No dia em que a manhã se perdeu

No dia em que a manhã se perdeu nos olhos desorbitados da insónia
O rumor ainda persistia
O coração ainda derramava sementes de dúvida
O sangue ainda bombeava amor ferido…
Em todas as pedras do caminho soluçavam as razões sem razão da discórdia
E em todas havia um lastro de tragédia antiga por explicar
Uma espécie de dor fina reatada de entre a folhagem ressequida da memória
Gemendo mazelas de percursos já gastos, a contas com os sulcos do rosto.
No dia em que a manhã se perdeu no roldão das palavras interditas
A esperança era um pássaro ferido, de asas cortadas
Que se arrastava penosamente no fio do pensamento
E em todos os lugares da cidade o riso era um cravo a trespassar o silêncio.
No dia em que a manhã se perdeu entre a cinza e os destroços da saudade
A tristeza desceu furtiva sobre as brandas águas do rio
E amanheceu de noite!
Tendergirl
Escrevinho emoções, exorcizo mágoas e ressentimentos, traço rotas de esperança e de paixão no fulgor e no deslumbre dos olhos, faço amor com as palavras na ardência secreta e estilística das metáforas, exalando a doce e febril fragrância da poesia que me lavra nas veias?
Sem veleidades, sem pretensões, apenas no terno embalo da alma e pelo puro e indelével prazer da escrita!