SOL

tinto, broa, azeitonas & taxas

Outro dia, de roda de umas taças de tinto, broa e azeitonas, com uns colegas num tasco cá da santa terrinha, conversava-se sobre os meandros escuros dos negócios lícitos, das novas tendências, é claro que tudo o que se dizia, passava-se os olhos em redor, para se ver se alguma parede continha ouvidos, de facto tinha mas, o ouvinte em questão só veio reforçar o que se dizia e com provas. Pediu licença para se intrometer na conversa, tirou do bolso dois papéis e mostrou à mesa. Todos nós na nossa santa terrinha, sabíamos que o ouvinte em questão é um excelente profissional, de poucas falas, boa pessoa e estava desempregado e dedicava-se a fazer uns biscates, para tentar equilibrar as suas finanças. O que não sabíamos era o motivo que o levou a este seu novo estatuto profissional. Contou como lhe fizeram a vida num inferno, e o por quê durante sete anos, numa fábrica da região, que culminou com o seu despedimento, passou pelo médico de família, do qual teceu largos elogios assim como do psiquiatra que o vinha a assistir nestes últimos meses. Mas, como é moço que trabalha desde os 13 anos de idade e, já conta com 35 anos de trabalho, assim que se achou capaz de enfrentar novamente o trabalho procurou-o. Dizia ele que era um emprego modesto, que estava a servir para a sua reabilitação. O que não sabia é que tinha apenas mudado de moleiro. Quanto aos dois papéis, um era da segurança social que lhe tinha concedido finalmente o subsídio de desemprego, que rondava grosso modo os 1000€, o outro era o seu talão de ordenado que se aproximava escandalosamente dos 500€, mas não era tudo, a taxa para a segurança social que lhe estava a ser cobrada era de 23,75%.

Ó Portugal, Portugal portugal

Publicação: 16 Novembro 06 11:56 por xing

Comentários

# guiaecologico said on Dezembro 13, 2006 17:32:

pois eu conheço uma história pior...Um trabalhador vítima de acidente de trabalho a quem ao fim de 7 anos foi dada incapacidade total depois de um processo em tribunal em que houve marcadas 16 juntas médicas das quais se realizaram 5.Foi "reclassificado" i.e. foram-lhe atribuidas funções abaixo das suas qualificações. Ao fim de 5 anos tinha "corrido" 10 locais de trabalho. A empresa dizia que lhe dava "oportunidades" mas colocava-o sempre em funções temporárias. Depois as avaliações de desempenho eram sempre negativas mas nunca o deixavam assina-las para não poder responder.  Ainda continua nesse filme de terror onde existe um isolamento e uma pressão por parte dos colegas pois onde ele é colocado a trabalhar há sempre um horror de que outro colega caia nessa situação.

Enfim, o que se aconselha?

# xing said on Dezembro 17, 2006 23:08:

Caro amigo, visto a justiça não funcionar como todos sabemos, e provavelmente o trabalhador em causa, devido a ano após ano se encontrar debaixo de uma pressão terrível, com todo o ambiente de trabalho envenenado e armadilhado, provavelmente precisa de alguém que lhe mostre que a vida tem outros caminhos, nem que seja mais modesto, vale sobretudo aqui encontrar outro emprego que lhe devolva a dignidade e a paz e tranquilidade, ou seja a sua saúde. O que nos vale é ainda haver médicos de família e psiquiatras que nos podem ajudar, bem sei que estes, por seu lado poderiam pressionar o sistema a combater este tipo de crimes.

Entretanto poderá valer a pena consultar um bom advogado e o sindicato

Tem que ajudar o seu amigo a desligar-se do sistema, se ainda for a tempo.

Um abraço

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