Joselito e Belmonte
Em 16 de Maio de 1920, na Praça de Toiros de Talavera de la Reina, ao
lidar o toiro “Bailador” da ganadaria de viúva de Ortega, foi colhido de morte
o matador de toiros Rafael Ortega Gómez “Gallito” ou “Joselito”.
Há muitos anos e em sinal de
luto, os toureiros que actuam no dia 16 de Maio fazem o “passeillo”
“desmonterados” (com as monteras nas mãos) e faz-se um minuto de silêncio.
Tradição que não deveria ser
esquecida, porque a morte na arena de “Joselito” representou uma perda
irreparável na “época de oiro” da tauromaquia de Espanha.

“Tauroética” é o título de um interessante livro, publicado
em Espanha em Outubro de 2010 e a 2ª. edição em Novembro do mesmo ano, onde se pode ler na contra-capa:
“Quienes piden que se prohíba la fiesta taurina no
lo hacen por razones estéticas ni dudan de que sea tradicional sino que
cuestionan su moralidad. A fin de cuentas, se trata de una cuestión filosófica,
no folclórica o sentimental. En ella se centra este libro. No es un legato a
favor de las corridas de toros, sino contra las argumentaciones moralistas de
quienes quieren surprimirlas. Sobre todo, es una reflexión sobre nuestras relaciones
com los animales y la diferencia esencial entre los miramientos que debemos tener
com ellos y las obligaciones éticas que tenemos com los humanos.”
O Autor, Fernando Savater, foi durante 30 anos professor de filosofia
no País Basco e também em Madrid. Aficionado da tourada, mas a sua paixão
predominante está nas corridas de cavalos.

Julián López
Escobar “El Juli”
O grande ausente da
Feira de Abril de 2012 em Sevilha

Numa das suas cartas inseridas no livro “P´ra
que a terra não esqueça”, João Cortesão escreveu ao cavaleiro francês
Luc Jalabert: “…o teu valor como
toureiro, que te tornou a maior referência desta arte em França, podendo
dizer-se sem exagero que representas aí o que Núncio representa em Portugal e
Angel Peralta em Espanha.”
Este livro de João Cortesão que foi editado em
2010, é de leitura muito agradável com diversas cartas a amigos, numa feliz
iniciativa que descobre e relembra factos passados com o Autor – aficionado de
primeira água – e alguns amigos, também eles ligados à Festa Brava e que são
mais ou menos conhecidos de todos os que em Portugal andam ou andaram neste
mundo dos toiros.
Nesta carta a Luc Jalabert faz, entre outras, as
seguintes observações:
[…] Toureaste em
Madrid três vezes, no Campo Pequeno cinco, além de Barcelona, Valência e na
mítica Feira da Moita, onde ganhaste o prémio para a melhor actuação em 1981 ou
1982 (não tenho a certeza do ano). Tomaste com a maior dignidade a alternativa
no Campo Pequeno.
[…] Ninguém
divulgou o cavalo Português em França como tu. No ano do eclodir da peste em
Espanha, só no último dia da feira da Golegã comprámos com Pellen 19 cavalos, a
que juntámos nos dois dias seguintes mais 11, tendo tu fretado um avião que os
levou para Marselha, onde os recolheste, para dois meses depois comprares mais
30 e fretares outro avião, e mais seriam se a peste não nos tem igualmente
batido à porta.
[…] De homens
notáveis como tu é imperioso que se escreva “p´ra que a terra não esqueça”.
Quem não deve esquecer de ler este livro são os
aficionados ao toiro e ao cavalo, a quem recomendo a leitura.
Eu já o reli!
O cavaleio Luc Jalabert
Eva Joly - ecologista
A candidata às presidenciais francêsas, Eva Joly, defende a tauromaquia:
A
candidata ecologista às eleições presidenciais francesas proferiu, no ano
passado, as seguintes declarações:
"A Corrida de Toiros é muito popular no Sul da Europa" e acrescenta
"onde faz realmente parte da cultura".
Também no que respeita à caça afirmou: "trata-se de uma prática ancestral
e fortemente implantada em certas regiões, por isso a minha resposta é a mesma
(do que a dada para a Corrida). Prende-se com o respeito pelas culturas locais,
regionais, pelas identidades culturais."
"Na verdade, qualquer pessoa que tenha um conhecimento mínimo da realidade
percebe que o animalismo é o oposto do ecologismo. E qualquer pessoa que tenha
um conhecimento mínimo sobre o que é um Estado de Direito Democrático percebe
que o ataque à Festa Brava mais não é do que um ataque à Cultura, à Identidade
e à Liberdade dos povos que a vivem!"

SORTE DE VARAS
No
Regulamento espanhol está acautelada a possibilidade de se inutilizarem todos
os picadores durante a lide e, nesse caso, deve prosseguir a lide dos restantes
toiros considerando-se suprimida a sorte de varas.

É importante incrementar o toureio a
pé em Portugal, com corridas mistas.
Aqui está um
bom cartaz de um Festival tauromáquico, com toureio a cavalo e pegas e também
toureio a pé.
De notar que
estão anunciadas e em primeiro plano as ganadarias. Nada mais certo, porque sem
toiros pode-se fazer tudo, menos uma tourada e, muitas vezes, os empresários
esquecem-se deste pormenor.
Aos toiros a
Vila Franca no dia 1 de Abril !

O toiro visto da bancada tem um determinado tamanho, da
trincheira outro e lá dentro, na arena, é enorme.
Enorme coração tem quem
consegue estar serenamente em frente dele.
Alguns, mesmo sentados na
bancada, perdem a serenidade e explicam, lá de cima, como os outros deveriam
fazer lá em baixo.
Outros, mais modernos e
assustados e também extravagantes, vestidos de preto – de luto pelas rezes que
irão ser lidadas – interiorizam que são toiros e berram, apitam e gritam nas imediações
da Monumental do Campo Pequeno, convencidos que estão a acabar com toureiros e
touradas. Mal começa a corrida, eles e elas, obedecendo ao chefe, destroçam e lá
desaparecem pela Avenida da República pensando que fizeram algo de interessante
a favor da bovinicultura e aguardando mais uma noite de quinta-feira para
voltar a apitar, gritar e esbracejar, mas sempre com o abrigo e protecção dos
polícias que deles tomam conta.
Há também os políticos,
que para estarem politicamente correctos, preferem nem falar no assunto e não
serem vistos às quintas-feiras num raio de 2 km a partir do centro da arena do
Campo Pequeno. Mas há excepções e boas. Como por exemplo o Dr. Paulo Portas (Ministro dos Negócios Estrangeiros), a Drª. Gabriela
Canavilhas (ex-Ministra da Cultura), o Dr. Francisco Moita Flores (Presidente
da Câmara de Santarém) o Dr. António Costa (Presidente da Câmara de Lisboa) e
principalmente o Dr. Elísio Summavielle (ex-Secretário de Estado da Cultura).
Olé!

"Citando a bandarillas" - Pablo Picasso
Para
quem não está identificado com a tauromaquia, as bandarilhas podem parecer uma
crueldade.
Só que
o toiro é um lutador e também pode matar.
As
bandarilhas servem para excitar e avivar o toiro.
No
caso do toureio a pé pode verificar-se algumas características do toiro na
sorte de bandarilhas:
--se
arranca a galope, que é o ideal.
--se
se torna distraído e tardo na arrancada.
--se
não se distrai e investe rápido.
--se
arranca de largo ou se prefere fazê-lo em curto.
--se
na saída da sorte corta o terreno, etc
No
caso do toureio a cavalo, dificilmente será executada uma lide perfeita sem as
bandarilhas, porque provavelmente o toiro se desinteressa e deixa de investir.

No começo do Séc. XIX era
chamado para dirigir a tourada um aficionado de prestígio a que se chamava
"Inteligente".
Assim, nos registos dessas
épocas e já no Séc. XX, podemos verificar os convites para a Praça de Toiros de Santarém a Nuno
Infante da Câmara, Eduardo Sequeira, José Maria Antunes, João Marcellino de
Azevedo, Victorino Froes e outros excelentes aficionados, que não eram remunerados mas a quem a
Empresa oferecia uma prenda.
Mais tarde as nomeações
passaram a ser feitas pela Direcção-Geral dos Espectáculos e ao "Inteligente"
passou a denominar-se "Director da Corrida", que era em geral um
antigo toureiro.
Presentemente essa nomeação é
feita pela Inspecção-Geral das Actividades Culturais, tendo os candidatos de
prestar determinadas provas relacionadas com o conhecimento do toureio em geral
e com o Regulamento do Espectáculo Tauromáquico.
Desde a chegada dos toiros à
Praça, coordenação do sorteio dos toiros, manutenção da ordem e orientação de
todo o espectáculo, a responsabilidade é do "Director da Corrida" que
é assessorado por um médico-veterinário e pelo comandante da polícia.
Nos meios tauromáquicos de
Portugal o "Director da Corrida" continua hoje a ser conhecido por
"Inteligente”.

Há certamente políticos que são
aficionados, outros que se interessam pelo fenómeno tauromáquico que envolve um
factor económico importante, alguns olham para a tourada como podem olhar
para outra manifestação artística e, ainda outros, que a consideram como
espectáculo com interesse relativo.
Só que, deste conjunto, a maioria
quer estar numa posição à moda de Bruxelas e não defendem a tauromaquia como
fazendo parte da cultura nacional. Pelo menos é isso que se tem notado.
Em contrapartida há os outros que
são completamente contra as corridas de toiros - como aconteceu no Município de
Viana do Castelo - e pensam que o país pode estar retalhado e ter leis
diferentes, mesmo sem a tal regionalização.
Esses são antitouradas em part-time,
muito activos e apoiantes das manifestações nas imediações das Praças de
Toiros, principalmente se essas manifestações tiverem muita visibilidade
televisiva.

Neste belo cartaz do
encerramento da época tauromáquica na Praça de Toiros Armillita, em Saltillo
(México), onde foram anunciados 6 toiros da ganadaria D’Guadiana, apresentou-se
pela primeira vez a cavaleira Ana Batista e também o Grupo de Forcados Amadores
do Aposento do Barrete Verde de Alcochete que alternou com os Forcados de
Mazatlán que são, provavelmente, o Grupo de Forcados Amadores mais prestigiado
do México, o 2º. país do Mundo onde há mais interesse pela arte de pegar
toiros.
No cartel estavam também anunciados os espadas El Zapata e El Chihuahua.
Mas a curiosidade do cartaz está relaciona com a entrada grátis para as
mulheres e crianças nos Sectores de Sol.
Ora aqui está uma boa ideia que deveria ser aproveitada pelas empresas
tauromáquicas em Portugal no próximo magro ano de 2012, onde com muitíssima
dificuldade se irão encher as Praças em virtude da crise financeira que
se irá prolongar por alguns anos. Assim será mais fácil as famílias se dirigirem às Praças de Toiros nos dias de corrida.

Em 15 de Outubro de 1928 houve corrida de toiros na Praça de
Santarém tendo actuado os cavaleiros José Casimiro de Almeida, Manuel Casimiro
de Almeida e José Casimiro Júnior.
A notícia inserida num jornal de Santarém não é tanto para
fazer algum comentário sobre as características dos toiros que foram lidados, das
actuações dos cavaleiros ou apreciação das pegas.
O motivo da notícia, só estava relacionado com um Grupo de
Forcados do Cartaxo:
“Houve um protesto
de greve dos forcados, tendo a polícia que intervir para os obrigar ao
contrário”.
O cabo do Grupo era o forcado profissional Luís Martins e no
dia anterior o Grupo esteve anunciado e actuou na mesma Praça de Toiros.
Talvez a sugestão de “greve” por parte do cabo dos forcados
tenha estado relacionado com algum incumprimento da parte da empresa, mas pela
notícia do jornal só se ficou a saber que a polícia os obrigou a pegar os
toiros.
Quer dizer, já por cá alguém governava que não gostava de
greves e que estas não se podiam estender às arenas.
Ignacio Sánchez Mejias (1891 - 1934)
Ignacio Sánchez Mejias foi actor cinematográfico, escritor teatral, jogador de polo, automobilista e toureiro. Na década de 1910 consagrou-se como bandarilheiro na quadrilha de Joselito. Em 1919 recebeu a alternativa de matador de toiros. Em 11 de Agosto de 1934 substituiu Domingo Ortega numa corrida de toiros onde estava anunciado em Manzanares (Ciudad Real) tendo sido colhido de morte pelo toiro "Granadino". Federico García Lorca dedicou-lhe o poema "Llanto por Ignacio Sánchez Mejias". Aqui fica um poema da mexicana María Isabel Galván Rocha:
Sangre revuelta
Eras tú, Federico, querubín de letras amadas, fue la espada, la que pronunciaste en tu desvelo, hacia la memoria del torero caído, tu amigo del oscuro dolor volviste en efigie renovada.
Sangre revuelta sobre la arena,
infinita sensación de desmayo, acrisoló marejadas de la pérdida, así llegaste tú, sincero devoto de la verdad, amante de claras oscuridades.
Lloraste del torero su último desempeño, en el otoñal crepúsculo enervante, dibujaste del toro, perfiles de tinieblas en asombro, y el hombre, en su sentir, tras la bestia.

Faleceu ontem em Madrid Antonio Chenel Albadalejo “Antoñete”, matador de
toiros que foi uma notável figura da tauromaquia.
Paz à sua alma.
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