SOL
Fúria de viver
10 Setembro 10 10:01

Éramos quatro e a viagem teria a duração de poucos segundos. Apenas o tempo de descer do oitavo andar para o rés-do-chão. Só que o elevador teimou em parar onde não era previsto e em poucos segundos os ânimos começaram a agitar-se. Fechados numa cabina à espera de que alguém nos tirasse dali, logo os sintomas de claustrofobia se notaram.

Para bem dos presentes, uma alma caridosa conseguiu puxar o ascensor para um piso seguro. Tempos depois voltei a ficar preso no elevador, e desta vez a espera foi bastante mais prolongada. A sensação, como é óbvio, não foi agradável e dá para pensar em muita coisa indevida. Ficar retido numa caixa de ascensor é algo frequente nas grandes cidades, principalmente nos prédios onde a manutenção não é a mais desejada.

Durante anos ouvi testemunhos de amigos que tinham passado por idêntica experiência e que me relataram casos verdadeiramente insólitos de pessoas que entraram em pânico após breves segundos.

Mas se ficar preso num elevador pode ser assustador, o que dizer dos mineiros que estão retidos há mais de um mês numa mina chilena, onde passaram 17 dias sem ninguém saber se estavam vivos, podendo eles supor que tinham sido dados como mortos?

A resistência, a organização, o querer viver demonstrados pelos 33 heróis ultrapassa em muito a compreensão do comum dos mortais. Se pessoas presas entre dois andares entram em pânico, como será a vida a 700 metros abaixo da superfície? E o que passará pela cabeça destes mineiros à medida que o tempo vai passando e não conseguem ver a luz do dia? O esforço desenvolvido por equipas médicas e técnicos de salvamento suaviza a vida daqueles que se debatem com a escuridão e a realidade de uma caverna, mas é muito pouco para quem está obrigado a conviver com 32 outras pessoas durante 24 horas sobre 24, num ambiente adverso e sem a certeza de que chegarão a ser resgatados. Mas os 32 heróis chilenos e um boliviano  têm conseguido contrariar toda a lógica da sobrevivência.

Têm-se mantido unidos, existe um líder que respeitam, e até agora os desânimos momentâneos não fizeram nenhuma baixa. Estão sempre ocupados e com tarefas divididas, assegurando a sobrevivência colectiva e colaborando com o esforço dos salvadores. Nas próximas semanas, se tudo correr como o previsto, terão um árduo trabalho pela frente, para remover milhares de quilos de entulho que irão caindo dos poços abertos pelas perfuradoras. Eles não são máquinas, mas têm dado sinais de que a união pode ser tão forte como o aço. É certo que as mazelas podem ficar para sempre, mas os mineiros estão a dar uma lição ao mundo.

vitor.rainho@sol.pt

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Um lugar único
10 Setembro 10 10:00

Por norma, quando se gosta muito de um lugar há a tendência de se tentar esconder essa preciosidade das multidões. Existe o receio de que, com a divulgação do espaço, o mesmo passe a ser frequentado por pessoas indesejadas ou que perca o encanto da exclusividade. Quantas vezes não nos dizem «aquele bar (ou discoteca, ou restaurante) é fantástico, mas não espalhes»? Muitas, certamente. Teme-se que aconteça o que se passa com qualquer fenómeno de moda. À medida que se vai espalhando, vai morrendo na origem. Os hits musicais, por exemplo, antes de o serem começam por ter a estrelinha de culto. Mas à medida que tocam em todo o lado perdem esse estatuto, acabando muitas vezes como referência das pistas de carrinhos de choque. Como muitas das coisas da vida, anos depois voltam a ser recuperados, devidamente remisturados, e acabam por fazer de novo o tal circuito.

Vem esta conversa a propósito de um dos bares mais fantásticos do país que convém preservar. Fica num lugar de difícil acesso, tem uma vista fantástica para a praia, um atendimento irrepreensível, música que se pede a Deus em horas de prazer total e um pôr--do-sol para mais tarde recordar. Ah! A sangria e os cocktails são sublimes. Dirão alguns que estou a cometer um pecado capital ao falar do espaço. Não creio, até porque o mesmo irá fazer a festa de encerramento do Verão daqui a dias.

O Chiringuito é um belo exemplo algarvio e está para os bares como as praias Desertas, Farol e afins estão para os areais do Sul. São praias fabulosas onde a toalha mais próxima pode ficar a centenas de metros, com águas cristalinas e uma temperatura de sonho, embora não seja essa a imagem que se vende do Algarve.

Voltando ao Chiringuito, fica na Galé e é uma espécie de prolongamento do hotel Vila Joya. Todas as horas são boas para beber uma sangria, que mete mirtilos e quejandos, mas a ideal é quando o sol ameaça esconder-se nas falésias das praias vizinhas. Poucos resistem a captar esse momento, embora não me inclua no grupo dos fotógrafos ocasionais. Há coisas que sabem bem melhor vividas do que lembradas.

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O lugar de Queiroz
03 Setembro 10 10:00

Quando em 2003 Portugal contratou Scolari para treinar a Selecção nacional de futebol – depois de um decepcionante Campeonato do Mundo – a equipa não gozava de grande simpatia junto dos adeptos. A triste figura que fizera em terras do Oriente, Japão e Coreia do Sul, fora e dentro dos relvados, contribuiu para o divórcio. A clubite voltara ao normal. Cada um preocupava-se com o seu clube e a Selecção não era recomendável. O treinador, António Oliveira, saiu de uma forma pouco ortodoxa, dizendo mal de tudo e de todos e acusando a Federação de o estar a despedir sem justa causa. Mas não houve mezinha que o agarrasse ao lugar.

Seguiu-se o então treinador campeão do mundo, Luís Felipe Scolari. Como por artes mágicas, o polémico brasileiro conseguiu unir o país em volta da Selecção.

Por alturas do Europeu de 2004, em Portugal era difícil percorrer uma rua onde não existisse uma bandeira do país à janela. Scolari reunia quase o consenso nacional, com a excepção dos profissionais do mundo da bola, nomeadamente presidentes e dirigentes de clubes que não gostavam que o homem decidisse convocar quem bem lhe apetecia, sem dar cavaco a ninguém. Portugal, sob a suas ordens, ficou em 2.º lugar no referido Europeu e dois anos mais tarde foi a quarta melhor equipa do mundo. Nunca gostei do estilo de Scolari – sempre a recorrer a ajudas divinas e aos robertos leais desta vida –, mas é um dado adquirido que fez autênticos milagres. Sempre que a Selecção jogava, os estádios enchiam--se e até as mulheres passaram a gostar da bola. O seu ciclo chegou ao fim e a Federação optou por escolher Carlos Queiroz, que tinha tido o grande mérito de ganhar dois campeonatos do mundo de sub-20. Isto é: de rapazes à beira de se tornarem homens.

Quando ascendeu à categoria de treinador principal de equipas ou de selecções, Queiroz não teve uma vitória digna de registo. Passou para adjunto do Manchester United e aí os seus atributos foram largamente elogiados. Nomeado treinador principal do Real Madrid, teve um final previsível. Isto é: despedido. Voltou a adjunto do Manchester e estava a ter uma fulgurante carreira. Nomeado selecionador principal da equipa portuguesa, conseguiu em pouco mais de dois anos destruir todo o capital de simpatia que a Selecção recolhia dos portugueses. Independentemente das trapalhadas que levaram à sua suspensão, por um ou sete meses, Queiroz e a Federação não percebem que este é um filme que poucos querem ver. Um extraordinário adjunto que não tem perfil para treinador principal. Prolongar esta novela mexicana é dar do país uma imagem terceiro-mundista. É claro que os tais que atacavam Scolari agora defendem Queiroz. Por que será?

vitor.rainho@sol.pt

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Pagar à saída
03 Setembro 10 09:59

A chegada à praia tinha sido uma missão difícil. Uma enorme fila de carros aguardava a vez de estacionar. O parque estava cheio e o sol teimava em ter a chama de um enorme incêndio. Manuel e Elisabete desesperavam com a espera, mas ao fim de meia hora lá conseguiram arrumar o carro. Seguiram para a praia e, como optaram por uma onde há mais gente que areia, tiveram alguma dificuldade em estender a toalha sem ficarem colados aos vizinhos do lado. A água estava a uma temperatura excelente e não disseram mal da vida. No final da tarde foram a casa tomar um banho e  seguiram para o restaurante onde os esperava... outra fila considerável, já que não tinham feito reserva. O jantar foi simpático – o peixe estava magnífico e o vinho não ficava atrás – e puderam saborear tranquilamente o final de dia. Combinaram logo ali que iriam ter com uns amigos que já estavam num dos bares mais procurados do Verão. A esplanada estava bem composta e levaram algum tempo até encontrar duas cadeiras vagas. Bem bronzeados e divertidos, optaram depois por rumar até uma discoteca, onde os aguardava... outra enorme fila. No interior, dançaram um pouco e quiseram matar a sede, até porque a noite registava uns simpáticos 30ºC. Mas para atingirem o balcão, onde pediriam as bebidas, tiveram de suportar uns valentes encontrões de outros convivas que também estavam com sede. Nova ida até à pista, e no regresso o mesmo cenário junto aos balcões. Como estavam de férias, nada os demovia. Com mais ou menos gente, tinham de conseguir outra bebida refrescante. Entretanto, Elisabete dirigiu-se à casa – ou quarto, de acordo com a região de onde são originários – de banho e foi obrigada a esperar uns bons vinte minutos. No regresso, pediu a Manuel para irem embora. Quando tentaram aproximar-se das caixas para pagar o cartão... nova fila interminável. E aqui é que disseram verdadeiramente mal da vida. Por que razão é preciso esperar para pagar à saída? Não seria mais inteligente venderem-se, à entrada, cartões com direito a bebidas que expiram assim que se atinge o limite? Quem quiser mais só tem de ir comprar mais senhas... Sem estar em filas intermináveis.

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Melhor é possível
27 Agosto 10 10:00

Nos últimos dois anos, a expressão crise económica tem andado de mãos dadas com o fim de algumas regalias sociais. Dizem ilustres economistas que vamos perder o direito a 30 dias de férias remuneradas e a subsídios de desemprego, contar com custos elevados da saúde e, no limite, com a diminuição dos ordenados. É inevitável, afirmam. Não é possível governar uma casa que gasta mais do que ganha.

Sem querer questionar tais sentenças sábias, olho para outros continentes e vejo que se fala numa política contrária. Nos Estados Unidos da América dá-se acesso à saúde a milhões de pessoas, coisa que não tinham até há poucos meses; na China os trabalhadores de empresas estrangeiras fazem greve por melhores salários e são apoiados pelo Governo; e não consta, ou desconheço, que os países nórdicos falem no fim de regalias que foram conquistadas ao longo de vários séculos. Não é preciso fazer nenhum tratado histórico para saber que a humanidade tem progredido no que aos direitos diz respeito._Os feriados, fins-de-semana e férias eram coisas impensáveis há umas décadas. As pessoas não vivem para trabalhar, mas, supostamente, trabalham para viver. Esta tem sido a doutrina dos ditos países civilizados. Curiosamente, antes do aparecimento da crise e dos Madoffs desta vida, os empresários estipulavam anualmente metas surreais de aumento dos lucros. O limite era o céu. Para tal, contratavam empresas de consultadoria para emagrecer as firmas, possibilitando mais lucros para os accionistas. Milhões puxavam milhões. Ao mesmo tempo, os governos, latinos sobretudo, engordavam as suas fileiras de boys cuja utilidade era nula para o bem dos países. Eram importantes, sim senhor, para as fileiras dos partidos.

Com a descoberta da engenharia de Madoff, o tal empresário que vivia de dar juros fabulosos àqueles que lhe entregavam o dinheiro – num esquema em tudo semelhante ao conhecido jogo da bolha –, a crise passou a ter uma única solução: acabar com as regalias sociais, diminuir os ordenados e em última instância fazer ver às pessoas que não podiam reformar-se tão cedo._De todas as curas anunciadas, esta última parece-me a mais lógica. Afinal, quando a reforma foi inventada a esperança de vida não ultrapassava os 67 anos. Daí alguns países terem estipulado os 65 anos como a idade ideal para arrumar as botas. Nos dias que correm não faz qualquer sentido que países como a Alemanha já vão nos 67 e noutros ainda se vá nos 60.

Parece óbvio que se o mundo decidir que a riqueza deve ser distríbuida de outra forma, se calhar, o futuro não será tão negro...

vitor.rainho@sol.pt

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Mudam-se os tempos...
27 Agosto 10 09:28

O verão festivo termina na noite de amanhã e por terras algarvias assistiu-se a histórias verdadeiramente mirabolantes. Providências cautelares contra determinados espaços enviadas às 17h57 de sextas-feira – por forma a não haver hipótese de contraditório –, enchentes consideráveis, casas vazias, gente feia, seguranças musculados com vontade de desfazer clientes mais ou menos ébrios, festas simpáticas e divertidas, concentração de silicone e peitos abertos em tardes solarentas foram alguns dos ingredientes que cozinharam as tardes e noites do Algarve. Com mais ou menos diversão, notou-se que a crise financeira se fez sentir fortemente. As pessoas não circularam tanto como em anos anteriores, optando por começar nos bares mais baratos para depois terminarem na discoteca eleita.

Nalguns casos, os veraneantes começaram a libertar-se nas famosas sunset parties. Mas aquilo que era suposto ser um arranque tranquilo para uma noite mais agitada, poucas vezes aconteceu. A música bem puxada, na maior parte dos casos, apelava a um público musculado de tronco nu, com o suor a escorrer a olhos vistos, enquanto mulheres que mais pareciam autênticas fábricas ambulantes de silicone davam o tom à festa. Já à noite, a cultura dominante era a dos Morangos com Açúcar, com os jovens famosos a apresentarem-se como os miúdos dos bairros suburbanos de Nova Iorque se vestiam há uns bons anos. Sendo que agora é muito fashion  ter ar de subúrbio. Digamos que as novas vestimentas estão tão in como as calças vermelhas estavam há uns anos para determinados estratos sociais, isto é: o mau gosto acolhe todas as classes. Muito mudou nos anos mais recentes. A falta de dinheiro e de patrocionadores afastou muitas figuras do Algarve – sem hotel e festa paga não há palhaços – e aqueles que se gabavam de não querer 90 por cento dos clientes das outras casas pelam-se agora para não ter concorrência ou para acolher os tais clientes da vizinhança. Um dado parece indesmentível: com a crise  económica quase todas as discotecas e bares foram obrigados a ser menos selectivos à porta. O que fez com que não se visse uma noite à antiga. Talvez para o ano...

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Tou xim, não é para mim
23 Julho 10 10:01

Há dias assisti a duas conversas acaloradas sobre as vantagens e desvantagens de determinado modelo de telemóvel. Os intervenientes pareciam autênticos vendedores das marcas, tal o calor que punham na discussão. Os que defendiam a marca X enumeravam as vantagens de ter um desses aparelhos, ao que os outros contrapunham com os defeitos do modelo em questão. Curiosamente, as duas conversas distaram poucas horas e os oponentes pouco tinham em comum. O dia estava esplendoroso, mas parecia que naquela data o tema nacional versava sobre os aparelhos que foram inventados para facilitar a comunicação entre as pessoas.

De Velho do Restelo penso que tenho pouco, mas não deixa de ser sintomático que, quanto mais o desenvolvimento tecnológico permite a descoberta de novas ferramentas para agilizar a vida das pessoas, mais estas ficam presas aos novos brinquedos. Os computadores, supostamente, foram criados para facilitar o quotidiano, além de serem um grande auxiliar da ciência – médica, espacial e por aí fora. Seria de acreditar que as pessoas teriam mais tempo para si. Mas o que se constata? Que cada vez mais passamos um tempo infindável colados ao ecrã, seja para enviar e-mails, fotos e vídeos, ou para estar nas tão populares redes sociais. Os verdadeiros prazeres da vida mudaram de registo. Noutros tempos, não muito distantes, as pessoas procuravam concluir o seu trabalho ou os estudos para conseguirem tempo para si. Para ler, ver filmes, estar com os amigos cara-a-cara, jogar, viajar ou optar por outras actividades ao ar livre. Os telemóveis, à medida que foram ganhando outras capacidades, formaram os novos escravos tecnológicos. A qualquer hora do dia ou da noite, podemos receber e-mails e demais informações. Não há jantar que não seja interrompido por uma chamada e não há encontro onde as pessoas não estejam a mandar mensagens. Estou em crer que com esta febre ainda voltaremos a aproximar-nos dos primatas, uma vez que estamos sempre curvados para enviar mensagens... Veja-se o caso das novas gerações, que terão os polegares muito mais desenvolvidos que as gerações anteriores, pelo facto de estarem sempre a usá-los para digitar sms.

Os telemóveis, que são uma das grandes invenções do século passado, estão a tornar-se uma das pragas dos tempos modernos. Parece que as pessoas estão permanentemente a receber informação vital para a sua existência, que o mundo se acaba se o telelé não tocar no espaço de meia hora. O que deixa menos tempo e atenção para aqueles que estão presentes. É óbvio que nada será como antes, mas nem todos precisam de entrar no vazio da rapidez tecnológica...

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Juntar o útil ao agradável
23 Julho 10 10:00

Nas páginas precedentes fazemos um apanhado de locais que têm uma situação privilegiada e que irão receber milhares de turistas. Não é um roteiro exaustivo, faltam muitos locais, mas é uma escolha considerável. Muitos jovens, e menos jovens, vão prolongar os seus dias procurando animação e diversão nos estabelecimentos que agora apresentamos. Ao fazer-se uma selecção, constata-se, no final, que alguns dos preteridos mereciam  estar entre os eleitos. Só em terras algarvias lembro-me de três ou quatro que têm esplanadas ou ficam paredes-meias com a ria ou o mar. São os casos do Liberto’s, em Albufeira, do SuiGeneris, na ilha de Faro, do Bubi, em Tavira, e do Rio Café, em Vila Real de Santo António. Pelo país não faltarão outros exemplos, mas a ideia inicial de só falar dos novos locais com vista para o mar ou rio foi-se alargando e em vez de nos concentrarmos apenas no Algarve optámos por mostrar lugares de outras latitudes. Afinal, a animação nocturna não se esgotará em terras do Sul e não ocorrerá apenas em locais com vista generosa. Numa época de crise não deixa de ser assinalável que o turismo, na sua vertente de animação,  faça uma forte aposta. Outros sectores haverá em que, se seguissem o mesmo caminho, talvez o cenário não fosse tão negro. À_frente de muitos projectos anunciados estão jovens ávidos de sucesso e realização profissional. É certo que muitas vezes têm por trás empresários com muitos anos de noite. Mas o seu empreendorismo merece destaque e não é de desprezar o número considerável de pessoas que vão estar a laborar em pleno mês de Agosto. Serão milhares, seguramente. Ainda há quem não tenha dado por isso, mas a indústria nocturna cria muitos postos de trabalho. É verdade que no caso em apreço são empregos temporários, mas a vida faz-se de oportunidades. Claro que muitos daqueles que irão estar nos bares, na porta ou nas copas quererão juntar o útil ao agradável. Será um misto de férias com trabalho. Mas quem corre por gosto não se cansa, como já diz o velho ditado popular. Esperemos é que no meio da diversão não falte profissionalismo, para que aqueles que vão pagar as bebidas não se sintam defraudados. Boas férias.

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A hora das sunset parties
16 Julho 10 10:00

E assim se chegou à época dos três éfes. não do fado, futebol e fátima, mas sim dos Festivais de Verão, Fuga e Férias. Em Lisboa, a música ao vivo rouba clientes às discotecas; os clientes habituais fogem para outras paragens, junto do rio ou do mar; e depois há os que vão de férias. Não é pois de estranhar que muitas casas optem por fechar portas no próximo fim-de-semana e já sonhem com Setembro.

 

Mas ao contrário do que se passa noutras latitudes, não se ouvem empresários de diversão nocturna a protestar com a concorrência  dos metaleiros e afins. É a vida. Além da concorrência dos festivais, as discotecas de Inverno têm também de lutar contra os espaços ao ar livre. Somam-se, obviamente, aqueles que partem para outras paragens para descansar da vida citadina. Descansar é uma força de expressão, já que muitos dos que vão de férias acabarão por sair mais à noite, até, do que fazem quando estão na zona onde habitam.

 

Basta olhar para a forte aposta de muitos  empreendimentos turísticos espalhados pela costa portuguesa para perceber que o conceito de férias ganhou outra dimensão com o fenómeno nocturno.

 

O Algarve, para não variar, surge à cabeça das festividades. Este ano, dando seguimento à política dos últimos verões, a festa começará à tarde com as pomposamente denominadas sunset parties. Será uma aposta para fidelizar os clientes para horas mais tardias. Outro dado curioso é que quem começa a beber à tarde não fica com muita vontade de conduzir para outras paragens. É pois natural que fique nas imediações da casa ou do hotel onde está hospedado.

 

A sério, a sério, tudo acontecerá em 20 dias. Desde o último fim-de-semana de Julho até meados de Agosto. Pelas notícias que vão saindo, os restaurantes também estão a surgir como cogumelos, sendo portanto expectável que se possa jantar até bem mais tarde do que o habitual. Viva o Verão e bronzeie-se de dia e de noite.

 

 vitor.rainho@sol.pt

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Brincos e barrigas de aluguer
16 Julho 10 10:00

Quando despertou para o seu mundo profissional, apenas os jornais da especialidade lhe dedicavam umas tantas páginas. Era uma jovem promessa, mas de promessas está o mundo cheio. Com o tempo, e foi tudo muito rápido, percebeu-se que o rapaz era um predestinado na sua arte e que neste planeta não havia muitos como ele. Dos jornais desportivos passou para delícia das revistas cor-de-rosa, até que, com as vitórias, viu o mundo render-lhe homenagem. Mesmo na imprensa americana o rapaz foi ganhando espaço, até chegar ao cume das publicações mais consagradas mundialmente.

 

Antes de chegar a esse patamar, rodeou-se, ou rodearam-no, de assessores e conselheiros especializados. Com fraca instrução escolar e uma vivência difícil – os seus primeiros anos não foram seguramente um mar de rosas –, o jovem nascido na ilha da Madeira passou a ser carne para canhão. Alguma imprensa passou a fazer diariamente capas e mais capas com supostas namoradas, saídas nocturnas, hotéis onde ficava hospedado, a família, os supostos amigos e, claro, os seus deslizes. As ex-namoradas ganharam o estatuto de sumidades no que diz respeito à personalidade do rapaz em questão. Algumas fugiram dos guetos onde viviam para passarem a ganhar uns euros consideráveis só pelo facto de aparecerem em determinadas festas.

 

O rapaz, esse, à medida que a sua conta bancária ia subindo, apresentava tiques e mais tiques de novo-riquismo, alimentados, seguramente, pelas tais cabeças brilhantes que tratam da sua imagem.

 

Entre o menino que abandonou a ilha da Madeira para ir viver para o centro de acolhimento do Sporting e o rapaz que parece uma montra ambulante de marcas famosas vai toda a distância de uma vida, curta, mas cheia de pequeninos escândalos e de manchetes de jornais.

 

Transformou-se num produto de consumo rápido e tudo o que faz denota uma impaciência total. Parece que está onde não quer estar e até em campo dá a ideia de que gostava que o jogo acabasse mais depressa para poder ir com as suas marcas para lado nenhum. Cristiano Ronaldo corre o sério risco de ficar preso à imagem que dele criaram. Uma criatura sempre pronta a oferecer mais um escândalo ou excentricidade que será comentado no mundo inteiro. Seja uma nova namorada, um filho de barriga de aluguer ou uma troca azeda com um treinador. No meio disto tudo, vai esquecendo por que alcançou tamanha fama: pelo seu enorme talento e pela humildade que punha em campo. Algo que os assessores também já devem ter esquecido. Pode ser que acorde a tempo...

 

vitor.rainho@sol.pt

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Impunidade fatal
09 Julho 10 10:00

Liga-se a televisão na hora dos noticiários, e chovem assaltantes e homicidas de todo o lado. Como denominador comum têm o facto de continuarem em liberdade. Lêem-se os jornais e o sangue escorre das páginas. Homem matou ex-mulher; assaltante assassinou idosa indefesa; gangue roubou várias dependências bancárias; grupo agrediu grávida de nove meses para sacar meia dúzia de euros; confronto entre gangues nas praias da Linha provoca pânico nos areais; assaltos nos comboios da mesma zona; etc. Nos dias seguintes, no espaço dedicado aos mesmos crimes, constata-se, na maioria dos casos, que os responsáveis pelas malfeitorias vão aguardar julgamento em liberdade. Meses ou anos depois, sabe-se que o desfecho dos julgamentos determinou penas suspensas, já que a investigação policial foi mal conduzida ou não foi produzida em tribunal prova suficiente para encarcerar os meliantes.

No mesmo período de tempo, também tivemos oportunidade de ver na televisão e nos jornais que o empresário X está a contas com a Justiça por fuga ao fisco e que, tudo o indica, irá cumprir pena de prisão efectiva. Com os devidos exageros, tem sido este o cenário que o comum mortal tem observado. Nas últimas semanas os casos têm-se avolumado e é natural que a comunicação social dê ênfase às histórias. As pessoas começam a sentir-se verdadeiramente inseguras quando nem para o trabalho e no regresso a casa podem viajar em transportes públicos seguros. E que dizer quando tentam apanhar um pouco de sol numa praia perto de si? Os políticos pedem mais polícias, mas isso acrescenta alguma coisa ao verdadeiro problema? Nada. O sentimento de impunidade dos que agridem e assaltam não esmorece com mais ou menos agentes. A lei é que não está de acordo com os tempos que correm – ou então alguém faz uma interpretação errada da lei. Nos EUA um dos maiores mafiosos da história, Al Capone, só foi preso quando as Finanças conseguiram incriminá-lo. Depois de dezenas de mortes e demais patifarias, o grande Al Capone haveria de ser detido por questões de fisco. Irónico.

Em Portugal parece que estamos a viver um filme semelhante. Com uma pequena diferença. Os criminosos de rua não têm contabilidade organizada para poderem ser apanhados nas teias da lei.

P.S. – É bom que se diga que, apesar deste quadro de miséria, Portugal ainda é dos países mais seguros para se viver. Mas se não forem tomadas medidas concretas para combater o sentimento de impunidade, algo acabará mal. É assim que acontece em todo o lado. E lá aparecem os estados policiais...  

vitor.rainho@sol.pt

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Gelados e esplanadas
09 Julho 10 09:59

Na europa, Portugal e os países do Sul são aqueles onde se consomem menos gelados durante o ano inteiro. Habituados a associarem o doce frio ao calor, os latinos optam por fugir dos gelados durante o resto do ano. O mesmo não se passa, por exemplo, nos países nórdicos, onde a iguaria é saboreada durante os doze meses do ano.

Vem esta conversa a propósito das esplanadas. Haverá países com melhores condições do que o nosso para esses lugares aprazíveis? Há, mas ficam muito longe. No entanto, mal começa o Outono levantam-se as cadeiras e as mesas de locais que com uma cobertura mínima poderiam continuar a ser verdadeiros oásis. É provável que num futuro não muito longínquo as regras mudem e possamos usufruir de esplanadas o ano inteiro. Alguém imagina, por exemplo, ir a Paris em pleno Inverno e não beber um café nas margens do Sena?

O tempo tem a vantagem de mostrar que há apostas feitas que são erradas, ou vice-versa. Em anos não muito distantes, quantas festas de espuma não estavam agendadas num sem-número de discotecas? Eram muitas e, por regra, não tinham qualquer interesse. Ou acabavam mal, com os excessos de alguns energúmenos, ou alguém se aleijava, ou parte da vestimenta desaparecia. Os mais novos e os ‘camones’ ainda achavam alguma graça à festa, mas os graúdos quase eram obrigados a entrar na espuma caso quisessem estar dentro da animação.

Os tempos são outros e mesmo os mais pequenos fogem, regra geral, de espumas duvidosas. O Verão é para ser desfrutado em todo o seu esplendor e a espuma não faz parte do cardápio.

Voltando às esplanadas e às festas à tarde, diga-se que se encontra nessas ocasiões um público muito mais clean e sem tantas manias que a trupe da noite. Ainda há dias estava a beber um gin tónico, bebida que só consumo no Verão e à tarde, vá-se lá saber porquê, quando comecei a olhar para a clientela que enchia por completo a esplanada. Pessoas com um ar saudável, divertido e que conversavam entre si. Haverá melhor final de dia?

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Chips, scuts e mentiras
02 Julho 10 10:00

Quando entrei no autocarro percebi que o preço da viagem era bastante acessível, mas para isso tinha de ter a quantia exacta. Caso contrário, seria obrigado a ‘mandar’ para a caixa existente a nota que tivesse.

O motorista apenas se certificava que os passageiros não se esqueciam de pagar o seu bilhete. Tudo era claro e, apesar de estar a milhares quilómetros de Portugal, ninguém me obrigava a ir a uma bomba de gasolina ou a uma dependência estatal comprar os bilhetes pré-pagos.

As ruas de Hong Kong tinham outro sabor vistas do segundo andar do autocarro, semelhante àqueles que em tempos circularam pelas ruas de Lisboa e Porto, e nenhum turista tinha problemas em andar nos transportes colectivos. Tudo se passou já lá vão 13 anos, pouco tempo antes da passagem da administração do território para o império chinês.

Se em Portugal os motoristas da Carris não cobrassem bilhetes, de certeza que os turistas seriam obrigados a adquiri-los, por exemplo, nalguma estação de correios ou numa tabacaria. Temos o condão de dificultar aquilo que é simples. Vem esta conversa a propósito das famosas SCUT e da tentativa de o Governo impor portagens virtuais, sendo necessário os utilizadores andarem com um chip identificativo que, além de tratar de entrar nas contas bancárias dos condutores, permite também que os automobilistas sejam localizados a qualquer hora do dia e da noite.

Esquecendo este controlo estalinista, sobram outras dúvidas. Os cidadãos estrangeiros que entram em Portugal onde é que vão comprar o tal chip? À antiga fronteira? Às bombas de gasolina anteriores às tais portagens? E os portugueses por que carga de água serão obrigados a andar com um chip em que não estão interessados? Não é legítimo um condutor querer pagar no momento o serviço que lhe é prestado? Quando se fala tanto em desemprego faz algum sentido querer dificultar a vida aos cidadãos? Se não querem contribuir para a diminuição do desemprego, não podiam, à semelhança dos tais autocarros de Hong Kong e de algumas auto-estradas espanholas, colocar caixas para onde os automobilistas atirariam as moedas ou notas? E por que razão não quiseram que o aparelho da Brisa fosse estendido a todas as portagens, em vez de encomendarem o tal chip?

É difícil digerir que um problema tão fácil de resolver acabe por gerar tantas incongruências. Se não queriam portageiros, faziam cabinas onde os condutores – portugueses ou estrangeiros – depositavam o dinheiro. Nunca gostei de teorias da conspiração, mas parece óbvio que há algo nestas SCUT que não cheira bem. Mas também é verdade que é preciso alimentar as clientelas políticas. O emprego, esse, é menos importante.

vitor.rainho@sol.pt

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Os novos boémios
02 Julho 10 09:59

O cenário é insólito. carrinhas da polícia com dezenas de agentes vão levando crianças para o interior dos veículos. Umas por andarem com bilhetes de identidade falsos – alguns são verdadeiras obras de arte, tal a perfeição –, outras por mau comportamento e apresentarem sinais evidentes de embriaguez. Também há quem tente entrar com o BI do irmão mais velho ou de um amigo. Têm menos de 16 anos e quando confrontadas com o facto de terem tentado entrar em discotecas ‘proibidas’ alegam que os pais estão a par das suas deambulações nocturnas. Bebem muito – ou aguentam pouco – e fazem gala de lutarem pelo título do maior desordeiro. Acreditam que as raparigas os escolhem pela sua bravura...

 

Por vezes, são os próprios progenitores que vão insultar os porteiros e responsáveis das casas de diversão nocturna por impedirem os filhos de acederem às pistas de dança.

 

Com o fim das aulas, o número de menores  que anda na noite aumenta consideravelmente. Na zona de Santos, em plena 24 de Julho ou na zona da Linha do Estoril aparecem aos magotes.

 

Fumam muito, gostam de bebidas destiladas – em formato de shot, preferencialmente – e não raras vezes acabam a noite com algumas nódoas negras no corpo e sangue na roupa.

 

Há quem diga que sempre foi assim, só que as coisas aconteciam nas matinées. Talvez seja verdade, mas ainda há dias uma amiga me dizia que o filho de 12 anos tinha chegado a casa por volta das sete da manhã porque tinha estado numa festa de aniversário.

 

«Mas os pais estavam presentes», acrescentou. Sem querer fazer juízos de valor, alguma coisa está errada. Enquanto os governos europeus procuram a todo o custo aumentar a idade permitida para se fumar e beber, as famílias vão permitindo que o mesmo aconteça mais cedo.

 

São poucos os pais que querem que os filhos sejam marginalizados por não acompanharem os amigos...

 

Como não acredito que a proibição legislativa consiga alterar comportamentos sociais, no futuro haverá muito mais adolescentes com problemas de alcoolismo e não só. Ou pode ser que tudo não passe de algo temporário...

Publicadopor vrainho | 0 Comentário(s)    
Campeões do mundo
25 Junho 10 10:08

A ideia surgiu depois do famigerado jogo de Portugal contra a Costa do Marfim, em que os jogadores nacionais pareciam movidos a carvão. «Mas temos alguma selecção portuguesa que possa lutar pelo título mundial?», foi a questão colocada por um dos presentes na reunião. Na semana anterior, o empresário André Jordan tinha dito em entrevista que, apesar de ser um país pequeno, Portugal tinha meia dúzia de figuras de relevo mundial. Juntando os dois ‘palpites’, partimos para a feitura de uma equipa que fosse capaz de ombrear com o Brasil, Argentina e afins. Fazendo a prospecção pelas diferentes áreas não tivemos grandes dificuldades em alcançar um 11 de alto gabarito. E qual foi o primeiro nome que surgiu na lista? José Saramago... Na sexta-feira, enquanto estávamos noutra reunião, surgiu a notícia: «Estão a dizer que o Saramago morreu». Com a confirmação da morte do escritor, fomos obrigados a fazer uma substituição ainda antes do jogo começar. Tornou-se óbvio que com a saída do autor do Memorial do Convento a equipa ficou mais fraca. Afinal, ele era o capitão e o único jogador com um Nobel no currículo.

Apesar da perda, Portugal ainda tem um conjunto que não fica mal em nenhum campo, leia-se país. Temos o presidente da Comissão Europeia, o melhor treinador e o segundo melhor jogador do mundo de futebol, uma pintora como Paula Rego, um arquitecto reconhecido, Siza Vieira, um banqueiro que dá pelo nome de Horta Osório, uma pianista com recitais memoráveis como Maria João Pires, um neurocientista que é uma referência mundial no estudo do cérebro, António Damásio, ou o cineasta mais antigo no activo,_Manoel Oliveira, que é quase um ícone de Cannes. António Guterres e Jorge Sampaio, eleito para o cargo de treinador, têm dedicado os últimos anos a causas nobres que os tornaram conhecidos dos grandes líderes mundiais, além de trabalharem por um mundo melhor e menos desigual. No que diz respeito à área de entretenimento, Joaquim de Almeida é uma figura amplamente conhecida na sétima arte, apesar de não ser cabeça de cartaz em Hollywood. A nossa selecção possui ainda um banco de suplentes bastante forte e que no futuro dará cartas. Eis a constituição da equipa: na baliza, António Guterres, os laterais são Durão Barroso e Joaquim de Almeida, tendo como centrais Manoel Oliveira e Horta Osório, à frente deste quarteto jogará Siza Vieira. O meio campo terá em António Damásio o cérebro da equipa que será auxiliado por Maria João Pires e Paula Rego. No ataque temos José Mourinho e Cristiano Ronaldo. Uma equipa, um país, faz-se destas massas...

vitor.rainho@sol.pt

Publicadopor vrainho | 0 Comentário(s)    
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