NOBEL DA ECONOMIA APONTA BATERIAS AOS NEOLIBERAIS
...enquanto por cá se vai ouvindo o canto da sereia de Passos Coelho!

Joseph Stieglitz, o Nobel da Economia mais respeitado da
actualidade continua sem dar tréguas à “estupidez
dos mercados financeiros” e às “pensamento
de direita” que responsabiliza pela actual crise Mundial!
Desta vez, em entrevista ao Independent,
Stiglitz afirma que nos estados Unidos, o caminho devia ter sido a criação de
um Banco do Estado que garantisse todos os empréstimos à revelia das diatribes
e malfeitorias dos sacrossantos mercados…
«Nos Estados Unidos entregámos à banca 700 mil milhões de
dólares. Se tivéssemos investido apenas uma fracção dessa quantia na criação de
um novo banco, teríamos financiado todos os empréstimos necessários (…) teria sido possível atingir esse objectivo com muito
menos.». (em Económico).
Enquanto isso, por cá, vamos
sendo embalados pelo canto da sereia de um “neo genial” Passos Coelho, que
preferia… privatizar a Caixa Geral de Depósitos!!!
Mas voltemos a quem percebe da poda… Stiglitz critica abertamente
os Governos Europeus que optam por cortes cegos na despesa, lembrando que «isto é precisamente o que querem agora
os estúpidos mercados financeiros
que nos colocaram na situação em que estamos (…) é
o clássico erro de confundir a economia de uma família com a de uma nação. Se
uma família não pode pagar as suas dívidas é-lhe recomendado que gaste menos.
Mas numa economia nacional, se se corta o gasto, a actividade económica cai,
nada se inverte, aumenta o gasto com o desemprego e acaba-se sem dinheiro para
pagar as dívidas (…) A resposta à crise, defende Stiglitz,
não é reduzir o gasto público mas redefini-lo.» (idem).
Enquanto isso por cá, o fascínio pelo tremendismo de serviço à
direita, volta a fazer-se sentir… seria bom que se ouvisse Stiglitz a quem o
Mundo há bem pouco tempo foi obrigado a dar razão quando o “leite já se
derramara”… Não há igualmente muito tempo, em Portugal, ele lembrou:
«O pensamento da direita sobre a economia de mercado - provou-se
agora - está errado. (…) A direita dizia que os mercados se
regulariam por si, se ajustariam por si, que se houvesse algum problema os
mercados arranjar-se-iam por si e muito rapidamente (…) havia a noção da sobrevivência dos mais fortes. Mas os
bancos mais prudentes não sobreviveram - foram os bancos que arriscaram mais
que sobreviveram (…) por isso mesmo, a crise fragilizou
todas as teorias da direita.
(…) os mercados são em
geral ineficientes quando a informação é imperfeita. E a informação é sempre
imperfeita» (Stiglitz em conferência dada em
Portugal).