AS "QUEIXAS" DO SINDICATO DOS MAGISTRADOS
Quem se “incomodou” primeiro, e primeiro retaliou?
«Os cortes de vencimentos programados
pelo Governo na proposta de Orçamento do Estado para o próximo ano constituem
uma “factura” pelo “trabalho” dos magistrados em processos que “incomodaram” os
boys do Partido Socialista, acusa o presidente da Associação Sindical dos
Juízes Portugueses (ASJP)» (na generalidade da imprensa Nacional, e no site
da ASJP).
O Presidente dessa coisa verdadeiramente estranha que é um
sindicato para defender os titulares de um... órgão de soberania, António
Martins, queixou-se com despudor da perda de algumas mordomias dos
magistrados - nomeadamente da tributação em sede de I.R.S. dos aberrantes
subsídios de... residência(!!) e subsídio de... renda(!!), a que os referidos
doutos têm direito -, no âmbito das medidas de austeridade proposta no próximo
Orçamento de Estado. É bom lembrar, que o montante de cada um daqueles subsídios
é aproximado do valor do salário médio nacional, uma vez que cada um dos mesmos,
é de cerca de 700 Euros e a remuneração média dos portugueses é de 777 Euros!!!

António Martins, o presidente da Associação Sindical dos Juízes Portugueses
Está o sindicalista no seu pleno direito e até me congratulo por
ouvi-lo finalmente a fazer uma declaração onde se pronuncia em defesa da classe
que diz defender: normalmente ouço o Sr. Presidente da ASJP a proferir
declarações políticas como se fosse apenas mais um dirigente da oposição!
O problema das presentes declarações prende-se, a meu ver, com
alguns aspectos em que o “meretíssimo” sindicalista incorreu:
1.- Queixar-se numa altura destas, como se os cortes afectassem
não todo o funcionalismo público mas apenas uma classe e, logo por sinal, das
mais bem remuneradas da função pública, parece-me um exercício que o coloca
ao nível daquele deputado do PS que reclamava da fominha que ia ter de passar
daqui em diante: ridículas ambas as situações, para ser “macio” na
adjectivação!
2.- O argumento da retaliação que o “juiz-caviar” utiliza, não
poderá ser lido de forma simétrica? Vejamos:
a)
não foi
a partir do momento em que no 1º “Governo-Sócrates”, foram afrontados os
interesses corporativos da classe dos magistrados (lembram-se da “barulheira” que as
“togas” e “becas” fizeram, logo a partir do momento em que o governo encurtou
de 2 para 1 mês, as férias judiciais?...), que começaram as “fugas de
informação” cirurgicamente selectivas e encaminhadas para jornalistqas amigos?
b)
Não foi a
partir desse momento que se multiplicaram as violações sucessivas do segredo de
justiça?
c)
Não
continua a ser um mistério para muitos, que essas mesmas “fugas” e “violações”
apenas ocorram, relativamente a processos que envolvam o Governo, membros do PS
e, particularmente, aqueles em que o nome José Sócrates apareça (ou conste que
possa vir a aparecer, como no Freeport), enquanto que nos casos “BPN’s”,
“Furacões”, “Sobreiros”, “Preto-do-braço-ao-peito” e outros que envolvam
figuras do Cavaquismo ou de outras facções do P”SD”, o fenómeno não se repita!?
A este propósito, recordo-me de ter
escrito por alturas do início do “Face Oculta”, um texto que intitulei “AS
FACES OCULTAS DA JUSTIÇA PORTUGUESA”, onde a propósito me interrogava se
“existirá corrupção onde menos se poderia esperar, ou são apenas
incompetentes?” ...
E recordo também a
forma como se iniciou o “caso Freeport” com o envolvimento directo de
representantes desta classe no forjar de uma carta “anónima”...
Fica pois a pergunta: Quem se “incomodou” primeiro, e primeiro retaliou?
E, a talho de foice, interrogo-me se saberá o “altíssimo” António Martins,
que uma grande percentagem de funcionários públicos, estaria disposta a trocar
de posição com os seus sindicalizados, no que respeita aos resultados do “roubo”
de se dizem vítimas! Desde que, na “troca” de papéis, estivessem também incluídos
os respectivos salários e subsídios de uns e outros, claro!