Os Rivoltosos vencidos
Deambulando pela baixa da minha cidade encontrei, itinerando por ela, um grupo de “rivoltosos”, ainda empunhando cartazes e entoando cânticos de revolta e indignação com o desprezo a que a cultura da cidade é votada, perante a inacção de todos. No final da tarde, novamente me cruzei com os manifestantes, desta feita junto ao Rivoli, os cartazes já pousados, os seus corpos em desânimo. São estes os vencidos “rivoltosos”, faltou-lhes tudo para que o seu protesto desse frutos, faltou-lhes cidade, faltou-lhes a massa crítica da cidade, o abraço de uma cidade que viva e lute pelo que é seu. Ao invés disso os intelectuais portuenses, sempre prontos a opinar e a esbracejar, preferem o conforto dos bons restaurantes lamuriando aí a inércia que se instala na urbe enrolados no conforto das lareiras e dos charutos caros, é tão mais cómodo!
Entretanto a cidade continua lá fora, o Teatro Municipal, recuperado com dinheiros públicos é oferecido, com despesas pagas, a um entertainer, teremos pão e circo como previsto, amén.
Dona Maria Borges, a antiga proprietária do espaço, que a minha Mãe conheceu e descreve como uma mulher de visão larguíssima, sobretudo no tempo em que viveu, deve dar voltas na tumba, ela que trouxe, por exemplo, Suggia e Rubinstein, ao seu Rivoli. Enfim, agora havemos de ter uma revista ou um musical sobre Sá Carneiro… ele há cada coisa que se lê nos jornais!