
“ (...) Só no limite era eu. De alma nua e asas de luar. De corpo inteiro na génese daquela crença de infinito que a razão, paredes-meias com a emoção, nunca soube suportar.
Só no limite era eu. A rasar, à velocidade da luz, o impossível de me sentir diferente entre as gentes... Lá longe, naquele lugar distante onde o brilho magnânime dos sonhos se confunde placidamente com o fulgir das mais belas estrelas.
Assim era eu! Cumpria-me totalmente no ténue e quase indizível sopro que separa a vida da morte. E almejava ser como a Fénix, eternamente renascida a partir de cinzas ardentes...
E quanto mais perto do fio da navalha, mais almejava chegar onde nunca ninguém chegara...
E assim me quedava, etérea, dias e dias a fio, na pacatez do meu silêncio, longe da pobreza da vida mundana, só pelo idílico prazer de sonhar aquele dia em que haveria de chegar mais perto de me sentir alguém…”
(In "Textos Sem Amarras")
Maria