelas do salão automóvel de Frankfurt em Setembro passado. O novo Audi A4, à venda desde Janeiro, é maior, mais espaçoso e mais desportivo que o antecessor, mas consegue outra característica ainda mais apelativa para os potenciais compradores: é mais barato. Por um lado a nova tributação dos automóveis favorece o preço de algumas versões, por outro lado, foi política da própria marca alemã baixar um pouco os preços-base, para manter a competitividade face à BMW e à Mercedes.

                                      

 

A primeira coisa que se nota no novo A4 é a semelhança com o A5, o que é, desde logo, um elogio dada a beleza do coupé lançado no ano passado. Mas o A4 tem o seu charme próprio, e foi até considerado recentemente o melhor carro de 2008, pelas revistas do grupo europeu AutoBild.
De aspecto mais desportivo que o anterior, o A4 tem uma frente agressiva, onde se destacam os pouco discretos faróis com iluminação diurna. Por dentro, a qualidade é a habitual da Audi: bons materiais, muito conforto e um design discreto mas apelativo. A consola central está agora ligeiramente orientada para o condutor, facilitando o controlo do rádio, CD e do ar condicionado, ou a leitura do GPS.

 

Sendo a versão mais procurada a de entrada da gama, com um motor a gasóleo de dois litros de cilindrada e 143 cavalos, essa foi uma das duas que o SOL experimentou – se bem que os extras afastavam muito o preço dos 37.500 euros base. A outra foi o ‘intermédio’ 2.7 TDi de 190 cavalos e caixa automática, uma alternativa mais madura à versão acima, o 3.0 TDi, de 240 cavalos, caixa manual e tracção integral quattro. Existem ainda duas versões a gasolina, uma equipada com um motor 1.8 de 160 cavalos e a outra, a mais potente da gama, com um motor de 3,2 litros e 265 cavalos.

Sobre o 2.0 TDi pouco há a dizer. Equipa vários carros dentro e fora do grupo Volkswagen e continua a ser uma boa aposta mesmo havendo alternativas mais potentes. Uma aceleração dos 0 aos 100 km/h abaixo dos 10 segundos e um consumo médio de 5,5 litros de gasóleo são argumentos bastante convincentes.

                           

Já a versão 2.7, equipada com uma caixa automática de oito velocidades, oferece um prazer de condução maior, aumentado ainda pela possibilidade de alterar a rapidez de resposta da direcção, aceleração, amortecimento ou troca de mudança, através do sistema Audi Drive Select. Na prática, é um botão que alterna entre o modo Confort, ideal para auto-estrada, e o modo Dynamic, para uma condução mais desportiva, ou uma manobra de estacionamento.

   

Quanto a equipamento de série, quase nada: tudo tem um preço. Basicamente, a versão 2.0 trazia 15 mil euros de opcionais, desde os mais caros como bancos eléctricos em pele, sistema de navegação com DVD, jantes de 18 polegadas, sistema de auxílio ao estacionamento; aos mais baratos, como sensores de luz e de chuva, computador de bordo ou inserções em alumínio. O 2.7, com uma lista de opcionais no valor de 21 mil euros, acrescentava ainda bancos aquecidos, inserções em madeira, um sistema de som Bang & Olufsen, um sistema de aviso de saída de faixa e de perigo de embate lateral, um botão de ignição junto do travão de mão, entre outros. Enfim, o aspecto positivo é que as possibilidades de personalização são tremendas.

       
emanuel.costa@sol.pt

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Trilhos premiados

O Nissan X-Trail não é o SUV esteticamente mais apelativo ou arrojado que por aí anda. Nem será também o todo-o-terreno mais capaz de subir e descer encostas serranas num dia de temporal. No entanto, ganhou em Janeiro o título de TT do ano em Portugal. Porquê? Por isso mesmo, por não ser apenas um veículo de aventura inacessível à maioria das bolsas, nem tão pouco um ‘jipe de cidade’ que se apresenta com pouco mais do que a tracção às quatro rodas e uma altura mais elevada ao solo.

Face ao anterior modelo, o X-Trail mudou mais por dentro do que por fora, onde sofreu apenas alguns ajustes estéticos, principalmente nos faróis à frente e atrás. No interior, toda a zona do tabliê mudou bastante, recebendo um volante mais moderno, com vários comandos, e uma consola central mais apelativa.

Os bancos em pele inspiram bastante confiança para atravessar um troço de estrada pedregoso ou esburacado. Na versão ensaiada pelo i, a mais equipada, um enorme tecto de abrir panorâmico prometia também trazer uma boa luminosidade ao interior e dar algumas ideias para sítios onde pôr a cabeça de fora. Outra vantagem do X-Trail é a grande versatilidade da bagageira. Dada a altura do carro, consegue ter um piso duplo. Ou seja, o fundo liso esconde por baixo uma comprida gaveta onde se podem arrumar ferramentas ou objectos pequenos que ficariam espalhados por todo o lado, e ao lado desta um compartimento igual, apenas sem a gaveta.

Mas a grande mudança face ao anterior Nissan está debaixo do capô, e surge na forma de um motor mais potente, dos dois motores 2.0 diesel propostos (mais um desajustado 2.5 a gasolina), destaca-se a versão mais potente, com 173 cavalos. O X-Trail tem um rolamento bastante suave, mas em alturas de ‘aperto’ garante potência e tracção suficiente para ultrapassar um obstáculo mais elevado, um charco de lama ou um trilho de areia.

Tal como a maioria dos SUV, a tracção 4x4 regula-se através de um sistema muito simples, de três posições: tracção dianteira; tracção integral automática, repartindo a potência ou força de travagem por todas as rodas, consoante a necessidade de cada uma; e tracção integral permanente, para um máximo de capacidades TT. A tudo isto o X-Trail acrescenta ainda um sistema de auxílio a descidas acentuadas, que dispensa a utilização do travão e limita a velocidade a 7 km/h. O consumo de combustível, inflacionado num todo-o-terreno face a um automóvel convencional, é mais baixo no modo de tracção dianteira apenas.

De volta ao alcatrão, com a velocidade definida no cruise-control e o aquecimento dos bancos ajustado, o X-Trail mexe-se com a facilidade e conforto de qualquer automóvel. Direcção assistida eléctrica progressiva, ABS, ESP, lava-faróis e sensores de luz e de chuva são alguns dos elementos que ajudam à qualidade de vida a bordo.

emanuel.costa@sol.pt

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Gémeos falsos

ODO-o-terreno é uma área que a Citroën e a Peugeot nunca dominaram. Mas com uma procura cada vez maior de carros com capacidades de fora-de-estrada, as marcas francesas não podiam ficar paradas a ver a caravana passar. Encontraram a solução para o problema na Mitsubishi, e no seu SUV, o Outlander. Foi a partir desse modelo, que pode ter cinco ou sete lugares, que surgiram o C-Crosser, na Citroën, e o 4007, na gama da Peugeot.
Desde logo, ambos utilizam a mesma motorização, um bloco de 2,2 litros de cilindrada e 156 cavalos da PSA, a aliança Peugeot/Citroën, que foi recentemente introduzido também no Outlander. São propostos em duas versões distintas, uma com jantes de 18 polegadas, para uma condução mais estradista e citadina, ou com 16 polegadas, para quem pretende levar o carro por ‘maus caminhos’. Foi a versão mais citadina e bem equipada que o SOL ensaiou em ambos os modelos.

É na frente que mais se notam as diferenças entre o 4007 e o C-Crosser, com a grelha cromada a ter um grande destaque no Peugeot, ao passo que no Citroën saltam à vista as linhas entre os faróis, onde está inserido o logo da marca. Curiosamente, é neste modelo (o menos Citroën de todos), que se podem ver já as linhas do novo familiar C5, apresentado há dias em Portugal, e que vai ser posto à venda em Abril. Quanto à traseira, as diferenças entre o C-Crosser e o 4007 são quase nulas.
No interior, a semelhança entre eles é ainda maior. Os dois mantêm o interior do Outlander, modelo também já descrito nestas páginas. Assim, em termos de espaço e conforto, os dois modelos são exactamente iguais, e muito bons nesse domínio, diga-se. Uma ajuda extra em dias mais frios é o sistema de aquecimento dos bancos da frente. Fica no entanto a faltar a regulação electrónica do banco do passageiro da frente, disponível apenas para o condutor. Como convém a um carro destas características, existem vários espaços de arrumação nas portas, entre os bancos e no tabliê. Os materiais são de boa qualidade (ainda que abaixo dos habituais padrões das marcas francesas) e o jogo entre cores escuras e aplicações metalizadas traduz-se num interior distinto.

Atrás, há muito espaço para as pernas, e o banco pode até ser recuado e as costas inclinadas como verdadeiras poltronas quando os dois lugares extra não são utilizados, basta ajustar a barra metálica atrás dos bancos. Forrada a tecido e escondida sob o piso da bagageira, essa terceira fila de bancos pode ser aberta através de um sistema relativamente simples. À segunda utilização já se torna intuitivo.

Quanto à bagageira, algo limitada quando o carro leva sete pessoas, tem uma interessante abertura dupla. A parte inferior abre para baixo, criando uma pequena plataforma ao nível do piso de carga, que não só facilita a colocação de objectos mais pesados, como pode servir de banco ou apoio. Suporta até 200 quilos.
No capítulo dinâmico, o motor de 156 cavalos é mais do que suficiente para mover as quase duas toneladas deste SUV, que se comporta tão bem em estrada aberta como nalgumas subidas mais acentuadas. A caixa manual de seis velocidades é agradável de manusear, com as seis relações bem distribuídas, se bem que na versão mais citadina e bem equipada, uma caixa automática pudesse ser também uma opção interessante.

Para sair do alcatrão e passar a um modo 4x4, basta rodar um botão situado à esquerda do travão de mão. Existem três modos de condução distintos: tracção às rodas da frente; tracção às quatro rodas automática – que disponibiliza a potência para as rodas de trás conforme estas perdem aderência –; e tracção 4x4 permanente, que se desliga quando a velocidade ultrapassa os 80 km/h, mas que se volta a ligar sozinha quando o carro abranda.
Para quem estiver minimamente interessado em sujar o carro, o melhor é mesmo optar pela versão com jantes de 16 polegadas, pois a outra versão, com umas grandes jantes de 18 e uns pneus de perfil reduzido, não é muito adequada a aventuras.

Este carro está, no entanto, mais que preparado para atacar os trilhos da cidade. O sistema de navegação (também vindo do Outlander), ainda que seja um opcional bastante caro, pode ser uma boa ajuda para as viagens em família. Tem ecrã táctil, permitindo controlar as funções de rádio, CD e DVD. O sistema de som Rockford Fosgate também ajuda a criar um bom ambiente, mas o woofer situado na bagageira ocupa algum espaço.
Tanto o C-Crosser como o 4007 podem ainda incluir uma câmara instalada na traseira, cuja imagem surge no ecrã do sistema de navegação, e que se liga automaticamente quando é engrenada a marcha-atrás. Independentemente desse auxílio ao estacionamento, existe ainda um aviso sonoro. Em matéria de segurança, ambos incluem ABS com repartidor da força de travagem, e controlo de estabilidade.

Uma coisa que o Citroën disponibiliza como opcional e o Peugeot deixou de fora é o tecto de abrir eléctrico. O C-Crosser testado pelo SOL incluía ainda um fundo falso na bagageira, em plástico e amovível, ideal para transportar umas botas e roupas sujas sem deixar lama no carro. O saldo final acaba por ser positivo ao 4007, que custa menos mil euros, mas não é valor que interfira com o gosto pessoal. As versões mais fora-de-estrada ficam cerca de cinco mil euros mais baratas.

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Um mini mais...maxi

                  

Ninguém fica insensível às suas formas, não tanto por causa de arrojadas características aerodinâmicas (que as não tem), mas pela primeira impressão (espanto) que causa em nós de estarmos perante um mini mais... maxi. E não nos enganamos. O Mini Cooper D Clubman tem, de facto, mais 23,8 centímetros do que o conhecidíssimo Mini Cooper, conferindo-lhe, como é óbvio, mais espaço e maior capacidade da mala (260 litros), o que sem ser muito já é mais animador.
E para quem goste de surpresas, além do look mais alongado do Mini temos o sistema de acesso aos lugares traseiros, que é um autêntico achado e um desafio à memória.
Uma pequena porta lateral traseira (só existe no lado direito do veículo) abre ao contrário (da direita para a esquerda), tal como muitos carros dos anos 50 do século passado, mas temos primeiro de abrir a porta da frente. Uma operação fácil e rápida e que confere uma marca de exclusividade ao Clubman.

      

As portas traseiras que dão acesso à mala destacam-se pela suavidade evidenciada na sua abertura, bastando aplicar um ligeiro toque na alavanca. Assim chegamos à bagageira que tem um fundo plano, o que facilita o transporte de volumes de maiores dimensões.
Quanto ao mais, e referimo-nos ao interior, o Mini Cooper D Clubman é igual ao Mini mas, como foi já referido, oferecendo mais espaço.
Uma das suas mais evidentes imagens de marca é o enorme velocímetro que se destaca a meio do painel de instrumentos, um toque de design que nos cativa, mas a quem apontamos um pequeno senão. A superfície vidrada faz imensos reflexos de luz que não são nada confortáveis para quem vai a conduzir. Porém, se é verdade que aqui é penalizado, não é menos certo que ganha noutros campos, desde logo com uma posição de condução muito boa.
O seu motor diesel de 4 cilindros, injecção directa common rail e com uma potência de 110 cavalos, prova em toda a linha que tem pulmão para grandes andanças.
A caixa é muito precisa e o controlo electrónico de estabilidade incute confiança a quem o conduz, agarrando praticamente o Clubman à estrada, sem vacilações. Para quem procura um pouco mais de diversão, e desde que não se ponha em causa a segurança, pode-se desligar este controlo, ganhando em adrenalina. Mas é melhor não abusar, mesmo sabendo-se que podemos contar com travões muito bons.

           

O Mini Cooper D Clubman já vem equipado com as novas tecnologias do construtor BMW e conhecidas como Efficient Dynamics, o que se traduz, entre outras, no sistema Brake Regeneration (onde a energia gerada com a travagem é aproveitada), na função Auto Start-Stop (o motor desliga-se, por exemplo, quando paramos nos semáforos, tornando a ligar-se mal tocamos no pedal da embraiagem) e no Shift Point Display, aparecendo à nossa frente, no visor do conta-rotações, uma recomendação da mudança mais indicada tendo em conta a situação actual de condução. Tudo em nome da diminuição dos consumos.
O Mini Cooper D Clubman revela-se um carro bem simpático de conduzir, dentro de uma filosofia jovem e com um preço acessível.
jose.moroso@sol.pt

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A jovem promessa

      

O KIA Cee’d foi uma das grandes surpresas do ano passado. Primeiro na sua versão compacta de cinco portas, cujo design em estilo europeu, preços baixos e uma inesperada garantia de sete anos rapidamente demonstraram ser um sucesso no segmento. Depois foi a carrinha Sporty Wagon, no final de 2007, que assumiu logo a liderança de vendas dentro da marca. Finalmente, é a versão de três portas, o SCoupé, que chega ao mercado português para atrair um público mais jovem de idade, ou de espírito.
Visto de frente não parece, mas face ao cinco portas, o coupé mudou bastante. Com um pára-choques e entrada de ar maiores, faróis redesenhados e a frente ligeiramente rebaixada, o Cee’d tem um look ligeiramente mais desportivo. Mas é visto de perfil ou por trás que esse look mais se nota. A altura baixou 30 milímetros e o desenho da traseira parece agora mais leve, sem o sufoco das duas portas de trás. Os faróis totalmente novos, o pára-choques mais largo e o aileron bastante saído completam bem o desenho do carro, que pretende ser um sério concorrente ao Opel Astra GTC.
No interior o Cee’d já não mudou tanto, mas ainda assim saltam logo à vista os estofos com novas cores e texturas. O espaço atrás é em tudo semelhante ao da versão de cinco portas. Apenas a largura ao nível dos ombros e a altura interior ficaram ligeiramente reduzidas. O volume da bagageira também ficou igual.

      

Quanto a motores, os escolhidos para equipar o SCoupé são basicamente os mesmos da carrinha. Um motor a gasolina com 1,4 litros de cilindrada e 109 cavalos, e dois diesel, o 1.6 de 115 cavalos – comum a toda a gama Cee’d – e um 2.0 de 140 cavalos, presente na carrinha, tal como noutros modelos da Kia como o pequeno monovolume Carens, o SUV Sportage e o grande familiar Magentis. De fora neste novo modelo ficou o menos enérgico 1.6 de 90 cavalos.
Para o mercado português, a proposta mais adequada é, sem dúvida, o 1.6 diesel. Tem potência quanto baste, consumos reduzidos e um preço bastante competitivo de 23 mil euros. Quanto ao motor de dois litros, é mais divertido de conduzir e vem equipado com uma caixa manual de seis velocidades (nas outras versões é de cinco), mas o preço já salta para perto dos 30 mil euros. Qualquer que seja o motor, as prestações deste modelo saem reforçadas pela estrutura mais baixa e pelo menor peso.

   


Quanto a equipamentos, todos trazem ABS; computador de bordo; sensores de chuva e de luz; ligação USB e para iPod; e volante e alavanca das mudanças em pele. De série só nos diesel são as jantes de liga leve de 17 polegadas, controlo de estabilidade ESP. Tecto de abrir, estofos em pele e sistema de navegação são alguns dos opcionais.
emanuel.costa@sol.pt

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Descapotável à americana

           

A aposta da Chrysler foi a de construir um descapotável que fizesse a diferença entre os outros, desde logo através de uma política de preços que não tivesse rival. Assim nasceu o Sebring Cabrio 2.0 CRD, que passou a ostentar um título: o de primeiro descapotável do grupo Chrysler a utilizar um motor diesel.

                     

Com linhas muito específicas e na imponência dos seus 4,85 metros, este Sebring não consegue passar despercebido, ganhando uma imagem desportiva face ao sedan, apesar do seu design puro e duro. É, pode dizer-se, um estilo bem à medida americana.
O seu tejadilho rígido de abrir está dividido em três partes, o que não evita que aquando da sua recolha ele ocupe a quase totalidade do espaço da mala.
Quanto à posição de condução, afigura-se boa e o interior reflecte, uma vez mais, a queda norte-americana para dar mais ênfase ao prático (muitos espaços para arrumação de pequenos objectos) em detrimento do bonito. O sóbrio ganha, aqui, lugar em relação ao habitual requinte tão ao gosto dos europeus.

E se é verdade que a sobriedade nunca choca, não é menos certo que ela não devia arrastar a tendência para uma menor qualidade dos plásticos, que podia ser superior. Mas não se pode ter tudo; para baixar o preço há que fazer certas opções.
Os dois lugares traseiros não são muito amigos de quem aí viajar, isto porque o espaço para as pernas não é o seu ponto forte.
O motor 2.0 CRD é o mesmo que nasceu na VW baptizado com o nome 2.0 TDI e que aqui, no Sebring Cabrio, se revela muito ruidoso devido a uma deficiente insonorização.
O trabalhar do diesel torna-se uma constante ao longo de uma viagem e com o tejadilho recolhido é ainda mais difícil falar com quem vai ao lado do condutor. Já a protecção contra o vento (se rolarmos sem o tejadilho) é muito razoável.

O bloco 2.0 CRD tem por vezes certa dificuldade em lidar com regimes mais baixos, o que nos faz recorrer muito à caixa. E neste particular aspecto, seria bem melhor que ela apresentasse relações menos longas, o que lhe aumentaria a precisão.
Quanto à suspensão, transmite conforto, mas em certos pisos – como alguns mais ondulados que encontramos nas nossas auto-estradas – sente-se um comportamento algo instável da carroçaria.
Já o dos travões é bom e incute segurança para conduzir a bom porto aqueles 4,85 metros.
Um dado bem agradável tem a ver com os bons índices de consumos apresentados, que se posicionam a níveis muito satisfatórios.

           

O Chrysler Sebring Cabrio 2.0 CRD foi pensado para fazer a diferença e, de facto, os construtores conseguiram oferecer um descapotável de generosas dimensões a preços muito recomendáveis, o que é de realçar.
jose.moroso@sol.pt

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Um novo estilo

A FORD tem vindo a apostar numa mudança de imagem e chegou agora a altura de o seu modelo mais vendido, o Focus, ser submetido a esta prova. Remonta a 1998 a data em que se estreou no mercado e, dez anos depois, o Focus vai aparecer nas estradas com uma cara totalmente lavada. Tudo em nome de uma nova linguagem estilística, kinetic design, que tanto êxito provou no Mondeo.
É precisamente com base nesta influência que o novo Focus adopta, desde logo, uma frente desportiva com forma trapezoidal nas duas grelhas. As ópticas rasgadas reforçam o seu dinamismo, num estilo cheio de movimento. Os seus flancos apresentam vincos muito pronunciados desde a frente até à traseira (imagem de terceira dimensão) e as cavas das rodas são muito salientes, transmitindo a todo o conjunto um ar musculado, atlético. Já a traseira apresenta poucas novidades, ganhando apenas as luzes de grande visibilidade com tecnologia LED; e quanto ao tejadilho mantém--se sem qualquer modificação.


No que se refere a melhorias tecnológicas, o Focus tem para oferecer o botão de arranque Ford Power, sistema de estabilidade ESP de série e o sistema de depósito sem tampão Easyfuel, que evita enganos na tomada de combustível, medida tão importante quanto se sabe, por exemplo, que 200 mil condutores por ano (na Alemanha e em Inglaterra) cometem este erro. Igualmente novo é o rádio DAB (Digital Audio Broadcasting) que oferece mais sinal com mais qualidade, e uma consola central com tomada de corrente para 230 V.
Quanto ao interior, o destaque vai para o painel de instrumentos, todo ele repensado e a fazer lembrar o do S-Max. Apresenta um ecrã multifunções com fundo vermelho, melhorando em muito a leitura dos dados. No que se refere à qualidade dos materiais ela foi melhorada.
O espaço continua convidativo, oferece mais lugares de arrumação para pequenos objectos e o conforto está a um bom nível como igualmente boas são a posição de condução e a insonorização.
Na Primavera deste ano haverá mais uma novidade. Referimo-nos à transmissão automática Powershift, de dupla embraiagem e seis velocidades, que passará a equipar os motores diesel common rail 2.0 de 136 cavalos.

O novo Ford Focus terá quatro motores disponíveis para o mercado português: o 1.4 de 80 cv (gasolina), os 1.6 TDCI de 90 cv e 109 cv e o 2.0 TDCI de 136 cv, sendo que os dois últimos (ver quadro) serão a principal aposta da marca no nosso país.
O Ford Focus estará disponível com 3 ou 5 portas e Station Wagon. Quanto ao topo de gama, o ST aparecerá em cor-de--laranja na sua carroçaria desportiva. As gamas são as habituais, tendo a Trend como entrada, seguindo-se a Titanium e a Titanium X.
Como já vem sendo habitual na marca, os primeiros 1.800 veículos a serem entregues vêm com o seu equipamento reforçado sem que isso se reflicta no preço. Estão neste caso os faróis direccionais, as jantes de 17 polegadas e os estofos num misto de couro e tecido. Tudo armas para combater aqueles que são os principais concorrentes do novo Ford Focus; o Renault Mégane e o Opel Astra.

          
jose.moroso@sol.pt

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O desejado

 

E enquanto marca de luxo do grupo Volkswagen, há muito que faltava à Audi regressar aos coupé. É um carro desportivo, mas que pode levar quatro passageiros; ideal para fazer figura numa festa, e suficientemente discreto para usar no dia-a-dia, desde que se tenha dinheiro para isso. Mas na criação do A5 os designers e engenheiros da marca alemã não quiseram utilizar a fórmula comum: pegar num automóvel convencional e retirar-lhe as duas portas de trás, com alguns arranjos estéticos pelo meio. É por isso que se chama A5 e não A4 ou A6 coupé.
Face à concorrência, nomeadamente o BMW série 3 coupé ou o Mercedes CLK, também não há muito a dizer, uma vez que qualquer destes três carros terá o seu comprador próprio. Mas o A5, um clássico à partida, tem certamente trunfos para encontrar o seu espaço e roubar alguns clientes nas portas ao lado.

O resultado foi um carro tão apelativo e de gosto consensual que é praticamente impossível encontrar um pormenor negativo. A elegância das linhas suaves ‘choca’ com as enormes jantes de 19 polegadas, como que a lembrar que este é também um desportivo. Verdade mesmo nos diesel, como era o caso da versão testada pelo SOL, equipada com o potente 3.0 TDi quattro, de 240 cavalos, o topo de gama deste carro nos motores a gasóleo.
Porta fechada, e a sensação de ‘estar’ num A5 é acima de tudo de conforto e controlo. Conforto porque a ergonomia dos bancos, principalmente à frente, e a qualidade dos materiais são indiscutíveis. Controlo porque tudo parece estar no lugar certo. A posição de condução é baixa, como convém num desportivo, e os comandos, a caixa de velocidades (manual, havendo a possibilidade de escolher uma transmissão automática), e o volante de três braços estão perfeitamente posicionados, havendo ainda vários ajustes possíveis nos bancos (electronicamente) ou no volante.
Quanto à condução, é irrepreensível, não só pelas capacidades do motor V6, que permite, segundo a marca, atingir os 250 km/h de velocidade (ainda assim limitada a esse valor) e acelerar até aos 100 km/h em menos de seis segundos, mas também pela segurança que garante à condução. A isso ajudam a suspensão rebaixada (mas ainda assim bastante equilibrada em mau piso), o tamanho e largura do carro, os enormes pneus, e essencialmente o sistema de tracção integral às quatro rodas permanente. Mesmo com o controlo de estabilidade ESP desligado, é difícil perder o controlo. Por outro lado, um avisador no computador de bordo que indica a mudança adequada e a possibilidade de ter também, no mesmo ecrã, a velocidade exacta, digitalmente, são dois pormenores interessantes.

O grande contra deste carro acaba mesmo por ser o preço. A versão base fica acima dos 65 mil euros tendo a versão testada (sem extras básicos como um auxiliar ao estacionamento), ultrapassado os 73 mil euros. Entre os muitos extras estavam os bancos de couro eléctricos, as jantes de 19 polegadas, o sistema de navegação com DVD ou os faróis de xénon; mas também coisas mais comuns, se bem que caras, como os espelhos retrovisores retrácteis, a pintura metalizada e um saco para material de esqui.
emanuel.costa@sol.pt

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Potência extra

Texto de Emanuel Costa 

Líder histórica no domínio das pick-ups, a Mitsubishi Strakar começou a acusar alguma falta de potência. Mais 31 cavalos e o problema está resolvido.

No dia em que arranca a 30ª. edição do Rali Dacar, era mais que óbvio escolher um todo-o-terreno para inserir nestas páginas. No entanto, os jipes são cada vez mais veículos de ‘luxo’, estilosos e confortáveis como um carro de cidade. Quando se fala em trilhos de lama e pedra, o pensamento dirige-se mais para as pick-ups. E nesse campo, a Mitsubishi L200 Strakar é um dos melhores exemplos.
Líder histórica neste mercado, a Strakar começou a perder alguma competitividade quando surgiu numa versão totalmente nova, mas com o motor do modelo anterior. O bloco de 2,5 litros de cilindrada e 136 cavalos tornou-se insuficiente face a modelos mais potentes como a Nissan Navara, de 174 cv ou a Toyota Hilux, de 171 cv.
Esse problema foi resolvido neste Outono, com a potência da Strakar a subir para 167 cavalos. Basicamente, mais potência para ultrapassar obstáculos ou progredir em estradas inclinadas; uma aceleração maior (passou de 14,6 segundos para 11,8 dos 0 aos 100 km/h) e uma velocidade máxima superior (de 167 para 180 km/h). Tudo isto sem tocar nos consumos, que se mantêm nos 8,6 litros por cada 100 quilómetros.

Em termos de design, é a Strakar que já existia, com umas linhas muito suaves e arredondadas, e a frente a aproximar-se da do SUV Outlander. Para alguns, a Strakar perdeu o aspecto ‘duro’ de outros tempos, para outros, simplesmente ficou mais moderna e urbana, apesar dos cinco metros de comprimento. Uma coisa é certa, as suas capacidades fora da estrada permanecem inquestionáveis. Não é por acaso que a Mitsubishi é vencedora do Dacar há sete anos consecutivos.
Se por um lado a Mitsubishi sentiu a necessidade de proporcionar mais potência à sua pick-up, constatou também que são cada vez mais os condutores que praticamente não aproveitam as capacidades destes veículos. Para estes, a versão 4x2 não era tão apelativa, perdia o look da irmã 4x4 (jantes de liga leve em pneus de grandes dimensões ou suspensões elevadas). Assim, em Outubro surgiu também a versão High Rider. Uma L200 em tudo igual à Strakar, mas com os 136 cavalos e sem a tracção e sistemas de controlo de estabilidade que estão associados à versão mais completa.

Sendo assim, por pouco mais de 23 mil euros consegue-se uma carrinha 4x2 que consegue ultrapassar muitos obstáculos praticamente intransponíveis para um jipe de cidade, e com o espaço, conforto e comodidades de um automóvel. E por menos de 34 mil euros compra-se uma pick-up a sério, com ABS, controlo activo de estabilidade e tracção, selector de modo de tracção Super Select e bloqueio do diferencial traseiro (permite às rodas girarem de igual modo em situações extremas, numa curva apertada, por exemplo, evitando que uma delas patine). No meio de tantas vantagens, pena a caixa de velocidades continuar a ficar-se pelas cinco mudanças. Uma sexta relação seria bem-vinda.
Por fim, para quem o aumento de preço não justifica os 31 cavalos extra – ainda mais se pensarmos que este carro paga classe 2 nas portagens –, continua à venda a Strakar de 136 cavalos, que na versão Intense de cabine dupla custa 30.700 euros.
emanuel.costa@sol.pt

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General francês

 

Parece que não foi há tanto tempo assim, mas a verdade é que já passaram quase 14 anos desde que o primeiro Laguna começou a sair dos concessionários da Renault, em 1994. Muitos já nem se lembrarão sequer do velhinho Renault 21, modelo que antecedeu o Laguna. Em 14 anos mudou muita coisa no mundo automóvel. É curioso constatar que um carro que começou por ser vendido na Europa, primeiro com motores a gasolina apenas, chega agora a Portugal só com motores a gasóleo. O 2.0 dCi, comum à Nissan, pode ter 150 ou 175 cavalos e vir associado a uma caixa de seis velocidades manual ou automática na versão menos potente. Foi a versão mais básica, com 150cv e caixa manual, que o SOL ensaiou.

O Laguna consegue manter as linhas originais dos seus antecessores, tornando-se automaticamente reconhecível. A isso ajuda o formato liftback (a tampa da mala inclui o vidro traseiro), que facilita muito o acesso à bagageira. As linhas fluidas, pouco arredondadas, e os faróis com design anguloso parecem estar cada vez mais presentes nos modelos da marca francesa. Definitivamente, apelam mais pelo interior do que pelo exterior. Por dentro, nota-se a qualidade na construção e dos materiais, com um design simples, mas bastante apelativo. Destaca-se a fluidez das linhas do tabliê, com várias aplicações metalizadas. No passado, era a madeira ou a imitação desta que mais distinção dava ao interior de um carro. E já que estamos cá dentro, por que não falar do volante ligeiramente recortado por baixo, que não só facilita ao condutor a entrada ou saída do carro, como até lhe dá um ar mais desportivo.

 

O controlo de funções – seja o rádio, o sistema de navegação, o telefone, o DVD ou as próprias funções do carro –, junto à caixa de velocidades, de um botão rotativo de selecção de menus, revela-se muito simples de utilizar. O arranque sem chave, o limitador de velocidade e o travão de mão electrónico e automático são algumas características que deixam o Laguna na linha da frente do que deve ser um familiar de tamanho médio.

O motor de 150 cavalos revela-se suficientemente rápido e versátil, mas também silencioso, permitindo uma condução bastante confortável. Com uma direcção precisa e uma carroçaria muito estável em curva, o Laguna também não deixa os créditos por mãos alheias em matéria de segurança. Nos testes de segurança Euro NCAP, o Laguna recebeu cinco estrelas e confirmou a marca francesa como uma das mais seguras do segmento. A carrinha chega apenas na Primavera. Será um pouco pela segurança inerente ao Laguna que este é um dos seis modelos finalistas do concurso Carro do Ano 2008, em Portugal. Concorre com o Ford Mondeo, o Kia Cee’d, o Mazda 2, o Nissan Qashqai e o Peugeot 308.

Texto de emanuel.costa@sol.pt

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Começar de novo

 

De olhos postos no Ocidente, a coreana Hyundai decidiu rejuvenescer a sua gama, mas também a sua imagem. Dessa forma, a marca adoptou uma nova designação para cada um dos  modelos que vierem a ser lançados. O Hyundai i30 foi o primeiro dessa geração: o ‘i’ vem de inspiração e o 30 surge porque este carro se insere no segmento C, dos familiares compactos, normalmente visto como o terceiro nível a contar de baixo. Para breve são esperados o i20 (para substituir o Hyundai Getz) e o i10 (um citadino para o lugar do Atos).

      

Mas voltando ao i30, impôs--se uma necessidade: afastá-lo do Kia Cee’d, modelo com o qual partilha o formato, as motorizações e alguma estética. Isso foi conseguido. Os dois modelos estão próximos, mas cada um tem a sua identidade. No caso do i30, sente-se alguma juventude, desportividade até. As formas arredondadas da frente evoluem para uma parte traseira mais angulosa, com os farolins verticais a rasgar. As jantes de 17 polegadas de aspecto ‘cromado’ também são facilmente apelativas para uma franja mais jovem.

 

A versão ensaiada pelo SOL, o 1.6 CRDi de 115 cavalos, trazia o nível máximo de equipamento – Style –, e vinha pintada com uma cor castanho chocolate, bastante original, mas também agradável e clássica. Por dentro, o conforto e a estética saem beneficiados nesta versão, que inclui estofos em pele e tecido, e o volante e a alavanca da caixa de velocidades forrados também a pele. Sente-se a preocupação com os materiais e acabamentos, que não deixam nada a desejar. A estética aliada a um motor suficientemente potente, mas também bastante económico, já deu frutos na Austrália, onde este i30 diesel recebeu no final de Novembro os troféus de Carro do Ano e Carro Verde do Ano.
Por um lado, o 1.6 de 115 cavalos é a versão mais interessante de conduzir, ainda que a caixa de cinco velocidades fique um pouco aquém das expectativas em termos de suavidade. Por outro lado, consegue-se um preço muito atractivo em relação à versão de 90 cavalos – mesmo num mercado em crise como o nosso. Por 1.600 euros extra paga-se um motor mais potente (mais 25 cv) e rápido (188 km/hora), sem prejudicar os consumos (média de 4,7 litros por 100 km nos dois).

                    

A versão ensaiada fica próximo dos 24.500 euros, mas oferece de série quase todas as comodidades que se esperam: ar condicionado automático, computador de bordo, auxiliar de estacionamento, sensor de chuva e de luminosidade, rádio com caixa de CD, ligação para iPod ou mp3, ABS com distribuição de força da travagem, seis airbags e sistema de fixação Isofix para banco de criança. Como opcional fica o controlo de estabilidade ESP.
emanuel.costa@sol.pt

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Familiar discreto

Todas as marcas procuram produzir carros do segmento C, o mais vendido em todo o mundo. Não são carros de ‘turismo’, mas também não são citadinos; são carros de família, mas também agradam a jovens solteiros; são normalmente ‘pacatos’ e económicos, mas também se podem mascarar de desportivos.
Foi por isso que a Nissan não demorou muito a criar um substituto para o Almera: o Tiida, que chegou em Novembro ao mercado português. A ideia é atrair os clientes para quem o Nissan Note é pouco e o Qashqai demasiado.
Sobre a estética, gostos não se devem discutir, mas é indiscutível que, mais do que um exemplo para o futuro, o Tiida é uma conjugação de vários estilos que se podem encontrar noutros automóveis do segmento, como se pode ver na traseira. Já a frente lembra um pouco a grelha do Murano, o SUV de tamanho médio da Nissan. A verdade é que o Tiida chegou já há alguns anos a vários mercados, essencialmente na Ásia, daí a estética parecer menos evoluída.
Por dentro, simplicidade é a palavra de ordem no desenho da consola, do tabliê ou mesmo dos bancos. O banco traseiro pode ser recuado alguns centímetros, o que se traduz num espaço para as pernas ao nível de um automóvel de segmento superior.
Também em condução se sente esse cuidado no conforto da suspensão e na suavidade da direcção. É um carro familiar, para o condutor de uma faixa etária mais adulta, que procura acima de tudo uma condução suave e relaxada, sem grandes aceleradelas.
Das três motorizações escolhidas, duas a gasolina e uma a gasóleo, é mesmo esta última a que mais se adequa ao mercado português, ainda por cima já bastante conhecida de outros modelos da Nissan e da sua aliada francesa, a Renault. O 1.5 dCi de 105 cavalos tem no Tiida uma boa plataforma para ser explorado, na medida em que é um carro mais leve que outros modelos da marca japonesa ou da Renault que o usam, caso do Nissan Qashqai.
Quanto aos dois motores a gasolina, um 1.6 de 110 cavalos e um 1.8 de 126 cavalos, acabam por não ser muito penalizados pelo imposto automóvel, mas também não apresentam um preço tão favorável que justifique o acréscimo nas despesas de combustível, já tão elevadas no nosso país. Ainda assim, a versão base do 1.6 fica por menos de 19 mil euros, mas também não tem o ar condicionado nem a caixa de velocidades do 1.5 dCi.
A nível de equipamento, o melhor é mesmo esquecer a versão base Visia e seguir para o segundo pacote, o Acenta, que já inclui o ar condicionado automático; o sensor de chuva e de luz; o computador de bordo e os airbags de cortina. As jantes de liga leve (de 15 polegadas) e o importante ESP (controlo de estabilidade), têm mesmo de ser comprados à parte, por quem não quiser o pacote mais completo, o Tekna, que traz também estofos parcialmente em pele, carregador de CD e arranque sem chave.
emanuel.costa@sol.pt
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