tinto, broa, azeitonas & taxas
Outro dia, de roda de umas taças de tinto, broa e azeitonas, com uns colegas num tasco cá da santa terrinha, conversava-se sobre os meandros escuros dos negócios lícitos, das novas tendências, é claro que tudo o que se dizia, passava-se os olhos em redor, para se ver se alguma parede continha ouvidos, de facto tinha mas, o ouvinte em questão só veio reforçar o que se dizia e com provas.
Pediu licença para se intrometer na conversa, tirou do bolso dois papéis e mostrou à mesa.
Todos nós na nossa santa terrinha, sabíamos que o ouvinte em questão é um excelente profissional, de poucas falas, boa pessoa e estava desempregado e dedicava-se a fazer uns biscates, para tentar equilibrar as suas finanças.
O que não sabíamos era o motivo que o levou a este seu novo estatuto profissional.
Contou como lhe fizeram a vida num inferno, e o por quê durante sete anos, numa fábrica da região, que culminou com o seu despedimento, passou pelo médico de família, do qual teceu largos elogios assim como do psiquiatra que o vinha a assistir nestes últimos meses.
Mas, como é moço que trabalha desde os 13 anos de idade e, já conta com 35 anos de trabalho, assim que se achou capaz de enfrentar novamente o trabalho procurou-o.
Dizia ele que era um emprego modesto, que estava a servir para a sua reabilitação.
O que não sabia é que tinha apenas mudado de moleiro.
Quanto aos dois papéis, um era da segurança social que lhe tinha concedido finalmente o subsídio de desemprego, que rondava grosso modo os 1000€, o outro era o seu talão de ordenado que se aproximava escandalosamente dos 500€, mas não era tudo, a taxa para a segurança social que lhe estava a ser cobrada era de 23,75%.
Ó Portugal, Portugal portugal