SOL
Só nos vêem a nós

Segunda-feira, 5 de Abril de 1999

Só nos vêm a nós

João César das Neves DN, 5 de Abril de 1999
Só nos vêem a nós
No dia seguinte a Cristo ter subido ao Céu, estavam alguns reunidos numa casa. Tomé, rindo baixinho, afirmou: "Isto da Igreja, que o Senhor disse para construirmos, não pode funcionar!"
Madalena, que estava perto, perguntou-lhe surpreendida: "Porque dizes isso?" Ele respondeu: "Então não vês? Ele foi-se e nós ficámos. As pessoas vêm ter connosco à procura de Deus, mas só nos vêem a nós. Ele podia ter ficado cá ou ter deixado, ao menos, alguns anjos. Em vez disso, deixou-nos só a nós. Isto não pode mesmo funcionar." E Tomé deu outra gargalhada.
Madalena perguntou-lhe: "Se achas mesmo que não vai funcionar, porque estás tão satisfeito?" Tomé riu de novo e respondeu: "Eu não disse que não vai funcionar. Disse que não pode funcionar. Não vês que esta ideia de nos deixar sozinhos é mesmo a prova de que a Igreja só pode ser uma ideia d'Ele?! É tão típico do Senhor querer mostrar-se através de nós, e não directamente. A Igreja não pode funcionar. Vai funcionar, porque não estamos cá só nós. Ele também cá está, como disse. Mas a Ele ninguém o vê. A não ser através de nós."
"Tens razão!", disse Madalena. "Só o Senhor se lembraria de fazer o seu reino através de nós. Quantas pessoas andarão à procura de Deus e desejarão vir até Ele, mas recusarão a Igreja, porque só nos vêem a nós. Nós não somos Deus. Haverá muitos que acreditarão em Cristo, mas não acreditaram na sua Igreja, por ser feita de homens. E não perceberão que nós nunca quereríamos que as coisas fossem assim. Foi Ele que quis. Tenho tanta pena deles, porque os compreendo bem. Percebo que não gostem de mim ou de ti. Mas eles esquecem que, na Igreja, não sou eu ou tu que contamos, mas o Senhor. Só quem ama muito o Senhor pode compreender a Igreja, porque a Igreja é Ele."
Tomé continuou: "Por isso nos hão-de desprezar e perseguir. Haverá os que nos desprezarão por sermos poéticos e idealistas, como João, e os que nos atacarão por sermos pragmáticos e eficientes, como Mateus. Hão-de criticar-nos por sermos expansivos como Filipe, ou sérios como Bartolomeu, por sermos rígidos como Tiago ou tolerantes como Pedro, envolvidos na política, como Simão, ou desinteressados do mundo, como André. Alguns perseguirão a Igreja por ser pobre e viver com os pobres, outros acusar-nos-ão por alguns de nós sermos ricos, como José de Arimateia, ou poderosos, como Nicodemos. Hão-de censurar-nos por não sabermos usar bem o dinheiro para ajudar os pobres e, pelo contrário, hão-de censurar-nos por o administrarmos com excessivo cuidado. E em tantas dessas críticas haverá verdade, porque o que se vê da Igreja somos só nós. Alguns até nos perseguirão em nome do Altíssimo. Lembra-te do que o Senhor disse: "Virá a hora em que qualquer um que vos tirar a vida julgará estar a prestar um serviço a Deus" (Jo 16,2)." "E não te esqueças daqueles que, justamente, nos vão condenar pelas lutas e injustiças entre nós", disse Madalena. "Se tivemos discórdias enquanto o Senhor cá estava, como daquela vez em que queriam saber quem era o maior, haverá certamente muitas discussões e lutas no futuro. Somos humanos, iguais aos outros. A única diferença é que trazemos nas nossas mãos indignas um tesouro inimaginável. Ele deixou-nos o tesouro, mas não nos deixou nem guardas nem o cofre. Além do tesouro, só cá estamos nós."
João, que tinha seguido a conversa calado, interveio para dizer: "Estamos como a Mãe do Senhor, Maria, grávida naquela pequena casa perdida da Galileia."
Fez-se um silêncio.
Foi João quem voltou a falar: "Os que mais lamento são os muitos que irão pensar que a Igreja é apenas uma atitude e regras de moral, de amor ao próximo e ajuda aos pobres. Muitos dos que se irão juntar a nós, alguns muito bem-intencionados, serão desses."
Bartolomeu deu um salto e perguntou:
"Achas mesmo possível isso? Mas o Senhor foi tão claro quando disse que teríamos de "nascer de novo" e ter uma "vida nova". Achas mesmo possível que alguém pertença à Igreja apenas para viver melhor a vida antiga?! Como poderão eles entender estas palavras do Senhor?"
João sorriu tristemente e respondeu:
"Muitos dirão que a "vida nova" é uma metáfora do Senhor para significar apenas a bondade, a ajuda aos pobres e a mudança social. Pensarão que viver com Cristo é só para depois de morto e dedicar-se-ão a tratar bem das coisas daqui. Não percebem que isso é, não a vida nova, mas um dos sinais da vida nova que temos no Senhor. É o sinal mais visível e importante, mas que nada significa se não nascermos de novo, todos os dias, em Cristo. Muitas das lutas de que Maria Madalena falou virão disto. Este foi o pecado que O matou." "Tens razão", respondeu Bartolomeu. "Esse foi o pior pecado de Judas Iscariotes: pensar que o Senhor vinha só implantar a justiça no mundo, melhorar a sociedade e ajudar os pobres. E se Judas, que falou tantas vezes com o Senhor e viveu tanto tempo connosco, cometeu esse pecado, muitos outros hão-de fazê-lo também." Bartolomeu baixou a cabeça e ficou silencioso.
Madalena disse: "Haverá os que medirão o sucesso da Igreja em números, porque ela também terá desse sucesso. Mas esse não interessa. Como não se mede a luz pelo número de lâmpadas, porque o que conta é o Sol."
Nesse momento entrou Pedro. Trazia um saco com algum peixe, pão e vinho para a refeição. Madalena e Tomé levantaram-se para o ajudar e ela explicou-lhe do que falavam.
Pedro, rindo, perguntou se isso não era mais uma das subtilezas de Tomé, que ele nunca percebia.
Tomé respondeu: "Eu tenho uma confiança ilimitada no Senhor. As minhas dúvidas vêm só da minha falta de confiança nas nossas forças e na nossa capacidade de o seguir."
Madalena perguntou a Pedro: "Mas tu tens confiança nas nossas capacidades, não tens Pedro?" Nesse momento ouviu-se um galo.
Pedro sorriu, sentou-se à mesa e disse, calmamente:
Não tenho nem um bocadinho de confiança nas nossas forças. Nisso, tenho ainda mais dúvidas que Tomé. O que eu tenho é tanta confiança no Senhor que acho que ele consegue fazer a sua Igreja mesmo que com a nossa total incapacidade de O compreender e de O seguir."
João César das Neves escreve às segundas-feiras

Publicado quinta-feira, 17 de Maio de 2012 14:01 por ToolsForThinking | 0 Comentário(s)

Os professores
Os professores

O mundo não nasceu connosco. Essa ligeira ilusão é mais um sinal da imperfeição que nos cobre os sentidos. Chegámos num dia que não recordamos, mas que celebramos anualmente; depois, pouco a pouco, a neblina foi-se desfazendo nos objectos até que, por fim, conseguimos reconhecer-nos ao espelho. Nessa idade, não sabíamos o suficiente para percebermos que não sabíamos nada. Foi então que chegaram os professores. Traziam todo o conhecimento do mundo que nos antecedeu. Lançaram-se na tarefa de nos actualizar com o presente da nossa espécie e da nossa civilização. Essa tarefa, sabemo-lo hoje, é infinita.

 

O material que é trabalhado pelos professores não pode ser quantificado. Não há números ou casas decimais com suficiente precisão para medi-lo. A falta de quantificação não é culpa dos assuntos inquantificáveis, é culpa do nosso desejo de quantificar tudo. Os professores não vendem o material que trabalham, oferecem-no. Nós, com o tempo, com os anos, com a distância entre nós e nós, somos levados a acreditar que aquilo que os professores nos deram nos pertenceu desde sempre. Mais do que acharmos que esse material é nosso, achamos que nós próprios somos esse material. Por ironia ou capricho, é nesse momento que o trabalho dos professores se efectiva. O trabalho dos professores é a generosidade.

 

Basta um esforço mínimo da memória, basta um plim pequenino de gratidão para nos apercebermos do quanto devemos aos professores. Devemos-lhes muito daquilo que somos, devemos-lhes muito de tudo. Há algo de definitivo e eterno nessa missão, nesse verbo que é transmitido de geração em geração, ensinado. Com as suas pastas de professores, os seus blazers, os seus Ford Fiesta com cadeirinha para os filhos no banco de trás, os professores de hoje são iguais de ontem. O acto que praticam é igual ao que foi exercido por outros professores, com outros penteados, que existiram há séculos ou há décadas. O conhecimento que enche as páginas dos manuais aumentou e mudou, mas a essência daquilo que os professores fazem mantém-se. Essência, essa palavra que os professores recordam ciclicamente, essa mesma palavra que tendemos a esquecer.

 

Um ataque contra os professores é sempre um ataque contra nós próprios, contra o nosso futuro. Resistindo, os professores, pela sua prática, são os guardiões da esperança. Vemo-los a dar forma e sentido à esperança de crianças e de jovens, aceitamos essa evidência, mas falhamos perceber que são também eles que mantêm viva a esperança de que todos necessitamos para existir, para respirar, para estarmos vivos. Ai da sociedade que perdeu a esperança. Quem não tem esperança não está vivo. Mesmo que ainda respire, já morreu.

 

Envergonhem-se aqueles que dizem ter perdido a esperança. Envergonhem-se aqueles que dizem que não vale a pena lutar. Quando as dificuldades são maiores é quando o esforço para ultrapassá-las deve ser mais intenso. Sabemos que estamos aqui, o sangue atravessa-nos o corpo. Nascemos num dia em que quase nos pareceu ter nascido o mundo inteiro. Temos a graça de uma voz, podemos usá-la para exprimir todo o entendimento do que significa estar aqui, nesta posição. Em anos de aulas teóricas, aulas práticas, no laboratório, no ginásio, em visitas de estudo, sumários escritos no quadro no início da aula, os professores ensinaram-nos que existe vida para lá das certezas rígidas, opacas, que nos queiram apresentar. Se desligarmos a televisão por um instante, chegaremos facilmente à conclusão que, como nas aulas de matemática ou de filosofia, não há problemas que disponham de uma única solução. Da mesma maneira, não há fatalidades que não possam ser questionadas. É ao fazê-lo que se pensa e se encontra soluções.

 

Recusar a educação é recusar o desenvolvimento.

 

Se nos conseguirem convencer a desistir de deixar um mundo melhor do que aquele que encontrámos, o erro não será tanto daqueles que forem capazes de nos roubar uma aspiração tão fundamental, o erro primeiro será nosso por termos deixado que nos roubem a capacidade de sonhar, a ambição, metade da humanidade que recebemos dos nossos pais e dos nossos avós. Mas espero que não, acredito que não, não esquecemos a lição que aprendemos e que continuamos a aprender todos os dias com os professores. Tenho esperança.

 

 

José Luís Peixoto, in revista Visão (Outubro, 2011)



Publicado sexta-feira, 11 de Maio de 2012 13:49 por ToolsForThinking | 0 Comentário(s)

Luís Miguel Cintra lê a Paixão de Cristo

 

Luís Miguel Cintra lê a Paixão de Cristo do Evangelho segundo São Lucas

http://vimeo.com/39780937

Publicado segunda-feira, 23 de Abril de 2012 10:27 por ToolsForThinking | 0 Comentário(s)

Cristo Ressuscitou

Aleluia! Cristo ressuscitou verdadeiramente! Venceu a morte, sendo vitorioso e dando-nos também a vitória. Ele venceu e nós também somos vencedores com Ele. Somos vitoriosos porque Deus nos deu a vitória em Jesus Cristo, o Seu Filho Unigénito. E isto não pelos nossos méritos, mas pela Sua graça.Cantemos bem alto o festivo ‘Aleluia’. Pois chegou para nós o dia sem ocaso. O sol brilha para nós apontando-nos o caminho da eternidade. Aliás, Deus leva-nos sempre em triunfo, para que espalhemos o odor do conhecimento de Deus por todo lugar por onde andarmos.Por Cristo e em Cristo somos mais que vencedores, porque através d’Ele passamos do fracasso e da derrota para a fortaleza, a vitória e o triunfo. Passamos da morte para a vida! Tudo isto Deus o fez por amor.Pode Deus permanecer num túmulo? Não, Ele ressuscitou para que tu e eu sejamos vitoriosos.Então, se somos vitoriosos, porque guardamos – para nós – os maus momentos? Por que os abraçamos? Por que os mantemos connosco? Os maus momentos, maus hábitos, egoísmo, mentiras, fanatismos, deslizes e falhas, por que os mantemos connosco? Precisamos de deixar todo este lixo aos pés da Cruz! Deus quer que façamos isto, porque sabe que não podemos viver como Ele. Só Ele é Santo. A Cruz e o túmulo vazio santifica-nos. Devemos deixar os maus momentos na Cruz e caminhar com Ele em vitória, pois Jesus não ficou no túmulo. A pedra foi removida. Deus faz mais que perdoar os pecados, Ele remove-os.Devemos deixar os maus momentos na Cruz e também os momentos ruins dos nossos irmãos que vêm até nós. Devemos amá-los. Se amamos a Deus, amamos os nossos irmãos. Como podemos aproximar-nos de Deus e pedir o Seu perdão, se nós não perdoamos aos nossos irmãos?Alguns têm boa memória para os erros dos irmãos e péssima memória para a mudança deles! Olha para o fruto que pode brotar no coração do teu irmão. Assim como tu ressuscitaste com Cristo e és nova criatura, também o teu irmão é em Cristo e com Cristo uma nova criatura!Reza e pede a Deus que apague as minhas e as tuas transgressões, bem como as do meu e teu irmão.Abandona o pecado antes que ele te contamine totalmente. Abandona o rancor, antes que ele te incite à raiva e contenda. Entrega a Deus a tua ansiedade antes que ela te iniba de caminhar com fé. Dá a Deus os teus momentos ruins. Se deixares com Deus os teus momentos ruins, só ficarão bons momentos e então Cristo terá ressuscitado em ti. E, se Cristo ressuscitou em ti, já não és tu que vives, mas é Cristo que vive no teu corpo e, se Cristo vive em ti, tudo em ti é santo, porque estás envolvido pela luz d’Aquele que verdadeiramente ressuscitou. Feliz e Santa Páscoa, com as bênçãos de Cristo Ressuscitado!

(Pde Amadeu Nogueira)

Publicado terça-feira, 10 de Abril de 2012 9:11 por ToolsForThinking | 1 Comentário(s)

Conto de Pascoa1
- Entrei ontem num templo, ali ao pé da tua casa. Deve ser um estranho culto oriental da morte. Por todo o lado havia imagens de um cadáver pendurado numa trave.
- És um brincalhão! Então finalmente foste à minha igreja! E que tal?
- Foi horrível! Nunca mais lá volto. Tanta crueldade ali, à frente de todos!
- Viste alguém a matar alguém? Ontem foi domingo. Estava cheia de famílias indo serenamente à missa.
- Isso foi o que mais me assustou. Havia imensas crianças. Ali, sob aquele homem morto quase nu. Era muito pouco educativo. Chocante, mesmo. Devia ser proibido!
- Pareces os imperadores romanos, que achavam que os cristãos comiam criancinhas. Nós não somos sangrentos. O que viste foram pessoas pacíficas, celebrando a vida e alegria. Mas de certo modo tens razão. De facto os cristãos são os campeões mundiais da mudança de perspectiva. Vivemos a vida como todos, mas damos a tudo um sentido diferente. Vivemos aqui na Terra, mas com os olhos fixos no Céu. Vivemos no mundo, mas à sombra da cruz. Só assim é possível olhar para um homem sofrendo morte horrível e ver aí a causa da nossa felicidade. Concordo que é uma interpretação difícil, mas o Cristianismo é isso mesmo: reinterpretação da vida. Chama-se conversão.
- Queres dizer que aquilo significa o contrário do que é?
- Não. Significa precisamente o que é... e muito mais. Sabes que, para entender o sentido das imagens, é preciso conhecer-lhes o enredo, a envolvente. Foi isso que me disseste há dias, quando eu criticava a violência dos desenhos animados, que na altura defendias. Até disseste que ver sofrimento era bom para a educação...
- E qual pode ser o enredo que justifique uma barbaridade daquelas?
- Não sabes? É a história do dono do mundo, do Verbo de Deus, o criador de todas as coisas, e de como veio cá à Terra. Não veio visitar, mas viver mesmo. Mudou-se para cá e nasceu como um bebé, cresceu e foi carpinteiro. Depois, mataram-nO...
- ... porque não gostavam do mundo que Ele tinha feito. Parece-me razoável.
- Não, não foi isso. Eles gostavam tanto do mundo que queriam ficar com tudo, mandar em tudo, e não admitiam o dono legítimo. Por isso O mataram.
- Mas se Ele era mesmo o dono do mundo, porque razão não os impediu? Se tinha poder total, porque não se libertou?
- E fê-lo! Mas só o quis fazer três dias depois da morte. Suportou tudo até ao fim, até à última gota. Quando já não havia dúvidas que tudo estava consumado, quando eles achavam que tinham ganho e tudo acabara, então tudo recomeçou: Jesus ressuscitou. Venceu a morte, depois de ela ter vitória total, destruindo até ao fim; até depois do fim. Assim o Seu triunfo foi completo. Assim Ele mostrou poder pleno.
- Sim, eu conheço a tradição. Mas se a vitória é Cristo ressuscitado, saindo do túmulo, por que razão não a colocam no centro dos vossos templos? Um Cristo sorridente, glorioso, pleno de força seria muito mais atraente para nós, os não-crentes. E também para vós. Podem ser os campeões mundiais da mudança de perspectiva, como dizes, mas são péssimos em marketing e publicidade. Para vender são precisas imagens positivas. Não admira que o mundo se afaste da Igreja.
- Curioso que digas isso, quando o sucesso do Cristianismo nestes 2000 anos é muito superior ao dos teus produtos com marketing de qualidade e imagens positivas. Hoje mesmo, com o mundo afastado da Igreja como dizes, nenhuma outra instituição tem mais de mil milhões de aderentes e junta todos os domingos milhares de assembleias como a que viste. Quando se tem a verdade para dar, e não coisas para vender, as técnicas de comunicação são muito diferentes.
- Mas um cadáver pendurado!?
- Com Ele nos identificamos, porque Ele se identificou connosco. Cristo já ressuscitou e subiu ao Céu, mas eu ainda não. Um dia será o tempo de ver as Suas chagas jorrarem luz na glória. Agora ainda deitam sangue, como as minhas. Devias experimentar viver a vida à sombra da cruz. Converte o significado de tudo, dores e alegrias, pela presença viva de Cristo crucificado. Assim, até nos sofrimentos, somos felizes.

João César das Neves in DN online

Publicado segunda-feira, 9 de Abril de 2012 11:02 por ToolsForThinking | 0 Comentário(s)

Sexta-feira Santa

Evangelho segundo S. João 18,1-40.19,1-42.
Naquele tempo, Jesus saiu com os discípulos para o outro lado da torrente do Cédron, onde havia um horto, e ali entrou com os seus discípulos.
Judas, aquele que o ia entregar, conhecia bem o sítio, porque Jesus se reunia ali frequentemente com os discípulos.
Judas, então, guiando o destacamento romano e os guardas ao serviço dos sumos sacerdotes e dos fariseus, munidos de lanternas, archotes e armas, entrou lá.
Jesus, sabendo tudo o que lhe ia acontecer, adiantou-se e disse-lhes: «Quem buscais?»
Responderam-lhe: «Jesus, o Nazareno.» Disse-lhes Ele: «Sou Eu!» E Judas, aquele que o ia entregar, também estava junto deles.
Logo que Jesus lhes disse: 'Sou Eu!', recuaram e caíram por terra.
E perguntou-lhes segunda vez: «Quem buscais?» Disseram-lhe: «Jesus, o Nazareno!»
Jesus replicou-lhes: «Já vos disse que sou Eu. Se é a mim que buscais, então deixai estes ir embora.»
Assim se cumpria o que dissera antes: 'Dos que me deste, não perdi nenhum.'
Nessa altura, Simão Pedro, que trazia uma espada, desembainhou-a e arremeteu contra um servo do Sumo Sacerdote, cortando-lhe a orelha direita. O servo chamava-se Malco.
Mas Jesus disse a Pedro: «Mete a espada na bainha. Não hei-de beber o cálice de amargura que o Pai me ofereceu?»
Então, o destacamento, o comandante e os guardas das autoridades judaicas prenderam Jesus e manietaram-no.
E levaram-no primeiro a Anás, porque era sogro de Caifás, o Sumo Sacerdote naquele ano.
Caifás era quem tinha dado aos judeus este conselho: 'Convém que morra um só homem pelo povo'.
Entretanto, Simão Pedro e outro discípulo foram seguindo Jesus. Esse outro discípulo era conhecido do Sumo Sacerdote e pôde entrar no seu palácio ao mesmo tempo que Jesus.
Mas Pedro ficou à porta, de fora. Saiu, então, o outro discípulo que era conhecido do Sumo Sacerdote, falou com a porteira e levou Pedro para dentro.
Disse-lhe a porteira: «Tu não és um dos discípulos desse homem?» Ele respondeu: «Não sou.»
Lá dentro estavam os servos e os guardas, de pé, aquecendo-se à volta de um braseiro que tinham acendido, porque fazia frio. Pedro ficou no meio deles, aquecendo-se também.
Então, o Sumo Sacerdote interrogou Jesus acerca dos seus discípulos e da sua doutrina.
Jesus respondeu-lhe: «Eu tenho falado abertamente ao mundo; sempre ensinei na sinagoga e no templo, onde todos os judeus se reúnem, e não disse nada em segredo.
Porque me interrogas? Interroga os que ouviram o que Eu lhes disse. Eles bem sabem do que Eu lhes falei.»
Quando Jesus disse isto, um dos guardas ali presente deu-lhe uma bofetada, dizendo: «É assim que respondes ao Sumo Sacerdote?»
Jesus replicou: «Se falei mal, mostra onde está o mal; mas, se falei bem, porque me bates?»
Então, Anás mandou-o manietado ao Sumo Sacerdote Caifás.
Entretanto, Simão Pedro estava de pé a aquecer-se. Disseram-lhe, então: «Não és tu também um dos seus discípulos?» Ele negou, dizendo: «Não sou.»
Mas um dos servos do Sumo Sacerdote, parente daquele a quem Pedro cortara a orelha, disse-lhe: «Não te vi eu no horto com Ele?»
Pedro negou Jesus de novo; e nesse instante cantou um galo.
De Caifás, levaram Jesus à sede do governador romano. Era de manhã cedo e eles não entraram no edifício para não se contaminarem e poderem celebrar a Páscoa.
Pilatos veio ter com eles cá fora e perguntou-lhes: «Que acusações apresentais contra este homem?»
Responderam-lhe: «Se Ele não fosse um malfeitor, não to entregaríamos.»
Retorquiu-lhes Pilatos: «Tomai-o vós e julgai-o segundo a vossa Lei.» «Não nos é permitido dar a morte a ninguém», disseram-lhe os judeus,
em cumprimento do que Jesus tinha dito, quando explicou de que espécie de morte havia de morrer.
Pilatos entrou de novo no edifício da sede, chamou Jesus e perguntou-lhe: «Tu és rei dos judeus?»
Respondeu-lhe Jesus: «Tu perguntas isso por ti mesmo, ou porque outros to disseram de mim?»
Pilatos replicou: «Serei eu, porventura, judeu? A tua gente e os sumos sacerdotes é que te entregaram a mim! Que fizeste?»
Jesus respondeu: «A minha realeza não é deste mundo; se a minha realeza fosse deste mundo, os meus guardas teriam lutado para que Eu não fosse entregue às autoridades judaicas; portanto, o meu reino não é de cá.»
Disse-lhe Pilatos: «Logo, Tu és rei!» Respondeu-lhe Jesus: «É como dizes: Eu sou rei! Para isto nasci, para isto vim ao mundo: para dar testemunho da Verdade. Todo aquele que vive da Verdade escuta a minha voz.»
Pilatos replicou-lhe: «Que é a verdade?» Dito isto, foi ter de novo com os judeus e disse-lhes: «Não vejo nele nenhum crime.
Mas é costume eu libertar-vos um preso na Páscoa. Quereis que vos solte o rei dos judeus?»
Eles puseram-se de novo a gritar, dizendo: «Esse não, mas sim Barrabás!» Ora Barrabás era um salteador.
Então, Pilatos mandou levar Jesus e flagelá-lo.
Depois, os soldados entrelaçaram uma coroa de espinhos, cravaram-lha na cabeça e cobriram-no com um manto de púrpura;
e, aproximando-se dele, diziam-lhe: «Salve! Ó Rei dos judeus!» E davam-lhe bofetadas.
Pilatos saiu de novo e disse-lhes: «Vou trazê-lo cá fora para saberdes que eu não vejo nele nenhuma causa de condenação.»
Então, saiu Jesus com a coroa de espinhos e o manto de púrpura. Disse-lhes Pilatos: «Eis o Homem!»
Assim que viram Jesus, os sumos sacerdotes e os seus servidores gritaram: «Crucifica-o! Crucifica-o!» Disse-lhes Pilatos: «Levai-o vós e crucificai-o. Eu não descubro nele nenhum crime.»
Os judeus replicaram-lhe: «Nós temos uma Lei e, segundo essa Lei, deve morrer, porque disse ser Filho de Deus.»
Quando Pilatos ouviu estas palavras, mais assustado ficou.
Voltou a entrar no edifício da sede e perguntou a Jesus: «Donde és Tu?» Mas Jesus não lhe deu resposta.
Pilatos disse-lhe, então: «Não me dizes nada? Não sabes que tenho o poder de te libertar e o poder de te crucificar?»
Respondeu-lhe Jesus: «Não terias nenhum poder sobre mim, se não te fosse dado do Alto. Por isso, quem me entregou a ti tem maior pecado.»
A partir daí, Pilatos procurava libertá-lo, mas os judeus clamavam: «Se libertas este homem, não és amigo de César! Todo aquele que se faz rei declara-se contra César.»
Ouvindo estas palavras, Pilatos trouxe Jesus para fora e fê-lo sentar numa tribuna, no lugar chamado Lajedo, ou Gabatá em hebraico.
Era o dia da Preparação da Páscoa, por volta do meio-dia. Disse, então, aos judeus: «Aqui está o vosso Rei!»
E eles bradaram: «Fora! Fora! Crucifica-o!» Disse-lhes Pilatos: «Então, hei-de crucificar o vosso Rei?» Replicaram os sumos sacerdotes: «Não temos outro rei, senão César.»
Então, entregou-o para ser crucificado. E eles tomaram conta de Jesus.
Jesus, levando a cruz às costas, saiu para o chamado Lugar da Caveira, que em hebraico se diz Gólgota,
onde o crucificaram, e com Ele outros dois, um de cada lado, ficando Jesus no meio.
Pilatos redigiu um letreiro e mandou pô-lo sobre a cruz. Dizia: «Jesus Nazareno, Rei dos Judeus.»
Este letreiro foi lido por muitos judeus, porque o lugar onde Jesus tinha sido crucificado era perto da cidade e o letreiro estava escrito em hebraico, em latim e em grego.
Então, os sumos sacerdotes dos judeus disseram a Pilatos: «Não escrevas 'Rei dos Judeus', mas sim: 'Este homem afirmou: Eu sou Rei dos Judeus.'»
Pilatos respondeu: «O que escrevi, escrevi.»
Os soldados, depois de terem crucificado Jesus, pegaram na roupa dele e fizeram quatro partes, uma para cada soldado, excepto a túnica. A túnica, toda tecida de uma só peça de alto a baixo, não tinha costuras.
Então, os soldados disseram uns aos outros: «Não a rasguemos; tiremo-la à sorte, para ver a quem tocará.» Assim se cumpriu a Escritura, que diz: Repartiram entre eles as minhas vestes e sobre a minha túnica lançaram sortes. E foi isto o que fizeram os soldados.
Junto à cruz de Jesus estavam, de pé, sua mãe e a irmã da sua mãe, Maria, a mulher de Clopas, e Maria Madalena.
Então, Jesus, ao ver ali ao pé a sua mãe e o discípulo que Ele amava, disse à mãe: «Mulher, eis o teu filho!»
Depois, disse ao discípulo: «Eis a tua mãe!» E, desde aquela hora, o discípulo acolheu-a como sua.
Depois disso, Jesus, sabendo que tudo se consumara, para se cumprir totalmente a Escritura, disse: «Tenho sede!»
Havia ali uma vasilha cheia de vinagre. Então, ensopando no vinagre uma esponja fixada num ramo de hissopo, chegaram-lha à boca.
Quando tomou o vinagre, Jesus disse: «Tudo está consumado.» E, inclinando a cabeça, entregou o espírito.
Como era o dia da Preparação da Páscoa, para evitar que no sábado ficassem os corpos na cruz, porque aquele sábado era um dia muito solene, os judeus pediram a Pilatos que se lhes quebrassem as pernas e fossem retirados.
Os soldados foram e quebraram as pernas ao primeiro e também ao outro que tinha sido crucificado juntamente.
Mas, ao chegarem a Jesus, vendo que já estava morto, não lhe quebraram as pernas.
Porém, um dos soldados traspassou-lhe o peito com uma lança e logo brotou sangue e água.
Aquele que viu estas coisas é que dá testemunho delas e o seu testemunho é verdadeiro. E ele bem sabe que diz a verdade, para vós crerdes também.
É que isto aconteceu para se cumprir a Escritura, que diz: Não se lhe quebrará nenhum osso.
E também outro passo da Escritura diz: Hão-de olhar para aquele que trespassaram.
Depois disto, José de Arimateia, que era discípulo de Jesus, mas secretamente por medo das autoridades judaicas, pediu a Pilatos que lhe deixasse levar o corpo de Jesus. E Pilatos permitiu-lho. Veio, pois, e retirou o corpo.
Nicodemos, aquele que antes tinha ido ter com Jesus de noite, apareceu também trazendo uma mistura de perto de cem libras de mirra e aloés.
Tomaram então o corpo de Jesus e envolveram-no em panos de linho com os perfumes, segundo o costume dos judeus.
No sítio em que Ele tinha sido crucificado havia um horto e, no horto, um túmulo novo, onde ainda ninguém tinha sido sepultado.
Como para os judeus era o dia da Preparação da Páscoa e o túmulo estava perto, foi ali que puseram Jesus.

 

Da Bíblia Sagrada - Edição dos Franciscanos Capuchinhos - www.capuchinhos.org

 

Publicado sexta-feira, 6 de Abril de 2012 10:48 por ToolsForThinking | 0 Comentário(s)

Pass Over Páscoa
Livro de Êxodo 12,1-8.11-14.
Naqueles dias, o Senhor disse a Moisés e a Aarão na terra do Egipto:
«Este mês será para vós o primeiro dos meses; ele será para vós o primeiro dos meses do ano.
Falai a toda a comunidade de Israel, dizendo que, aos dez deste mês, tomará cada um deles um animal do rebanho para a família, um animal do rebanho por casa.
Se a família for pouco numerosa para um animal do rebanho, tomar-se-á com o vizinho mais próximo da casa, segundo o número das pessoas; calculareis o animal do rebanho conforme o que cada um puder comer.
O animal do rebanho para vós será sem defeito, um macho, filho de um ano, e tomá-lo-eis de entre os cordeiros ou de entre os cabritos.
Vós o tereis sob guarda até ao dia catorze deste mês, e toda a assembleia da comunidade de Israel o imolará ao crepúsculo.
Tomar-se-á do sangue e colocar-se-á sobre as duas ombreiras e sobre o dintel da porta das casas em que ele se comerá.
Comer-se-á a carne naquela noite; comer-se-á assada no fogo com pães sem fermento e ervas amargas.
Comê-la-eis desta maneira: os rins cingidos, as sandálias nos pés, e o cajado na mão. Comê-la-eis à pressa. É a Páscoa em honra do Senhor.
E Eu atravessarei a terra do Egipto naquela noite, e ferirei todos os primogénitos na terra do Egipto, desde os homens até aos animais, e contra todos os deuses do Egipto farei justiça, Eu, o Senhor.
E o sangue será para vós um sinal nas casas em que vós estais. Eu verei o sangue e passarei ao largo; e não haverá contra vós nenhuma praga de extermínio, quando Eu ferir a terra do Egipto.
Aquele dia será para vós um memorial, e vós festejá-lo-eis como uma festa em honra do Senhor. Ao longo das vossas gerações, a deveis festejar como uma lei perpétua.

Publicado quinta-feira, 5 de Abril de 2012 12:00 por ToolsForThinking | 0 Comentário(s)

Deixar Fazer
CÉSAR DAS NEVES
DN201200319

O Governo está empenhado em profundas reformas. Como os anteriores. Fazemos reformas estruturais e definitivas há décadas e as coisas só pioram. Um exemplo simples do sector mais reformado, a educação, mostra o que falta.
Pode aprender-se com o irmão do vilão? Não há país mais odiado que os EUA e ninguém mais detestado que George W. Bush. Mas o seu irmão John Ellis ("Jeb"), governador da Florida de 1999 a 2007, tem a seu favor uma excelente reforma educativa. Em poucos anos conseguiu, quase sem gastar mais dinheiro, passar as escolas do estado das piores para as melhores do país.
O método seguiu cinco passos: "Primeiro, a Florida começou a classificar as escolas de A a F, segundo a capacidade e progresso dos alunos em testes anuais de leitura, escrita, matemática e ciência. O estado dá dinheiro adicional às escolas que têm A ou melhoram a sua classificação, e os alunos das escolas que tenham dois Fs em quatro anos podem transferir-se para escolas melhores. Segundo, a Florida deixou de permitir que os alunos do terceiro ano que mal consigam ler passem para o quarto (prática comum em toda a América, chamada "promoção social"). Terceiro, criou um sistema de pagamento de mérito, no qual os professores cujos alunos passem certos exames recebem bónus. Quarto, dá aos pais muito mais escolha, com cheques estaduais, entre escolas públicas, convencionadas, privadas e até online. Quinto, a Florida criou novos métodos de certificação para atrair pessoas mais talentosas para a profissão, mesmo que essas pessoas não tenham um grau académico específico em educação" (The Economist, 25/Fev, p. 41; ver o site da fundação do ex-governador, www.excelined.org).
Este é um caso entre vários, não muito original, mas mostra o essencial. Tem coisas parecidas com o que por cá tenta o senhor Ministro da Educação, mas uma diferença essencial: confiança nas pessoas. Na Florida acha-se que alunos, pais e professores sabem o que é melhor, e o Estado apenas os ajuda nesse esforço. Note-se que esta não é uma solução liberal. Continua a haver escolas públicas e o Estado tem enorme intervenção, classificando, subsidiando, bonificando. Mas a atitude de fundo é subsidiária, dando primazia à sociedade como agente e finalidade, não à genialidade do especialista que julga saber. Por exemplo, em Portugal avaliam-se professores, na Florida avalia-se o seu trabalho. Cá criamos exames para promoção na carreira, lá usam-se os testes dos alunos para premiar os docentes.
O problema entre nós é que eleitores, jornais, partidos e os próprios ministros acham mesmo que a questão se resolve com políticas. É esta atitude de partida, cheia de ingénua boa vontade, que as condena à irrelevância. O papel essencial do Estado na sociedade é ser Estado, não sociedade. Governar, não fazer ou mandar fazer. A sua função é deixar fazer. O Governo não promove crescimento, cria emprego, educa crianças, trata doentes ou julga criminosos. Isso fazem os cidadãos nas profissões. O Estado apenas gere uma estrutura que apoia a sociedade nessas actividades. Mas tem de começar por compreender que quem sabe é o povo.
Faz parte da tradição nacional ver o Governo como salvador. Depois segue-se o calvário habitual. Começam com estudos, que se empilham em cima de centenas de anteriores. Vêm então as comissões pensar maduramente e descobrir ideias geniais, que os antecessores já tinham tido. Passa-se então à acção com medidas sobre o povo, por hipótese boçal e ignaro, que deveria esperar atenta e ansiosamente a solução milagrosa. No final corre tudo mal, a reforma revolucionária fica capturada pelos interesses instalados de sempre e muda-se o ministro por outro, que será o salvador. Até agora ainda não tivemos um governo que à partida soubesse o mais importante da política: que ele e as suas reformas são parte do problema.
O Estado põe-se à frente e depois o país não anda, porque ele não sai da frente. Neste tempo tão nebuloso há apenas duas previsões seguras: haverá muitas reformas e vão quase todas falhar.
naohaalmocosgratis@ucp.pt
Por decisão pessoal, o autor do texto não escreve segundo o novo Acordo Ortográfico.

Publicado segunda-feira, 19 de Março de 2012 10:40 por ToolsForThinking | 0 Comentário(s)

O meu 13. livro

É com gosto que anuncio a publicação do meu 13. livro:

 Exercícios resolvidos com Excel para Economia & Gestão. 4ª edição atualizada e aumentada.

 Descrição em www.fca.pt

Publicado terça-feira, 13 de Março de 2012 12:09 por ToolsForThinking | 0 Comentário(s)

Palavrões na sala de aula

Exmo Senhor Ministro da Educação e Ciência

Os meus melhores cumprimentos.

Ontem, fui a uma reunião de encarregados  de educação de uma escola do
Porto. Mal entrei na sala de aula, li , na parte da frente de uma
carteira, um palavrão começado por P. Perguntei se as salas não eram
limpas e a professora respondeu-me que aquele palavrão não saía porque
estava escrito com corretor.

Por ironia, a reunião, entre outros
problemas, versou também uma aluna que numa aula que decorreu com
grande balbúrdia, disse um palavrão começado por F.
A carteira foi ocupada inadevertidamente pela Mãe de uma aluna.

Qual é a graduação da gravidade dos palavrões na sala de aula? P.
escrito é menos grave do que F. oral numa aula  que o professor deixa
transformar numa feira?

Atenciosamente
Adelaide Carvalho

Publicado terça-feira, 6 de Março de 2012 14:18 por ToolsForThinking | 0 Comentário(s)

A caridade
A caridade é paciente, a caridade é benigna; não é invejosa, não é altiva nem orgulhosa; não é inconveniente, não procura o próprio interesse; não se irrita, não guarda ressentimento; não se alegra com a injustiça, mas alegra-se com a verdade; tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. O dom da profecia acabará, o dom das línguas há-de cessar, a ciência desaparecerá; mas a caridade não acaba nunca. De maneira imperfeita conhecemos, de maneira imperfeita profetizamos. Mas quando vier o que é perfeito, o que é imperfeito desaparecerá. Quando eu era criança, falava como criança, sentia como criança e pensava como criança. Mas quando me fiz homem, deixei o que era infantil. No presente, nós vemos como num espelho e de maneira confusa; então, veremos face a face. No presente, conheço de maneira imperfeita; então, conhecerei como sou conhecido. Agora permanecem estas três coisas: a fé, a esperança e a caridade; mas a maior de todas é a caridade. S. Paulo, 1 Cor 13, 4-13

Publicado segunda-feira, 20 de Fevereiro de 2012 11:19 por ToolsForThinking | 0 Comentário(s)

A word on Statistics
Out of every hundred people,

those who always know better:
fifty-two.

Unsure of every step:
almost all the rest.

Ready to help,
if it doesn't take long:
forty-nine.

Always good,
because they cannot be otherwise:
four -- well, maybe five.

Able to admire without envy:
eighteen.

Led to error
by youth (which passes):
sixty, plus or minus.

Those not to be messed with:
four-and-forty.

Living in constant fear
of someone or something:
seventy-seven.

Capable of happiness:
twenty-some-odd at most.

Harmless alone,
turning savage in crowds:
more than half, for sure.

Cruel
when forced by circumstances:
it's better not to know,
not even approximately.

Wise in hindsight:
not many more
than wise in foresight.

Getting nothing out of life except things:
thirty
(though I would like to be wrong).

Balled up in pain
and without a flashlight in the dark:
eighty-three, sooner or later.

Those who are just:
quite a few, thirty-five.

But if it takes effort to understand:
three.

Worthy of empathy:
ninety-nine.

Mortal:
one hundred out of one hundred --
a figure that has never varied yet.


Wislawa Szymborska won the 1996 Nobel Prize for literature

Publicado sábado, 18 de Fevereiro de 2012 16:58 por ToolsForThinking | 0 Comentário(s)

Sobre a Vírgula
 
Vírgula pode ser uma pausa... ou não.
Não, espere.
Não espere..
Ela pode sumir com seu dinheiro.
... 23,4.
2,34.
Pode criar heróis..
Isso só, ele resolve.
Isso só ele resolve.
Ela pode ser a solução.
Vamos perder, nada foi resolvido.
Vamos perder nada, foi resolvido.
A vírgula muda uma opinião.
Não queremos saber.
Não, queremos saber.
A vírgula pode condenar ou salvar.
Não tenha clemência!
Não, tenha clemência!
Uma vírgula muda tudo.
ABI: 100 anos lutando para que ninguém mude uma vírgula da sua informação
(desconheço o autor)

Publicado sábado, 18 de Fevereiro de 2012 16:53 por ToolsForThinking | 0 Comentário(s)

Much ado about nothing (W. Shakespeare)

Conversa fiada

Público 2012-02-12  Vasco Pulido Valente

Os portugueses "reúnem" com um zelo e uma frequência quase patológica. Mas parece que não se acostumaram ainda ao ritual de uma reunião: dizer mal do chefe, preparar meia dúzia de intrigas, combinar o que se vai dizer e como se vai votar, fingir que se "está por dentro" e já se decidiu o que há formal e expressamente a decidir. Isto enquanto se espera. A conversa entre Vítor Gaspar e Wolfgang Schäuble foi típica da ocasião e do ambiente e não acrescenta nada (excepto talvez na cabeça de Seguro) ao que toda a gente sabia sobre a necessidade e a hipótese de um ajustamento do programa da troika para Portugal. O que não impediu horas de conversa na televisão e dezenas de artigos nos jornais, que não conseguiram esclarecer coisa nenhuma e só serviram para acariciar o ego dos peritos.

E também - é bom não esquecer - para o obrigatório acesso de dignidade nacional. Vítor Gaspar teria sido "servil", Wolfgang Schäuble "paternalista" e "arrogante", atitudes completamente estranhas num país como o nosso, onde a independência e o respeito pelo próximo são uma característica nacional, bem conhecida e apreciada no mundo inteiro. Houve mesmo quem acusasse Vítor Gaspar de se inclinar (ou ajoelhar) perante Schäuble, como se Schäuble não andasse numa cadeira de rodas; e de o ouvir durante dois minutos com paciência e boa educação. O indígena não desculpa estas vergonhosas fraquezas. Ele que nunca esquece a grandeza de Portugal e a história exemplar que nos trouxe a este beco sem saída. E que também não compreendeu o principal.

Ou seja, que as supostas "declarações" de Schäuble e as respostas cerimoniosas de Gaspar não comprometem nem um nem outro, se amanhã resolverem mudar radicalmente de posição, por conveniência ou por necessidade. Um intervalo de simpatia inócua não muda, ou pode mudar, a essência da questão. No Conselho de Ministros de Berlim ou no de Lisboa, ninguém o levará a sério. De resto, Pedro Passos Coelho e o próprio Gaspar não se afastaram um milímetro da política que o Governo até agora definiu e repete a cada oportunidade: Portugal não precisa de mais tempo ou de mais dinheiro e, tirando uma catástrofe europeia (que não está na sua mão evitar), não os pedirá. O primeiro-ministro não é suficientemente ingénuo para acreditar que uma salvação gratuita ou a simples promessa de um pequeno adiamento não acabassem num segundo com a disciplina e as reformas, que em princípio nos tirarão de apuros. Com o seu arzinho de seminarista, é de resto o que Seguro quer.

Publicado segunda-feira, 13 de Fevereiro de 2012 10:38 por ToolsForThinking | 1 Comentário(s)

A "Dama de Ferro"

Segunda-feira, 13 de Fevereiro de 2012

 A "Dama de Ferro"

Publico 2012-02-13
João Carlos Espada
Em boa verdade, Margaret Thatcher nunca quis, nem precisou, de ser amada por todos

Chegou finalmente a Lisboa o já tão discutido filme sobre Margaret Thatcher. O Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica escolheu-o para inaugurar o ciclo sobre "o filme político" que, à semelhança dos velhos cineclubes universitários, irá decorrer durante o presente semestre lectivo. Foi um bom começo.

Será difícil fazer justiça ao extraordinário desempenho de Meryl Streep no papel da "Dama de Ferro". Mais discutível é sem dúvida a escolha do realizador, ao centrar o filme na fase final da vida de Thatcher, cuja reconstituição tem sido questionada por vários observadores que lhe são próximos. Mas, como escreveu Charles Moore, o biógrafo autorizado de Thatcher, na Spectactor, a magistral representação de Meryl Streep acaba por humanizar a "Dama de Ferro", talvez mesmo aos olhos dos que "adoraram odiá-la".

Só que, em boa verdade, Margaret Thatcher nunca quis, nem precisou, de ser amada por todos. Só os líderes totalitários, ou os líderes fracos, de que os totalitários são em regra um subgrupo, precisam do aplauso geral. Aos líderes democráticos com verdadeiro sentido de liderança, basta-lhes o apoio da maioria e a crítica livre da oposição. Margaret Thatcher obteve isso mesmo, com um bónus: alcançou três maiorias absolutas e, como candidata a primeira-ministra, nunca perdeu uma eleição popular - facto que aliás me recordou, quando tive a honra de conversar com ela, há uns dez anos, nos Cabinet War Rooms, em Londres, por ocasião do lançamento de um livro sobre Churchill, de quem era incondicional admiradora.

Mas também não foram só três maiorias absolutas o que Margaret Thatcher alcançou. Como escrevi neste mesmo jornal há mais de vinte anos, em 27 de Novembro de 1990, no exacto dia da segunda volta da eleição para a chefia do Partido Conservador após a saída de Thatcher, "o balanço do reinado da sra. Thatcher é bastante mais simples do que tem sido dito e pode ser descrito assim: antes dos mandatos de Thatcher e Reagan, discutiam-se modelos para um "socialismo de rosto humano". Depois deles, discutem-se modelos para "um capitalismo de rosto humano". A meu ver, o progresso foi inestimável."

O trabalhista Tony Blair concordaria certamente com esta observação, de que ele foi um dos melhores exemplos. Ele aboliu a famosa cláusula IV do programa do Partido Trabalhista, na qual se reclamava a colectivização dos principais meios de produção. E declarou que a esquerda moderna já não aspirava a uma espécie de colectivismo democrático, mas apenas a uma redistribuição mais justa da riqueza produzida por uma economia de mercado - a qual, reconheceu, constitui o melhor mecanismo para gerar riqueza e liberdade. Esta foi, sem dúvida, uma das principais e mais duradouras vitórias da Sra. Thatcher.

Outra grande vitória, que protagonizou com Ronald Reagan e, noutra dimensão, com João Paulo II, foi a queda do muro de Berlim e a implosão do império soviético. Hoje, quase todos esses países, embora ainda não todos, dispõem de economias de mercado e democracias liberais. Passaram a existir partidos livre, uns mais à direita, outros mais à esquerda. E o que eles discutem não é como criar um socialismo de rosto humano, mas, mais precisamente, que políticas adoptar para ter um capitalismo de rosto humano. Para avaliar a diferença, basta perguntar a um polaco, ou a um checo, ou a um eslovaco, ou a um cidadão de uma das repúblicas bálticas.

Em rigor, Margaret Thatcher e Ronald Reagan não exprimiram primordialmente uma vitória da direita sobre a esquerda. Exprimiram e alcançaram uma vitória do bom senso do homem da rua sobre as ideologias colectivistas que tinham embriagado, ou amedrontado, boa parte das elites ocidentais durante a década de 1970. Thatcher e Reagan fizeram-no sem dúvida partindo da direita. Bill Clinton e Tony Blair completaram o regresso do bom senso, partindo da esquerda.

É certamente uma ironia que, 22 anos após a saída de Thatcher, o mundo ocidental se confronte com uma situação tão semelhante à que ela enfrentou em 1979: Estados falidos, crescimento medíocre ou inexistente, desemprego-recorde, impostos altos. Quem disse que a mensagem de Margaret Thatcher estava ultrapassada?

Publicado segunda-feira, 13 de Fevereiro de 2012 10:26 por ToolsForThinking | 0 Comentário(s)

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