Hoteis de luxo e pétalas de rosa...
Passei, há dias, um fim-de-semana num hotel de luxo. Escrevo, aliás, esta crónica, no papel de bloco e com a esferográfica que me deixaram no quarto. É uma velha mania minha, a de levar comigo estes pequenos blocos dos hotéis por onde passo e onde vou deixando as minhas impressões à posteriori. Estranhamente, não sei porquê, noto que com o passar do tempo as folhas que deixam sobre a cómoda são cada vez menos, os pequenos blocos timbrados reduzidos a três ou quatro folhas e eu a ter de reduzir poemas e apontamentos à escassez do papel…
Tornando ao início, dizia eu que passei um fim-de-semana num hotel de luxo; no final de tarde, de regresso ao quarto encontro a cama aberta, os chinelos colocados a preceito junto à cabeceira e, na sanita, pasme-se, uma mão-cheia de pétalas vermelhas, de rosa. Pétalas de rosa na sanita, o luxo transformado na indulgencia de achar pétalas de rosa na retrete, rapidamente levadas pelo autoclísmico fluxo que faço troar depois do uso da instalação em causa. Melhor fora que mas tivessem deixado sobre o leito, entre os lençóis ou sobre o edredão tal qual as fotos promocionais na Internet.
Pétalas de rosa, rubras, sobre o edredão acetinado talvez me calmassem a tempestade interior ou fizessem sumir os fantasmas que toda a noite se deitaram comigo e insistentemente me acordaram para uma cama com excesso de almofadas.