Os patrões comprometidos!
Trabalhadores prostrai-vos! Os patrões acabam de se comprometer com o país! É agora que isto vai para a frente!
Foi amplamente divulgado pela imprensa que um corajoso, auto-denominado “revolucionário” grupo de empresários de sucesso, unidos no ensejo de ajudar o país, numa sessão cheia de glamour e show-play, proclamaram ao mundo quinze medidas, quinze! que hão-de arrancar o país da cepa torta!
Esperávamos, empolgados, que destes empresários surgissem luzes no fundo do túnel que nos permitissem perspectivar uma melhoria no investimento dentro e fora do país, um aumento quantitativo e qualitativo das exportações de produtos com a marca Portugal, com consequente diminuição do desemprego e igual melhoria na produtividade e no PIB (já nem falando da auto-estima, tão propaladamente falida!).
Eis senão quando a montanha pariu um rato! E, a acreditar no que foi transmitido pela imprensa, as famosas quinze medidas se resumiam a ideias e “bitaites” sobre como o governo deveria governar tornando mais fáceis os despedimentos por uma maior flexibilidade contratual, começando logo ali na função pública “abatendo” 200 mil funcionários; sobre como tudo seria mais fácil se houvesse um gestor profissional em cada esquina, gerindo todas as actividades, mesmo aquelas cuja natureza desconhecem e para as quais, por motivos óbvios não estão vocacionados, como sejam a título de exemplo: o ensino, a saúde ou os tribunais e, a cereja no cimo do bolo, um decréscimo no IRC para as empresas. Ora nem mais! Ficamos esclarecidos sobre a capacidade de comprometimento e o empenho destas luminárias!
Cá por mim, e num laivo de generosidade para com o país, apetece-me desde já fundar um revolucionário movimento de cidadãos desinteressados, de cujas reuniões hão-de sair ideias luminosas tais como: obrigatoriedade de patrões simpáticos e compreensivos, aumentos semestrais de ordenados, dois meses de férias e, naturalmente, um decréscimo no IRS. Em suma: mais emprego e menos trabalho!
Ai Portugal, Portugal, isto assim vai, não há dúvida!