Glosa
Nize, ouço as tuas razões,
porém não sei que te diga
entra a doer-me a barriga
temo cagar os calções.
Buscarei ocasiões
em que não venha de parto;
perdoa se assim me aparto,
mais não posso demorar-me;
ai, ai, ai que entro a alagar-me,
adeus, Senhora, que eu parto.
II
Mas se hei-de ir por mim cagando,
ou tendo dores a fio,
vou aqui ao teu bacio,
tu vai daqui conversando:
deixa-me ir espeidorrando,
que a m.erda já vem atrás;
caga tu, Nize, e verás
o cagar que gosto tem,
porque, em tu cagando bem,
descansada ficarás.
III
Conversemos: sem razão
maltratas a quem te adora;
Lá vão dois peidos agora,
Lá vai mais um cagalhão.
Que grande consolação
é este de despejar!
Em casa é bom; mas ao ar
é melhor; mas toma tento,
põe tu, Nize, o cu ao vento,
se algum dia te lembrar.
IV
Por ora tenho cagado,
mas fico em desconfiança
que esta contínua cagança
mate teu rigor cansado.
Mas se o que até aqui hei cagado
nenhum abalo em ti faz,
as tripas cagar verás,
cagar a alma, e o teu amor,
a ver se, por tal fedor,
compaixão de mim terás.