ODO-o-terreno é uma área que a Citroën e a Peugeot nunca dominaram. Mas com uma procura cada vez maior de carros com capacidades de fora-de-estrada, as marcas francesas não podiam ficar paradas a ver a caravana passar. Encontraram a solução para o problema na Mitsubishi, e no seu SUV, o Outlander. Foi a partir desse modelo, que pode ter cinco ou sete lugares, que surgiram o C-Crosser, na Citroën, e o 4007, na gama da Peugeot.
Desde logo, ambos utilizam a mesma motorização, um bloco de 2,2 litros de cilindrada e 156 cavalos da PSA, a aliança Peugeot/Citroën, que foi recentemente introduzido também no Outlander. São propostos em duas versões distintas, uma com jantes de 18 polegadas, para uma condução mais estradista e citadina, ou com 16 polegadas, para quem pretende levar o carro por ‘maus caminhos’. Foi a versão mais citadina e bem equipada que o SOL ensaiou em ambos os modelos.
É na frente que mais se notam as diferenças entre o 4007 e o C-Crosser, com a grelha cromada a ter um grande destaque no Peugeot, ao passo que no Citroën saltam à vista as linhas entre os faróis, onde está inserido o logo da marca. Curiosamente, é neste modelo (o menos Citroën de todos), que se podem ver já as linhas do novo familiar C5, apresentado há dias em Portugal, e que vai ser posto à venda em Abril. Quanto à traseira, as diferenças entre o C-Crosser e o 4007 são quase nulas.
No interior, a semelhança entre eles é ainda maior. Os dois mantêm o interior do Outlander, modelo também já descrito nestas páginas. Assim, em termos de espaço e conforto, os dois modelos são exactamente iguais, e muito bons nesse domínio, diga-se. Uma ajuda extra em dias mais frios é o sistema de aquecimento dos bancos da frente. Fica no entanto a faltar a regulação electrónica do banco do passageiro da frente, disponível apenas para o condutor. Como convém a um carro destas características, existem vários espaços de arrumação nas portas, entre os bancos e no tabliê. Os materiais são de boa qualidade (ainda que abaixo dos habituais padrões das marcas francesas) e o jogo entre cores escuras e aplicações metalizadas traduz-se num interior distinto.
Atrás, há muito espaço para as pernas, e o banco pode até ser recuado e as costas inclinadas como verdadeiras poltronas quando os dois lugares extra não são utilizados, basta ajustar a barra metálica atrás dos bancos. Forrada a tecido e escondida sob o piso da bagageira, essa terceira fila de bancos pode ser aberta através de um sistema relativamente simples. À segunda utilização já se torna intuitivo.
Quanto à bagageira, algo limitada quando o carro leva sete pessoas, tem uma interessante abertura dupla. A parte inferior abre para baixo, criando uma pequena plataforma ao nível do piso de carga, que não só facilita a colocação de objectos mais pesados, como pode servir de banco ou apoio. Suporta até 200 quilos.
No capítulo dinâmico, o motor de 156 cavalos é mais do que suficiente para mover as quase duas toneladas deste SUV, que se comporta tão bem em estrada aberta como nalgumas subidas mais acentuadas. A caixa manual de seis velocidades é agradável de manusear, com as seis relações bem distribuídas, se bem que na versão mais citadina e bem equipada, uma caixa automática pudesse ser também uma opção interessante.
Para sair do alcatrão e passar a um modo 4x4, basta rodar um botão situado à esquerda do travão de mão. Existem três modos de condução distintos: tracção às rodas da frente; tracção às quatro rodas automática – que disponibiliza a potência para as rodas de trás conforme estas perdem aderência –; e tracção 4x4 permanente, que se desliga quando a velocidade ultrapassa os 80 km/h, mas que se volta a ligar sozinha quando o carro abranda.
Para quem estiver minimamente interessado em sujar o carro, o melhor é mesmo optar pela versão com jantes de 16 polegadas, pois a outra versão, com umas grandes jantes de 18 e uns pneus de perfil reduzido, não é muito adequada a aventuras.
Este carro está, no entanto, mais que preparado para atacar os trilhos da cidade. O sistema de navegação (também vindo do Outlander), ainda que seja um opcional bastante caro, pode ser uma boa ajuda para as viagens em família. Tem ecrã táctil, permitindo controlar as funções de rádio, CD e DVD. O sistema de som Rockford Fosgate também ajuda a criar um bom ambiente, mas o woofer situado na bagageira ocupa algum espaço.
Tanto o C-Crosser como o 4007 podem ainda incluir uma câmara instalada na traseira, cuja imagem surge no ecrã do sistema de navegação, e que se liga automaticamente quando é engrenada a marcha-atrás. Independentemente desse auxílio ao estacionamento, existe ainda um aviso sonoro. Em matéria de segurança, ambos incluem ABS com repartidor da força de travagem, e controlo de estabilidade.
Uma coisa que o Citroën disponibiliza como opcional e o Peugeot deixou de fora é o tecto de abrir eléctrico. O C-Crosser testado pelo SOL incluía ainda um fundo falso na bagageira, em plástico e amovível, ideal para transportar umas botas e roupas sujas sem deixar lama no carro. O saldo final acaba por ser positivo ao 4007, que custa menos mil euros, mas não é valor que interfira com o gosto pessoal. As versões mais fora-de-estrada ficam cerca de cinco mil euros mais baratas.