SOL

Salpicos

Cobra2 

Brilhantes bolinhas de luz, irregulares em forma e tamanhos, inundavam minha manta lisa, dum cinzento esverdeado, que me protegia,  de frio e  das moscas poisando e voando em redor; era o sol nascendo, passando seus ainda fracos raios por entre as folhas pequenas e espinhos longos de grande espinheira.  Abrigáramo-nos ali, chegados tarde a noite, para a passar, e prevenir  com a sombra que depois faria, certamente,  num dia que chegaria quente.

Madrugada, em terras da Caála, à beira da povoação, gado por ali pastando, bovinos que com seu porte inspiravam respeito, mais ainda a quem deitado no chão lhe pareciam muito maiores,  mirando-nos.

Receios, em aventura gostosa naquele mato, preparando acampamento para fazer refeições em fogueira de lenha achada, carregada em saco ou pano arrastado, durante  caminhada ao sol.

Em clareira do  terreno mais regular, se armava mesa, colocavam bancos em redor e, sobre caixas se fazia apoio de latas, garrafas e géneros necessários a cozinhar.

Vinham no meio das tarefas,  histórias de cada um, muitas inspiradas no lugar, outras em sítios idênticos, sempre surgindo em jeito de estoicismo, com desfecho de vitória, sobre medos ou situações imprevistas.

Cobra1Contava Ester, nascida e criada em Angola, com muitos períodos de tempo passados em povoação isolada, que por hábito, e para prevenir surpresas, sempre antes de se deitar, procurava em todos os cantos, a possível existência de uma cobra ou qualquer outro animal indesejado.   Tivera porém uma noite  de  pôr à prova a sua bravura e conhecimento  para  se livrar de uma "mamba" que lhe  caíra na cama, vinda do teto, desenrolada de trave de escura madeira, onde  morava silenciosamente.

De cobras, perigosas ou não, vêm sempre várias narrativas, algumas de arrepiar porque, à  parte o medo, infundem uma grande repulsa a muita gente,  pelo rastejar sinuoso e ausência de ruído que as denuncie, e aspeto viscoso, por vezes, embora as haja belas, salpicadas de cor.

Também houve quem  tivesse uma por perto, muito perto mesmo, enroscada no pedal de jeep, em viagem por "terras de fim do mundo".  Descobri-la a tempo e saber como proceder para a jogar longe, seria milagre para  poder depois contar...

Publicação: sexta-feira, 3 de Fevereiro de 2012 21:41 por Zory
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Comentários

# re: Salpicos

Interessante!

sábado, 4 de Fevereiro de 2012 19:39 by ManueldaZica

# re: Salpicos

Boa tarde

ManeldaZica

Muito agradeço a visita e comentário que me deixou.

Por Angola foram bastantes os episódios curiosos que ouvi, todos contados com muita seriedade e emoção, tanto mais que o povo tem imenso respeito por animais que teme.

O rapaz da fotografia, embora o pareça, não era mendigo e nem pobre, era dono de gado em quantidade muito significativa, que mantinha por ser "riqueza"...

Cobras, como tantos animais selvagens, são prejuízo grande para quem tem gado.

Irei tentar manter o meu Blogue com "pontinhos", ou salpicos de histórias de vida minha e d'outros...

Cumprimentos

Zory

domingo, 5 de Fevereiro de 2012 15:36 by Zory

# re: Salpicos

Olá Zory,

           Parece termos a mesma paíxão por África, e onde a mesma ocupou nos deu saberes de vivências que irão sempre perdurar no tempo até á nossa partida para um Mundo distante.....

Aprendi com as cobras, um animal que para mim é fascinante, porque é inteligente, nunca peguei em nenhuma mas gostaria ( cobras rastejantes, porque outras já tenho pegado).

Lembro-me que um dia no meio do mato ( onde quase sempre vivi) ao sair da porta da cozinha para as traseiras dei com o meu irmão a andar de baloiço e uma piton atrás dele  de porte elegante, de meio corpo levantado, baloiçando-se graciosamente á espera do momento para atacar, fiquei estupfata com a imagem, encadeada pela majestade da mesma e pelo perigo que o meu irmão corria. Gritar não podia porque iria assustar o meu irmão, de modo que a resolvi enfrentar a situação mostrando-lhe que havia ali outra pessoa atirando-lhe uma pedra ficou desorientada afastou-se e ai GRITEI em plenos pulmões de tal modo que veio meio mundo tentar matar

a  mesma até pneus se incendiarão pois o cheiro de borracha queimada afasta-as, mas a certeza porém é que ninguem mais deu por ela, mas foi uma espectáculo emocionante.

No mato também uma criada de uma prima do meu ex. marido meteu uma jibóia dentro de casa para matar a patroa por ciúmes pois que a criada tinha três filhos do marido dela e ela tinha chegado á pouco vindo da Metrópele casada por procuração, mas como a prima do meu ex. tinha mais veneno que a cobra matou a cobra afastou a criada e ficou-lhe com os filhos até hoje.

História de vida onde muito se aprende, mas se sorri também.

Bjo.

Beijo.

terça-feira, 7 de Fevereiro de 2012 16:32 by LUCINDA

# re: Salpicos

Olá

Lucinda

Gostei de a fazer recordar casos da vida passada em África que tanto nos deslumbram e marcaram para sempre, tal histórias fantásticas que povoam a mente das nossas crianças, com a diferença de termos mesmo feito parte delas, num mundo que tanto nos seduzia.

Muita verdade na maneira diferente de resolver questões, por métodos aceites em diferentes culturas.

Obrigada por aqui contar este pedacinho das suas lembranças que me apoiam.

Beijos

Zory

terça-feira, 7 de Fevereiro de 2012 17:44 by Zory

# re: Salpicos

Olá Zory.

Gostei de ler mais este pedacinho das suas memórias, aquela cobra é que me fez arrepiar: tenho fobia às cobras. Aquela que ali está parece viva, será que estava na altura que foi fotografada?

Beijinho

quinta-feira, 23 de Fevereiro de 2012 20:31 by laranjeira

# re: Salpicos

Boa tarde

laranjeira

Que bom tê-la aqui de visita, comentando as minhas lembranças...

São sempre coisas vividas ou contadas por alguém que as viveu comigo ou muito perto de mim, podendo eu registá-las e gravá-las geralmente com muita fidelidade e sempre com a nostalgia dum passado...

Estava sim viva, a cobra em cima do gerador!

Um bom fim de semana, beijinho

Zory

sexta-feira, 24 de Fevereiro de 2012 11:57 by Zory

# re: Salpicos

Zory olá.

Passei para ver as novidades.

Tenha um excelente fim de semana!

Beijinho

Deixo música, não sei se é o seu estilo: eu gosto, principalmente se as letras me dizem algo, habituei-me desde pequenina a ouvir fado com os meus pais.

http://youtu.be/Bv8KZoLzbec

sábado, 17 de Março de 2012 14:12 by laranjeira

# re: Salpicos

Olá

laranjeira

É tarde de domingo e que bem soube vir aqui e ter um bom fado para ouvir! Obrigada, adorei.

Gosto imenso de fado e aproveitei para dar uma "voltinha" por mais alguns que fui procurando!

Encantada com a ideia!

Beijinho

Zory

domingo, 18 de Março de 2012 14:38 by Zory

# re: Salpicos

Zory

A cobra a subir pelos veios do Jeep ,isso é África e não era o primeiro a tentar dormir uma soneca depois depois de beber um folha ou duas de "marufo" e ficar ali mdeitado a curá-la e a giboia a servir de travesseiro

è AÁfrica(e não ponho mera porque ainda é)

Um bjº

lafornelas

domingo, 18 de Março de 2012 14:50 by lafornelas

# re: Salpicos

Minha querida e líndissima amiga Zory...saudades de ti, muitas.

Beijinhos

domingo, 1 de Abril de 2012 17:33 by Lynce

# re: Salpicos

Se me quiseres reencontar estou aqui

partilhardifrencas.blogs.sapo.pt

domingo, 1 de Abril de 2012 17:34 by Lynce

# re: Salpicos

Olá Zory

Sabes que adoro as tuas histórias e memórias africanas mas tenho também grande fobia a cobras, talvez por ver muitas nas mangueiras do mato onde colhíamos as mangas madurinhas e cheirosas que elas também cobiçavam.

Beijinhos

sábado, 21 de Abril de 2012 8:31 by OlindaGil
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