SOL

No dia em que a manhã se perdeu

 

No dia em que a manhã se perdeu nos olhos desorbitados da insónia

O rumor ainda persistia

 O coração ainda derramava sementes de dúvida

 O sangue ainda bombeava amor ferido…

 

 Em todas as pedras do caminho soluçavam as razões sem razão da discórdia

 E em todas havia um lastro de tragédia antiga por explicar

 Uma espécie de dor fina reatada de entre a folhagem ressequida da memória

 Gemendo mazelas de percursos já gastos, a contas com os sulcos do rosto.

 

 No dia em que a manhã se perdeu no roldão das palavras interditas

 A esperança era um pássaro ferido, de asas cortadas

 Que se arrastava penosamente no fio do pensamento

 E em todos os lugares da cidade o riso era um cravo a trespassar o silêncio.

 

 No dia em que a manhã se perdeu entre a cinza e os destroços da saudade

 A tristeza desceu furtiva sobre as brandas águas do rio

 E amanheceu de noite!

 

Tendergirl

 

Publicação: 08 Maio 09 04:50 por tendergirl

Comentários

# tendergirl said on Maio 8, 2009 16:57:

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A todos, um beijo... e bom fim-de-semana.

Tender

# Meduarda said on Maio 8, 2009 17:27:

Tender,

Vou ser sincera, aliás como sempre o faço.

Não consigo comentar!...as lágrimas teimam em não me deixar.

bjs

Eduarda

# pepelegal said on Maio 10, 2009 23:24:

Tender

Amiga?

Alma latejando, gotejando, trespassada por raios cujo trovões fizeram ruir a cidadela, tornando-a vulnerável, fazendo-a vacilar á mais pequena brisa. Mas as réstias hão-de irromper dos confins da noite, dos labirintos do tempo e emergir ao romper de cada sopro de vida. Nem ventos ciclónicos farão derrubar esta nau por mais fustigada que seja a proa, há-de resistir como resistem as pedras gastas da calçada, que viram passar muitas vidas, mas elas teimam em ficar. Esta alma ficará, para gritar ao mundo, que existe, existiu, que amou, sofreu, mas resistiu!

Sabes cantar como poucos, a Dor, amor, paixão. Este misto que espartilha a alma, mas ao mesmo tempo é a força de vida no que tem de mais sublime, de belo. Sua pureza só é comparável á beleza das flores silvestres, á sua essência mais pura. Onde os pássaros cantam hinos á vida ao universo às forças que o criaram!

Um beijo cheio de poesia na tua alma poética.

Pepe

# tendergirl said on Maio 11, 2009 12:54:

Eduarda,

Como compreendo essa tua incapacidade para comentar... :-)

Este é um post difícil, de profunda tristeza e desolação, um post de uma manhã que nunca chegou a amanhecer? e da dor que se sente quando a escuridão nos traga.

Bem-hajas pela sinceridade e pelo conforto solidário da tua presença.

Um beijo grande.

Tender

# tendergirl said on Maio 11, 2009 12:55:

Pepe,

Amigo?

Um comentário poético como já me habituaste! :-)

Que dizer do que escreves e da mensagem que transmites? Que depois da noite vem sempre o alvorecer? Ou simplesmente, que ainda me recuso a acreditar que a esperança seja uma palavra vã?

Amigo, agradeço-te as palavras mas não estou certa de saber cantar alguma coisa? Aliás, cada vez estou menos certa do que quer que seja, nesta vida. Sei apenas que o que sinto é grande demais para me caber dentro do peito. E sei que quando assim é, só há um jeito de me libertar. Escrever, escrever, escrever, escrever? até que o sangue e o sal se me evaporem da alma e um fio de razoabilidade fresca desça de novo sobre mim ?

Bem-hajas pelo incentivo e pela amizade. As tuas palavras são como abraços? Dão força, alento e um colorido diferente ao cinzento baço dos dias. :-)

Um beijo com carinho e muita poesia,

Tender

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About tendergirl

Escrevinho emoções, exorcizo mágoas e ressentimentos, traço rotas de esperança e de paixão no fulgor e no deslumbre dos olhos, faço amor com as palavras na ardência secreta e estilística das metáforas, exalando a doce e febril fragrância da poesia que me lavra nas veias? Sem veleidades, sem pretensões, apenas no terno embalo da alma e pelo puro e indelével prazer da escrita!

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