A BANCA e os "banquinhos"
A Banca em discussão
Davos 2010 – conclusão inesperada
"I've had lots of conversations with very, very senior bankers in the last couple of years who said,
'Look, we didn't suffer enough pain — we did wrong but we didn't get punished,'"
said Arif Naqvi, CEO of the investment firm Abraaj Capital, based in the United Arab Emirates.
Esta conclusão da mesa de economistas da Time, que reuniu em Davos, por ocasião do Forum deste ano, é extremamente curiosa, especialmente por ter sido proferida por Banqueiros internacionais:
'Olhe, nós não sofremos suficiente dor – fizemos o mal e não fomos punidos’
Os nossos “banqueiros” – entre aspas, já que em Portugal só temos “banquinhos” – que sem o apoio governamental já teriam fechado as portas, não eram capazes de pronunciar tal frase.
Infelizmente a “espécie de Banca” que por cá temos só sobrevive graças às ligações políticas que sempre tiveram, com todos os partidos sem excepção, beneficiando de negócios por vezes não muito lineares, usufruindo de leis fiscais que os isentam de quase tudo, permissivas para debitarem os clientes por tudo e por nada.
Numa altura em que o estado da nossa economia está quase de “pernas para o ar”, com o desemprego a ultrapassar os 10%, firmas em falências sucessivas, aparecem nos jornais económicos as notícias de que os lucros da Banca Portuguesa estão a bater recordes, na ordem dos muitos milhões de euros.
Tal como os grandes bancos multinacionais, os nossos “banquinhos” preparam-se para retribuir os seus dirigentes com autênticas “almofadas douradas”, seguindo o exemplo do Banco de Portugal.

Este “cartoon” que aqui publico, com o perdão do autor que não conheço, reflecte de uma forma quase perfeita a normal actuação dos bancos em Portugal. Um destes dias ainda vamos ver os directores dos bancos a pedirem-nos empréstimos para “salvar a banca do desastre”…
Nem essa acção será novidade: este governo, utilizando o dinheiro dos Contribuintes, fartou-se de emprestar dinheiro aos bancos para “salvar o sistema”!!!
Com que resultado?
A economia portuguesa não melhorou, os “banquinhos” continuam a emprestar dinheiro aos “amigos”, as empresas que necessitam de ajuda financeira são tão escrutinadas que quando o resultado do escrutínio aparece, já as empresas resolveram o problema.
Entretanto os tais “banquinhos” continuam a querer cobrar dos clientes como, e quando, e quanto, querem sem intervenção de qualquer entidade reguladora – um bom exemplo desta atitude discricionária está no aumento dos “spreads” que é o lucro dos “banquinhos” nas operações de financiamento – sempre com o beneplácito, atento e subserviente, do Banco de Portugal.
Até quando os mesmos “banquinhos” pretendem reiniciar a atribuição de bónus escandalosos aos seus administradores e directores, apareceu na TV um membro deste governo, creio que secretário de estado ou similar, a explicar como a legislação que pretendia “curvar” tais abusos pode ser facilmente ultrapassada.
E assim vamos andando, neste País tristonho …