SOL

AS FACES OCULTAS DA JUSTIÇA PORTUGUESA

Existirá corrupção onde menos se poderia esperar, ou são apenas incompetentes?


Diz a alínea b) do n.º 2 do artigo 11.º da Lei n.º 48/2007 (Código de Processo Penal) que compete ao presidente do Supremo Tribunal de Justiça, em matéria penal "autorizar a intercepção, a gravação e a transcrição de conversações ou comunicações em que intervenham o Presidente da República, o presidente da Assembleia da República ou o primeiro-ministro”.

 

Antes de começar, relembro que sempre tenho tido o cuidado de apenas abordar aqui casos de justiça, depois de deixar a “poeira assentar”, isto é, tentando não embarcar nas ondas de mediatismo imediato que normalmente nos são servidos por alguns órgãos de comunicação social, em função de critérios que (no mínimo) não são claros mas indiciam ultrapassar em muito o simples interesse jornalístico (que presume isenção) da questão, e sem que nunca saibamos o que ficou por divulgar...

 

Assim fiz nos casos Freeport, BPN, e mesmo na aberração das alegadas escutas a Belém: esperei pelo momento em que fossem para mim claros os contornos da “coisa” e o alcance da mesma.

 

Por isso não me irei pronunciar ainda sobre o caso Face Oculta em si mesmo, mas antes sobre as muitas faces ocultas que permitiram que os seus aspectos colaterais sejam nos dias que correm, um dos principais temas da agenda política nacional.

 

Aliás, o “Face Oculta” passou para 2º plano na agenda mediática a partir do momento em que se soube que Vara telefonava para Sócrates e que durante vários meses, as respectivas conversas eram escutadas ao arrepio do que a lei impõe.

 

Ao arrepio da lei, assistiu o país – atónitos uns, salivantes, outros – à divulgação na imprensa de partes da investigação – cirurgicamente seleccionadas, sabe-se lá por quem e com que objectivos – que deveriam estar no recato das actividades inerentes a essa mesma investigação, a bem da eficácia da mesma e do bom nome dos envolvidos, enquanto ainda inocentes.

 

Há três aspectos que a voragem mediática não tem assinalado com o merecido destaque:

 

1. Há ou não uma subtil corrupção na Justiça Portuguesa?

 

Importaria saber o que anda a fazer o Procurador Geral da República (PGR) , o Ministério Público (MP) e a Polícia Judiciária (PJ), para apurarem quem no âmbito da investigação de sucessivos casos policiais, com as investigações a decorrer, vai alimentando alguns jornais (e são sempre os mesmos…) de factos parcelares dessas mesmas investigações. E, já agora, importaria perceber a motivação dessas gargantas fundas. Só assim saberíamos se há ou não corrupção no MP e/ou na Polícia Judiciária! Até esse esclarecimento, todas as leituras serão possíveis, desde a pura e simples incompetência de Magistrados pagos por todos nós para cumprirem a lei até às piores suspeições: as de que alguns dos elementos envolvidos nas investigações, se deixam corromper, vendendo as informações a “jornalistas” sem escrúpulos, ou apenas se deixam corromper, na busca de objectivos políticos…

 

Neste sentido, pronunciaram-se uma série de vozes com responsabilidade no sector: «Marinho Pinto, Bastonário da Ordem dos Advogados: "Não conheço o teor das escutas nem o fundamento da decisão do SJT, mas seguramente se a certidão foi anulada é porque era ilegal. É com muita preocupação que vejo esta cobertura. Em Portugal, a investigação criminal é excessivamente mediatizada, é feita mais para os órgãos de informação que para realizar os objectivos da Justiça. Há casos a apodrecer há anos, sem sequer haver acusação e fazem-se as piores acusações e piores condenações publicamente ainda na fase inicial da investigação. Deveria investigar-se, acusar-se e julgar-se e passa-se o contrário: julga-se primeiro, investiga-se depois e no final é o que se vê: nenhum culpado preso nem nenhum inocente ilibado, é uma caldeirada, o que é muito mau. O MP e a polícia vão pagar caro.

(…)

Rui Patrício, Penalista: “tenho visto com muito desgosto que, estando em segredo de justiça, as informações estejam continuamente cá fora. Antes de alterar o regime [do segredo de justiça] seria preciso que todos os operadores judiciários fossem rigorosos no cumprimento das regras e, em caso de violação, que se fizesse as averiguações necessárias.”

(…)

Assunção Esteves, Jurista: “A Justiça tem tido demasiado espectáculo ao longo destes anos no nosso país. Por culpa de vários agentes de Justiça, muitas vezes por não guardarem o segredo de Justiça na devida medida. Há sempre demasiado espectáculo nestes casos, preferia que não houvesse, mas enfim...as características dos cargos de muitas pessoas investigadas nestes processos implicam um certo apetite dos media e uma publicidade exagerada em relação aos mesmos.” » (em Jornal de Notícias)

 

Estranhamente (ou talvez não?) no mesmo artigo do J.N., os dois representantes sindicais ouvidos, António Martins, Presidente da Associação Sindical dos Juízes Portugueses, e João Palma, Presidente do Sindicato dos Magistrados do Ministério Público (SMMP), não se mostram incomodados sobre setes factos. João Palma, chega ao ponto de declarar: «Quanto à cobertura mediática considero-a uma cobertura normal, atendendo à matéria que está a ser investigada.» (!!!) Ficamos sem saber – mas eu muito gostaria de ser esclarecido se esta “normalidade” da cobertura mediática, está incluída a divulgação das fugas de informação ao segredo de justiça…

 

Na mesma linha de irresponsabilidade conivente com tão gritantes violações da lei, por parte de quem a devia cumprir e fazer cumprir, o secretário-geral do mesmo SMMP, Rui Cardoso, viria a dizer-se “muito atento” [em Diário de Notícias] à eventual abertura de um processo disciplinar a colegas que tenham feito escutas à margem da lei, no caso ao primeiro-ministro. Que confiança se pode ter no funcionamento da justiçazinha que depende desta gente? Depois de se saber como começou o processo de averiguações do Freeport, temos agora estes degradantes exemplos!?

 

 

Quem nos garante que uma Justiça que não respeita os princípiose a LEIdo Estado de Direito em processos tão mediatizados como estes, que se move ao sabor de denúncias anónimas, que promove e instiga alguém a enviar cartas anónimas para denunciar supostas ilegalidades, que é incapaz de expurgar do seu seio quem não mantem sob sigilo as investigações a decorrer, é capaz de garantir aos cidadãos anónimos, um tratamento isento e justo um dia que dela necessitem ou em que caiam nas suas malhas!?

 

Se tiver de optar entre avaliar alguns investigadores deste tipo de casos entre corruptos ou incompetentes, escolho... ambas as hipóteses! Poderão ser tidos como competentes, quando os resultados dos inúmeros casos redundam em anulações em Tribunal por falta de provas, ilegalidades na obtenção das mesmas ou erros formais que seriam indesculpáveis a meros estagiários?

 

2. Porque não foi cumprida a lei, atempadamente, pelo MP, Juiz de instrução e PGR?

 

O sr. PGR também sai pessimamente da fotografia, noutro aspecto, como bem refere Eduardo Dâmaso, naquilo a que chamou “Justiça de castas”: «Se o PGR quisesse teria resolvido de imediato o problema da eventual nulidade da primeira escuta, em que o alvo é Vara e não Sócrates. Bastava que no dia em que foi informado da questão – "entre Maio e Junho", como disse – tivesse contactado o STJ e solicitado a intervenção no sentido de autorizar ou não a investigação ao primeiro-ministro.

Optaram pelo contrário – deixaram inequivocamente arrastar a questão, prejudicando todos, da investigação aos próprios visados.». (em Correio da Manhã).

 

O mesmo se pode dizer do Juiz de instrução e do Magistrado que em Aveiro foram confrontados com a 1ª escuta em que Sócrates aparecia! Não está em causa – não pode estar – se a Lei foi recentemente alterada (em 2007) ou a concordância ou não com a mesma. A Lei, a partir do momento em que existe, é para ser cumprida! Concorde-se ou discorde-se da mesma.

 

3. As motivações dos adeptos do Big Brother político

 

Discute-se agora a eventual divulgação das conversas de Sócrates com Vara! Mesmo que sem relevância criminal!

 

Quem o faz, mostra-se adepto de uma espécie de  Big Brother político, que substituísse nos jornais, nas televisões, nos blogues, nos cafés, o local próprio onde as coisas devem ser julgadas: os Tribunais! Que a coisa tem agora uma dimensão política, dizem os que exigem a divulgação. E tem! A dimensão que lhe dá quem pretende fazer esquecer que as coisas nasceram, de uma intolerável ilegalidade! E que se os Magistrados “orelhudos” que fizeram as escutas tivessem agido em conformidade com a Lei, teriam de imediato remetido o pedido de autorização ao Presidente do STJ, para as poderem continuar e, na ausência ou recusa, da mesma, não teriam continuado a audição, de cada vez que do outro lado da linha, o primeiro ministro atendesse mais uma chamada de Vara.

 

Manuela Ferreira Leite é um caso paradigmático destes neo-BigBrotherianos... Ainda há bem pouco tempo, “nunca se pronunciava sobre casos em investigação”! Disse-o para fugir a comentar a polémica situação de 2 acusados com julgamento marcado, cuja não menos polémica inclusão nas listas do PSD, forçou internamente... Agora, mudou a agulha:

 

«Há um facto iniludível: Existem certidões sobre escutas que envolvem o primeiro-ministro e o que está em comentário na opinião pública e a ganhar consistência é que estas se referem à intromissão do Governo numa área tão sensível como a liberdade de informação na área da comunicação social", referiu Manuela Ferreira Leite, numa declaração política no Parlamento. (…) Aqui chegados, é grave, é muito grave que subsistam dúvidas. E as dúvidas políticas não se dissipam adiando investigações ou destruindo hipotéticas provas. Isso só resolve o problema jurídico, mas deixa em aberto um enorme problema político. As dúvidas dissipam-se esclarecendo os factos e esse esclarecimento cabe, sem sombra de dúvidas, ao senhor primeiro-ministro» (Manuela Ferreira Leite, no Parlamento citada pelo Jornal Notícias)

 

Isto não é mais do que nova cedência à baixa política e ao mais vil dos populismos, por se ter apercebido que em qualquer cenário, o PS perderia sempre políticamente, como claramente se explicava no blogue Aspirina B, ainda antes da intervenção parlamentar da ainda líder laranja... Mas é também o reconhecimento da politização da Justiça e do indecoroso contributo da mesma para fazer alastrar o clima de suspeição em que se vive actualmente! Vindo de alguém que fez uma campanha baseada na seriedade, no não espectáculo, na... “verdade”!

 

E falar de Manuela ferreira Leite, significa falar de... Cavaco Silva! A coincidência entre as declarações de um e outro quase em simultâneo, voltou! Que saudades dos meses de campanhas eleitorais onde Cavaco nos habituou às tentativas de ser o farol salvador do desnorte da “verdadeira” senhora! Cavaco não resistiu ao remake do não-devo-comentar-mas-comento, para se declarar “preocupado”... Da mesma forma que manuela perdeu uma excelente oportunidade para sendo verdadeira, condenar as fugas cirúrgicas ao segredo de justiça, recusando-se a tirar proveitos políticos de tais indignidades, Cavaco não se coibiu de bolsar... esquecendo-se de que sobre Dias Loureiro e o BPN, nunca se manifestou preocupado... apesar de aí estarem em causa mais de dois mil milhões de euros! Um bocadinhop mais do que os dez mil euros de que se fala entre Vara e Godinho... A outra grande diferença é que no caso BPN, aparentemente ou ninguém escutou telefonemas de Oliveira Costa e de Dias Loureiro, para os seus amigos bem colocados politicamente, ou então, quem as fez soube respeitar a lei e preservou o segredo de justiça...

 

E neste ponto dou asas à imaginação: como reagiria Manuela Ferreira Leite se, ganhando as últimas eleições, fosse hoje chefe do Governo e objecto de escutas de hipotéticos telefonemas que Preto lhe tivesse feito, onde em conversas particulares – entre amigos – comentassem o financiamento do PSD, as notícias sobre compras de votos no PSD e os jornais e jornalistas que as publicaram, e viesse agora alguém exigir que as mesmas deveriam ser publicadas, apesar de terem sido efectuadas sem a autorização do Presidente do STJ!? Como reagiria? Não sei, mas suspeito... e se um telefonema de Oliveira Costa para Cavaco a discutir as cotações de compra ou de venda das acções da SLN (não cotadas em Bolsa e que proporcionaram chorudas mais-valias a Cavaco e familiares directos) tivesse sido escutado durante as investigações do caso BPN, que tipo de “preocupações” teria o agora Presidente? Mas quanto a Cavaco, nem é preciso imaginar cenários. Basta recordar os argumentos de virgem ofendida com que se referiu apenas há um mês e meio, ao tratamento jornalístico da “inventona” das escutas de S. Bento a Belém. E a forma como tentou justificar o seu prolongado silêncio sobre o assunto, para facilmente concluirmos que este não-devo-falar-mas-falo de Cavaco foram “ultrapassados os limites do tolerável e da decência” !

 

Quisessem Manuela e Cavaco pronunciar-se de forma séria e assertiva, sobre questões  da Justiça Portuguesa e interrogar-se-iam sobre os "desaparecidos" casos BPN, Furacão e sobre a cada vez mais pífia investigação do Freeport, que já todo o país percebeu que não passou de uma urdidura soez que se esvazia dia após dia...

 

 

 

Conclusão

 

Destes 3 aspectos, o primeiro assume foros de gravidade tal que pode estar em causa a democracia! Se os investigadores continuarem impunemente a comportar-se como se fossem membros de um sistema de Justiça de uma qualquer república das bananas terceiro-mundista, é nisso mesmo que o Estado de Direito ameaça transformar-se em Portugal!

 

Imagino eu que no decorrer de uma investigação, haverá um número restrito de pessoas a terem acesso aos documentos e trâmites processuais. Alguns agentes da PJ, alguns Magistrados do MP e um Juiz de instrução, para além de um pequeno grupo de funcionários administrativos de apoio (pelos quais poderão passar documentos esporadicamente, para fotocopiar, para arquivar, etc). Como se explica então que nunca se consiga apurar de onde partem as fugas? Será apenas o espírito corporativo a funcionar?

 

Face a este estado de coisas (diria melhor: face ao estado a que as coisas chegaram), onde tudo parece  ser permitido a quem devia ter o cumprimento da Lei, como princípio orientador fundamental da sua actividade, sugiro que se dê definitivamente o salto qualitativo que falta:

 

Pela calada da noite, uma brigada especial de “investigadores” deveria invadir a casa do primeiro ministro e submetê-lo a um interrogatório à “antiga Portuguesa”! Uma privaçãozinha de sono complementada pela adequada tortura da água, deverão ser suficientes para o fazer “cantar” as suas culpas no caso TVI, no Freeport e na licenciatuira... nem deverá ser necessário recorrer a métodos mais... radicais! E terá a vantagem de, por um lado, demonstrar a incapacidade dos Tribunais democráticos, para julgar situações deste teor... e por outro, de deixarmos todos de andar a fingir que acreditamos em Sistemas de Justiça garantistas e nessa “treta” dos Direitos Humanos!

 

Exagerada, esta proposta? Pois, concordo que é! Mas será que não nos arriscamos a acordar um destes dias, asfixiados por estes "justiceiros" incompetentes ou corruptos, enquadrados por alguns “jornalistas” sem ética e muitos políticos que mudam de princípios mais rapidamente do que trocam de tailleur ou de gravata?

 

Para meditação final, contraponho dois artigos antagónicos publicados nos últimos dias:

 

Excertos de “A justiça está sob suspeita”

 

«As escutas telefónicas a Armando Vara apanharam José Sócrates pelo caminho e sentaram a justiça no banco dos réus (...) O modelo em que assenta o sistema jurídico português é ainda mais obscuro e complicado: é uma ciência oculta, um buraco negro feito de ecos e silêncios, ajustes de contas e incompetências. Ninguém o entende verdadeiramente, ninguém sabe bem o que se passa lá dentro, apesar de não faltarem especialistas reputados, muitas pessoas sérias e de o assunto ser tão delicado como uma operação ao coração. Quem tem o azar de cair nas mãos de um mau jornalista, de um mau juiz (ou magistrado do Ministério Público), ou ainda de um mau médico, pode ficar com a reputação ou a vida destruídas em poucas linhas, em duas palavras ou em breves segundos na sala de operações. (...) Portugal é o país que inventou a via verde das escutas. Que grande invenção lusitana: escuta-se a torto a direito. Em vez de serem conduzidas com a paciência da pesca à linha - com respeito pelo frágil ecossistema de direitos, liberdades e garantias -, as investigações são feitas por arrastão: atira-se a malha fina e tudo o que vem à rede é peixe. Às vezes é peixe graúdo, outras vezes é peixe sem importância, e esse raramente chega às páginas dos jornais, apesar de a destruição ser igualmente fatal (...) Sabe-se agora que o procurador-geral da República terá deixado o caso em pousio deliberadamente ou por incompetência de alguém. (...) é inadmissível o estado a que as coisas chegaram. A falta de confiança no sistema e nas pessoas que o representam entranhou-se de tal forma que nenhum dos protagonistas parece ter salvação.» (por André Macedo, no Jornal i)

 

Excertos de “Uma questão de honra”

 

«Mark Felt (...) como Director Adjunto do equivalente americano à nossa Polícia Judiciária. Durante vários anos foi Director Geral interino do FBI. Foi nesse período que Mark Felt se tornou no Garganta Funda. Muito se tem escrito sobre as motivações de um alto funcionário do aparelho judiciário americano na quebra do segredo de justiça no Watergate. Todo o curriculum de Felt impunha-lhe, instintivamente, a orientação clássica de manter reserva total sobre assuntos do Estado. Hoje é consensual que Mark Felt só pode ter denunciado a traição presidencial de Nixon por uma razão. Para ele, militar e jurista, acabar com o saque da democracia americana era uma questão de honra. Pôr fim a uma presidência corrupta e totalitária era um imperativo constitucional. (...) A única saída era delegar poder na opinião pública para forçar os vários ramos executivos a cumprir as suas obrigações constitucionais. Estamos a viver em Portugal momentos equiparáveis. Em tudo. (...) E assim sabe-se o que dizem as escutas e o que dizem as gravações feitas com câmaras ocultas que registam pedidos de subornos colossais. Ficámos a conhecer as estratégias para amordaçar liberdades de informação com dinheiro do Estado. E sabemos tudo isto porque, felizmente, há gente de honra que o dá a conhecer. Por isso, eu confio no Procurador que mandou investigar as conversas de Vara com quem quer que fosse. Fê-lo porque achou que nelas haveria matéria de importância nacional. E há. Confio no Juiz que autorizou as escutas quando detectou indícios de que entre os contactos de Vara havia faces até aqui ocultas com comportamentos intoleráveis. E, infelizmente o digo, confio, sobretudo, em quem com toda a dignidade democrática e grande risco pessoal, tem tomado a difícil decisão de trazer ao conhecimento público indícios de infâmias que, de outro modo, ficariam impunes. A luta que empreenderam, pela rectificação de um sistema que a corrupção e o medo incapacitaram, é muito perigosa. Desejo-lhes boa sorte. Nesta fase, travam a batalha fundamental para a sobrevivência da democracia em Portugal. Têm que continuar a lutar. Até que a oposição cumpra o seu dever e faça cair este governo.» (por Mário Crespo, no Jornal de Notícias)

 

Ao texto de André Macedo, não acrescento mais comentários – depois de tudo o que escrevi atrás. Já o de Mário Crespo - alguém que até tenho na conta de, habitualmente, moderado - para além de, por paradoxal que possa parecer, servir de fundamento a grande parte do que escreve André Macedo, permite-me soltar uma pergunta:

 

E o exagerado, sou eu!?


Publicação: terça-feira, 17 de Novembro de 2009 1:51 por xadrezismo

Comentários

# re: AS FACES OCULTAS DA JUSTIÇA PORTUGUESA

terça-feira, 17 de Novembro de 2009 8:47 by adri

Meu caro Xadrezismo,

Parabéns, pela peça que produziu.

De facto,à primeira leitura e,sem querer fazer juizos de valor, colocou bem as peças no tabuleiro.De um lado, quem pode e sabe julgar, do outro, quem se submete a julgamento.

Apraz-me, introduzir, aquí, a tese do sistema, como em tempos, um Responsável máximo de um clube de futebol, respondia sempre que o seu clube perdia.

Agora, passamos aos factos:

1-Dar de barato que O Dr.Vara, recebeu 10.000 euros, para não se sabe bem o quê, não é nadada comparado com os milhões do BPN é, aceitar aprioristicamente, que ambos são culpados e um é mais culpado do que outro, atendendo aos valores em disputa.Não posso concordar, e porquê? Ainda, ninguém foi julgado e condenado.

2-Se os factos que sairam a lume,  o tivessem sido, um mês antes das eleições, provavelmente, os resultados teriam sido outros.

3-O que está em causa é pedra basilar, numa democracia que se julgava madura, e isso chama-se:Confiança entre os orgãos de soberania.

4-A críse já minou e muito os alicerces da economia.Agora, temos a corrupção, o vale tudo a imiscuir-se na Justiça.

5-Não sei nem quero saber quem tem razão.Agora, gostava de, acreditar na justiça deste país e nos seus agentes.

Por último,por aquilo que escreveu, estamos todos muito apreensivos e isso, não é exagero nenhum.Ou será?

Um abraço,

# re: AS FACES OCULTAS DA JUSTIÇA PORTUGUESA

terça-feira, 17 de Novembro de 2009 9:59 by xadrezismo

Caro Adri

Agradeço-lhe as simpáticas referências.

Quanto ao que diz:

1.- Não aceito "aprioristicamente, que ambos são culpados" e muito menos que "um é mais culpado do que outro". Ambos são ainda inocentes. Simplesmente os indícios evidenciam culpas que, a confiramrem-se, serão obviamente de graus diferentes.

O que assinalo é apenas o facto de a preocupação de uns, ser apenas com um dos casos e não com todos (incluindo aqueles onde os amigalhaços possam estar envolvidos).

E assinalo ainda o facto de os agentes da  Justiça, nuns casos aparentemente conhecerem a Lei e saberem-na cumprir e noutros ser o desvario podre a que se assiste.

2.- "Se os factos que sairam a lume,  o tivessem sido, um mês antes das eleições, provavelmente, os resultados teriam sido outros." Concordo consigo: não sei é se na exacta medida do que poderá pensar quando o escreve.

Talvez alguns que não votaram PS o fizessem, ao assistirem a mais um vergonhoso caso de aparente manipulação partidária da Justiça. Não me esqueço que a inventona gisada a partir de Belém, dos famosos receios presidenciais das escutas, tinha por objectivo descredibilizar Sócrates, o PS e o Governo e deu no que se sabe. Que o povo não é tão estúpido e ignoro como muitos parecem pensar...

3.- Concordo consigo. Mas acrescento que está em causa outro dos pilares da democracia: a Justiça. O que é mais preocupante do que arrufos entre políticos sem dimensão de Estado.

4.- A corrupção sempre existiu. Mas concordo com o que diz.

5.- Concordância absoluta. Com uma só diferença: gostava mesmo de saber o que sucedeu e se estou certo ou não nas ilações que tiro do que sucede...

Muito apreensivos, é de facto o mínimo que se pode dizer, meu caro.

Um abraço.

# re: AS FACES OCULTAS DA JUSTIÇA PORTUGUESA

terça-feira, 17 de Novembro de 2009 10:56 by xadrezismo

Artigo de hoje no DN, assinado por Mário Soares, chama-se "A face oculta da Justiça" - ainda não li, mas sublinho a coincidÊncia de títulos...

com este.

Depois de lê-lo, talvez o comente.

http://dn.sapo.pt/inicio/opiniao/interior.aspx?content_id=1422425&seccao=M%E1rio%20Soares&tag=Opini%E3o%20-%20Em%20Foco

# re: AS FACES OCULTAS DA JUSTIÇA PORTUGUESA

terça-feira, 17 de Novembro de 2009 14:45 by xadrezismo

Muito interessante o artigo do Económico online (http://economico.sapo.pt/noticias/vamos-voltar-a-discutir-o-pais_74476.html) de hoje, sobre este tema, intitulado Vamos voltar a discutir o país?"

Total sintonia com o que escrevi em vários pontos e até na terminmologia utilizada.

Destaco dois excertos:

Sobre a Justiça: «O problema foi a forma como geriu esse dossiê [o procurador com a responsabilidade do processo], o período que o primeiro-ministro esteve sob escuta sem as devidas autorizações de quem tem poder para as dar - o Supremo - e, pior, a forma como as informações destas escutas foram passadas para a opinião pública através dos jornais, numa violação do segredo de justiça por parte de quem tem o dever de o garantir. O que permitiu perceber a utilização política de um processo judicial. E isto não diz respeito às leis, que existem e são suficientes para garantir que ninguém está acima delas, nem o primeiro-ministro. Isto diz respeito às pessoas, à sua integridade e à sua ética.»

Sobre MFL e o Big Brother de que se tentou servir: «A política saiu também mal destes últimos acontecimentos (...) E, aqui, quem esteve pior foi Manuela Ferreira Leite, que deu cobertura e apoio à tese de que o que importa é a forma e não a substancia, o que o país precisa é de um reality show político, um Sócrates transformado em Zé Maria de um ?big brother' diário.»

Interessante também o "remate"  final: «Nos tempos que correm, quem não critica José Sócrates, quem não está contra o primeiro-ministro simplesmente porque ele existe, é ?socrático' e está do lado errado do mundo. Ora, isso não pode justificar tudo, desde logo a violação da lei e do Estado de Direito.»

Aler, na íntegra. Atentamente.

# re: AS FACES OCULTAS DA JUSTIÇA PORTUGUESA

quarta-feira, 18 de Novembro de 2009 15:32 by Espuma

Se não foi Sócrates que foi escutado, mas sim Vara&C., quem está arrepiado com a lei é Sócrates! Simplesmente aparece em todas. Quando se investiga um qq processo de corrupção, aparece sempre o mesmo menino metido no meio!

A sua perspectiva fica ainda mais engraçada quando conclui, não só, que todos são incompetentes na execução das suas tarefas, mas também, no desempenho da tentacular maquina mafiosa de perseguição ao ministro principal, já que todo esse poder ainda não foi capaz de derrubar o ministro calimero.

# re: AS FACES OCULTAS DA JUSTIÇA PORTUGUESA

quarta-feira, 18 de Novembro de 2009 17:37 by xadrezismo

É verdade o que diz, amigo Espuma

Sócrates está lá sempre! E os métodos usados por quem o coloca lá também não são muito diferentes, pois envolvem sempre alguém que devia limitar-se a investigar cumprindo a lei, mas acaba por assumir outro papel, passando partes da presumível investigação para a imprensa, e comtendo todas as ilegalidades necessárias à respectiva construção da suspeita.

Há-de dizer-me em qual dos tais casos já se provou algo de errado sobre Sócrates...

Não escrevi eu aquilo que refere mas não deixa de ser uma verdade absoluta e triste para alguns dos agentes do nosso sistema de investigação (?)

# re: AS FACES OCULTAS DA JUSTIÇA PORTUGUESA

quarta-feira, 18 de Novembro de 2009 17:51 by xadrezismo

Que são incompetentes alguns dos investigadores (PJ, MP e Juiz de instrução) parece não haverem já grandes dúvidas. Mas para quem as possa ter ainda, aconselho o artigo do JN de hoje "PJ e MP falharam controlo das escutas de Sócrates" (http://jn.sapo.pt/PaginaInicial/Policia/Interior.aspx?content_id=1423401), do qual cito algumas passagens:

«De acordo com informações recolhidas pelo JN, o despacho de Noronha Nascimento, presidente do Supremo Tribunal de Justiça, de 3 de Setembro passado, considera nulo o procedimento até àquele momento seguido pelo Ministério Público (MP), Polícia Judiciária e magistrado de instrução criminal de Aveiro quanto ao controlo e fiscalização de seis comunicações telefónicas em que Armando Vara fala com o primeiro-ministro.

Aquela decisão considerou que, logo que os investigadores perceberam que José Sócrates era um dos intervenientes nas escutas telefónicas ao administrador do BCP deveriam, de imediato, ter remetido o material ao Supremo Tribunal de Justiça (STJ). (...)

Em vez disso, decorreram meses até as escutas chegarem ao conhecimento do juiz de instrução criminal competente para aquelas altas figuras do Estado (o próprio Noronha Nascimento) e o material tinha sido entretanto controlado pelo juiz de primeira instância - que só poderia apreciar as intercepções estritamente referentes a Armando Vara.

Ora esta demora contrasta com a celeridade exigida pelo Código de Processo Penal quanto a suspeitos escutados que não sejam titulares de órgãos de soberania.»

Ou seja: tinham 48 horas para enviar as transcrições para o STJ e o Presidente deste Tribunal recebeu-as... 4 meses depois!!!

E convem tambem não esquecer (continuando a citação):

«esta posição [do Presidente do STJ] foi assumida em consonância com o Procurador-Geral da República, Pinto Monteiro, que desde logo considerou não existirem indícios de crime por parte de Sócrates, nomeadamente "atentado ao Estado de Direito". Também o presidente do Supremo terá considerado não existirem indícios, ao contrário da posição assumida pela PJ, MP e juiz de instrução criminal de Aveiro.»

Claro que com tanta incompetÊncia, se percebe facilmente que o MP não tenha usado o seu direito de recurso sobre a decisão de anular as escutas...  (http://dn.sapo.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=1423585).

# re: AS FACES OCULTAS DA JUSTIÇA PORTUGUESA

quarta-feira, 18 de Novembro de 2009 18:04 by Espuma

Pois...

Entretanto o muro caiu há muitos anos e o Mundo transforma-se.

Devia pensar em actualizar o seu raciocínio que culpa todos, excepto o líder escolhido. Tudo muito suspeito, obscuro e negro! E o líder puro, inteligente e visionário!

A sua teoria da conspiração faz lembrar a URSS nos inicios do seculo passado!

# re: AS FACES OCULTAS DA JUSTIÇA PORTUGUESA

quarta-feira, 18 de Novembro de 2009 20:05 by xadrezismo

Parece-me, caro Espuma, que o autor do Blogue Jumento o conhece bem...

Veja só o que o homem escreveu hoje (acho que lhe assenta na perfeição, em http://jumento.blogspot.com/2009/11/algumas-duvidas-em-tempo-de-bandalheira.html):

«É evidente que muitos dos nossos ?democratas? acham que por estar em causa um adversário político, detestável porque os humilhou em duas eleições, devem fechar os olhos a práticas fascistas só porque isso lhes pode trazer benefícios políticos. (...) A nova estratégia de alguns grupos políticos passa agora por passar a ideia de que se Sócrates está envolvido em tantos casos então é porque é um grande malandro. Isto é, lançam-se suspeitas sistemáticas, não provam nada e depois dizem que esteve envolvido em muitos casos como se tivesse sido sempre condenado. Pior ainda, cria-se um ambiente de intimidação de tal forma que sempre que alguém se opõe a estes truques é logo apelidado de conivente, no processo Casa Pia todos os que ousavam desconfiar do processo eram pedófilos, agora são corruptos."

Safa! Sem tirar nem pôr! Eu, não diria melhor...

Olhe, siga o conselho final do homem:

«Se Sócrates é corrupto provem-no e se o fizerem então que se demita e seja condenado, mas até que o provem defenderei Sócrates, da mesma forma que teria defendido Sá Carneiro ou Pinto Balsemão. A verdade é que nenhum político português foi tão investigado como Sócrates, teve tanto ódio por parte dos magistrados e das polícias e foi tão vilipendiado por bandalhos fascistas.

Até que se prove o que quer que seja Sócrates é mais do que presumivelmente inocente, é inocente e não serei eu que por oportunismo ou porque as minhas capacidades ou projecto político não convencem os eleitores vou prescindir dos meus valores, desrespeitar os mais elementares princípios da democracia ou destruir qualquer adversário político só para chegar ao poder. E o pior é que alguns dos que têm tanta fome de poder estão na verdade a sofrer da síndrome da abstinência porque há muito que sentem a falta das comissões e dos financiamentos ilegais, como os da Somague que ajudaram Durão Barros e Manuela Ferreira Leite a ganharem as eleições. Pior ainda, escolheram um dirigente com uma doença grave para culpado de ter recebido o financiamento.»

Smile Wink Um abraço.

# re: AS FACES OCULTAS DA JUSTIÇA PORTUGUESA

quarta-feira, 18 de Novembro de 2009 22:34 by xadrezismo

Uma curiosa tese acerca da corrupção em alguns agentes da Justiça, apresentada no Blogoexisto por João Pinto e Castro:  http://blogoexisto.blogspot.com/2009/11/quantos-grps-custa-um-rolex.html

«Fugas de informação ajudam a vender muito papel e muito espaço publicitário. Querem fazer umas continhas para estimar quanto vale 1% de audiências (1 GRP em jargão técnico) em horário nobre de televisão?

Deveremos então acreditar que essas fugas são gratuitas? Será que, por definição, não pode haver corruptos nos órgãos encarregados de investigar a corrupção?

Acresce que, ao contrário de muitos dos alegados crimes que têm vindo a público, estes, ao menos, nós temos a certeza de que sucederam, embora ignoremos as suas motivações e contrapartidas.»

Interessante.

# re: AS FACES OCULTAS DA JUSTIÇA PORTUGUESA

quinta-feira, 19 de Novembro de 2009 14:22 by Espuma

Pois, não conheço o Sr. Jumento! Mas como o Sr. Xadrez se identifica com o Sr. Jumento é natural que escrevam de forma semelhante. Não há nenhum valor acrescentado na sua resposta. Escusava de fazer tantos copy-pastes!

Inicia o seu post partindo da premissa errada de que Sócrates foi escutado, o que originou uma falsa abordagem ao assunto.

Depois, o seu raciocínio não é nada coerente com aquilo tem vindo a dizer. Diz que detesta o clima de suspeição contra o governo e argumenta precisamente lançando suspeições sobre todos, menos sobre o governo! Para além de não ser a melhor defesa para o seu querido PS, já que não consegue anular as referidas suspeições, acaba por ter um discurso contraditório.

O que torna este post muito suspeito!

# re: AS FACES OCULTAS DA JUSTIÇA PORTUGUESA

quinta-feira, 19 de Novembro de 2009 14:45 by xadrezismo

Que o amigo Espuma não conheça o autor do Jumento, até acredito. Agora que ele parece conhecê-lo bem a si, lá isso... Smile

Que alguns "copy & Paste" o incomodem, também percebop perfeitamente. Quando gente tão diferente faz leituras semelhantes dos factos e as mesmas não coincidem com os nossos interesses ou opiniões, pode instalar-se esse incómodo...

Recomendo-lhe que leia a alínea da Lei que coloquei mesmo a encabeçar o texto... e veja lá se consegue vislumbrar lá a palavrinha "intervenham" a qual, até tive o cuidado de sublinhar para os "analistas" mais superficiais.

Quanto às cntradições que o amigo sempre se esforça por encontrar por aqui, mais uma vez é pifia! Não está em causa "detestar climas de suspeições contra o Governo" (tem que ler mais devagar e talvez assim não detiurpe o sentido...). O que refiro é um clima de suspeição "generalizado" promovido por investigadores que reputo de incompetentes e/ou corruptos... Veja lá se entende agora!

Por isso mesmo, "suspeito" é quem quer fechar os olhos a esta evidÊncia de uma Justiça politizada (partidarizada?) que se coloca ao serviço de interesses obscuros ao invés doseu npapel que é estar ao serviço da sopciedade e dos cidadãos.

Sugiro-lhe que passe a usar uns "copy & pastes" para fundamentar a sua opinião, pois assim talvez evite lgumas declarações mais... estapafurdias. Claroque para isso, terá de encontrar alguém credível paar, a pensar como o amigo. O que me parece mais difícil... [;(]

Um abraço.

# re: AS FACES OCULTAS DA JUSTIÇA PORTUGUESA

quinta-feira, 19 de Novembro de 2009 16:40 by Espuma

Acha uma evidência o clima de suspeição generalizado promovido por uns investigadores...?!

Onde é que está a evidência? no clima? Na suspeição? No generalizado? Nos investigadores, quem?

Tá a ver a incoerência? Considera tudo o que é subjectivo uma evidência!

Por essa ordem de ideias, pode-se afirmar que o governo é incompetente, corrupto e que partidariza a justiça e o resto. Afinal, é o governo que mais perto do poder está! É lógico que o utilize!

# re: AS FACES OCULTAS DA JUSTIÇA PORTUGUESA

sexta-feira, 20 de Novembro de 2009 11:26 by xadrezismo

Pela última vez lho vou repetir, pois o amigo Espuma parece que não lê tudo (ou tem alguma dificuladade em entender o que lê, quandfo não vai de encontro aoq ue gostaria que tivesse sido escrito:

A evidÊncia da suspeição reside no facto das FUGAS CIRURGICAS AO SEGREDO DE JUSTIÇA APENAS EM ALGUNS PROCESSOS! AS MESMAS SÓ PODEM PARTIR DE QUEM TEM ACESSO AOS RESULTADOS DA INVESTIGAÇÃO (OS INVESTIGADORES). E O QUE É SUSPEITO É PRECISAMENTE SÓ HAVER FUGAS EM DETERMINADOS PROCESSOS E NÃO EM TODOS. E O FACTO DE O MOMENTO DAS FUGAS PARECER SER "ESCOLHIDO A  DEDO". E AINDA, O FACTO DE SER SEMPRE UM DETERMINADO VEÍCULO DESSAS FUGAS O MESMO QUE É ESCOLHIDO: NORMALMENTE É O SOL OU O PÚBLICO (PELO MENOS ENQUANTO ERA DIRECTOR O JMF...) E A TVI (ENQUANTO LÁ ESTAVA O CASAL MARAVILHA).

Espero que em maiusculas perceba. E isto são factos objectivos, meu caro...

# re: AS FACES OCULTAS DA JUSTIÇA PORTUGUESA

sexta-feira, 20 de Novembro de 2009 11:28 by xadrezismo

Mais um aspecto que não referi no comentário  anterior, ao Espuma:

NÃO ACHA SUSPEITO QUE TANTO PROCESSO E HISTORIETA NUNCA SE CONFIRME E REDUNDE EM ACUSAÇÃO?

E AFORMA COMO SURGIU O PROCESSO DO FREEPORT NÃO É PARA SI SUSPEITA?

# re: AS FACES OCULTAS DA JUSTIÇA PORTUGUESA

sexta-feira, 20 de Novembro de 2009 17:13 by Espuma

Respondendo ao anterior que me escapou. O Sr. Xadrez pega na palavra ?intervenham? como fundamento para a sua abordagem ao tema. Quem estava a ser escutado eram outros bandidos, por isso nada foi ao arrepio da lei. Agora o STJ irá decidir o que fazer com o bónus extra?

E não precisa gritar kinda fica rouco, ou melhor, kuma tendinite.

Tem problema cas fugas, qdo esse é um aspecto secundário e subjectivo. Em 1º pq existem fugas em vários processos e não apenas relativas à inocência pura, branquinha e imaculada do seu ministro favorito. Depois, serão fugas, ou jornalismo de investigação? E ainda, com ou sem fugas, é preferível saber quem é quem, do que andarmos enganados o tempo todo. Por exemplo, neste caso, ficámos a saber que o seu santo ministro mentiu a todos relativo ao caso da TVI. Eu quero saber mais!

Quanto ao Freeport, ainda não acabou, ou já? E se me lança uma suspeita, eu lanço-lhe duas: não acha suspeito docs do processo acerca da central de compostagem da C-da-Beira terem desaparecido? E da compras de casas? E? e há mais, sabia?

# re: AS FACES OCULTAS DA JUSTIÇA PORTUGUESA

sexta-feira, 20 de Novembro de 2009 17:36 by xadrezismo

Não sou eu que digo, caro Espuma, da importancoia do "intervenham".

Que não queira ler os links ou que queira ignorar os factos que nãolhe dão "jeito", é lá consigo. Que eu deixe passar em claro quando insinua coisas que são absurdas e falsas (O Presidente do STJ já se pronunciou caso não saiba...), garanto-lhe que não deixo.

"ficámos a saber que o seu santo ministro mentiu a todos relativo ao caso da TVI." !?!?!?

Em que baliza viu este golo? Só em sonhos, meu caro. Diga lá onde ficou com essas certezas. Leu as escutas? Ou isso é apenas uma presunção? Então não devia dizer "ficamos a saber" mas sim, "acredito que..."

Fala de casos encerados como se estivessem a decorrer (Cova da Beira e Casas...) e quanto ao Freeport, continuemos a aguardar. Mas é o amigo que sempre se refere a ele como se já tivesse "fechado" e com a condenação de Sócrates... Quando o que se julga saber, é que cada vez menos a investigação tem factos concretos que a aproximem dessa tese. Antes pelo contrário... E os Ingleses também já encerraram a aberração.

Além do mais o que eu lhe perguntei, foi se achava suspeita a forma como começou esse caso. Claro que a isso não respondeu!

Quanto ao jornalismo de investigação, dada a época do ano até lhe ficará bem acreditar tambám no Pai Natal...

# re: AS FACES OCULTAS DA JUSTIÇA PORTUGUESA

sexta-feira, 20 de Novembro de 2009 18:45 by Espuma

Peço desculpa, não me quer entender! Perdão, ainda não me fiz entender!

Mas não sabe porque é que os casos foram encerrados?!

Peço mais uma vez desculpa, por não querer saber! Perdão, por não lhe ter explicado!

Não sabia que existe jornalismo de investigação? Posso até recomendar-lhe uns livros sobre o tema.

Não lhe fazia mal nenhum acreditar um pouco no Pai Natal!

# re: AS FACES OCULTAS DA JUSTIÇA PORTUGUESA

sexta-feira, 20 de Novembro de 2009 22:40 by xadrezismo

Fazer-se entender, foi capaz meu caro Espuma! E bem...

Já explicar (ou seja fundamentar o que diz), de facto não é habitual em si. É mais do tipo "sim porque sim" e "não porque não". Mas já estou habituado, deixe lá.

Quanto ao jornalismo de investigação, sei que o há mas nestes casos das fugas, é realmente mais fácil acreditar no velhinho da CocaCola a entregar presentes, viajando de trenó. É menos fantasioso...

# re: AS FACES OCULTAS DA JUSTIÇA PORTUGUESA

sexta-feira, 20 de Novembro de 2009 22:56 by ahbruto

Caro Xadrezismo

Chego tarde mas chego.

A resposta ás questões que coloca, foi já dada por alguém muito mais abalizado que eu, pelo que passo a transcrever:

"A começar,uma escuta, autorizada por um juiz de instrução no respeito dos pressupostosmateriaias prescritos na lei, é, em definitivo e para todos os efeitos, uma escuta válida. Não há no céu, nem na terra, qualquer possibilidade juridica de a converter em escuta inválida ou nula. Pode, naturalmente, ser mandada destruir, já que sobra sempre o poder dos factos ou o facto de os poderes poderem avançar à margem da lei. Mas ela persistirá, irreversivelmente e "irritantemente, válida!"

Mais diz, o Penalista Costa Andrade (figura insuspeita de ser um dos que salivam por ver sócrates em apuros):

"...para além do processo de origem, ela(a escuta) pode ser utilizada em todos os demais processos, instaurados ou a instaurar e relativos aos factos que ela permitiu pôr a descoberto, embora não directamente procurados." e ainda " ...a utilização das escutas no contexto e a titulo de conhecimentos fortuitos não depende da prévia autorização do juiz de instrução: nem do comum juiz de instrução que a lei oferece ao cidadão comum, nem do qualificado juiz que a mesma lei dispensa aos titulares de orgãos de soberania."

Portanto as escutas são válidas.

Acrescento que Paulo Pinto de Albuquerque, professor da U.Católica afirma que " o despacho do presidente do STJ é nulo, por falta de competência do mesmo para o acto." e que " Mesmo que sejam anuladas, as escutas em que intervém o PM podem ser utilizadas como noticia de crime."

Quanto ás fugas de informação.

Não tenhamos dúvidas que são graves. Mas mais grave, é o assunto ter estado meses na gaveta dos SRs. presidente do STJ e PGR, sem ter sido despachado.

O que leva a pensar, o que teria acontecido se não tivesse existido a tal fuga.

Em casos destes e a bem da higiene da democracia, em que não vivemos, abençoada seja a alminha que meteu a boca no trombone!!!

Um abraço

ahbruto

# re: AS FACES OCULTAS DA JUSTIÇA PORTUGUESA

sexta-feira, 20 de Novembro de 2009 23:23 by xadrezismo

Caro Ahbruto

Deixe lá que também eu estou "atrasado" num comentário lá no seu canto... o tempo não dá para tudo.

Eu li hoje o que agora cita. Não sendo jurista, parece-me no entanto muito pouco sustentáveis ambas as opiniões. A alteração há lei, parece-me bem clara e lógica. Mas aguarde-mos. Sabe-se como as interpretações jurídicas são sempre passíveis de voltas e volteios...

já quanto ao que diz da violação do segredo de justiça, não posso estar mais em desacordo! É a opinião do Mário Crespo que defende. Mas não há como ter 2 pesos e 2 medidas, em questões de princípios! Isso é que nunca. Fosse Sócrates, Cavaco ou Gama os envolvidos, a minha opinião seria a mesma.

E além do mais, as fugas são sempre parcelares e "cirurgicas"... Hoje já se soube que afinal em nehuma escuta aparece o Vara a pedir dinheiro ao sucateiro! E essa foi a 1ª "informação a "fugir" para um jornal(ista) "amigo".

Por estas e outras é que eu tento não comentar os casos concretos até que tudo seja mais claro.

Cumprimentos.

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