NEOLIBERAIS DE GARRAS AFIADAS (de novo)
Afinal a “culpa” da crise não
estava nas “falhas” da regulação/supervisão!?…
«Ulrich
rejeitou a necessidade de a banca estar sujeita a regras de supervisão internas
mais apertadas (…) "Não há
necessidade de mudar uma vírgula", defendeu o presidente do banco,
respondendo a Teixeira dos Santos que sublinhou a necessidade de reforço das
medidas de controlo interno. "Deixem-nos em paz. Deixem-nos
trabalhar.", concluiu.» (em Jornal
i, em 11 de Dezembro de 2009).
«O presidente
do BPI criticou ontem a actuação dos reguladores. “Como é possível que o
BPP tenha estes problemas todos sem que ninguém tenha dado por isso”,
questionou Fernando Ulrich.» (em Diário
Económico, de 24 de Julho de 2009)

Atente-se nas
duas declarações do Presidente do BPI, Fernando Ulrich.
Escassos 4
meses e meio as separam!
Ulrich, é bem
o exemplo do neoliberal, que aqui tenho denunciado por variadíssimas vezes: tão
depressa acusava o Estado e o seu regulador, da culpa das malfeitorias de
colegas seus sem escrúpulos (no que soa a uma pura tentativa de branqueamento
dos Rendeiros
que defraudam clientes e Estado, sem qualquer pudor), como é agora capaz de
acusar o mesmo Estado de não o “deixar em paz” quando se anunciam medidas de
maior rigor e controlo nessa mesma supervisão…
Claro que o
neoliberalismo de Ulrich, não o terá impedido de se sentir confortável com o
aval que o Estado deu à Banca de 20 milhões de Euros, no pico da crise que
abalou o sistema financeiro Mundial. Não me lembro de ter ouvido Ulrich, nessa
altura, a clamar contra o Estado que não o deixava resolver sozinho a possível
crise de confiança e de liquidez que se adivinhava para a Banca! A “almofada”
caiu-lhe que nem ginjas… Mas Ulrich não deve ignorar a realidade: os
contribuintes portugueses salvaram a estabilidade do sistema financeiro, quando
o Estado nacionalizou o BPN, não o deixando cair após as falcatruas de
Oliveiras Costas, Dias Loureiros e companhia… Os contribuintes - que são muitos
deles clientes do BPI de Ulrich - que não beneficiam de taxas “preferenciais”
de imposto de rendimentos, como o sector da Banca beneficia há largos anos! Ao
fazê-lo, o Estado auxiliou de novo Ulrich (e todo o sector) a manterem-se à
tona, impedindo que existisse no sector bancário português o que se
convencionou chamar de “efeito sistémico! Também por isso, agora que se
anunciam mais rigor na supervisão, se deveria esperar algum decoro dos
banqueiros.
Na linha de
uns certos “comprometidos” que, como referi na altura, «clamam
por menos Estado, quando o que afinal querem é um Estado que não os controle
nem os obrigue a cumprir regras e ainda os favoreça com uns subsidiozinhos»,
pronunciou-se agora Ulrich, sem pingo de vergonha!
Sobra, das arrogantes
“garras afiadas” que Ulrich não se coibiu de exibir, uma dúvida: o que terá
a ver com tudo isto, o facto de se anunciarem limitações aos bónus de gestão?
«O Governo vai tomar medidas contra a
repetição de situações "chocantes e escandalosas de pura ganância"
criadas pelos bancos quando concedem prémios (bónus) excessivos aos seus
gestores, revelou hoje o primeiro-ministro José Sócrates em Bruxelas.» (em Jornal
de Negócios)
Já não era sem
tempo! Até porque a tão propalada “responsabilidade social” com que algumas
empresas enchem a boca nas suas parangonas de marketing social, tem de deixar
de ser apenas um verbo de encher! Nem que seja pela força da Lei!
Entretanto, todos
os que passaram meses a acusar o BP e Vitor Constâncio das “falhas de regulação”
responsáveis pela trafulhice dos gestores do BPN e BPP, deviam aproveitar para
esclarecer-nos que posição assumem perante as declarações de Ulrich. Quem será
o primeiro a falar sobre isto? Paulo Portas? Nuno Melo? Manuela Ferreira
Leite? Está aí alguém? Que silêncio ensurdecedor…