A ESTRANHA "GEOMETRIA" DO ARQUITECTO SARAIVA
E um Editorial com uma semana de atraso!
Com uma semana de atraso, o semanário Sol lá publicou o Editorial -
cuja falta aqui
critiquei na semana passada – onde se dá conta da posição
oficial do jornal acerca da condenação de que foi alvo o seu Director, José
António Saraiva (JAS) e duas das suas escribas, a propósito da publicação das
escutas que uma providência cautelar proibira...
Tendo em conta que a sentença condenatória foi conhecida a meio da
semana anterior, estranho que só duas edições depois o Arquitecto Saraiva dê a
conhecer aos seus leitores a posição oficial sobre a mesma... lamento que a
peça não mereça honras de publicação online e por esse motivo não coloco
aqui o respectivo link para o texto integral onde o leitor poderia ler a
justificação para a partir de agora, o Sol ir cumprir a ordem do Tribunal que
desrespeitou semanas a fio: o argumento tem algo de Quixotesco: cumprido o “dever de informar” (como se “informação” passasse por
publicar parcial e selectivamente escutas judiciais...), o Arquitecto saraiva
acha que agora já pode “respeitá-la” (à providência a que antes não passou
cavaco! O que não é referido nem uma só vez é que cada vez que a mesma foi
ou venha a ser desrespeitada, a coima aplicada pelo Tribunal foi de 10.000
Euros, aplicada ao jornal e a cada um dos condenados... E lá se vai o
Quixotesco da coisa!
Já no artigo de opinião assinado pelo Arquitecto do “polvo solar”,
encontramos uma outra peculiaridade do rebuscado argumentário de JAS:
pretendendo demonstrar a tese (que
serve aliás de título ao artigo) segundo a qual «Sócrates
está a perder o centro», um dos exemplos a que JAS recorre é à «questão do casamento gay». Passando por cima da semântica
anacrónica que JAS utiliza acerca do assunto (em que século vive este homem!?)
sigo para a linha de raciocínio (?) do Arquitecto Saraiva: para o autor, os
sectores mais conservadores da direita e os representantes da Igreja Católica
que criticaram Cavaco Silva por ter promulgado a Lei, estão afinal, não na
extrema direita mas no... “centro”, da geometria desta «política a sério»...
que Saraiva assina!!!

A "geometria" de José António saraiva é muito difícil de entender... ou, talvez não!
Após esta estranha “geometria”, JAS esforça-se no resto do artigo,
a “demonstrar” que «a
atitude mais inteligente do PS nestas eleições seria não apresentar candidato
presidencial»!!! E lá
vem o recurso à posição de Mário Soares, que a generalidade dos comentadores de
direita passou de repente a adoptar como... um dos seus! Chegados ao fim do
texto, percebe-se que a “bucha” acerca do casamento entre pessoas do mesmo
sexo, foi ali metida à pressão, pois a intenção de JAS era apenas e só apontar
o “errado” apoio do PS a Manuel Alegre! O que, se necessário fosse, é
demonstrativo do acerto desse mesmo apoio por parte do Partido Socialista! A
não ser assim, o sr. Arquitecto – como tantos outros à direita – não estariam
tão preocupados...
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Nota final:
Não posso deixar de me congratular com outro dos artigos de opinião
desta edição do Sol, onde Vicente Jorge Silva, absolutamente na linha a
que aqui me referi ao assunto, interpela directamente Mário
Soares pelo que apelida de «quase post-scriptum da sua última crónica»:
«(...) faz
questão de dizer que se opôs à candidatura de Alegre «por razões exclusivamente
políticas». É, permita-me, uma confissão com sabor freudiano – ou, como está na
moda dizer-se, que reflecte um ‘estado de negação’. A verdade é que o dr.
Mário Soares – tal como, aliás, outros opositores socialistas a essa
candidatura – não avança uma única «razão política» para explicar a sua
atitude. Se elas existem – e é naturalíssimo que existam –, então é
fundamental explicitá-las, a não ser que sejam o que efectivamente parecem:
razões pessoais e não políticas. (...) Alegre
não tem culpa de ser o único candidato da área socialista a disponibilizar-se
para este combate político. Nenhum dos seus detractores apresentou alternativas
ou arriscou apostar declaradamente na nebulosa ideológica e um tanto patética
de Fernando Nobre. Percebo que, numa inconfessada guerra de egos, haja razões
pessoais insuperáveis para o dr. Mário Soares não poder apoiar Manuel Alegre. Mas
digo-lhe, como amigo verdadeiro, que não o enobrece confundir ostensivas razões
pessoais com omissas razões políticas.». Na mouche, Vicente Jorge Silva! Na mouche!