Qual o papel da Comunicação Social na Sociedade?
A Comunicação Social, ao longo dos tempos, tem promovido sábios, sedutores, políticos, monstros e mitos. Na maior parte das vezes, pela notícia vendável e lucrativa, tem esquecido a procura e a adopção da coerência que constitui a Razão.
Ao recordar o que deveria ser, lembro-me que os gatos são os animais mais estranhos, domesticados pela argúcia e pelo engenho do seu dono. Há quem veja neles espíritos revelados que não sacrificam os seus instintos ferozes aos costumes e aos hábitos que o homem lhe impõe. Por isso o torna incompreendido pelos seus donos e amigos nas suas queixas e observações.
Tudo isto levanta questões e poderá levar a algumas reflexões.
Os cidadãos e os jornalistas quando chegarem ao real pluralismo de mónadas, efectivamente livres e activos, estarão em condições de garantir a informação da realidade pela máxima racionalização.
A realidade terá que constituir, desde logo, a pronta afirmação da liberdade, a qual não poderá mutilar ou esquecer as oposições sensíveis.
A Comunicação Social terá que constituir-se como “sensação” que nós, sujeitos, fixamos mais vigorosamente. Tem que observar as manifestações dos cidadãos e fixar uma ordem de orientação, isenta, que a direccione à difusão do Bem como um todo, necessário e essencial ao progresso de toda a Sociedade. Deverá observar, ainda, a “realidade do mundo sensível” como matéria de reflexão comum que ajudará à construção do sucesso.
Os seus agentes, os jornalistas, não deverão ignorar a coerência interna do seu pensamento, caso contrário a sua produção será especulativa e promoverá outros fins que não os previstos na sua deontologia.
A sua “memória” deverá constituir-se como o pedagogo, apelativa ao bom senso, à coerência e promover uma força geradora de Razão e abominar a especulação. Caso contrário confrontar-se-á com posições espinhosas que não se articulam com as essenciais e reais necessidades dos seus leitores.
A aceitação da crítica é a impressão incompleta da verdade, a qual representa a construção levada a cabo por todas as investigações e reflexões sobre o domínio que pretendemos abordar. Assim não sendo, não estará a aceitar a falha da sua intuição que se opõe ao saber discursivo e analítico, o qual poderá ser considerado fragmentário, incompleto e exterior ao que se considera pureza original da vida.
Terá que procurar sempre uma posição crítica para poder alcançar a sua “imortalidade” jornalística, caso contrário a sua perspectiva constitui uma “coisa” que, apenas, conseguirá revelar uma monstruosidade que jamais se conseguirá conter e, assim, a notícia teve, tem e terá um efeito preverso com consequências imprevistas e que poderá fazer perigar a defesa da “Liberdade”.
O situacionismo é sempre efémero, mutável e moldável por estar sujeito a intervenções, ao crescimento e à imprevisibilidade.
A notícia não poderá, nunca, ser geometrizada. Se o for suscitará desconfiança, pois não é livre, nem espontânea.