ÁGUAS SEPARADAS... COM PROGRAMA DO PSD ANUNCIADO
Mas continua a ser pedido o cheque em branco ao
eleitorado...
E finalmente, aconteceu!
Manuela Ferreira Leite lá
apresentou as 38 páginas do seu programa
eleitoral após os sucessivos adiamentos ocorridos nos 2 últimos
meses.
Não são as páginas
em branco que aqui glosei num dos muitos momentos de indecisão
laranja, mas o programa não é um flop, apenas porque tem um mérito: o de
tornar evidente que o PSD se coloca claramente na franja direita do espectro
partidário. Isto, num momento em que a estratégia da extrema esquerda
parlamentar (BE e PCP), para tentar evitar o voto útil, passa quase unicamente,
pela tentativa repetida à exaustão de colar o PS ao PSD...
Nesse sentido tem razão o
ex-ministro de Guterres, Pina
Moura, quando diz que se trata de « um documento “clarificador” e
“divisor de águas”»! Nas
restantes declarações de Pina Moura na sua entrevista ao Expresso,
entendidas pela generalidade dos analistas como de apoio ao programa do PSD, o
que se percebe é um trajecto político e pessoal, que se iniciou há uns anos no
PCP, com passagens para as hostes socialistas e que depois de experiências
empresariais algo polémicas em grandes grupos de vários sectores, prossegue
ameaçando talvez acabar na extrema direita (?)...
Mas, centrando as
atenções no documento laranja, as principais conclusões que se retiram são:
- Na generalidade, é feito
um diagnóstico negativo das várias áreas consideradas prioritárias, e são
enumeradas uma série de meras intenções. Não chegam a ser metas e muito
menos objectivos pois nunca é dito “como” lá se chegará, nem “o que”
se propõe um eventual governo laranja fazer, para esse efeito.
- As novidades são poucas
ou nenhumas, face ao que de há algum tempo a esta parte os dirigentes do PSD
vinham repetido.
- Como vem sendo hábito no
discurso errático de Ferreira Leite, notam-se alguns recuos em intenções
anteriormente anunciadas. O caso do TGV é o mais paradigmático a
este nível, uma vez que agora se sabe que afinal este não será um dos
anunciados “rasganços”... afinal, o PSD apenas promete suspender o projecto
para... o reavaliar! Ou seja, como se previa, o histerismo anti-TGV apenas
tinha por objectivo ser um governo do PSD a poder recolher os louros do lançamento
da obra... o que sucederá depois de mais uma alteraçõazinha do traçado
(justificada claro com mais uns quantos estudos e análises custo-benefício)! A
mesma “receita” será seguida na 3ª auto-estrada Lisboa – Porto, que os
“social-democratas” vêm apelidando de “auto-estrada rosa”, percebendo-se
agora que poderá vir a ser (depois de reavaliada, claro), uma excelente.. “auto-estrada
laranja”!!!
- No caso do novo
Aeroporto, a “proposta“ do PSD ainda é mais ridícula: todos nos lembramos
de ouvir o mesmo discurso da “tanga”: não é a altura apropriada, há que
suspender o projecto, estudá-lo melhor, etc. Mas nada disso consta do programa:
o que o PSD se compromete “com verdade” a fazer é construir “por módulos” a
infra-estrutura! Ou seja: exactamente o que o actual governo elegeu como
metodologia a seguir e que tantas críticas mereceu à paladina da “verdade”...
Na economia, as habituais
generalidades liberalizantes, que podemos resumir no chavão do “menos
Estado, melhor Estado” que ao longo dos anos vai servindo de cartilha
ideológica a esta direita falha de ideias novase que parece esquecer-se que
ainda há bem pouco tempo, para desviar as atenções de crimes que alguns dos
seus pares aparentemente terão cometido no BPN (e BPP? E BCP?) não se coibia de
clamar pelo contrário: “que era necessário afinal ter havido muito mais
Estado... regulador”!!! Ai a verdade, Drª Manuela! E a “coerência”...
Do pouco que é
concretamente prometido, ressalta um aspecto preocupante: é que também nunca
é dito como serão financiadas as medidas! E tratando-se na maioria dos
casos de situações com tradução quer nível da diminuição de receitas do
Estado (baixa da taxa social única para os empregadores e do IRC, fim de
algumas taxas moderadoras do SNS, extinguir o PEC), quer no aumento da
despesa pública (estender o período de concessão do subsídio de desemprego,
reforço do financiamento das PME), fica-se sem saber qual o euro milhões
financeiro que o PSD descobrirá para tornar tudo possível. A não ser que
voltemos às “receitas” que caracterizaram a última passagem (felizmente curta)
de Ferreira Leite pelo Ministéiro das Finanças, onde apenas conseguiu esconder
a sua incompetência para conter o déficite, com o recurso a vendas a desbarato
de património e de créditos fiscais, em negócios altamente lesivos do Estado e
até hoje nunca cabalmente explicados pela sua mentora...
O pior de todo o
programa, serão no entanto... as páginas que lhe faltam!
TIRAR
O que lá está, é de facto
aquilo que Manuela negou estar, no momento da apresentação: ali, promete-se
tudo a todos! Pelo menos a todos aqueles que protestaram contra o governo do PS:
Professores, militares, juizes, magistrados e todos aqueles que tenham clamado
contra as reformas do governo PS, poderão encontrar alguma coisa de agradável
no programa laranja. Desde que não cuidem de se interrogar como será aquilo
feito e de que maneira será pago... Se isto não é pedir um cheque em branco
ainda que o pedido venha disfarçado num embrulho de cores suaves e
agradáveis...
As reformas, estão também ausentes
em absoluto do programa do PSD...
Rangel: Um estranho conceito de política sem ética...

Uma nota final para
referir o aparecimento em cena do novo “herói” do PSD, o
agora deputado Europeu Paulo Rangel. Que apareceu a tentar
defender a líder dos ataques
sucessivos de vários correligionários no caso das listas com candidatos pouco
recomendáveis, o que lhe valeu já, o
anúncio de várias deserções... Sem mais comentários, atente-se
numa frase lapidar, que Rangel escolheu para o efeito: "A credibilidade da política não
está na ética"!!! Pena
foi que a declaração não tivesse sido completada, pois interessaria a todos
sabermos como se credibilizam então os políticos... Rangel não demorou a receber a
“resposta” interna, que Paula Teixeira da Cruz fez questão de lhe dar,
poucas horas depois das infelizes declarações: “É certo que há autores que separam
ética da política. Como Maquiavel. Mas não é menos certo que César Borgia, o
Príncipe em quem Maquiavel se inspirou para escrever a sua obra, acabou muito
mal: foi morto em fuga sem glória alguma.”
E agora, vou de férias!
É verdade. A partir de
amanhã rumarei a outras paragens durante as próximas 3 semanas!
Por esse motivo, a
publicação de textos aqui no xadrezismo, poderá ser reduzida,
ou... talvez não!
Até breve, pois.