Psiquiatra precisa-se!
Uma vez por outra, nos dias mais cinzentos, acho-me a mendigar abraços a alguns, poucos, amigos. É claro que é uma figura ridícula, que impressiona pela fragilidade mental de quem o faz. Quando isso acontece (mesmo sendo abraços metafóricos, as mais das vezes, aqueles que peço) percebo o sentimento que instigo nos meus amigos/vítimas que, uns, com denodada preocupação pela minha saúde mental, generosamente me franqueiam as portas do “seu próprio” psiquiatra para consulta urgente e outros, imbuídos do mesmo sentimento de comiseração, me fazem longas prelecções sobre a importância que o apoio psiquiátrico (não sei se ambulatório ou com internamento incluído), de preferência com umas quantas pastilhas de várias cores e sabores, tem no equilíbrio de uma pessoa (leia-se a felicidade total e absoluta, isenta da necessidade dos metafóricos abraços e lamurias que levam a lado nenhum).
Perante isto estou, finalmente, decidida a ir a uma consulta, vou pagar a um profissional para me abraçar. Obviamente sendo um serviço pago farei certas exigências: tem de ser homem e bonito, de preferência com voz baritonal (embora, na verdade, nem precise de falar). Quando a gente paga exige qualidade!