MR. OBAMA, LOOK AT PORTUGAL? PARA RESOLVER PROBLEMAS DAS ESCOLAS AMERICANAS!
Elogio de especialista internacional, não passou na
imprensa
Nacional...
O nome Don Tapscott dirá pouco ou nada à maior parte dos Portugueses. E graças à forma
como a generalidade dos órgãos de comunicação social fazem as suas agendas
noticiosas, assim continuará a ser!
Não obstante, este Canadiano especialista em novas
tecnologias com particular enfoque na sociedade e nas empresas, deu à já mais
de 2 meses bons motivos para abrir todos os serviços noticiosos de rádios e
televisões e ser 1ª página de qualquer jornal Nacional. O que não sucedeu vá-se
lá perceber porquê…
Em 24 de
Junho último, Don
Tapscott publicou
em dois blogues de referência, um artigo que assumia a forma daquilo que entre
nós se convencionou designar por “carta aberta”. O destinatário, era Barack
Obama e o assunto, a situação de reforma do sistema de ensino que há muito
é exigido por vários sectores da sociedade Americana. O título não permite
grandes dúvidas: «Quer resolver os problemas das
escolas Americanas? Olhe para Portugal, sr. Obama!». Traduzirei mais adiante o artigo na sua totalidade. Caso prefira,
pode consultar o original (em Inglês) nos locais de publicação:
O blogue
Huffington Post, que se trata de um sítio onde são reunidos blogues,
notícias e artigos de opinião. A maioria dos textos publicados são contributos
de políticos, actores e académicos. O próprio Barack Obama já lá publicou
textos seus.
O blogue
Wikinomics, o qual reúne uma série de especialistas em matérias
como economia e novas tecnologias.
Resumindo o texto em breves palavras, o seu autor
dá como exemplo a seguir por Obama, as reformas que nos últimos 4 anos foram
implementadas em… Portugal, na área educativa, enaltecendo o “choque
tecnológico” e o arrojo e esforço do governo Português ao tentar
proporcionar o acesso universal dos mais jovens (independentemente das suas
capacidades económicas e estrato social) às tecnologias de informação,
nomeadamente à utilização de computadores e internet. O exemplo do
Magalhães é amplamente elogiado e sem rebuços, apresentado como um caso de
sucesso único no Mundo! O autor serve-se do exemplo Português, como
contraponto ao sistema de ensino Americano, dando conta do que viu numa visita
a uma escola básica perto de Lisboa. E não se coíbe na utilização de
adjectivos bem demonstrativos do que
apreciou no exemplo Nacional. Começa assim a perceber ostracismo a que a
imprensa nacional o votou? Pois… e ainda há por aí quem encha a boca com os
propagandeados “controlo e pressões” que Sócrates e o Governo exerceriam sobre
a imprensa. A ser verdade, estes “controleiros” serão muito incompetentes!
Como já referi, mais de dois meses passados sobre a
divulgação deste artigo, e pese embora o facto de a Agência Lusa o ter
difundido (fazendo-o chegar ao conhecimento de todos os jornais e restantes órgãos
de comunicação social, encontrei apenas três honrosas excepções ao manto de
silêncio a que o mesmo foi votado pela nossa imprensa!!! O Público,
o gratuito Destak
e o regional Correio do Minho,
deram o mais que justificado eco à notícia que deveria de encher o nosso ego
colectivo! Mas a generalidade da nossa imprensa, omitiu por completo o
assunto, parecendo estar mais interessada em destacar as notícias sobre
Portugal no estrangeiro, apenas quando se tratem das diatribes dos nossos
“cromos da bola” (preferencialmente se o protagonista for Ronaldo ou Mourinho…)
ou quando algum tablóide Inglês fala mal do paraíso Algarvio… Isto, apesar de a
maioria dos nossos jornais e revistas dedicar parte do seu espaço a rubricas
pretensamente destinadas a nos dar a conhecer o que é dito de nós lá fora! A
título de exemplo, caso o leitor duvide, tente consultar o que o Sol,
detentor do local de alojamento deste blogue, escolheu nas 9 edições que já
teve após o texto de Don Tapscott ter sido publicado e encontrará as
banalidades do costume citadas acima…
Este artigo, deveria fazer corar de vergonha todos
os que tentaram denegrir o caso de sucesso do computador Magalhães,
esforçando-se por disseminar na opinião pública a ideia de que não passava de
uma acção propagandística do governo! Não me admiraria que perante esta “nota a
Obama”, ainda se ouça alguém a alvitrar que o autor estava “comprado” por
Sócrates…
Ao lê-lo, o leitor recordar-se-à por certo do que
era ainda há poucos anos um sistema de ensino “de giz e ardósia”. Eu próprio
recordei que no I.S.E. nos anos 80 d século passado, tive a experiência
absolutamente surreal de ter uma disciplina de “Informática de Gestão”, onde
dureante um ano inteiro não vi um só computador ou terminal, que fosse! A única
tecnologia utilizada era o papel, o giz e a sapiência do docente responsável
pela “cadeira”! E estamos a falar de uma das melhores faculdades de Economia do
país!
É lamentável que alguns Tugas se comportem como tal,
em casos como a deste artigo! E mais lamentável que jornalistas e directores de
jornais se prestem a “calar” notícias que em qualquer outro pequeno país
periférico como o nosso, seriam objecto das maiores paragonas!
Como é lamentável que uma oposição pouco credível e
calculista, continue a tentar promover o anedotário Nacional sobre o Magalhães
e a tentar esconder a reforma do sistema de ensino que o país conheceu nos
últimos 4 anos, refugiando-se na contestação que o sistema de avaliação mereceu
por parte de um dos sindicatos…
No próximo dia 27 de Setembro, sugiro que o leitor
ao deslocar-se À sua secção de voto, repare no quadro branco que se encontra
atrás da mesa de voto. E recorde a descrição que dele faz Don Tapscott.
Trata-se do tal quadro inteligente interactivo que transformou em peça de museu
a velhinha (e já anacrónica entre nós!) ardósia…
Em “homenagem” (e com dedicatória expressa) a todos
os que demonstraram alinhar com toda a parcialidade, no clube do
bota-abaixismo, deixo a seguir, a tradução integral de todo o artigo de Don Tapscott (com destaques a negro, das
partes que considero mais relevantes para o nosso país).
Para quem possa querer
saber mais sobre o autor, as suas principais obras (das 13 já editadas) são: “Wikinomics” e “Grown up digital”.
Nota ao Presidente Obama
Quer melhorar as escolas?
Olhe para Portugal!
por Don Tapscott
« O
Presidente Obama sabe que as escolas Americanas são um fracasso para um grande
número de jovens Americanos. Um terço dos estudantes, abandonam o ensino sem
concluírem o liceu. É um terrível “record” e ainda é pior em escolas públicas
do interior, onde apenas metade dos negros e Hispânicos completam aquele ciclo.
Não é um legado de que alguém se possa orgulhar. Mais jovens Americano,
proporcionalmente, abandonam hoje a escola, do que alguma outra vez aconteceu
na nossa história.
Este é sem dúvida, um
problema complicado, mas uma das razões pelas quais muitos jovens Americanos
estão desmotivados e não estudam correctamente, é aborrecerem-se na escola. Eles
crescem num ritmo acelerado, desafiando o mundo digital, com a internet,
aparelhos móveis, jogos de vídeo e outros “gadgets”. Eles vêem menos TV do que
os seus pais e a TV é tipicamente uma actividade de suporte. Eles são de uma
geração que não gosta de assistir e adora interacção, multi-tarefas e
colaborar. Hoje, quando entram na sala de aulas, deparam-se com livros de
textos obsoletos e conversas de professores que continuam a usar a inovação do
século XIX: giz e quadro negro.
As salas de aula Americanas
têm de entrar no século XXI. Milhares de professores concordam com isto. No
início deste ano, vários importantes grupos ligados à Educação pressionaram o
Presidente e o congresso a gastar quase dez mil milhões de dólares para
melhorar a tecnologia dentro das salas de aula e para garantir um uso mais
eficaz dos computadores por parte dos professores.
Para ver como isso se faz, sugiro ao
Presidente que olhe para um modesto país do outro lado do Atlântico, que se
está a transformar em líder mundial no repensar do ensino para o século XXI.
Esse país é Portugal. A economia
portuguesa, no início de 2005, estava em declínio e a ficar sem os habituais
remédios económicos. Além disso, ao nível do ensino, apresentava alguns dos
mais fracos resultados de toda a Europa ocidental.
Por isso, o Primeiro Ministro José
Sócrates deu um passo corajoso. Decidiu investir fortemente num “choque
tecnológico” para impelir o seu país para o século XXI. Isso implicava, entre
outras coisas, que ele garantisse que toda a população activa soubesse usar
eficazmente um computador e a internet.
Isso poderia transformar a sociedade Portuguesa,
dando às pessoas acesso imediato ao mundo. Isso abriria enormes oportunidades
que podiam tornar Portugal um país mais rico e competitivo. Mas tal não
aconteceria se as pessoas não tivessem um computador em seu poder.
Em 2005, apenas 31% dos lares portugueses
tinham acesso à internet. Para incrementar a penetração, o lugar mais lógico
por onde começar seria a escola, onde existia então apenas um computador por
cada 5 alunos. A meta era ter 1 computador por cada 2 alunos em 2010.
Portugal lançou então o maior
programa, a nível mundial, para equipar cada criança com um portátil e acesso à
internet e ao mundo da aprendizagem conjunta. Para pagar este programa,
Portugal fez uso quer de fundos governamentais quer de dinheiro dos operadores
móveis a quem tinham sido atribuídas licenças 3G. E assim foi subsidiada a
compra de um milhão de portáteis, ultra baratos, por professores, crianças em
idade escolar e adultos em formação.
Eis como tudo funciona: se você é um professor ou um aluno, pode comprar um portátil
por € 150,00 (U.S. $207). Pode ainda ter uma taxa de desconto para o acesso de
banda larga à internet, com ou sem fios. Estudantes mais desfavorecidos, têm
maiores descontos e os portáteis são grátis para as crianças mais pobres. Para
os alunos mais jovens, da 1ª à 4ª classe, o acesso ao portátil/Internet é ainda
mais barato - € 50 para os que podem pagar, grátis para os que não podem.
Isto foi apenas o começo:
Portugal investiu 400 milhões de euros para assegurar que cada sala de
aulas tem acesso à internet. Todas as salas de aula do sistema público, têm
agora um quadro inteligente interactivo, em vez do antiquado quadro negro.
Isto significa que quase
nove em cada dez alunos dos primeiros quatro anos de escolaridade têm um
portátil nas suas mesas. O impacto na sala de aula é tremendo, tal como
testemunhei este ano quando visitei uma sala de aulas de crianças de sete anos
numa escola pública em Lisboa. Foi a sala de aula mais entusiasmada, ruidosa e
colaborante que alguma vez vi, no mundo.
O professor orientou os
alunos para um blogue de astronomia com uma bonita imagem a cores do movimento
de rotação do sistema solar no ecrã. “Agora,” disse o professor, “quem sabe o
que é um equinócio?”
Ninguém sabia.
“Muito bem, por que é que
não tentam descobrir?”
A pesquisa começou, com
as crianças divididas em pequenos grupos para descobrirem o que era o
equinócio. Então, um dos grupos saltou levantando as mãos. Encontraram!
Passaram então a explicar a ideia aos colegas.
Isto, pensei eu, era precisamente o
oposto de tudo o que estava errado no sistema de ensino dos Estados Unidos.
As crianças desta sala de aula em
Portugal estavam a adorar aprender coisas de astronomia. Estavam a colaborar.
Estavam a trabalhar ao seu próprio ritmo. Quase nem
reparavam na tecnologia, no seu tão desejado portátil, porque era tão natural
utilizá-lo como respirar. Mas mudou o relacionamento que tinham com o
professor. Em vez de se remexerem nas cadeiras enquanto o professor fala e
gatafunha alguns apontamentos no quadro, eram eles os exploradores, os
descobridores, e o professor era o seu útil guia.
Ainda é frequente, no
sistema de ensino dos E.U.A., os professores continuarem a confiar num modelo
de educação industrial. Debitam uma fala, a mesma para todos os alunos. É um
sentido único na conversa. O professor é o perito, dos alunos espçera-se que
absorvam o que o professor diz e repete. E é suposto que os alunos aprendam
sozinhos.
Os professores acham que
esta é a única forma de ensinar grandes turmas de crianças, enquanto que a aula
em Portugal mostrou que dotar os alunos de portáteis, pode libertar o professor
para introduzir uma nova forma de ensino que é mais natural para jovens que
crescem no digital, em casa.
Primeiro, isto que os
professores desçam do palco e comecem a ouvir e conversar em vez de apenas
transmitir conhecimentos. Em segundo lugar, o professor pode encorajar os
alunos a descobrirem por eles próprios e ensinar o caminhoda descoberta e do
pensamento crítico, em vez de apenas memorizarem a informação que o professor transmite.
Em terceiro, o professor pode estimular nos alunos a colaboração entre eles e
com outros fora da escola. Finalmente, o professor pode adaptar o seu estilo de
ensino aos estilos de aprendizagem de cada um dos seus alunos.
Não é fácil mudar o modelo
de ensino. É mesmo a parte mais difícil. É muito mais fácil gastar dinheiro,
como Portugal fez, para levar a internet à sala de aulas e equipar os alunos
com portáteis. (Por agora, metade dos estudantes dos liceus possuem-nos, assim
como 4 em cada 10 alunos do escalão de ensino seguinte).
Em Portugal houve o
cuidado de investir na formação de professores para capitalizar as
potencialidades dos portáteis nas escolas. Eles estão também a pensar criar uma
plataforma online que permita aos professores um trabalho conjunto na
preparação de aulas e criação de novos materiais pedagógicos que potencializem
a interactividade tecnológica. Através desta colaboração, o sistema de ensino
Português poderá criar novos materiais online para a educação dos jovens. Muitas
ideias estão já a ganhar corpo nas salas de aulas Portuguesas, diz Mário
Franco, presidente da Fundação para as Comunicações Móveis, que está a gerir o
programa e-escolas. Há 50 programas educacionais e jogos nos portáteis que os
mais jovens utilizam. Os portáteis estão todos equipados com um controlo que
encoraja os jovens a acabar os seus trabalhos de casa e atingir classificações
elevadas. Se eles o fizerem, conseguem mais tempo para brincar.
É ainda demasiado cedo
para avaliar o impacto no ensino das escolas Portuguesas. Estudos do impacto de
computadores nas escolas, efectuados noutros locais, foram inconclusivos, ou
ambíguos. Um problema fundamental é que apenas dotar as escolas de computadores
não é suficiente. Professores que enfrentem uma sala de alunos com portáteis,
precisam de aprender que não mais serão os peritos no seu domínio, a internet
é-o.
Portugal está numa
campanha para reinventar o ensino para o século XXI. A tecnologia é apenas uma
parte dessa campanha. O verdadeiro trabalho é criar um novo modelo de aprendizagem.
Eu acredito que isto pode
ajudar os E.U.A. a reavivarem o interesse dos estudantes na escola e talvez
fazê-los permanecer na escola o tempo necessário à conclusão do escalão liceal
e mesmo a ingressarem na universidade. Será um investimento substancial. Estimo que o custo total
de fornecer um computador a cada aluno, incluindo ligação à net, formação e
manutenção sera superior a 1.000 dólares por ano.
Todavia, depois de ver
como são promissoras as salas de aula em Portugal, estou convencido de que vale
a pena. As nossas crianças deviam ter a mesma sorte.»