?SOU TÃO BOA E NINGUÉM ME QUER!??
Manuela Moura Guedes está “em leilão”?
A TV Guia noticiava
ontem que MMG estaria a negociar com a TVI a sua desvinculação do canal, por
uma verba que rondaria os 600 mil euros. Hoje, a ex-pivô concede ao Diário de Notícias uma eloquente
e extraordinária entrevista onde aparece de forma assumida uma
espécie de “leilão” a fazer lembrar aqueles jogadores de futebol que conseguem
um contracto fabuloso com um grande clube e que, depois de se revelarem autênticos
pés-de-chumbo, ameaçam não sair a não ser a troco de chorudas indemnizações! Com
a diferença que, nesses casos, há quase sempre o recurso a um “empréstimo” do flop a um clube com menos aspirações. Dramático
é que no caso de MMG parece que ninguém mais quer ficar com o “talento” nas
suas fileiras…
Transcrevo de seguida alguns excertos da fantástica entrevista:
«Eles [TV Guia,
que ontem referiu que Manuela Moura Guedes estaria a exigir 600 mil euros, para
rescindir contracto com a TVI] gostam é de fazer títulos. Estas revistas auto-apelidam-se de
jornalismo. É asqueroso.».
Lê-se e não se acredita! É
preciso uma grande lata para esta “jornalista” que sempre deu primazia à sua
própria agenda política e ao sensacionalismo tablóidesco, atropelando todas as regras do jornalismo sério, vir
criticar colegas de profissão, sejam eles quem forem…
«Mas está ou não a
negociar [a saída da
TVI] com a administração?
Eu sei lá.»
Como!? A “ignorância” de MMG percebe-se logo a
seguir:
«Não sabe? Já falou ou
não com alguém da TVI para rescindir?
Nunca. Claro que se me oferecerem uma quantia de dinheiro que
seja justa, vou pensar nisso. Neste momento não há nada disto.»
Afinal, “eu sei lá” anterior significa: “como ainda não me deram a massa que eu quero, continuo apenas a
pressioná-los nesse sentido, mas nem sei se isto é negociar”…
«E que a discussão
começou em um milhão de euros...
Se me oferecerem um milhão de euros, eu saio.»
E aqui, a “negociação” (dizendo melhor: “a pressão”) é
assumidamente feita através das páginas do DN… 1 milhão de euros “chega” para a MMG saciar o seu “talento”!
«O que me faz pena é ver a informação da TVI chegar onde chegou.
Ver o trabalho todo que tivemos e ver esse trabalho perdido. (…) É a factura que estão a pagar da falta de credibilidade. A
informação da TVI anda praticamente sempre em terceiro. É uma coisa que mete
dó. Quando pegámos naquilo, a informação da TVI não tinha credibilidade, e
agora está a voltar ao abandono. (…) nós
éramos a informação que dava mais economia, que mais aprofundava os assuntos.
Eu nunca dei crime no jornal de sexta. Nunca fomos para assuntos fáceis. (…) Não tem credibilidade, é feita de fait-divers [a actual informação da TVI] (…) Estão sistematicamente a fugir aos
assuntos que fazem parte da realidade do País.»
Fantástica a auto-promoção que Manuela Moura Guedes tenta fazer da
sua interpretação muito peculiar do que é um “bom” jornalismo de informação!
Mas a ser assim, não se percebe porque,
ao fim de tanto tempo, não houve ainda quem deitasse a mão a tão excelsa
“jornalista”, contribuindo até para que a sua “doença” prolongada, termine de
vez e deixe de custar sabe-se lá quanto, à Segurança Social… Mas a estocada
final na sua saga revanchista contra quem não a secundou na TVI, é servida de
seguida. De forma viperina:
«Uma vez mais, critica o
Júlio Magalhães, director de Informação da TVI.
O Júlio Magalhães é um óptimo entertainer. Não é jornalista.
Concluiu isso agora ou já
tinha essa opinião quando era subdirectora e ele mero jornalista?
Fui formando essa opinião à medida que fui trabalhando com ele.
Ele está mais à vontade a fazer coisas no entretenimento do que na informação.
Outra coisa que não resultou foi a dupla Júlio Magalhães/Marcelo Rebelo de
Sousa. Até agora, se não me engano, ganharam no primeiro dia e, mais uma vez,
há duas ou três semanas. E por pouco. O jornal de domingo tem sido um derrotado
sistemático, e isto apesar do investimento feito no Marcelo. Foi um desastre.
Nem isso funciona, tal a descredibilização que tem a TVI.
E isso deve-se a quê?
À mudança radical na filosofia da informação.»
Ao pé disto, o “depois de
mim, o caos” do final do Cavaquismo, é reduzido a cacos! Manuela Moura Guedes acha-se mesmo a superstar do jornalismo nacional! Mais uma vez: não haverá ninguém
“inteligente” que a contrate, porquê!?
« (…) Houve uma coisa que aprendi ao longo
deste último ano.
Que foi...
Pode parecer um pouco pretensioso, mas sempre carreguei nos
ombros a responsabilidade e a angústia de alertar as pessoas. Mas, a partir do
momento em que escolhem o seu destino estando
alertadas...
Está a falar de quem?
Do povo português. As pessoas estão mal, mas querem continuar
dessa forma. Fiquei surpreendida, mas ao mesmo tempo aliviada. Eles sabem, já
não tenho de ser responsável por eles. Isso tirou-me um pouco o fascínio do
jornalismo mas deu-me paz de espírito. Já sinto algum distanciamento. A minha
forma de fazer jornalismo mudou com isso.
Quer dizer que voltará de
uma forma diferente?
Se calhar. Já conheço melhor os destinatários. É um povo mais
complicado, menos reactivo, conformado. Por isso, sim, seria naturalmente
diferente. Muito menos inquieta porque não carrego esse peso, essa inquietação.
O meu jornalismo seria diferente. Aliás, será diferente. Tenho alguma esperança
de que não tenha morrido. A minha "morte" foi francamente exagerada
na avaliação financeira.»
O corolário normal do rumo que a conversa tomou: afinal, o “povo português” não merece ter uma
“jornalista” do gabarito de MMG!!! E a angústia existencial quase se
pressente na promessa de “uma forma diferente” de fazer jornalismo no futuro!!! Pela minha parte de “povo português”,
poderá MMG ficar descansada no gozo do seu merecidíssimo repouso actual, pois
continuarei a tentar não “merecer” o seu alto gabarito, mesmo que isso me
remeta para o limbo dos epítetos com que mimoseia todos os que não a vêem como uma
espécie de Pasionara (ainda que numa versão de dondoca, com perfume de Cascais
e modos de Alcântara…) das pantalhas televisivas…