UM ?COMPROMISSO? MUITO? COMPROMETIDO E SEM PINGO DE VERGONHA!!!
Um tiro na “água”, quando o porta-aviões estava mesmo ali
ao lado!!!
O Jornal Negócios, foi o veículo escolhido pelo
lobby de “gestores e economistas próximos do PSD”, que se auto-intitulam de “Compromisso
Portugal”, para a pré-divulgação de um documento que será
oficialmente divulgado hoje, onde pretendem efectuar a avaliação da presente
legislatura (leia-se, o desempenho do actual governo).
Para já, digno de registo, é esta “pré-publicação”
que os autores do tal documento, conseguiram obter da parte de um órgão de
comunicação social… O objectivo é claro: conseguir uma caixa de ressonância
(neste caso, o “Negócios”) que amplie os ecos que o referido documento
possa ter na opinião pública (leia-se “eleitorado”).
Em segundo lugar, este documento aparece, poucas
semanas depois de um outro “grupo de economistas” ter iniciado esta prática
de lançar críticas perfeitamente formatadas ideologicamente, a partir daquilo
que designo por uma espécie de “documentos de sábios”. A tentativa de alcançar assim
um estatuto de “independência” face aos partidos, (que manifestamente não
possuem) é pífia, uma vez que a assinar o documento aparecem as mesmas
personalidades de sempre, todas elas comprometidas muito mais com o PSD, do que
com… Portugal.
A
estratégia parece clara. Tão clara que nem consegue ser o célebre gato
escondido com o rabo de fora. É que neste caso, o “gato” nem se tenta esconder,
mostrando em toda a sua plenitude onde está e qual o “peixe” que pretende comer.
Feito este enquadramento, que pretende
desmistificar o “descomprometimento” dos promotores da iniciativa, interessará olhar
a essência do que os mesmos conseguiram fazer publicar, numa “1ª mão” selectiva
(a que o referido jornal se prestou). Resume-se a duas ideias-força (à boa maneira
de qualquer técnico de marketing): uma, expressa no próprio título da “notícia”:
a ideia de que os autores, estão “preocupados
com promiscuidade entre política e negócios”. A outra (resultando da 1ª), é a conclusão de que “o
aumento do peso do Estado e as dificuldades do Executivo na criação de um
enquadramento favorável à actividade das empresas que operam na economia
portuguesa.” (em Jornal
de Negócios).
Os alvos que os “comprometidos” falharam
Quanto à promiscuidade
entre política e negócios, partilho inteiramente da preocupação. Ainda que me
pareça, que os autores do documento não serão grandes jogadores de batalha
naval! Caso contrário, teriam atirado em cheio sobre o porta-aviões que estava
ali mesmo “à mão”, em vez de desperdiçarem a artilharia em plena… água. Passo a explicar: quando li o título,
pensei que no desenvolvimento da notícia iria encontrar referências aos políticos que aproveitam os cargos públicos que desempenham
para obterem em simultâneo ou posteriormente benefícios na sua actividade
privada. Seja na forma de “favores” de terceiros, seja na forma de benesses
várias para as suas empresas e negócios (ou de familiares seus), seja na forma
da simples projecção pessoal de “méritos” até aì desconhecidos, que lhes
garanta futuros cargos em administrações de empresas privadas. Pensei pois que
ia ler algo que apontava o dedo na direcção de Jorge Coelho, Mira Amaral,
Ferreira do Amaral, Pina Moura, ou de tantos outros que conseguiram “saltar”
num ápice da actividade governativa para a de “quase-gurus” da gestão
empresarial… Pensei também no caso actual que me parece melhor ilustrar este
conceito de promiscuidade entre política e negócios: o caso BPN onde uma série de até há pouco “intocáveis”
personalidades (que nasceram para a política
com o Cavaquismo e passaram a ser figuras de proa dos negócios precisamente após
aquele período se ter finado) vão somando cada vez mais indícios de que
para lá da “falta de memória”, os únicos atributos que parecem evidenciar são
os da ganância desmesurada e total falta de escrúpulos para darem largas a actividades
desonestas e ilegais! Lida a “notícia”, resta o “flop”, a desilusão: afinal
Oliveira Costa, Dias Loureiro e Arlindo de Carvalho (os nomes cujo envolvimento
já foi judicialmente confirmado) não preocupa minimamente os comprometidos “gestores
e economistas”! Como não os preocupa que um
Presidente da República tenha, para satisfazer meros desígnios conjunturais do
seu partido (!), interferido directamente num possível negócio entre empresas
privadas (PT e TVI), forçando o governo a inviabilizar o mesmo!
Não! O que os preocupa é apenas o mesmo facto de sempre: que o governo não dê
rédea solta ao neo-liberalismo económico e que não deixe a “mão invisível do
mercado” à solta, para continuar o caminho que conduziou o Mundo à actual
crise!
Ora! Não passam afinal das
costumeiras balelas neo-liberais destes comprometidos, que não têm qualquer
vergonha em começar desde já a mostar as “garras”, antecipando a mesa do
orçamento onde pensam que uma eventual vitória laranja, os faria ter de novo
assento. Como sempre fizeram quando a direita governou: clamam por menos Estado, quando o que afinal querem é um Estado que não
os controle nem os obrigue a cumprir regras e ainda os favoreça com uns
subsidiozinhos! O facto de andarem desaparecidos da circulação há uns tempos
(a última actualização registada no site do "compromisso", verifiquei hoje, data de Março de... 2007) e voltarem agora, não deixa de ser esclarecedor. E conseguiram em minha opinião,
com este documento, fazer a melhor “propaganda”a Sócrates e ao seu governo! Uma
vez que iniciativas destas são a evidência da enorme diferença entre ter um
governo de esquerda ou um governo de direita! Numa altura, em que alguns “opinadores”
de direita e a totalidade da extrema esquerda se esforçam por “provar” que
entre PS e PSD não existem… diferenças. Para esses, leiam bem o documento,
quando a totalidade do mesmo for publicada!