?SHAME ON YOU?, CAVACO SILVA!!!
Homenagem a Salgueiro Maia não “limpa” ultraje Cavaquista
com mais de 20 anos…
Dando exemplo do mais requintado e asqueroso cinismo político, Cavaco
Silva rendeu agora homenagem póstuma, a quem aviltou da pior forma quando tinha
responsabilidades governativas. Os actos mesquinhos mostram a pequenez e a insignificância
de quem os pratica.

Cavaco Silva ontem em
Santarém prestou homenagem póstuma a Salgueiro Mais.
Só por si, o acto não
mereceria mais do que aplauso, não fosse o facto de o PR ter há 20 anos
protagonizado um dos actos mais ultrajantes e ingratos que algum representante
do poder democrático Português poderia ter, para com um dos símbolos da revolução
de Abril de 1974.
Corria o ano de 1988, era Cavaco, primeiro ministro
e Salgueiro Maia, apresentou a sua candidatura a uma pensão vitalícia ao abrigo
da legislação que o possibilitava a quem tivesse prestado “serviços
excepcionais e relevantes” ao País.
Cavaco não atribuiu a pensão e conduziu o processo
da forma mais aviltante e repugnante que podia fazê-lo: utilizando o desprezo
de não resp+onder durante 3 anos! A história apenas se soube decorrido esse
tempo, quando Cavaco autorizou a atribuição de pensões semelhantes a… dois
ex-inspectores da PIDE, um dos quais o autopr dos disparos sobre a multidão, à
porta da sede da polícia política!
Soube-se na altura, que o Supremo Tribunal Militar
(STM) a quem Cavaco pediu o parecer formal, se declarou incompetente para o
fornecer, tendo a Procuradoria-Geral da República aprovado a concessão da reforma,
em parecer exarado em 22 de Junho de 1989. O referido parecer chegou ao Ministério
da Defesa (Fernando Nogueira era o Ministro da altura), que o remeteu para a
Caixa Geral de Aposentações que deveria passar a processar os pagamentos. O
que, misteriosamente nunca fez, a coberto do manto de silêncio que todas as
entidades governamentais então deixaram cair sobre o assunto… até que Guterres repôs a justiça, quando sucedeu a Cavaco Silva!

Aviltante? Mais do que isso, pois “fontes” de
Belém, não identificadas, tentam agora re-escrever a história ao justificarem, segundo
o jornal Público, a recusa com “entraves burocráticos”
alegadamente levantados pelo… STM. Sim, o tal que se sabe há mais de 16 anos
que apenas se declarou incompetente para apreciar o processo! A triste e pouco
dignificante história, está toda aqui. E as declarações ao D.N. do biógrafo de Salgueiro Maia, António
Sousa Duarte, são esclarecedoras da revolta sentida pelo actual
acto de Cavaco: “embora não se pedisse hoje ao Presidente da
República que fizesse um pedido de desculpa, (…) ter-lhe-ia "bastado, com
humildade, dizer que, em circunstâncias análogas, não faria o que fez há 20
anos".
Salgueiro Maia foi o oposto de Cavaco, em quase
tudo! Destaco 4 das que considero serem as principais diferenças:
Desde logo na simplicidade, como homem. Ao
contrário de Cavaco que apesar de alardear as suas origens humildes, será um
dos campeões do “snobismo” político nacional. As suas poses hirtas e a
reconhecida dificuldade em lidar com o povo, provam-no à evidência e chega a
ser ridículo de cada vez que tenta aparentar naturalidade no contacto com as
populações a que o presente cargo obriga… Cheira a plástico à distância!
Mas não se ficam por aqui as diferenças entre
ambos. Longe disso. O capitão que “apeou” Caetano, deu sempre provas de um total
desapego ao poder e de um verdadeiro espírito de missão ao serviço do País.
Oportunidades de cavalgar a onda popular e assim entrar na “esfera” do poder, a
seguir ao 25 de Abril (ou mesmo depois do 25 de Novembro), não lhe faltaram mas
Salgueiro nunca foi por aí. O seu dever cumprira-se naquela madrugada de 1974 e
chegava-lhe. Tudo ao contrário de Cavaco que sempre perseguiu um projecto
pessoal de poder (desde que se deslocou à Figueira da Foz ao volante de um Citröen
novo que resolvera… rodar), não olhando a meios nem se impressionando com as “vítimas
que foi deixando pelo caminho (mesmo no seu partido), para o atingir. A “impressão
digital” do Cavaquismo, também está muito longe do “servir o País” altruísta…
antes se caracterizando pelo clientelismo, pelas negociatas múltiplas, pela
protecção aos “amigos” poderosos… Basta recordar os tempos que fizeram do
Independente um dos jornais com maior audiência do País…
Salgueiro arriscou tudo por um ideal: derrubar um
regime caduco e opressor que sufocava o País e lhe sugava os recursos e as
almas, numa incompreensível guerra no então designado de Ultramar. A Cavaco, não
se conhece uma única tomada de posição ou atitude contra o regime. Não. O
actual PR estava então muito ocupado com a sua formação académica e carreira universitária,
não lhe restando muito tempo nem vontade para essas minudências… Outros que
arriscassem o coiro para que ele e muitos como ele daí retirassem dividendos
futuros!
Por tudo isto, Cavaco deveria corar de vergonha e não
ter o desplante da homenagem póstuma que agora prestou. Dando
exemplo do mais requintado e asqueroso cinismo político, Cavaco Silva mostrou
mais uma vez a sua pequenez e insignificância política. Que a mesquinhez dos seus
actos testemunha!
Outros artigos sobre Cavaco Silva que fundamentam
algumas das afirmações que faço anteriormente sobre o actual PR:
10 de Maio de 2009 - PORQUE SUGERIU CAVACO, O “BLOCO CENTRAL”?
29 de Abril de 2009 - OLHE-SE AO QUE CAVACO DIZ, ESQUEÇA-SE O QUE FEZ!
26 de Fevereiro de 2009 - DE SCOLARI A CAVACO… OS SANTOS QUE NOS ACUDAM!