ao teu lado
Ando às voltas, perdido por entre ruas e avenidas, cheiros e olhares que não reconheço. Corro sem direcção e não consigo perceber como pode o amor ser tão louco. Não consigo perceber e elas também não. Será possível um simples e moral coração ter duas paixões ao mesmo tempo sem estar louco…
Estava esquecido da promessa que fiz a ultima vez que respirámos juntos, depois de saíres e me deixares caído prometi que me ia esquecer de ti. E agora, esquecido de me esquecer, eu que sempre te deu tudo, foste mais que uma vida e agora não recordo o teu nome, mas não me esqueço da tua pele, hoje esqueci o teu nome.
Estás longe, muito longe de mim, já nem me recordas mas a ferida voltou a sangrar, não sei porque esqueci-me que te tinha esquecido, eu que nunca esqueço nada, eu que apenas me perco nas estradas na vida sem vontade de me encontrar.
A recordação daqueles dias de frio passados em casa, foste muito para mim, o que gostava de ficar ali a olhar para o teu corpo nú enquanto dormias, mas hoje não recordo o teu nome. Não te encontro escondida por entre a sombra das nuvens que trazem o frio de volta.
Agora apareces tu, que enches tudo de paixão e juventude, de beleza e de sorrisos, de fantasmas em noites de luar, vai-te embora. Não te pares ao olhar-me quando sais, eu já lutei demais contra toda a neblina, não te peço mais nada e esquece-me agora, não te quero.
Como foi este coração deixar-se levar outra vez pela tua pele morena, agora que já batia ressuscitado das cinzas em que me deixaste, depois de romper todos os meus poemas de tristeza e pena decidi plantar uma nova árvore e esperar pelos frutos.
Hoje sonhei com outro mundo, a teu lado.