SOL

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Morrer de vez em quando

é a única coisa que me acalma

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I said I won’t tease you, won’t tell you no lies

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Quero escrever-te um poema que  tenha um sentido claro como o que os teus olhos me disseram. Poderia ser um poema de amor, tão breve como o instante em que me deixaste ver os teus olhos. Mas o que os olhos dizem não cabe num poema, nem eu sei como se diz  o amor que só os olhos conhecem.

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Há palavras que fazem bater mais depressa o coração.

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Toca-me o sangue, o febril sangue do meu peito.

 Toca o arco de fogo que cai das minhas mãos.

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Eu quero brincar às escondidas contigo e dar-te as minhas roupas, e dizer que gosto dos teus sapatos e sentar-me nos degraus enquanto tu tomas banho, e massajar o teu pescoço e beijar-te os pés e segurar na tua mão e tomar um sumo contigo enquanto esperamos que o jantar fique pronto, e falar sobre o dia, e rir das tuas estórias, e dar-te cd’s que tu não ouves, e ver filmes óptimos, e tirar-te fotografias a dormir e levantar-me para te ir buscar café e biscoitos e folhados, e ir contigo de braço dado beber café a meio da noite, e tu a roubares-me cigarros, e eu a falar-te sobre o programa da televisão que vi na noite anterior, e  querer-te de manhã mas deixar-te dormir um pouco mais, e beijar-te as costas e tocar na tua pele e dizer quanto gosto do teu cabelo, dos teus olhos, dos teus lábios, do teu sexo.

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E sentar-me no terraço até tu chegares a casa, e preocupar-me quando estás atrasado, e ficar surpreendida quando chegas cedo, e pedir desculpa quando estou errada e ficar feliz quando me desculpas, e olhar para as tuas fotografias e desejar ter-te conhecido desde sempre, e ouvir a tua voz no meu ouvido e sentir a tua pele na minha pele, e ficar assustada quando estás zangado, e ouvir-te dizer “és lindíssima!!!” e abraçar-te quando estás ansioso, e amparar-te quando estás magoado, e querer-te quando te cheiro e entregar-me quando te toco, e sentir saudades quando não estou ao pé de ti e também quando estou, e adormecer sobre o teu peito, e cobrir-te à noite, e ficar fria quando me tiras o cobertor e quente quando não o fazes, e derreter-me quando sorris e desintegrar-me quando te ris.

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E escrever-te poemas, e ter um sentimento tão profundo que para ele não existem palavras, e atrasar-te na cama quando tens de ir, e chorar como um bebé quando finalmente vais, e vaguear pela cidade pensando que ela está vazia sem ti, e querer aquilo que queres, e achar que me estou a perder mas saber que estou segura contigo, e contar-te o pior que há em mim, e tentar dar-te o meu melhor porque não mereces menos, e tentar chegar mais perto de ti, porque é maravilhoso aprender a conhecer-te e vale bem o esforço, e fazer amor contigo às três da manhã e de alguma maneira, transmitir-te este esmagador, imortal, irresistível, incondicional, abrangente, preenchedor, desafiante, contínuo e infindável amor que tenho por ti.

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 Quantas solas se gastaram…

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Foram tantos os  saltos, os tropeções,  os passos mal dados, adiados ou interrompidos... valeu a pena! Aprendi que não importam os sapatos, nem as solas. O que nos reveste os pés não nos  faz voar.

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... O dia pode chegar ao fim sem que o sapato de cristal se perca pelo caminho e a nossa dança pode continuar sem que haja meia-noite. Havemos de nos perder entre ternuras e descobertas...

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Não sabemos ainda como perdemos as asas: se nos lancis dos terraços em voo sobre os pomares de amendoeiras, se nas sobrevoadas cumeadas  dos bosques de bétulas em novembro, se nos olhos de água, se na p.u.t.a da vida emitindo recibos e avenças. Sabemos apenas que nos olhamos hoje e nenhuma máscara nos cabe no rosto.

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" Iremos dançar muitas vezes. Logo na primeira noite, como prelúdio - I promise. Que saudades das tuas meias pretas! E dos teus olhos! E do teu longo longo pescoço! E dos teus ombros! E da tua carne branca. Apetece-me morder-te, varar-te, morder-te."

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A.Lobo Antunes in, D'este viver aqui neste papel descripto

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Vestida del color de mis deseos
como mi pensamiento vas desnuda,
voy por tus ojos como por el agua,
voy por tu frente como por la luna,
como la nube por tu pensamiento,
voy por tu vientre como por tus sueños

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Desculpem o entusiasmo… Ah, é que  em vésperas de férias sinto-me mesmo uma verdadeira princesa!

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Enquanto te espero
neste tule de desejo
sou noiva à porta da igreja
sem grinalda nem pureza
e as minhas pernas serenas
embarcam no pulsar das estrelas

… porque enquanto não vieres
fica só uma cratera acesa
para a adaga do teu beijo

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                                                                     Luz&Sombra

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Reconhece-me pelos pés.
Os pés sabem tudo, todos os caminhos
– ou quase.
(...)
Começa então pelos pés.

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