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A Sexualidade nos Animais

   

Estamos habituados a pensar na reprodução como algo que implica necessariamente um contacto sexual entre dois seres, animais ou humanos, no entanto, nos animais, concretamente em alguns organismos mais primitivos (menos evoluídos, mais primários), a reprodução, não passa pela sexualidade, sendo portanto a reprodução, um fenómeno basicamente assexual.

Um dos exemplos deste fenómeno, é o que se processa com as amibas, que se "reproduzem" (no sentido da multiplicação, não no sentido clássico da reprodução, obviamente) por um processo de divisão celular (uma amiba divide-se em duas).

Este aspecto, levanta-nos inevitavelmente uma questão fundamental no nosso espírito: - afinal, por que é que a maior parte das espécies necessita de reprodução sexuada, isto é, do contacto sexual para se reproduzirem?!

Naturalmente, uma das razões prende-se com o prazer que dele se pode usufruir e que tem uma importância fundamental para o animal (descarga essencial aos funcionamentos biológico e afectivo saudáveis do animal, tal como acontece nos humanos, embora nesses a questão possa ser mais complexa ), mas também, prende-se com a vantagem biológica, de permitir uma maior variabilidade genética, isto porque de acasalamento para acasalamento, resultam sempre diferenças do novo ser face aos progenitores que lhe deram origem, que são importantes para a evolução da espécie em causa.

Depois de termos constatado que o processo de reprodução animal nem sempre passa pelo contacto sexual, e de termos analisado as funções implícitas à reprodução sexuada da espécie, vejamos agora como é que os animais fazem a escolha do parceiro sexual.

Algumas espécies, e especialmente no caso dos machos (os quais têm um papel mais activo e exibicionista na corte sexual), são dotados naturalmente de algumas características que os beneficiam em termos da corte à fêmea, dado que chamam a atenção destas sobre eles - digamos que são sinais que indicam à fêmea de que esta está inequivocamente perante um macho e que este está disponível (predisposto) para o acto sexual.

Neste caso, o macho atrai a fêmea apenas através dos seus atributos naturais, não precisando ir mais além para a cativar. É o caso bem conhecido do pavão com as suas penas sumptuosas, ou o caso do galo, com as suas barbas e crista bem vermelhas, portanto bastante chamativas, atraentes para a fêmea.

Nos humanos, esse tipo de características de diferenciação de sexo, encontram-se por exemplo, no caso das mulheres nos seios, que para além da função de amamentação do bebé, têm a função de chamar a atenção do homem face à mulher, e talvez por isso mesmo, o seu tamanho tenha aumentado com a evolução dos tempos, para se tornar num atributo mais eficaz no processo de acasalamento humano (não é difícil compreender este aspecto, se pensarmos na importância social e mediática que os seios têm hoje em dia, sendo um dos atributos mais explorados na mulher, um símbolo do género sexual feminino).

No entanto, existem outras espécies animais que recorrem também a estratégias complexas para se envolverem com a fêmea e cativá-la. Estas estratégias, são aquilo a que chamamos rituais de acasalamento, em que não são só as características físicas que entram em jogo, mas também verdadeiros "malabarismos" de charme (comportamentos padronizados (sempre iguais/semelhantes) com funções muito específicas de acasalamento, que tendem a ser constantes ao longo do tempo em cada espécie).

Estes rituais, complementam assim o que já é dado pela natureza ao animal (as suas características físicas distintas), enriquecendo o processo de corte, sendo verdadeiros anúncios ("publicidade") às suas próprias intenções amorosas (face à fêmea) - relacionais e sexuais.

Um exemplo da complexidade deste processo, é o caso de algumas espécies de aves aquáticas, que no processo de corte, empenham-se numa dança/bailado, onde trocam presentes como por exemplo, plantas aquáticas, reportando para uma situação quase poética, cheia de romantismo aos olhos subjectivos dos humanos.

Estes rituais, para além de terem a função de garantirem a maior probabilidade do acasalamento entre dois seres, têm também a função de fazer com que o acasalamento possa efectuar-se apenas dentro dos membros de uma mesma espécie, no sentido desta poder evoluir com mais sucesso.

Daí a justificação do facto de cada espécie ter o seu padrão específico de rituais, constituindo-se este como um código que passa uma mensagem de desejo de relacionamento sexual aos membros de uma mesma espécie, garantindo assim, a integridade genética da espécie (sendo mais provável que o acasalamento resulte, que seja uma união fértil).

Um exemplo bem conhecido, pode-nos dar a noção do quanto o acasalamento entre espécies resulta muito mais bem sucedido à priori, sendo o contrário evidência de fracasso, como é o caso do acasalamento entre o burro e o cavalo, donde resulta a mula.

De facto, a sexualidade animal, está cheia de mistérios, que o homem procura descobrir, desvendar, deliciando-se com as mesmas, e podemo-nos mesmo interrogar: quantas vezes, o que se passa com os animais, não nos faz lembrar o que ocorre também com o ser humano, embora com este, a parte psicológica pareça estar mais implicada nessas coisas do "coração", da sexualidade, mais do que possa parecer, embora o homem seja também ele um animal.

Carla Xavier
Psicóloga
 
Publicação: 02 Julho 08 03:34 por sexussemnexus
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