DESERÇÃO DO VOTO LARANJA CONTINUA MAS... CUIDADO COM OS SOVIETES DO PS!
De Moita Flores ao Pontal, passando por... Jerónimo e Louçã:
a clareza das opções que se colocam ao eleitorado!
1. - Moita Flores: Manuela “jamais”,
Sócrates talvez. 
Fastidioso, repetitivo e ameaçando tornar-se uma não notícia pela
sucessão de casos idênticos, durante os últimos dias! Refiro-me claro, aos
anúncios que várias personalidades vão fazendo, no sentido de se demarcarem
claramente das opções do estilo e da estratégia que Manuela Ferreira Leite
imprimiu ao PSD. De um militante ilustre que entrega o seu cartão a Presidentes
de Distritais que ameaçam demitir-se, passando por simpatizantes confessos que
proclama o seu “bye bye” na próxima ida às urnas a 27 de Setembro próximo,
Manuela viu virar-se contra si a estratégia de exclusão que aplicou à feitura
das listas de candidatos do PSD! Cada vez mais, o PSd se vai dividindo e
fracturando. Ontem, foi Moita Flores, (re)candidato independente pelo partido
laranja à C.M. Santarém que há 4 anos conseguiu ganhar, interrompendo uma
gestão rosa com mais de 30 anos de duração... Repetir os comentários que nos
últimos dias publiquei num primeiro (OS
VOTOS QUE O PSD VAI PERDENDO…) e segundo (OUTRO
VOTO PERDIDO PELO PSD) artigos, a propósito deste mesmo tema,
parece-me neste momento absolutamente desnecessário. Pelo que, me limito a
reproduzir excertos da entrevista onde o autarca Escalabitano deixou bem claras
a amargura e desilusão que lhe vão na alma. Ao ponto de (a independência tem
destas coisas) terminar, admitindo a possibilidade de vir a votar em Sócrates,
depois de reconhecer algumas das acções meritórias do actual governo e apontar
críticas às áreas que considera não terem sido convenientemente conduzidas.
Mais claro, era difícil ter sido.
“Aliás, estou desolado com este mandato. Ainda criei alguma
expectativa mas depois... entraram ali algumas pessoas... (...) tenho grande orgulho em ser apoiado pelo PSD. Mas quando
olho para as listas nacionais de candidatos à Assembleia da República o que
vejo é uma coisa paupérrima. Voltou-se a clichés, aos básicos, não há renovação
mas reenvelhecimento, longe da ideia mais complexa e profunda do velho PSD que
alberga toda a gente porque é o espaço da liberdade. Vivi intensamente a
expulsão de Luísa Mesquita, que é minha vereadora, do PCP. É a comunista mais
perfeita que eu conheci, um quadro de excepção e, na altura, insurgi-me contra
o absurdo de expulsar quadros de grande valor dos partidos. Nestas listas do
PSD houve uma produção de 'Luísas Mesquitas': há toda uma geração de gente que
eu esperava que estivesse na primeira linha e que foi mitigada, à conta de um
sectarismo que não entendo. (...) tenho
grande consideração e apreço [por Pacheco Pereira, nº1 da lista por Santarém, depois de ter sido
afastado Miguel Relvas, o “braço direito de Passos Coelho], mas não é o espírito e alma deste
distrito. Não faz sentido excluir por motivos pessoais. Este não é o PSD que me
convidou, com o qual tenho trabalhado. E não posso dizer a esta gente que quer
construir comigo uma nova Santarém que aplaudo o que há meses censurava no
comportamento do PCP. Não posso ficar imune a esta exclusão sucessiva de
grandes quadros, de gente importantíssima para o futuro. (...) Não vou [fazer campanha em Santarém pelo PSD para as legislativas]. (...) Não
vou votar em Manuela Ferreira Leite. (...)Ao
contrário de outros autarcas, nunca culpei o Governo por nada de mau que
aconteceu nesta Câmara e aconteceram algumas coisas ruins. Mas ao fim destes
anos e ao cabo de muita paciência e persuasão tenho uma excelente relação de cooperação
com este Governo. Santarém não se pode queixar. (...) Houve neste Governo duas coisas terríveis que não sou
capaz de aplaudir: o que se passou na Educação e na Agricultura. Aí, o Governo
foi desastradíssimo. Mas Sócrates também foi o homem que percebeu que estamos a
viver uma nova era e que deu um impulso decisivo às energias alternativas, à
mobilidade eléctrica. Aí estamos na vanguarda. (...)Não sei, talvez. [seja um eleitor de Sócrates a falar] (Moita Flores, em
entrevista, ao Expresso)
2.- Um Pontal para desviar atenções
e evitar... “tampas”
Compreende-se que o PSD tivesse que fazer algo, para retirar estes
incómodos anúncios de “deserção de voto”, das capas dos jornais e das aberturas
dos serviços noticiosos de rádios e televisões. E esta teria sido uma excelente oportunidade para Manuela Ferreira Leite
quebrar o tabu sobre as ideias que eventualmente possa ter para o país,
avançando com pelo menos algumas medidas do seu programa eleitoral cuja divulgação
já teve data marcada para finais do passado Julho, sendo aí novamente adiada
por mais um mês. Estava aí a festa do Pontal que já foi o grande momento da
afirmação laranja pós-verão e que hoje pouco mais é do que uma festa regional
com segundas figuras da direcção nacional. Mas Manuela continua refém de uma
estratégia que ela própria (ou alguém que a aconselha) montou e, como tal, pelo
segundo ano consecutivo, primou pela ausência. O que não deixa de ser estranho,
a tão poucos dias do acto eleitoral e quando as sondagens conhecidas vão dando
o PSD atrás do PS, ainda que a pequena distância...

Aguiar-Branco e Mendes Bota, juntos no pontal para fazer esquecer outras coisas...
Coube a Mendes Bota, líder do PSD
algarvio, justificar a ausência da líder. E fê-lo, dizendo que depois de no ano
passado ter convidado a líder e esta ter recusado, causando enorme polémica,
preferiu este ano evitar polémicas... não enviando qualquer convite a MFL!!! E
rematou com graça, mas de forma mordaz: “Até porque nunca foi do
meu estilo e não é do meu gosto, levar duas tampas seguidas da mesma rapariga
no mesmo baile”! Nem em 2 bailes repetidos a um ano de distância,
completo eu. Mais adiante, Mendes Bota pedia à audiia: “Batam
palmas à nossa líder MFL e batam palmas também a Pedro Passos Coelho, que não
queremos que seja afastado do nosso partido!” (em RTP). Claro
que a líder não poderia estar presente para ouvir este tipo de discurso tão
ambivalente, a que o povo costuma chamar “dar uma no cravo e outra na
ferradura!
Extraordinária foi a forma escolhida
para justificar a opção de voto no PSD! Alheio a todos os exemplos da prática
da Direcção do PSD, e que cobrem constantemente de ridículo o slogan da “política
de verdade”, Bota não se coibiu de proclamar: "Trata-se
de escolher entre quem já provou que mente e que tem falta de carácter e alguém
que diz ser possível haver seriedade e coerência na política" (em SIC). Estas
palavras serviram, acredite-se ou não, para apelar ao voto em... Manuela
Ferreira Leite!!!
Manuela, que ao insistir em desperdiçar
estas oportunidades de capitalizar apoios e de captar eleitorado, deixa que se
vá instalando cada vez mais a sensação de que de facto nada tem para propor ao
país, ou que as suas propostas seriam de tal modo impopulares que lhe falta
coragem para as tornar públicas.
Assim sendo, Manuela mandou um dos seus
vices, José Aguiar-Branco, ao calçadão de Quarteira, não para
apresentar nenhuma proposta concreta, antes para “malhar” no PS e de forma tão
violenta e polémica, que se pudesse transformar no “sound byte” do dia e fazer
esquecer o incómodo isolamento de que começará a sentir-se rodeada na esfera do
PSD...
E Aguiar-Branco cumpriu a missão com
tamanho esmero e empenho, que acabou por produzir afirmações só entendíveis,
quando enquadradas pelo cenário de desespero que a direcção do partido
atravessa!
Depois de insinuações várias (o Freeport
não faltou no rol...) concluiria pela acusação de o governo se encontrar “sob suspeita, o que mina a autoridade
do Estado e corrói as instituições”, prosseguindo
em crescendo com nova acusação esta completamente anacrónica e surpreendente,
vinda de um partido que se denomina... “social-democrata” (!): a de o governo
socialista ter uma “visão retrógrada e sovietizada da sociedade” ao querer
intervir em “todos os sectores da sociedade portuguesa” (em SOL).
Com tudo isto, o PSD conseguiu de facto
minimizar o impacto da deserção de Moita Flores. Mas enveredou por caminhos e
por linguagem que não costumam ser utilizados por partidos que pretendam ser
encarados como suficientemente responsáveis para assumirem funções executivas.
Poderia ter sido Louçã a proferir todo aquele discurso de ataques e de vazio de
propostas...
Valerá a pena deixar aqui, os seguintes
comentários:
1. - Acusar o PS de pretender uma
sociedade “totalitária” e “sovietizada” só se entende se pensarmos que vem
de um partido de direita, que tenta há anos mascarar-se de...
“social-democrata”! Conseguindo entender a confusão ideológica com que
sucessivas lideranças laranja tentaram enganar os menos atentos, entende-se
também a terminologia de Aguiar-Branco...
2. – É também ridículo acusar o PS de práticas “soviéticas”, poucos
dias depois de o país ter assistido por parte do PSD a uma depuração onde
foram excluídos das listas a generalidade dos opositores internos da
liderança actual e onde simultaneamente se tentou o branqueamento da imagem
de alguns acusados pela justiça! Práticas essas habituais no período de vigência
do império soviético.
3. – O gosto pelas práticas soviéticas, deve aliás ser grande na S.
Caetano, à Lapa pois o PSD sabe que a única razão porque ganhou as eleições
Europeias e porque pode aspirar (ainda que de forma cada vez mais ténue e
improvável) a vencer as próximas legislativas, se deve à persistência das
direcção comunista e bloquista, em elegerem como principais adversários, não a
direita mas sim o PS...
4. – As insinuações sobre a “suspeição” e as alusões ao caso
Freeport, demonstram que o PSD não terá escrúpulos e recorrerá a tudo durante a
campanha eleitoral, à semelhança do que sucedeu com Santana Lopes há 4 anos... Pelo
menos a tudo o que lhe permita fazer uma campanha pela negativa e evite falar
daquilo que devia: quais as ideias alternativas de governação para o país!
3.- Jerónimo e Louçã
unidos num objectivo: ter responsabilidades, “jamais”!
Jerónimo e Louçã: chega-lhes a rua. assumir responsabilidades de governo "queima"
Para terminar, e ainda a propósito de “sovietizações”, Jerónimo
de Sousa rejeitou hoje a possibilidade de coligações pós-eleitorais com o
PS, em resposta a
uma entrevista onde o antigo líder socialista Ferro
Rodrigues, apontava esse caminho como possível caso o PS não obtenha uma
nova maioria absoluta... O curioso, são as razões que Jerónimo continua a
invocar para não ter de assumir responsabilidades governativas e poder
continuar a ser oposição de rua ao governo: “Não nos ofereçam lugares com base na cumplicidade daquilo
que está mal na sociedade portuguesa (...) O PS
tem uma posição imobilista e não pode pedir ao PCP que assine de cruz uma
política que consideramos desastrosa.” (em TSF).
Significará isto que Jerónimo acha que o PS deveria reconhecer a Coreia do
Norte como uma democracia, para ser merecedor de uma possível coligação?
Significará isto que a coligação “fantasma” que permite ao PCP há décadas
concorrer a eleições sob outra designação e duplicar tempos de exposição e de
intervenção na A.R., com o artifício de contar com dois grupos parlamentares em
vez de um, se faz apenas em torno da concessão de lugares aos seus “cúmplices”
do Partido “os Verdes”? Mais cauteloso foi Francisco Louçã, que recusou
igualmente o eventual assumir de responsabilidades governativas no quadro de
qualquer caordo com o PS, pois “as bases políticas programáticas do PS são completamente
contrárias às do Bloco”
(em IOL
Diário).
4.- E para o país?
Sobra alguma coisa?
Do conjunto destes factos políticos dos 2 últimos dias, torna-se
cada vez mais claro que a estabilidade política passará cada vez mais pelo
evitar de aventureirismos políticos quer à esquerda, quer à direita. E cada vez
mais também parece evidente que à confusão e jogos de interesses que reinam À
direita do PS, a extrema esquerda contrapõe o mesmo de sempre: evitar a todo o
custo ter de assumir responsabilidades nos destinos do país, justificando a sua
existência apenas como contra-poder.
No meio deste cenário particularmente perigoso, e com uma prática
governativa que mal ou bem conduziu Portugal à adesão Europeia, conseguiu
evitar a banca-rota no final de 80 (com a colaboração de Mota Pinto,
outro dos depurados na altura, no PSD) quando o FMI se instalara já no país,
liderou a introdução de Portugal na moeda única Europeia e nos últimos tempos
não se furtou a combater a pior crise económica mundial que se conhece, está o
que parece ser aúnica solução credível de governo no momento: um Partido
Socialista que, infelizmente para todos os Portugueses, não pode contar com
nenhuma oposição credível e verdadeiramente alternativa, que o obrigasse a ser
melhor na governação futura.
Cada vez mais, percebo o desabafo aliviado de Marcelo Rebelo de Sousa, no dia a seguir à votação das listas do PSD quando exclamava no seu blogue aqui "ao lado": "Bendita RTP, que me mandou para férias!". E como deve estar a pensar nesta altura, numa forma de as prolongar...