JOSÉ SARAMAGO (16-11-1922/18-06-2010)
Atenção às hipocrisias que se seguem

Nem se pode dizer que a notícia fosse inesperada. Desde há 3 anos
eram conhecidas debilidades no seu estado de saúde e, desta feita, a morte não
teve qualquer intermitência.
Louve-se-lhe a obra literária – que permanecerá para sempre
– sem se esquecer as suas facetas mais polémicas no que tiveram de positivo ou
negativo, em toda uma vida.
Reconheçam-se o forte apego às suas convicções - de que
nunca abdicou – e ideário, somem-se-lhe uma frontalidade
admirável e obtém-se como resultado, uma enorme coerência. Comunista
assumido – e sofrido – não se coibiu a não seguir a glosada “cassete”, sempre
que a sua consciência assim o ditava.
Não é, como bem lembrou o primeiro ministro, tempo para polemizar.
Sobretudo se a polémica se fizer em torno de figuras menores que
agora possam aparecer com hipocrisia a tecer loas - de circunstância e de
conveniência - a quem antes perseguiram... Apenas espero que no 10 de Junho de
2011, não apareça a oportunista ideia da homenagem póstuma na figura de alguma
comenda ou grã-cruz... Até porque estou convicto de que, Pilar seria fiel à
memória de Saramago, recusando frontalmente a “benesse”. Mas vale a pena estar
atento, até porque o
exemplo do que foi feito com Salgueiro Maia, está fresco
na memória!