AS INCONGRUÊNCIAS DA XENOFOBIA
Hellas,
Sarkozy!
O incontornável Sarkozy, motivou Ferreira Fernandes
para uma crónica brilhante (como quase sempre...) no Diário de Notícias:
«O cardeal Mazarin nasceu Giulio Mazarino, em Nápoles, e foi
primeiro--ministro francês, de Luís XIV. Marie Skolodowska nasceu em Varsóvia,
foi Nobel da Física duas vezes mas entretanto já era Madame Curie e francesa.
Três tipos juntaram-se e fizeram três grandes filmes: Z, A Confissão e Estado
de Sítio. O que escreveu as histórias nasceu em Madrid, Jorge Semprún, o que
realizou nasceu em Atenas, Costa-Gravas, e o que deu cara nasceu numa aldeia
italiana, Yves Montand. Três filmes franceses, três tipos franceses. Também
Serge Reggiani, nascido italiano, Dalida, nascida no Cairo, e Moustaki, nascido
em Alexandria, se tornaram cantores franceses. Johnny Halliday não conta, o pai
é que era belga, Johnny nasceu em Paris, não entra neste rol de naturalizados
(já a primeira mulher, Sylvie Vartan, nasceu búlgara). Belga de nascimento era
Marguerite Yourcenar, a primeira mulher eleita para a Academia Francesa. Por
escrever bem em francês, como Milan Kundera, que nasceu em Brno, na Moldávia.
Todos franceses. Mas, atenção, de segunda. Esta semana, Sarkozy decidiu que há
essa raça à parte: franceses a quem se pode tirar a nacionalidade porque não
nasceram franceses. Como é que ele explica isso lá em casa à mulher, que
nasceu italiana, e ao pai, que nasceu húngaro? Diga-se, entretanto, que
Napoleão escapa: nasceu em Ajácio, três meses depois de a Córsega se tornar
francesa. Uff...» (por Ferreira
Fernandes em Diário
de Notícias).
Também por cá, ciclicamente, alguns políticos “responsáveis”(?)
abrem “Portas” a discursos xenófobos do mais básico populismo. Talvez lhes
fizesse bem ler este pequeno texto de Ferreira Fernandes... pelo menos para não terem o azar de serem enxovalhados publicamente, como Sarkozy é, neste caso!
