Quando eu
entro num banco e ali procedo a um depósito do meu dinheiro estou, na
prática, a emprestar dinheiro a esse mesmo banco. Um “empréstimo”
pressupõe, por definição, a cedência de uma coisa a outrem, com a condição de a coisa ser devolvida. Tratando-se de um banco, e porque as condições assim o definem, a restituição deverá ser acompanhada de juros respectivos.
Na religião islâmica, um dos cinco pilares do Alcorão impõe a caridade como um dos preceitos a cumprir pelos crentes. A religião católica parece não impor tal virtude,
mas sempre vai dizendo que “Quem dá aos pobres, empresta a Deus”. E
este é o busílis da questão, quanto a mim. Ao aconselhar seus crentes a
praticar a caridade, ou seja, a dar aos pobres está, implicitamente, a
prometer que Deus devolverá a dádiva. Se com juros ou sem eles, não
interessa. O que conta é que o dador tem a “garantia”(?) de que a
dádiva será devolvida. Pelo que, o que deveria ser um acto de amor e
solidariedade, acaba por ser um acto interesseiro.
Não é caridade, É UM INVESTIMENTO.