SAUDOUSO DA STASI, ESQUECIDO DA PIDE?
Jerónimo quer que as escutas sirvam
em “processos futuros”
«“Não se trata de procurar saber os seus conteúdos, mas
naturalmente procurar manter essas provas para processos futuros e a sua
destruição irreversível seria sempre uma perda”, afirmou Jerónimo de Sousa aos
jornalistas, em conferência de imprensa.» (em Público).
Jerónimo de Sousa não resistiu e resvalou para a politiquice de chinelo,
mostrando-se capaz de esquecer todas as regras do jogo num Estado de Direito.
Ficou ao nível de Manuela Ferreira Leite e de tantos outros que fazem da
insinuação a pedra de toque na ânsia de conseguirem nos caixotes do lixo da
Justiça que temos, aquilo que não conseguem nas urnas!
Apesar de reconhecer «não dispor de elementos “para avaliar o acerto da decisão” do
Procurador-geral da República, Pinto Monteiro, sobre o arquivamento das últimas
cinco conversas entre Armando Vara e o primeiro-ministro» (idem),
e de saber que «foi
proferido pelo Procurador-geral da República “um despacho onde se considera que
não existem elementos probatórios que justifiquem a instauração de procedimento
criminal contra o primeiro-ministro ou contra qualquer outra das pessoas
mencionados nas certidões, pela prática de crime de atentado contra o Estado de
Direito, que vinha referido nas mesmas certidões”» (ibidem),
Jerónimo foi capaz de continuar a tentar manter o caso na agenda... da pior
maneira!
Quem se comporta como democrata de pacotilha, deve estranhar imenso quando
ouve ecos de países como a Argentina, onde o valor da legalidade e dos mais
básicos direitos dos cidadãos num estado de Direito, parecem ser melhor
preservados do que em Portugal:
«Um ex-comissário da Polícia Metropolitana
de Buenos Aires foi preso na sequência das investigações a escutas ilegais que
podem ter espiado a Presidente da Argentina, Cristina Fernández de Krichner, e
o seu marido e antecessor, Néstor Kirchner. Além da detenção de Jorge 'Fino'
Palacios, preso por indicação do procurador federal Alberto Nisman, o
governador de Buenos Aires, Maurício Macri, destituiu o subchefe da Polícia
Metropolitana da capital, Osvaldo Chamorro.» (em Diário
de Notícias).
Em Jerónimo, até se compreende a boutade: afinal o homem até acha que a RDA era
um exemplo de democracia e, como tal, terá saudades dos métodos da sinistra STASI,
a polícia política do regime da Alemanha de Leste, que usava e
abusava, entre outros “métodos”, de escutas telefónicas sem qualquer tipo de
controlo... Só que Jerónimo parece já esquecido do que fazia a PIDE
a tantos portugueses apenas porque alguém achava que deviam sempre haver umas
“provas” congeladas até ao momento em que fossem necessárias. E parece não
perceber que o que pode estar em causa neste momento é muito mais do que
conseguir fragilizar pela infâmia, um qualquer primeiro ministro! São as
instituições, a legalidade, os direitos mais sagrados de cada um de nós que
podem ser irremediavelmente postos em causa. E quem acha que um chip na
matrícula, coloca em causa o direito à privacidade de cada um de nós (o que até
não deixará de ser verdade), como pode escamotear os perigos inerentes a estas
tomadas de posição? No que à STASI respeita, avive-se a memória dos
“Jerónimos” nacionais, com a visita a um post recente de Daniel Oliveira,
profusamente documentado com uma série de vídeos ilustrativos de como
funcionava a “democrática” República Alemã de Leste.

No Museu Runden Ecke, mais vulgarmente conhecido como Museu da Stasi, em
Leipzig, podem ver-se alguns dos equipamentos usados nas escutas (foto tirada daqui,
com o intuito de avivar a “memória presente” de Jerónimo de Sousa)
Terá Jerónimo, com estas declarações, pretendido mostra a sua
concordância com a inusitada “suspensão temporária da democracia” de que Manuela
Ferreira Leite não se coibiu de falar na pré-campanha!? Era bom que
esclarecesse...