aroma de ti
Dois dias já passaram sem que os teus olhos se voltasse a cruzar com os meus. Poderia ter sido apenas mais uma circunstância das muitas que a multidão me tem dado, um sinal de alerta para a necessidade de continuarmos vivos. Podia.
Mas porque sinto o medo. A incerteza, não me esqueço de lembrar cada segundo que passou. Inicio uma contagem rumo ao infinito até te voltes a olhar com as mesmas duas flechas que me atingiram e causaram dados irreparáveis no tesouro mais bem guardado pela fortaleza da vida.
A prepotência de batalhas antigas, as feridas do passado frio e sombrio, as memórias dos becos sem saída onde tantas vezes entrei e me recusei a sair, faziam-me acreditar na imunidade para a paixão. Hipocrisia egocêntrica imatura e irresponsável. Agora será pior.
E se tu não me olhares mais? Volto a entrar nos labirintos de onde nunca quis sair, volto à praia contar grãos de areia até me dar conta que o tempo passou e o mar levou as minhas mágoas para bem longe? o que faço eu quando os teus olhos procurarem outra luz, nem sei para onde olhas agora.
Voltaste a pensar que és capaz de caminhar pela corda e chegar ao outro lado sem cair. E se cais? Não há rede que te traga de volta aos braços de alguém.
Vais voltar a dar tudo, sem pedir quase nada porque o aroma dessa paixão é mais forte que a razão, a razão que escreve aqui e agora, a emoção de dizer o quanto se gosta de alguém.